O meu amigo Antunes Severo, diretor geral do Instituto Caros Ouvintes, criou uma expressão – sem medo de ser nostálgico – a qual considero genial e bastante feliz para ser aproveitada até como jargão publicitário. e que ele precisa registrar urgentemente para que outros aproveitadores não se adonem da mesma.
Nos dias atuais, somos constantemente bombardeados pela filosofia de sempre louvar a Deus pela graça de estar vivendo no presente, deixando de lado os tempos idos que não voltam mais e também desconsiderando o futuro desconhecido e ainda iminente.
Um pouco de romantismo e nostalgia não faz mal a ninguém – assim eu parafraseio um título de uma crônica anterior para justificar esse nosso apego pelas coisas de outrora, cujas recordações, boas ou ruins, representam uma fonte de experiência e resguardo da memória coletiva.
Um exemplo concreto que nos ocorre está aí representado pela fidelidade para com seus antigos admiradores do pianista Norberto Baldauf em manter o seu Conjunto Melódico por mais de meio século na ativa, realizando bailes memoráveis para surpresa e gáudio de todos aqueles românticos incuráveis.
O assunto já foi tema do livro, recentemente lançado na praça, de autoria do jornalista Marcello Campos intitulado Week-End no Rio que conta a trajetória desse Conjunto através de um século e meio de existência.
Ricamente ilustrado, chamou-nos atenção uma das fotos dos anos cinqüenta em que aparece a formação original do Melódico, composta por Raul Lima (violão elétrico, guitarra), Victor Canella (acordeom), Léo Velloso (contrabaixo, empresário, showman), Fausto Touguinha (ritmo), Wilson Baraldo (bateria), Norberto Baldauf (piano) e Luiz Octávio (crooner), todos eles englostorados, com gravatinhas borboletas, os cinco primeiros na vestimenta característica de casacos azuis.
Já em 17 de setembro de 1983, quando se realizou a Noite do lembra? nos salões da Sogipa, marcando o reencontro dos componentes do grupo, desta vez não contando com a presença do saudoso Léo Velloso, a nova fotografia mostrava a equipe enxertada de outros elementos posteriores como Heitor Barbosa (vibrafone), Sadi Silva (baixo), Carlos Calcagnoto (bateria) e Edgar Pozzer (crooner).
Victor Canella, Léo Velloso, Fausto Touguinha, Wilson Baraldo e Léo Belloni foram desfalques de saudosa memória, enquanto Luiz Otávio, Heitor Barbosa, Sadi Silva e Carlos Calcagnoto afastaram-se por vontade própria; portanto, Raul Lima, Norberto Baldauf e, eventualmente, Edgar Pozzer, são os remanescentes que atuam no Conjunto Melódico, presentemente apresentando-se em eventos como o da recente reunião dos colecionadores de carros antigos, comemorativa dos 28 anos do Veteran Car Club do Brasil-RS.
Zé Vidal (teclado), Vilmar Neto (contrabaixo), Marcelo Quadros (crooner, violão), Norberto Baldauf (teclado, piano), Zé Carlos (percussão, voz), Daniel Lima (bateria) e Raul Lima (guitarra) estão aí para o que der e vier, conseguindo emplacar um baile a cada mês.
E o nosso jovem Raul Lima que hoje assopra 84 velinhas no bolo da sua existência, é dos mais entusiastas nessa continuidade do espetáculo, apesar das inúmeras defecções por que já passou o Melódico Norberto Baldauf, uma verdadeira instituição da nossa cultura musical.








