Creio que o tema já tenha sido – técnica e didaticamente – abordado pelo conceituado radialista Edemar Annuseck, em sua série de comentários sobre a grave situação da rádio AM no Brasil. Nesses comentários, ele tem colocado a terceirização e o aluguel de espaço como efeitos danosos nas programações atuais das emissoras pela ganância de seus proprietários, apenas detentores de concessões de um bem público, que deixam de assumir a sua grande responsabilidade social. Entre outras questões, ele nos acena com a possibilidade de nossas emissoras oferecerem programações diferenciadas numa mesma freqüência devido à implantação do rádio digital. Assim o ouvinte teria oportunidade de optar, ao mesmo tempo, através dos canais de comunicação disponíveis pelo programa que mais atendesse a seu gosto – musical, esporte, jornalismo ou cultural.
É bem verdade que, com o advento da televisão, o rádio tem perdido bastante da sua importância como meio de comunicação social e se tornado um alvo fácil para os aproveitadores de ocasião, ainda mais favorecido pelas benesses do poder político. A pergunta ainda permanece gritante no ar: o que foi feito de concreto até agora para que o nosso Rádio se adaptasse aos novos tempos?
Aqui em Porto Alegre é voz corrente dizer-se que as nossas principais emissoras costumam basear suas programações no binômio Jornalismo & Esporte. Como exemplo, cito o encerramento das jornadas esportivas prolongando-se por mais de três horas e roubando espaço nobre de qualquer programação mais voltada ao entretenimento e à cultura. Os índices de audiência estão aí, apontando picos inesperados nas noites de sábados e nas manhãs de domingo, justamente naqueles dias não contemplados com o esporte.
Recentemente, o professor catedrático em comunicações de Florianópolis-SC, Ricardo Medeiros, passou-nos a infausta notícia de que morre o rádio-teatro em Porto Alegre, através da comunicação de Mirna Spritzer, professora de interpretação teatral e responsável pelo espaço O Rádio é o Palco, da Rádio FM Cultura de Porto Alegre, que esteve no ar durante 9 anos. Exemplo típico de uma programação que vinha sendo apresentada por uma emissora estatal que não teve condições de dar continuidade a uma excelente formatação da arte radiofônica, devido ao corte de gastos públicos executado pelo governo estadual. Quer dizer: aquilo que as nossas rádios comerciais poderiam levar a seus ouvintes como alternativa de entretenimento, escamoteava-se em algum nicho do dial sem qualquer divulgação e interesse da nossa mídia de levar ao conhecimento do público em geral.
Encerro essas considerações, sublinhando as palavras de Edemar Annuseck – rádio se faz com profissionais na Direção Artística, na Publicidade, no Jornalismo, no Esporte, na Programação e no Microfone.O locutor esportivo Edemar Annuseck (foto), já está de malas prontas e retorna à cidade de São Paulo, onde fez grande sucesso nos anos 70 e 80 na Rádio Jovem Pan (AM 620 kHz).Desta vez o destino do famoso locutor esportivo é a Rádio Record (AM 1.000 kHz - São Paulo/SP). A partir de janeiro de 2009, Edemar Annuseck passará a integrar a equipe de esportes da emissora. A informação veio através de uma conversa com o próprio Edemar, que nos contou em primeira mão a novidade. Desejamos bom retorno!!!
(in Bastidores do Rádio, de 18/11/2008)






