segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Vai firme, Grande Chefe Annuseck!

Creio que o tema já tenha sido – técnica e didaticamente – abordado pelo conceituado radialista Edemar Annuseck, em sua série de comentários sobre a grave situação da rádio AM no Brasil. Nesses comentários, ele tem colocado a terceirização e o aluguel de espaço como efeitos danosos nas programações atuais das emissoras pela ganância de seus proprietários, apenas detentores de concessões de um bem público, que deixam de assumir a sua grande responsabilidade social. Entre outras questões, ele nos acena com a possibilidade de nossas emissoras oferecerem programações diferenciadas numa mesma freqüência devido à implantação do rádio digital. Assim o ouvinte teria oportunidade de optar, ao mesmo tempo, através dos canais de comunicação disponíveis pelo programa que mais atendesse a seu gosto – musical, esporte, jornalismo ou cultural. É bem verdade que, com o advento da televisão, o rádio tem perdido bastante da sua importância como meio de comunicação social e se tornado um alvo fácil para os aproveitadores de ocasião, ainda mais favorecido pelas benesses do poder político. A pergunta ainda permanece gritante no ar: o que foi feito de concreto até agora para que o nosso Rádio se adaptasse aos novos tempos? Aqui em Porto Alegre é voz corrente dizer-se que as nossas principais emissoras costumam basear suas programações no binômio Jornalismo & Esporte. Como exemplo, cito o encerramento das jornadas esportivas prolongando-se por mais de três horas e roubando espaço nobre de qualquer programação mais voltada ao entretenimento e à cultura. Os índices de audiência estão aí, apontando picos inesperados nas noites de sábados e nas manhãs de domingo, justamente naqueles dias não contemplados com o esporte. Recentemente, o professor catedrático em comunicações de Florianópolis-SC, Ricardo Medeiros, passou-nos a infausta notícia de que morre o rádio-teatro em Porto Alegre, através da comunicação de Mirna Spritzer, professora de interpretação teatral e responsável pelo espaço O Rádio é o Palco, da Rádio FM Cultura de Porto Alegre, que esteve no ar durante 9 anos. Exemplo típico de uma programação que vinha sendo apresentada por uma emissora estatal que não teve condições de dar continuidade a uma excelente formatação da arte radiofônica, devido ao corte de gastos públicos executado pelo governo estadual. Quer dizer: aquilo que as nossas rádios comerciais poderiam levar a seus ouvintes como alternativa de entretenimento, escamoteava-se em algum nicho do dial sem qualquer divulgação e interesse da nossa mídia de levar ao conhecimento do público em geral. Encerro essas considerações, sublinhando as palavras de Edemar Annuseck – rádio se faz com profissionais na Direção Artística, na Publicidade, no Jornalismo, no Esporte, na Programação e no Microfone.
O locutor esportivo Edemar Annuseck (foto), já está de malas prontas e retorna à cidade de São Paulo, onde fez grande sucesso nos anos 70 e 80 na Rádio Jovem Pan (AM 620 kHz).Desta vez o destino do famoso locutor esportivo é a Rádio Record (AM 1.000 kHz - São Paulo/SP). A partir de janeiro de 2009, Edemar Annuseck passará a integrar a equipe de esportes da emissora. A informação veio através de uma conversa com o próprio Edemar, que nos contou em primeira mão a novidade. Desejamos bom retorno!!!
(in Bastidores do Rádio, de 18/11/2008)

sábado, 29 de novembro de 2008

>>>>>>>> A Roleta dos Autógrafos na Feira do Livro de Porto Alegre (*)

(*) Artigo publicado no Jornal Escola
IIIª Lâmina,
de Carazinho e Passo Fundo
(Ano 01
- Número 04 -
Dezembro de 1997).
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Como disse o Laury Maciel, pena que venha a ressaca do fim e que dure um longo ano. Assim, terminou mais uma Feira do Livro, a 43ª, da Praça da Alfândega, em Porto Alegre. Foram dezessete dias de uma festa só, uma quermesse cultural coroada por um fim de semans com sol primaveril, como compensação às diabruras do Menino lá do Pacífico.
E mais um patrono juntou-se à galeria dos notáveis, tais como Moacyr Scliar, Maria Dinorah, Luiz Fernando Veríssimo e Lya Luft, os quais ainda continuam bem lépidos e no ápice de suas produções literárias. Ficou a pontinha de saudade, o gostinho de ser majestade num curto espaço de tempo. Este ano, a Câmara Riograndense do Livro parece que resolveu botar na chuva um cidadão que, em épocas anteriores, costumava circular na Feira timidamente disfarçado para evitar o assédio dos admiradores. Pois é, Luiz Antonio de Assis Brasil teve que mostrar a cara e o fez de maneira desenvolta e cortês, como legítimo representante da refinada confraria de nossos escritores.
Nas sessões de autógrafos, fizeram-se presentes algumas centenas de autores, tentando não só expandir suas inquietações literárias como também obter o reconhecimento da crítica e da mídia nem sempre generosas, já que ignoraram 2/3 desses lançamentos, conforme se pode constatar através das coberturas jornalísticas do evento. Mais impiedosa ainda a repercussão entre o público leitor, peneirando aqueles que se fizeram merecedores de sua preferência: Concerto Campestre e Breviário das Terras do Brasil (L.A.Assis Brasil), Os Cadernos de Dom Rigoberto (Vargas Llosa), Freak Brothers (Gilbert Shelton), Topless (Marta Medeiros), E Nas Coxilhas Não Vai Nada (J.Zanota Vieira), Aline e Seus Dois Namorados (Adão Iturrusgai), O Manual do Guerreiro da Luz (Paulo Coelho), A Lei do Amor (Laura Esquivel), em ficção; A Cabeça de Gumercindo Saraiva (Tabajara Ruas e Elmar Bones), A Rua da Prais Foi Assim (Hélio Ricardo Alves), Porto Alegre: 48 Horas Sob Terror (J.R.Rosito e Diego Casagrande), O Caminho de Santiago (Sergio Reis), em não ficção. Conclui-se que daqueles 1/3 diferenciados, sobraram aproximadamente 4% (quatro por cento) felizardos ganhadores nessa roleta de autógrafos.
Entre muitas novidades, salientaram-se Inteligência Emocional e Memórias de Ernesto Geisel. Ainda figuraram com boa vendagem algumas promoções para reduzir estoque (O Mundo de Sofia, A Era dos Extremos, Verdade Tropical e Chatô, O Rei do Brasil). O desempenho da L&PM foi, disparado, o melhor entre as editoras, emplacando quinze títulos, cinco dos quais em livros de bolso.
A promoção da Xerox do Brasil deixou a desejar, distribuindo gratuitamente cento e cinquenta exemplares aos primeiros da fila, nas sessões de autógrafos do Autor do Dia, no Clube do Comércio - um tremendo constrangimento para os escritores que tiveram de dar explicações àquelas pessoas frustradas em seu objetivo de conseguir a obra ofertada. A multinacional valeu-se da parceria com a Câmara Riograndense do Livro e com a Secretaria Municipal de Cultura para demonstração da nova impressora digital, tecnologicamente mais avançada, que viabiliza menores tiragens - não precisava exagerar em número de exemplares tão reduzido.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

CROMOSSOMOS

Livre arbítrio ou prisão / Genealogia de exclusão /
Tanta coisa já contida / e o exemplo ao longo da vida /
Espécie de bagagem / Um dia sempre pesa na viagem /
(Pitty: Malditos Cromossomos).
********************************************** Papeleiro tem família? Pense num deles morando debaixo da ponte com uma mulher eventual, talvez ganha na troca por um trago de cachaça. Mau negócio, logo deve passar adiante. Assim, deixará de disputar no tapa a coxa de galinha rejeitada no lixo do restaurante. Calor humano tanto faz, afinal a cachorrada está ali para isso mesmo. Mais tranquilidade no prazer solitário. **************************************************** Vê se me garante esse resultado. Três a três me interessa e muito. Assim livro a minha equipe do rebaixamento para a Terceira Divisão. Apesar de toda aquela bebedeira de ontém à noite, ainda fui te buscar lá na zona. Eu compreendo: pai para o filho daquela empregadinha que diz ser teu, tem por aí aos montes. Penalti? Tudo contigo. Goool... Frangueiro, corno, bem mereces sustentar a cria dos outros!
**************************************************** O macho pronto para colocar o instinto em dia. Pega de surpresa, negaceia. Bofetadas estalando na noite escura. Local ermo. Possuída contra vontade. Sem apelação. Dias e mais dias escondendo a entrega humilhante. Enjôos, desejos inesperados. Ventre tomando forma. O emprego ameaçado. A insensibilidade da patroa. Aborto? Filho perdido, remorso, nem pensar. Mil vezes parir o fruto daquele ódio. **************************************************** Todos o conheciam no Mercado Público. Músculos salientes, roupas grossas e encardidas, o colete inseparável. Ganhava dinheiro por todos os poros e perdia boa parte no jogo de dados escondido no depósito das frutas. Festejado pelos amigos bebendo às suas custas, não se continha nas fanfarronices com mulheres. Apenas se punha possesso quando falavam da mulata lavadeira, sua perdição. **************************************************** Todo o dia a gente se vira no tanque, entrega roupa lavada na cidade e o dinheiro cada vez mais curto. Tinha tanta esperança no salafrário daquele português, que ele me tirasse do barraco, enfim me desse uma casa decente. Se já é um caro custo arrancar algum para o sustento do menino, imagina se ele ia ter miolo para dar jeito nesta miséria. Desabusado, nem se importa com o moleque vadiando por aí. **************************************************** O sol se pondo, ele voltava da roça. A mulher vinha ao seu encontro dizer que um casal estivera no povoado procurando uma moça para trabalhar na cidade. Sua filha? Jamais.
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Conhecia bem o marido. Cabeça dura, manobrava-o a seu gosto. Convenceu-o falando da ajuda vindo de fora. O futuro da menina? Não se preocupasse, gente fina tinham garantido.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

DISCONTUS : XVII, XVIII, XIX & XX

*************************************************DISCONTUS XVII Setenta por cento: a probabilidade. Os outros trinta, o médico não garante. A estatística pende para o lado certo, acredito, levo fé. Encho-me de esperança, flutuo na minha paz. ************************************************DISCONTUS XVIII Cada vez que passava na plantação, aquela melancia piscava-lhe o olho, provocante... **************************************************DISCONTUS XIX Vê se pode: a gente curtir transa mais legal mais adoidada do que essa aí da magrinha - haja saco - a morar no papo aqui do coroa! ***************************************************DISCONTUS XX Quando descia na sua parada, o menino tomou a iniciativa de apresentá-la ao amigo motorista do ônibus: - Esta é a minha mãe!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

CHIRU BUENO DAS CHARLAS

No começo deste mês, fui surpreendido ao receber mensagem em meu computador de velho amigo e companheiro das jornadas literárias na casa do saudoso Laury Maciel. Era o Marco Aurélio Vasconcellos, grande cantor e compositor, parceiro de Luiz Coronel em notáveis clássicos do cancioneiro gaúcho. Então me comunicava que estava com um novo parceiro letrista (Martim César Gonçalves, meu conterrâneo, jovem de imenso talento), com quem vinha fazendo composições incríveis. Dizia ainda estar vivendo um momento excelente na área musical e que não se lembrava de haver criado tantas canções quanto agora. Em contrapartida, suas criações literárias andavam em compasso de espera até que pretendesse retomar essa atividade. ********************************************************** Daí passei para o assunto da troca de figurinhas com o pessoal do Martim César que já tinha me falado E que acompanhava pela imprensa a trajetória deles pelos festivais, em que vinham obtendo algumas premiações. Salientei-lhe o quanto mais velho o vinho fica melhor, assim a sua experiência estaria valendo na criatividade de agora. E, se não perder a embocadura, o som sai ao natural, não obstante estar aprimorando o imelhorável. Depois lhe deixei o meu palpite de que a música era o seu chão e que deixasse a literatura para quando lhe desse um ataque de estupidez. *********************************************************** E o Marco prossegue citando a esplêndida interação entre a sua melodia e a letra do Martim César, após ter ponderado que poesia é uma coisa e letra de música é outra, evitando-se o texto longo nesta. Didaticamente, expõe o quanto a rima e a métrica não trazem prejuízo musical se inexistentes ou eventuais, apesar de que a rima produz uma cadência toda especial e a métrica facilita a criação melódica. Então afirma: “De qualquer forma, acho o texto dele maravilhoso. Considero-o um dos melhores letristas da nova geração e me orgulho de ser seu parceiro, havendo reciprocidade nisso, porque ele também pensa o mesmo de mim... Há dois anos que o conheci. Eu andava, até então, produzindo cerca de três a quatro músicas por ano. A partir de então, meu processo de criação se exacerbou - ...respiro música, sonho com música e ela vai brotando a torto e a direito, mesmo que eu não tenha o violão nas mãos. É incrível ...nessa minha trajetória musical que já não era pequena e agora se agigantou.” *********************************************************** Foi aí que eu tive de me explicar sobre o ataque de estupidez – expressão que poderia soar como pejorativa – exemplificando com o Chico Buarque, quando enjoa de música, mete-se a escrever romances, algo cíclico assim como sua fase melódica atingindo o auge, ocorrendo hoje com ele Marco Aurélio. Considerava eu, no final das contas, letrista e melodista deviam confundir-se para se tornarem somente compositores. A propósito de métrica e rima, lembrei-lhe de uma conversa nossa anterior em que ele falava da musicalidade dos versos do Jaime Vaz Brasil, justamente por serem mais livres, mais soltos. E também daquela vez em que o santo lhe baixou bem na hora em que se dirigia ao Banco para pagar uma conta, as notas brotando na mente e ele se impacientando com a possibilidade de que algum conhecido lhe cumprimentasse no caminho, interrompendo-lhe a concentração. *********************************************************
O Marco Aurélio ainda me fala de outras parcerias lá por Jaguarão com o Alessandro, irmão do Martim César, e com o José Francisco Sabbado, sogro deste, enfim reatando-se a sua antiga amarração com a terrinha que ele veio a conhecer há mais de vinte anos, no tempo em que era advogado do JH Santos. Inclusive que teria escolhido ali participar da fase regional da Califórnia da Canção, tendo subido ao palco junto com Regis Bardini, grande violonista jaguarense. “Mas a minha gana é fazer um show por lá” – enquanto isso podemos assistir ao vídeo da Seresta Nossa dos Pampas na barra lateral.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

G_E_IO : a revanche dos 18 aos 81 !

Parabéns, parabéns
Saúde e felicidade
Que tu colhas sempre todo dia
Paz e alegria na lavoura da amizade.
(Parabens Crioulo/Dimas Costa)

24 de outubro de 1910

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Carta publicada na coluna Mr. Grilo, Turismo Caderno Especial, Edição nº. 216 do jornal Kronika, de Porto Alegre, 2ª. Quinzena de Setembro de 1990.
***************** Escreve o leitor desta coluna José Alberto de Souza:
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“Toda noite de quinta-feira, a convite de seu presidente Léo Remião, o Glória Tênis Clube (N.S. Graças, 207) acolhe um grupo de músicos e cantores, amantes da mais genuína música popular brasileira – o Clube do Choro. Fundado em novembro do ano passado, tal entidade agora se prepara para promover uma das suas mais inesquecíveis noitadas no próximo dia 25 de outubro a fim de homenagear um dos seus mais ilustres freqüentadores. **************************************************** Nesta data estará completando 80 anos um dos quatro filhos do casal Maria Antonia e Avelino Faustino Silva, nascido e criado no bairro Floresta da nossa Capital. Verdadeira legenda da boemia porto-alegrense que se orgulha de suas origens humildes: o balconista das bancas 8 e 9 do Mercado Público, o engarrafador de bebidas na firma Moraes Velhinho, o pugilista que interrompeu a carreira por falar mais alto a sua sensibilidade artística. **************************************************** Testemunha viva de uma época áurea impregnada de romantismo, de grandes serviços prestados à nossa cultura popular. Seu nome, muito ligado ao saudoso Lupicínio Rodrigues, insere-se com destaque na vida boêmia que nos legou figuras ímpares como Ney Orestes, Bororó, Sady Nolasco, Nuno Roland, Alcides Gonçalves, Ovídio Chaves e outros tantos. ****************************************************
O assunto não se esgotaria por aqui a merecer tratados que melhor analisassem a expressividade e a participação no movimento musical riograndense daquele estreante da Audição de Águas Caxambu às 20h45min do dia 12 de dezembro de 1934, na Rádio Sociedade Gaúcha – o nosso querido ORLANDO Johnson SILVA."

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Efeméride para não ser esquecida: 100 anos de Alcides Gonçalves

Dia 10 de outubro último, foi reapresentado o espetáculo Entra Meu Amor, Fica à Vontade!, desta vez no Teatro Dante Barone, da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, como parte da programação do projeto Centenário de Alcides Gonçalves que se vem desdobrando dentro do Ano - Jul/2008 a Jul/2009 - instituido pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre para comemorar a passagem dessa efeméride. ************************************************************ Com razoável presença de público, desfilaram no palco os artistas Carlos Catuípe (violão, voz e arranjos), Cléa Gomes (voz), Izabel L'Aryan (voz), Chico Pedroso (cavaquinho), Marcelo Pimentel (percussão), Luciano Padilho (acordeão), contando ainda com Airton Pimentel como convidado especial. ************************************************************ Na oportunidade, foi executado o seleto repertório das composições de Alcides Gonçalves e seus parceiros, a saber: Flávio Pinto Soares (Brigamos Outra Vez & Samba Cinquentão), Leduvy de Pina (Se Ela Soubesse), Lupicínio Rodrigues (Cadeira Vazia, Castigo, Jardim da Saudade, Maria Rosa, Pergunte Aos Meus Tamancos & Quem Há de Dizer), Pedro Caetano (Minhas Valsas Serão Sempre Iguais), além daquelas com música e letra próprias (Marcha da Coroa, Minha Seresta & Pecador). ************************************************************ Sob a coordenação de sua presidente Izabel L'Aryan, o Sindicato dos Compositores e Intérpretes Musicais do Estado do Rio Grande do Sul - SICOMRS - pretende ainda realizar a gravação de um disco com músicos e cantores gaúchos, edição de livro com partituras e CD encartados (em preparo pelo jornalista Marcello Campos), exposição fotográfica alusiva ao referido Centenário e outros espetáculos pelo interior do estado e por algumas capitais brasileiras. ************************************************************ Registramos aqui a pouca acolhida que os nossos meios de comunicação vem dispensando a essa louvável iniciativa do SICOMRS, não obstante a exaustiva divulgação do evento de parte dos seus organizadores, o que bem demonstra o tímido interesse da midia local em valorizar importantes personalidade da nossa música popular quando dedica generosos espaços a outro nome mais consagrado no centro do país. ************************************************************ Porém, sinceramente, o que nos lavou a alma foi a marcante presença na platéia do cantor e compositor WILSON PAIM, também consagrado intérprete de algumas melodias do saudoso Alcides, que bem representava o prestígio da nossa classe artística a esse empreendimento. Oxalá, quem sabe, chame atenção de outros colegas para apoiar e participar em futuras apresentações desse espetáculo.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

DISCONTUS : XIII, XIV, XV & XVI

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DISCONTUS XIII
Gorda para mais de cem quilos, já não atrai como antes. Mas tem ilusão, acha-se linda e se derrete toda com os galanteios da magrinhagem.
Fizeram eleição para Rainha do Bar Ocidente: deu ela disparado.
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DISCONTUS XIV
A família viaja no feriadão. Estrada cheia de buracos, decidimos compensar no trecho bom. O radar acusa cento e seis, excesso de velocidade. Na Polícia Rodoviária, pedem os documentos. Licença e seguro vencidos.
Duas multas no grupo um, uma no dois.
O guarda nem parece disposto para lavrar a infração.
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DISCONTUS XV
Esperou até a madrugada e se distraiu vendo o parquinho das crianças vazio, os antigos postes de lampiões quebrados, aquele recanto escurecido pela sombra das árvores.
Depois a cisma dela não ter aparecido. Daí se deu conta: esquecera de trocar a vestimenta na casa paroquial.
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DISCONTUS XVI
Acomoda as crianças, senta-se à beira da cama e se prepara.
Olha para os dois, por um instante hesita. O órfão choraminga, a filhinha quieta parece consentir em ceder sua vez.
Então se decide amamentá-lo primeiro.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

De como me impressionei assistindo Alcides Gonçalves ao vivo

Permita-me, tu velho seresteiro,
chamar-te de amigo e companheiro,
apesar de recém ter satisfação
de conhecer ao vivo, tua presença
que fui chegando sem pedir licença
porque me provocaste grande emoção...
Ouvir tua voz melodiosa que encanta
ainda hoje é coisa que nos espanta
e nos deixa incrédulos na descrença...
Ver-te sempre digno nesta altivez
de cabelos brancos, sentir a vez
dessa alma boemia que aí se condensa...
E que meus filhos sentissem como eu
tua ternura, todo carinho teu
disposto em cada canção inolvidável,
sempre fiel ao teu parceiro saudoso
do qual és intérprete esperançoso
a cultivar um amor formidável...
Em versos simples, agradeço a Deus
agradares a nobres e plebeus.
vindo da platéia aplausos merecidos!
Que ele te compense na vez primeira
por este empenho da tua vida inteira
- sermos mais humanos, mais comovidos!
Evocando o centenário de nascimento do saudoso Cidoca, publicamos aqui mensagem que lhe foi enviada em 01.05.1985, após assistir sua participação no espetáculo Noite de Seresta, apresentado pelo cantor Aroldo Dias.