sábado, 5 de abril de 2008

Em legítima defesa da própria honra

Não sei como apareceu lá em Jaguarão um fotógrafo de Pelotas a fim de retratar os formandos da Escola Técnica de Comércio para que cada um trocasse com os demais colegas as fotos que seriam postadas no seu álbum de lembrança. Esse cidadão tinha uma estampa bastante parecida com o Amigo da Onça, da revista O Cruzeiro - casaco trespassado, ombreiras largas, abotoaduras nos pulsos da camisa, gravatinha borboleta, calças com bainha afunilada, sapatos de verniz de bico fino e a cara então era sem tirar nem por a mesma daquele personagem.
Eu não fazia parte daquela turma de formandos, pois estudava em Porto Alegre, apesar de freqüentar os encontros rubiáceos no Café do Comércio, onde a gente ia jogar conversa fora; eram velhos amigos, companheiros das noitadas nas pensões da zona ou então do futebol de salão, em que alguns costumavam atuar no campeonato local. A gente ali na roda do cafezinho e ele, bom de papo, insinuava-se imperceptível, contando piadas, discutindo futebol e conquistando o pessoal com as suas refinadas maneiras; sabia vender o seu peixe como ninguém e, quando nos dávamos conta, ele já era um dos nossos.
Um dos companheiros, o Nico, não era lá muito bem dotado de atributos estéticos, mas apesar do seu porte franzino, tinha o seu cartaz como aguerrido atleta do Esporte Clube Cruzeiro do Sul. Pois esse nosso Amigo da Onça caiu na asneira de garantir ao Nico que tiraria uma fotografia artística sua, que ia dar uns retoques aqui e ali, nem o próprio se reconheceria - o Marlon Brando (naquela época era o xodó das gurias) que se cuidasse, pois logo logo elas iriam trocar as figuras nas paredes de seus quartos.
E lá se foi o Nico, faceirito que nem mandalete de donzela, junto com o Amigo da Onça para as poses no seu estúdio instalado dentro do quarto do hotel – spot pra tudo quanto é canto, tinha iluminação para tirar qualquer sombra, até mesmo de nariz avantajado, estava caprichando naquela sessão super cansativa a que se submetiam os mais famosos modelos do mundo.
Concluídos os trabalhos de fotografar todos os formandos, voltou a Pelotas para revelar os negativos e tirar as cópias dos mesmos, retornando logo após a Jaguarão para fazer as entregas das encomendas. Encontrando o Nico junto com a turma no Café, passou-lhe às suas mãos as respectivas fotos – decepção do dito cujo com a fidelidade ao original – horrorosas em sua opinião, não as quis receber.
Aí, o Onça propôs ao Nico resolver a pendência numa partida de snooker – ganhasse o Nico ficaria com as fotos e não precisava pagar, caso contrário ele Onça receberia o pagamento devido. O Nico meio que regateou, mas terminou topando, já que o outro confiava demais no próprio taco e, assim acertados, os demais da turma como testemunhas, dirigiram-se ao Snooker do Darcy ali perto, para esse duelo a fim de lavar a honra ultrajada.
No cara ou coroa, coube a tacada inicial para o Onça, seguindo-se depois as encaçapadas sucessivas do Nico até a bola 7, liquidando a fatura numa noite de Rui Chapéu.
Porém, o Onça não se convenceu que tinha diante de si um dos mais famigerados caçadores de marreca da região, pedindo revanche mediante aposta do valor das fotografias. O Nico meio que sorriu disfarçadamente (eu não quero te massacrar, cara!) e fechou na hora a parada; desta vez, no entanto, resolveu dar linha ao Onça, deixando que ele fizesse as primeiras encaçapadas e esperando a vez da investida fatal – de propósito demorou um pouco para concretizar.
A essa altura, o Onça já tinha entregado as fotografias e pago para que o Nico as recebesse; tampouco tinha se dado conta da sua conduta de marrecão assumido, vamos para a negra, dou-lhe doble, insistiu, insistiu e lá se foi para o matadouro inocentemente, nem preciso contar o desfecho da história – não houve jeito do coitado recuperar a justa remuneração do seu labor.

domingo, 30 de março de 2008

Como entrar num parafuso sem fim





lá vem ela me enxerga se transforma fica linda e eu não tenho uma câmera para registrar a felicidade que ela transmite quando me vê nenhuma outra mulher no mundo se apura tanto quase corre querendo se atirar em meus braços que bom te ver eu também precisava tanto falar contigo eu também me beija nas faces que dia bonito dá vontade é sair de mãos dadas contigo não posso não fica direito vais pra lá eu também te lembras daquela vez que brincamos de roda faz tempo não muito ainda não esqueci mas como estás bem continuas a mesma menininha safada que mexia comigo dizendo que eu era um bocó que não gostava de namorar mas eu não queria me comprometer ficar enrabichado depois teu pai me perguntar qual era minha intenção sem que eu pudesse falar outra coisa que era a melhor possível e logo tua mãe na sala fazendo croché na cadeira de balanço vigiando a gente segura a tua mãozinha não pode faz cosquinha no sovaco vê só que atrevimento te manda moleque onde já se viu faltar o respeito com moça de família não ontém não dava pé hoje pode dar ela quase se encosta eu tenho vontade é de passar o braço nos seus ombros pergunto com meu olhar responde com seu gesto esfregando sua coxa na minha mão me excita me deixa todo corado de mão num bolso que coisa louca nunca vi nada igual até acho que ela deve gostar de mim

segunda-feira, 24 de março de 2008

A abelha-rainha merece ser tuteada?

Duas mensagens que recebemos através da Internet, chamaram-nos a atenção para o tratamento que costumamos dispensar às diferentes pessoas de nosso relacionamento.
Numa delas era relatado o caso de um juiz que processou o porteiro do prédio em que residia por que este o tinha destratado, chamando-o de você ao invés de saudá-lo como doutor.
Em outra, mostrava-se a diferença entre tu e você através de uma histórinha de um detetive prestando conta de suas investigações para um empresário que o havia contratado para informá-lo das atividades desenvolvidas por um de seus funcionários no horário do almoço.
Assim o sherlock historiou como aquele servidor desempenhava-se naquele intervalo de tempo, usando para isso a narrativa na terceira pessoa, deixando aquele patrão aliviado das suas desconfianças por não se configurar qualquer resquício de má fé.
Porém, eis que o nosso araponga resolve apresentar a outra versão, agora contada na segunda pessoa, esta sim desvendando a carapuça de inocência do acusado, ainda mais que andava fazendo amor com a tua mulher.
Tais fatos fizeram-nos refletir sobre os diferentes tratamentos pessoais a que somos condicionados através das relações humanas tradicionais.
Antigamente, ensinavam-nos a dobrar a língua para as pessoas mais velhas - seu Antônio, o senhor poderia me informar... - ou então para aquelas pessoas menos íntimas - Francisco, você pode me alcançar - e apenas e tão somente para aqueles mais jóvens - Maria, tu precisas saber... - ainda mais distinguido tornava-se quem possuía diploma de curso superior - Doutor Carlos, o que posso fazer...
Tantas mesuras só tem servido para semear confusão no entendimento correto da língua, fácil de ser simplificado abolindo-se a corruptela de Vossa Mercê, a exemplo da escrita bíblica onde nem mesmo o Supremo Criador deixa de ser tratado na segunda pessoa quando a primeira fala-lhe diretamente e n'Ele na linguagem indireta.
Poeticamente então, licença prá cá, licença prá lá, a gente não consegue livrar-se do você e ali pelas tantas termina dando marteladas na concordância verbal.
Querem ver como isso funciona - experimentem trocar o você pelo tu nos versos doidos desta Abelha-Rainha:
Você me atraía, me seduzia,
Me conduzia às alturas
Que eu nunca sonhei nem alcancei,
Pois fiquei no meio da viagem,
Desisti, não passei na triagem
Do cortejo nupcial.
Preferi continuar
Na minha vidinha
De eterno sofredor
Do que ser aquele zangão
Que contigo bailou
E morreu feliz
Na revoada do amor.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Teorema para quem gosta de filosofar...

Imagine uma mulher: corpo de manequim, chapéu de feltro e blazer creme e o marrom da saia justa, da bolsa e dos sapatos. Agora tome duas tábuas de palmo e meio, juntas, espessura reforçada; suspenda-as por cabos de aço descendo do alto de um edifício, deixando-as porém situadas a uns trinta metros da base. Pois bem: suponha esta mulher em pé sobre as tábuas, agarrando-se a um dos cabos, numa tremedeira que balança de modo perigoso a armação. Embaixo uma multidão olhando para cima, o trânsito na rua interrompido.
- O que aquela louca está querendo fazer? – perguntem os assistentes tão curiosos em sua expectativa quanto nós em dar desfecho a esta história. Mas prossigamos: um sol, e bote solaço nisso, daqueles do início da tarde, tornando mais inusitado o acontecimento. Que ela se chame Madalena, não a arrependida, mas sim a enjoada como a considerem as pessoas de seu conhecimento. Ah, íamo-nos esquecendo, que esta criatura haja rodado muitos quilômetros nas caronas da vida, bastante necessitada de um novo condutor para sua máquina, já queimando óleo.
- Como teria chegado ali? – Que o interrogatório persista mais ainda com toda essa enrolação e você desate o nó: que Madalena, recém chegada de Paris e ansiosa por contar as novidades da viagem, convide as colegas do curso de línguas para um chá no seu apartamento; que estas, enciumadas e indiscretas em seus cochichos, combinem mudar de assunto caso a França venha à tona.
- Por que aquele andaime naquela altura? – Que as pessoas aqui embaixo continuem desconhecendo a questão, enquanto nós já tenhamos esclarecido alguma coisa com este exercício. Que possamos retroceder para vermos no andaime um sujeito alto, espadaúdo, cabelos grisalhos, vestido num macacão branco todo manchado, com aquele boné da Casa das Tintas, dando umas batidinhas no vidro da janela e, frouxo da bexiga, querendo pedir licença para usar o banheiro.
- Desde quando ela se mantém naquela situação? – Que a massa abale-se com o drama e nós, mais próximos de chegar a um termo, assistamos na sala as dondocas e sua permuta de farpas. Madalena, fascinada, abra a janela e deixe ele entrar embaraçado pela necessidade fisiológica. Tanto suas amigas insistam em ignorá-la, que ela passe ao exterior, gozando mais esta experiência. Que as outras fiquem mordidas de ciúme.
- Onde estão os responsáveis para tomarem providências? – Tanta pergunta, nenhuma resposta. E que nós sejamos as testemunhas implacáveis dessa tragicomédia urbana: o retorno dele a seu posto de trabalho, a surpresa vendo-a no andaime.
– Oi, dona, deixa eu continuar o serviço.
E ela no instante crucial de sua glória, naquele gostinho de quem conquista o poder, esnobando o triunfo incontestável, tanta atenção voltada para si:
- Hipólito, meu gatão, tira-me daqui!

sexta-feira, 7 de março de 2008

Dia Internacional da Mulher

PRENDA GUERREIRA
A nossa homenagem a todas mulheres maravilhosas do mundo
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Quantas mulheres existem tão resignadas
Aí por detrás das panelas e dos fogões,
Por azares tantos da vida derrotadas,
Renunciando de futuras motivações.
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Mas há também aquelas já determinadas
A não serem abatidas por frustrações,
Superando dificuldades passadas,
De inesgotável manancial nos corações.
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Assim olhamos para ti, prenda guerreira,
E sentimos a luta por tudo que queres
Transparecendo sempre na fronte altaneira.
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Por isso, suplicamos: enquanto puderes,
Nunca desistas para que, desta maneira,
Continuemos acreditando nas mulheres.
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

As negras rosas crianças

Uma rosa.
Qual a cor de uma rosa?
Rosa? Amarela? Vermelha?
Engraçado...
Existem crianças
Que dizem ser a rosa preta.
Porque elas não tem capacidade
De enxergar outra cor.
Suas mentes somente captam a escuridão.
Pois a fome escurece tudo, sabiam?
E a fome vive nessas rosas-crianças.
Todas as crianças são rosas.
Só que em algumas a fome está sempre presente.
Conduzindo-as e exterminando-as.
E estas rosas estão escurecendo;
Estão murchando
E despetalando.
Seus pólens não exalam mais o perfume que toda rosa-criança deve ter:
O perfume-alegria.
Há no ar apenas um cheiro de vazio
E um perfume-agonia...
As crianças-rosas-negras
Estão tombando
Uma a uma...
Mas as hastes que as seguram
Permanecem de pé,
Para lembrar a todos
Que ali, naquele lugar,
Uma rosa-criança viveu.
Uma rosa-criança sentiu fome.
Uma rosa-criança sofreu.
Uma rosa-criança murchou.
Uma rosa-criança morreu.
O poema acima foi escrito em 10/11/1979 pela jornalista de Brasília, Carla Fagundes Lebre, na ocasião ainda adolescente, o que me impressionou pelo seu conteúdo de profunda reflexão social.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

SEM MEDO DE SER NOSTÁLGICO

O meu amigo Antunes Severo, diretor geral do Instituto Caros Ouvintes, criou uma expressão – sem medo de ser nostálgico – a qual considero genial e bastante feliz para ser aproveitada até como jargão publicitário. e que ele precisa registrar urgentemente para que outros aproveitadores não se adonem da mesma.
Nos dias atuais, somos constantemente bombardeados pela filosofia de sempre louvar a Deus pela graça de estar vivendo no presente, deixando de lado os tempos idos que não voltam mais e também desconsiderando o futuro desconhecido e ainda iminente.
Um pouco de romantismo e nostalgia não faz mal a ninguém – assim eu parafraseio um título de uma crônica anterior para justificar esse nosso apego pelas coisas de outrora, cujas recordações, boas ou ruins, representam uma fonte de experiência e resguardo da memória coletiva.
Um exemplo concreto que nos ocorre está aí representado pela fidelidade para com seus antigos admiradores do pianista Norberto Baldauf em manter o seu Conjunto Melódico por mais de meio século na ativa, realizando bailes memoráveis para surpresa e gáudio de todos aqueles românticos incuráveis.
O assunto já foi tema do livro, recentemente lançado na praça, de autoria do jornalista Marcello Campos intitulado Week-End no Rio que conta a trajetória desse Conjunto através de um século e meio de existência.
Ricamente ilustrado, chamou-nos atenção uma das fotos dos anos cinqüenta em que aparece a formação original do Melódico, composta por Raul Lima (violão elétrico, guitarra), Victor Canella (acordeom), Léo Velloso (contrabaixo, empresário, showman), Fausto Touguinha (ritmo), Wilson Baraldo (bateria), Norberto Baldauf (piano) e Luiz Octávio (crooner), todos eles englostorados, com gravatinhas borboletas, os cinco primeiros na vestimenta característica de casacos azuis.
Já em 17 de setembro de 1983, quando se realizou a Noite do lembra? nos salões da Sogipa, marcando o reencontro dos componentes do grupo, desta vez não contando com a presença do saudoso Léo Velloso, a nova fotografia mostrava a equipe enxertada de outros elementos posteriores como Heitor Barbosa (vibrafone), Sadi Silva (baixo), Carlos Calcagnoto (bateria) e Edgar Pozzer (crooner).
Victor Canella, Léo Velloso, Fausto Touguinha, Wilson Baraldo e Léo Belloni foram desfalques de saudosa memória, enquanto Luiz Otávio, Heitor Barbosa, Sadi Silva e Carlos Calcagnoto afastaram-se por vontade própria; portanto, Raul Lima, Norberto Baldauf e, eventualmente, Edgar Pozzer, são os remanescentes que atuam no Conjunto Melódico, presentemente apresentando-se em eventos como o da recente reunião dos colecionadores de carros antigos, comemorativa dos 28 anos do Veteran Car Club do Brasil-RS.
Zé Vidal (teclado), Vilmar Neto (contrabaixo), Marcelo Quadros (crooner, violão), Norberto Baldauf (teclado, piano), Zé Carlos (percussão, voz), Daniel Lima (bateria) e Raul Lima (guitarra) estão aí para o que der e vier, conseguindo emplacar um baile a cada mês.
E o nosso jovem Raul Lima que hoje assopra 84 velinhas no bolo da sua existência, é dos mais entusiastas nessa continuidade do espetáculo, apesar das inúmeras defecções por que já passou o Melódico Norberto Baldauf, uma verdadeira instituição da nossa cultura musical.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Será que a humanidade é viável?

Naquele trecho da estrada, a pista apenas dava passagem para um veículo. Metade ruíra com a erosão da ribanceira. Eram cinquenta metros até o plano mais abaixo. A camioneta virada com as rodas para cima. Um deles com a perna esquerda imobilizada sob o teto da cabina, pensava na sua impotência para resolver a situação. O outro jazia todo ensangüentado ali dentro, coberto de bancos e vidros partidos, parecendo não dar sinal de vida. Lá estavam repartindo a solidão com a neblina da madrugada. As luzes dos faróis perdiam-se no espaço como tramas de uma tela absurda.
Gritava. Lançando a sua dor no vazio da semi-escuridão. As mãos apoiadas atrás para se manter sentado. O pé livre fazia apoio na coluna tentando arrancar-se do jugo. O resto do corpo já tinha esfriado, iniciava-se o sofrimento: a falta de circulação do sangue, a iminência da gangrena. O outro companheiro podia estar vivo, como providenciar socorro? Ficasse a outra perna ali enterrada, ele se arrastaria mesmo mutilado naquele rasto da ferida aberta da Natureza.
O acidente acontecera na estrada deserta. O cansaço da viagem, a sinalização deficiente, tudo tão rápido, nem se dera conta. Chamara o companheiro, não conseguira resposta. Estivesse apenas desacordado: sua esperança. Ele, lúcido, amaldiçoava o Destino pelo castigo imerecido, por não lhe abreviar aquele desespero que ia tomando conta de toda sua consciência. Os vidros quebrados, a solução, cortaria os pulsos. Ouviu o ronco dos motores intensificando-se com o clarear do dia. Alguém poderia avistá-los lá de cima.
No posto da Polícia Rodoviária, um telefonema anônimo avisava de haverem testemunhado a queda de um veículo na pista interditada. Os carros em fila, as pessoas correndo para verem o desastre. Os patrulheiros tentando disciplinar a confusão. A solidariedade fluindo ao natural. Dedos mexendo-se num corpo inerte. Respira. Arrastam-no para fora. Retoma a consciência, senta na terra solta. A camioneta é desvirada. O outro ainda consegue levantar-se, não falta quem o apoie. A gangrena fica na ameaça, os pulsos estão intactos. A dor dilui-se na alegria do salvamento. Alguém observa ao longe, mostra-se aliviado.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Navegando pela rota de Porto Alegre a Genebra com escala em Laguna

Jacqueline Bulos Aisenmann, na residência do Embaixador Celso Lafer, então representante do Brasil junto à ONU, quando da recepção ao Presidente (na época) Fernando Henrique Cardoso.
Feitas as apresentações pelo confrade Agilmar Machado na postagem anterior, registro aqui a gentil acolhida do nosso blog de parte de Jacqueline Bulos Aisenmann, a qual vem de motivar intensa troca de mensagens e recomendações mútuas de acesso, tanto a Coracional (procure conhecer na barra direita ao lado), o jornal eletrônico que divulga a memória da cidade de Laguna-SC e que é editado por essa nossa e mais recente aquisição virtual, como também a Caros Ouvintes e Poeta das Águas Doces, que passam a ser conhecidos a partir de Genebra, na Suiça.
Objetivos idênticos, Coracional é um líbelo de saudade e amor à terra natal de Jacqueline e seu esposo, Paulo Roberto, a histórica e tradicional urbe que viu nascer Anita Garibaldi; já o nosso Poeta das Águas Doces procura resgatar a vivência nostálgica desse gaudério desgarrado do seu rincão, há muito considerado como Cidade Heróica.
Laguna está ali à beira do mar, esbanjando as suas belezas naturais e lindíssimas praias, atraindo turistas dos mais variados recantos, muitos deles cruzando a Ponte Internacional Mauá, obra de arte que orgulha e une dois povos irmãos - Brasil e Uruguai, em direção ao litoral catarinense.
Laguna e Jaguarão, separadas por algumas centenas de quilômetros, tem em comum a sua origem no povoamento da gente portuguesa e açoriana e a sua memorável participação na Revolução Farroupilha, hábitos primitivamente arraigados na passagem dos tropeiros de mulas que expandiram as fronteiras do nosso país a partir daquele ponto limítrofe determinado pelo Tratado de Tordesilhas para chegarem até Colônia do Sacramento, portanto, guerreiras por natureza.
E quem se acostumar na observação do patrimônio arquitetônico dessas duas cidades, deverá ainda notar a afinidade de gostos artísticos, refletidos no estilo clássico de suas casas antigas.
A partir deste momento, a nossa ligação passa a ser mais elástica para que chegue num instante até Jacque e Paulo o nosso abraço gauchesco e brasileiro.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Agilmar Machado levanta taça no Carnaval de Laguna/SC

Nesses dias de Carnaval, saiu em Caros Ouvintes artigo de Agilmar Machado, intitulado Moacyr Franco - Mito da Canção Romântica, que foi objeto do nosso modesto comentário, prontamente replicado pelo autor, seguindo-se a minha tréplica e finalizando com os confetes que me foram jogados por este amigo virtual e boêmio regional, jornalista, radialista, escritor, meu padrinho Agil, a quem eu considero como responsável por estar colaborando naquele sítio de Santa Catarina, que vem se alastrando Brasil afora.
Assim, permito-me reproduzir esta troca de farpas, no bom sentido, é claro:
josé alberto de souzaEscrito por Visitante Grande lembrança, o Moacir Franco merece, ainda hoje ecoam-me os acordes de Suave é a Noite, uma das melodias inesquecíveis para mim. Aliás, a letra de Balada Número Sete, que você transcreveu lembrou-me o encontro de Guilherme Braga, um dos Cantores do Rádio remanescentes hoje em dia, com Gilberto Andrade, antigo ponta esquerda do Esporte Clube Internacional, já falecido, relembrando os tempos em que ambos tentavam a sorte em São Paulo - o Guilherme fazendo a divulgação do seu primeiro disco e o G.Andrade atuando na Portuguesa de Desportos. Na ocasião, Guilhesrme Braga homenageou Gilberto Andrade cantando essa comovente música do nosso cancioneiro. JASaudações.
AgilmarEscrito por Visitante Oi, JA! Obrigado pela visita e pelas amáveis palavras, além das lembranças ternas e amargas (doce amargura) idas e vividas por amigos teus do peito. Aqui hoje (a até o dia 4) não dá nem para se concentrar no computador: Laguna é uma loucura no Carnaval e eu moro em plena avenida principal (João Pinho) no Balneário Mar Grosso, que é o foco dos blocos jovens. Haja ouvidos e paciência prá segurar esta barra por aqui!!! Um abraço velho guerreiro e também ao nosso estimado Glênio (que deveria estar aqui, mas perdeu a coragem de enfrentar a folia geral). Aquele "menino" não é de carnaval, só de cavaquinho e seresta... Teu Amigo Agilmar
josé alberto de souzaEscrito por Visitante Chegamosi hoje de Termas do Gravatal, onde fomos fugindo do Carnaval e chegamos a fazer um passeio até Vale dos Cedros - por pouco pouco, não conhecemos o Carnaval da Psicodalia, não nos deixaram entrar porque o nosso cabelo era curto. Para ontém, estava programado passeio a Laguna que foi cancelado por que o micro-ônibus não podia entrar na cidade do melhor Carnaval do Sul do Brasil, todas as ruas intransitáveis e apinhadas de gente. JASaudações
AgilmarEscrito por Visitante Mas JA, essa não dá prá te perdoar! Oh, velho, estar pelas periferias de Laguna e não vir até o centro prá me dar um abraço é dose. Acho que o motorista desse micro te chutou essa história porque queria voltar prá casa. Pô, podias ter dado uma chegada até no Sambódromo (até ali não tem nada que atrapalhe, pois fica em um dos acessos ao centro e às praias), pelo menos prá me ver levantar o troféu de escola campeã. A festa foi uma apoteose: Os Democratas(aos 50 anos), pela qual fui homenageado em lugar de destaque no carro principal como único fundador vivo, faturou o concorrido Carnaval lagunense. Ainda estou meio zonzo de tanta festa até a madrugada de hoje, tanto na nossa imponente sede e pavilhão, como na volta ao Sambódromo, como Escola Campeã de 2008. Um abraço...e da próxima vez me dá um alô que te mando um "guia" lá na entrada da cidade!!! Um abraço, Amigão, Agilmar
Pode ficar certo, meu caro Agilmar, ilustre detentor da cadeira nº 21 da Academia Criciumense de Letras, que não faltará oportunidade para consolidar essa amizade recomendada pelo nosso patrono Glênio Reis, mas por enquanto vou deixando aqui os meus cumprimentos pela brilhante atuação da sua escola na passarela do samba aí de Laguna