segunda-feira, 4 de abril de 2011

Estamos saindo no Varal Antológico

Transcrevemos a seguir mensagem que recebemos da nossa cara amiga Jacqueline Aisenman, editora da revista Varal do Brasil, também Embaixadora Universal da Paz, comunicando e solicitando divulgação para o lançamento do livro comemorativo a passagem do primeiro ano de circulação daquela midia eletrônica que tem publicado algumas colaborações nossas.
VARAL DO BRASIL O QUE É
O Varal do Brasil é uma revista literária virtual
que possui um site do mesmo nome www.varaldobrasil.com
É uma revista literária emocional, aberta, com espaço para todos. Não é um caderno literário comum, onde primaria o que chamam de intelectualidade.
Os autores e leitores do Varal são pessoas cheias de talento que escrevem porque amam escrever e leem porque amam ler. É literário, mas sem frescuras! Autores que nem se preocupam com sucesso, autores que são sucesso. Autores brasileiros, portugueses ou de qualquer nacionalidade que escrevam na língua Portuguesa. O Varal do Brasil é um refresco no mundo literário. É simples, colorido, fala da alegria com espontaneidade, da tristeza com sinceridade, dos fatos com individualidade.
A revista é bimensal e tem tema livre (com exceção dos números especiais que são temáticos). A distribuição é feita por e-mail, divulgação em blogs, sites, redes sociais e Scribd. Toda participação na revista é gratuita.
O QUE É O LIVRO VARAL ANTOLÓGICO
É a primeira coletânea impressa da revista Varal do Brasil.
Ao completar um ano de existência da revista pensou-se em comemorar o fato com um livro. A ideia foi muito bem recebida pelos autores que participam da revista e pelo público leitor.
Para fazer o livro da melhor forma possível buscou-se uma boa Editora, o que foi encontrado em Jaraguá do Sul, com a Design Editora do autor catarinense muitas vezes premiado, Carlos Schroeder. Foi convidado para abrir o livro com um poema, o consagrado poeta Alcides Buss.
O jornalista e escritor lagunense, radicado em Florianópolis, Celso Martins da Silveira Jr., assinará as orelhas da coletânea.
A obra vem prefaciada pela poeta e escritora Regina Carvalho.
A capa traz arte gráfica de Isabella Sierra em foto de Fátima Michels, escritora e fotógrafa lagunense.
O Varal Antológico conta com trinta e oito (38) autores e está sendo organizado pela redatora-chefe da revista, Jacqueline Aisenman.

terça-feira, 29 de março de 2011

Pois até o carteiro se atrapalhou...

É do meu tempo uma canção que os “mariachi” costumavam entoar nos filmes mexicanos (http://www.youtube.com/watch?v=v4U_zP4qCoo): “Te llaman Rodriguez por parte de padre, te llaman Fernandez por parte de madre, Tu nombre es Maria, Maria del Carmen, Maria del Carmen Rodriguez Fernandez.”. Para mim, este é um exemplo clássico do sistema nominal adotado pelos povos de língua espanhola que caracteriza bem a prioridade do nome paterno, além de ressaltar a trindade Pai, Mãe e Filho como entidades totalmente distintas interligadas entre si.
****************************************************************************
Já tinha falado na postagem anterior sobre a “lei do menor esforço” que nos leva a abreviar o nome de uma pessoa omitindo o sobrenome paterno, justamente por causa da orientação adotada em nossa língua. Porém, deixei de abordar o fato de que muita gente prioriza o materno propositadamente em detrimento da outra origem – Silva e Souza então nem se fala. Acham mais elegante ostentar o mais sofisticado ou o tradicional menos comum. Pura esnobação, resultante de uma “nobreza arruinada” que valoriza mais os anéis do que os dedos.
****************************************************************************
Prosseguindo nesse meu proselitismo, não me agrada esse costume de se batizar uma criança com nomes duplos. Digo isso com conhecimento de causa devido à péssima memorização de muita gente para meu nome. A toda hora tenho de corrigir aqueles que me chamam de Luiz Alberto, Carlos Alberto, João Alberto, José Roberto, José Carlos e tantos outros equívocos. E para evitar os mesmos, venho me apresentando tão somente como José Souza para facilitar futuras lembranças. Inclusive omito o “de” que representa origem, como Tales de Mileto, filósofo nascido em Mileto, na Grécia Antiga. Em suma, exemplifico com o nome extremamente prático de meu sogro João Fagundes (paterno) da Silveira (materno), o “seu” João Fagundes, sem maiores problemas.
****************************************************************************
Certa vez, a serviço do BRDE, inspecionando uma indústria de laticínios no interior do Estado, apresentei o cartão de visitas na recepção. “Pode aguardar um tempinho que já vai ser atendido, estão terminando a reunião, Dr. Roberto”. Era cafezinho para cá, água mineral para lá – “Com gás ou sem gás? Quer olhar o jornal de hoje?” - o funcionário não sabia mais o que fazer para me agradar. Duas horas depois, toda a Diretoria do estabelecimento, sediada em Porto Alegre, veio me atender. “Pronto, Dr. Roberto, estamos às suas ordens” e lá fomos nós visitar a fábrica e após me levaram para almoçar num luxuoso restaurante da cidade. Depois vim a descobrir que um colega de serviço havia embaralhado a minha caixinha de cartões, com alguns do Chefe.
****************************************************************************
Mas ainda tenho que contar uma do saudoso Nego Eli, estafeta do Correio em Jaguarão, gente finérrima apesar de dado a um trago, que “lavrava” as calçadas na nossa frente e depois se levantava para nos dizer: ”Não vão pensar que estou bêbado, eu só caí aqui para cumprimentar vocês”. Eli era useiro e vezeiro em comunicar oralmente o teor da mensagem antes de ser aberta. Meados do século passado, foi entregar um telegrama para o Marçal Dutra Rodrigues, um dos que não eram reconhecidos pelo último sobrenome. Este, olhou o envelope e se deu conta: “Mas não é para mim, é para o outro Marçal”. E lá se foi Eli em busca do meu irmão Marçalzinho a fim de dar a notícia. O mano abalado se mandou para casa da nossa irmã Ivanira para preparar seu espírito. Naquele dia o cunhado José Pacheco tinha viajado de madrugada para Porto Alegre. E ele, Marçal Garcia de Souza, dizendo que “o gato tinha subido no telhado”. Ivanira lhe arrancou o telegrama da mão e leu: “Comunico falecimento hoje seu genro José acidente de carro”. Sem querer. ela verificou o destinatário: MARÇAL DIAS. O “genro” era o capitão José Braga, casado com Dª.Gessy, residente na capital do Estado.

sábado, 26 de março de 2011

Exercendo proselitismo pragmático

Meu tio Cantalício Resem, casado com Florisbela, irmã de meu pai José Dalberto de Souza, ficava chateado porque meu irmão (por parte de pai) Marçal Garcia de Souza “omitia” o sobrenome paterno. Na época, até que concordava com aquele tio, também meu pai de criação. Porém, com o passar do tempo, fui conhecendo outras pessoas que “assim procediam” e cheguei à conclusão do ato involuntário resultante da ”lei do menor esforço” que fazia a gente abreviar o nome completo do indivíduo. Como exemplo cito meu conterrâneo Luiz Marques Machado, raramente reconhecido como Machado.
Minha esposa Gislaine Fagundes de Souza, filha de João Fagundes da Silveira e Alba Pahim da Silveira, não conseguia me explicar porque apenas o seu irmão mais velho João Paulo Fagundes da Silveira tinha esse último sobrenome, enquanto ela e os outros irmãos foram registrados como Pahim Fagundes. Terminei decifrando o enigma quando descobri que meu sogro era descendente de uruguaios, João Fagundes e Maria Francisca da Silveira. Assim, ao se casar, minha sogra adotou esse último sobrenome, reservando Fagundes para os três filhos menores.
Permito-me essas digressões genealógicas a fim de opinar sobre a praticidade do sistema nominal que os povos de língua espanhola adotam, ou seja, o sobrenome paterno antecede o materno, mais coerente com a “lei do menor esforço” acima referida, evitando qualquer omissão imprópria. Já as filhas, quando casam, perdem o sobrenome da mãe e abrem espaço para introduzir o do marido, antecedendo o do pai, ordem essa que pode permanecer legada a seus descendentes diretos, Se não predominar uma orientação “machista” que despreza a origem da mãe.
Por falar na cultura “machista”, recorro aos nomes de meus pais, José Dalberto de Souza e Maria Francisca de Souza. Ele filho de José Vieira de Souza e Joaquina Teixeira de Souza, e ela de Jerônimo Vieira de Souza e Pacífica Silva de Souza, ambos ele e ela com sobrenomes maternos ocultos, um costume português muito comum que meu pai, brasileiro, acatou quando me registrou como José Alberto de Souza. Podia ser Souza de Souza ou então de Souza e Souza, até aceitaria o Vieira de Souza de meus avós, irmãos portugueses. Mas não – meu carma foi encarar as inúmeras justificativas para limpar meu nome nos Cartórios...
A propósito, lembro de um colega na Ford em São Paulo, Francisco de Assis Filho, que o pai, segundo me disse, assim o registrou para que também passasse pelos percalços de quem carregou um Francisco de Assis por toda vida. Na ocasião, sua esposa esperava o primeiro filho e eu o doutrinava para que não omitisse o nome dela. Assim que a criança nasceu, perguntei-lhe como tinha registrado o rebento. Francisco de Assis Neto, mas como? A maldição continua? E o nome da tua mulher? “Ora, ora, Francisco Tripiana de Assis, fica muito feio, vai ter que pagar os pecados que ainda estou pagando!”
Ainda acho a maior frescura essa da mulher não permanecer com seu nome de solteira quando casa e me parece que se submete a um título de propriedade. E nos dias de hoje, com esse "casa-descasa", mais uma tremenda burocracia que constrange a mulher moderna num mundo que se ressente tanto da paternidade, no sentido de se dividirem as tarefas domésticas, em consequência de um orçamento cada vez mais dependente da contribuição feminina. Afinal “até que a morte nos separe” só funciona quando os parceiros têm o seu relativo grau de liberdade, respeitados os espaços de cada um.
E. T.: Nossos filhos chamam-se Jerônimo e Gilberto Fagundes de Souza. Este último e Marylene Fernandes Vieira geraram nossa neta Mariana Vieira de Souza.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Churrasco: cadê a moderação, hein?

No Instituto de Cardiologia de Porto Alegre, conheci um cidadão recém safenado que me contava das agruras conseqüentes do abuso da carne gorda e do sal na alimentação. Ele nos dizia que era seu hábito saborear todas as noites com os amigos um churrasco, regado a caixas de cerveja. A princípio, o organismo tolerava razoavelmente a façanha, porém, o efeito cumulativo foi-se acentuando através de indisposições sintomáticas do coração, as quais abreviariam o seu tempo de vida, não tivesse adotado os corretivos imediatos. Gordura, sal e álcool, uma mistura explosiva.
**********
Frequentemente, constato essa prática arraigada entre os nossos jovens. Altas horas da noite, com o fim de prolongar um papo gostoso, eles decidem churrasquear no pátio ou na garagem da casa de um dos companheiros. E se cotizam para levantar a verba necessária que lhes possibilite adquirir carne, sal, carvão e bebidas, facilmente encontráveis em qualquer mercadinho generoso no expediente noturno. Sem pressa, ao redor do fogo, proseando e bebericando, nem sentem as horas passar até o momento de forrar o estômago.
**********
Na década de 70, viajei muito pelo interior de Santa Catarina e Rio Grande do Sul a serviço do BRDE e, na época, era muito comum a falta de opções quanto aos restaurantes existentes, na grande maioria churrascarias tipo espeto corrido. Sobremesa só mesmo de compota, vivia suspirando por um pudim de leite ou uma torta de requeijão. Numa cidade gaúcha, fui convidado para um churrasco que declinei, enjoado que estava da iguaria. O anfitrião achou por bem determinar à esposa que preparasse um arroz-com-galinha para este vivente saudoso da comidinha caseira. Só que esta teve de se virar numa segunda rodada, já que os demais apreciadores do assado nem se dignaram a provar do mesmo, queimando além da conta...
**********
Em qualquer residência, já se tornou acessório indispensável para a gastronomia dos donos de casa a instalação de uma churrasqueira completa para receber convidados em reuniões festivas. Não dá muito trabalho de se preparar um bom assado e a limpeza se processa de maneira expedita, poupando um maior esforço feminino. Que me perdoem os tradicionalistas, churrasco não tem segredo, é comida de malandro, para mim, um prato rústico, mais apropriado para servir em galpões de estância. E as vezes um costume bárbaro quando assado no couro.
**********
Bufê com espeto corrido a preço fixo e módico, haja desperdício, e quem se importa com o custo variável e agregado pelas bebidas. E depois se queixam de valores inflacionados, que se cortem outros itens da alimentação e se poupe a costela e a picanha como essenciais. Num mercado assim tão promissor, não admira que se tenham proliferado as churrascarias pelo mundo inteiro. Até mesmo na Índia, onde a vaca é animal sagrado, com carne importada do Brasil, já existe esse famigerado estabelecimento destinado a atender a demanda de turistas e estrangeiros.
**********
A pecuária de corte e a extração de madeira são hoje as grandes responsáveis pela dizimação sem controle das nossas áreas florestais, ocupando espaços indispensáveis à preservação do meio ambiente. O aquecimento global está sendo apontado como a grande consequência desse desequilíbrio ecológico que vem causando catástrofes inimagináveis à sobrevivência humana. Diante dessas evidências, atrevo-me a bradar que churrasco é droga, é praga que se alastrou pelo planeta em proporções tão avassaladoras quanto o álcool e o cigarro, gerando prejuízos imensos ao sistema de saúde com o seu consumo sem moderação.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

E agora só resta o amor sublimado!

Ano passado, alguns amigos meus perderam filhos justamente na idade em que atingiam o apogeu de suas capacidades. Fiquei imaginando o quanto eles tiveram de suportar essa dor que considero a mais profunda para um ser humano diante de uma situação de absoluta impotência. E uma das mães me falou que encontrou forças na fé nos desígnios do Criador. Ou como me escreve um outro amigo em recolhidas lágrimas amorosas – “pôs-se pronto pra Nossossinhô, deu tchauzinho não adeus”.
Em 03/09/2010, recebi mensagem urgente e pessoal de Guilherme Braga informando de campanha para doação de medula óssea para a sobrinha da nossa professora de informática Lúcia Cuervo, na qual perguntava que mais poderia fazer além de incluir em suas orações um pedido de pronto restabelecimento para a enferma. E a resposta da nossa mestra me levou a postar dois textos sobre a referida campanha, inclusive disponibilizando o link para acompanhamento da evolução do tratamento a que se submetia a jovem Mariana Cuervo Eidt.
Confesso que me emocionei na ocasião com a desprendida declaração de Mariana para seu pai quando entendeu que se uma das irmãs fosse compatível com ela se faria o transplante e pronto: “Mas, pai, acho que Deus assim determinou para que essa campanha que tu e o Thiago estão fazendo alcançasse outras pessoas que estão na fila à espera de um transplante”. Logo em seguida, tivemos oportunidade de acessar os primeiros resultados desse esforço concentrado – o número de coletas no Hospital Dom Vicente Scherer que era de 10 por dia, já não baixava de 50. E a nossa torcida, a esperança, se robustecia.
No twiter TODOS_POR_UM, sucediam-se as notícias divulgando os altos e baixos ocorridos durante o tratamento que dependia fundamentalmente daquela doação. Impressionou-me a assistência do marido de Mariana, Thiago Eidt, com suas intervenções bem humoradas, sempre animando o estado de espírito da sua amada guerreira. Papai Noel não lhes trouxe o presente milagroso, aguardavam o Coelhinho. Apesar do tempo implacável, sem tréguas, eles precisavam chegar à barreira de 3 meses com a solução definitiva, nunca se abateram ou fugiram do árduo combate.
Uma intensa comoção tomou conta de todos seus amigos e parentes com o desfecho que sepultou os últimos anseios de Mariana, internada no Hospital Ana Nery de Santa Cruz do Sul, na sua renhida luta contra a Leucemia Linfóide Aguda. Porém, seu nome se tornou símbolo de resistência com o exemplo legado para tanta gente marcada pela fatalidade e ainda vive no amor imortal de seu esposo que continua a frente daquela campanha sem sofrer solução de continuidade - liderança e experiência para todos que se ressentem de uma melhor orientação.
Mariana Cuervo Eidt, 27 anos, faleceu em 02/02/2011. Era filha do juiz da Vara da Infância e da Juventude de Santa Cruz do Sul, Breno Brasil Cuervo. Não obstante a doença ter se revelado em 2000, conseguiu se recuperar com o tratamento de oito meses em Porto Alegre, o que lhe deu condições de trabalhar na Procuradoria Geral do Estado, onde foi aprovada em concurso público. Em julho de 2010, voltaram as complicações de saúde, necessitando de um transplante de medula com a possibilidade de um indivíduo ser compatível a cada 100 mil.
Complicações pulmonares, baixa imunidade, coma, a fatalidade se consumava. As palavras de Thiago em mensagem através do twiter traduzem o perfil que ela nos passou: “A Mari deixa um exemplo de força de vontade, garra, fé e esperança”.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A PASSARELA DO CONSUMISMO

“Não mandem flores” é uma frase bastante comum que aparece em alguns convites de enterro divulgados na imprensa. Dizem que se deve destinar os gastos dessas gentilezas às instituições de caridade. Muita gente tem a convicção de que as flores não devem ser arrancadas, pois estão enfeitando jardins e caramanchões. Até mesmo os românticos são criticados pela sua propensão de homenagear suas amadas com artísticos ramalhetes. Se todos pensassem assim, o que seria da floricultura e daqueles que vivem dessa atividade. Mais um problema social?
**********
E lá se foi o Natal com a sua febre de consumismo, com o tremendo estresse que provoca nas pessoas condicionadas na troca de presentes que ocorrem nas reuniões com familiares e amigos. O décimo terceiro salário injeta renda no mercado para movimentar uma economia que se manteve estável no restante do ano. Nos jornais, os classificados apregoam as vagas oferecidas para empregos temporários. A publicidade volta-se criativa visando o aumento das vendas nas lojas. Desta forma, somos bombardeados pela oferta de tantos produtos supérfluos.
**********
Escolher um presente já é uma tarefa deveras espinhosa para quem se coloca numa posição de querer agradar, ficando na dependência de atingir o seu intento. Que o digam aqueles que recebem um brinde nem sempre necessário, muitas vezes repassado em outras ocasiões, alimentando assim o ciclo dessas trocas. Por que não se institui uma campanha de doações dessas novas roupas e alimentos que vão atulhar os nossos armários, quando há carência dos mesmos em outras prateleiras? Será que é tão difícil de conciliar essa tendência ao desperdício com algum sorriso sincero de gratidão?
**********
E ainda tem aquelas visitas que não dispensam trazer alguma “lembrancinha” toda vez que chegam a nossa casa, como se não bastasse o prazer de recebê-las. Ou então aquelas vizinhas que copiam os filmes americanos, trazendo alguma torta para o chá da tarde. A propósito, lembro-me de um primo que foi visitar um conhecido e, na saída, este quis lhe obsequiar com uma lata de Marrom Glacê que tinha recebido de outro convidado, pois nessa casa ninguém gostava da guloseima. Só que não se deu conta de estar devolvendo o presente justo a quem lhe havia ofertado.
**********
Ficamos sabendo há pouco que o carro modelo Corolla é um dos mais caros circulando nas ruas e estradas do nosso país, cujo preço ultrapassa os cem mil reais no mercado nacional, o dobro do custo médio no exterior. Tem gente que se queixa da carga tributária que não chega a impedir a desenfreada demanda para veículos de qualquer espécie, os quais vem atravancando as nossas principais vias de circulação e pressionando uma crescente dívida pública para atender os gastos com a infra-estrutura necessária. E pelo visto parece que essa ostentação se torna cada vez mais contagiosa.
**********
A mobilidade social é um fato indiscutível que vem ocorrendo numa evolução impressionante, gerando novas expectativas graças às novas tecnologias disponíveis e ao marketing desenvolvido para dar sustentabilidade a esse processo. O “ter” tem-se tornado mais importante do que o “ser”, muitas vezes a custa do crédito facilitado através das financeiras, pouco interessando a capacidade de pagamento dos mutuários. E vão desfilando na passarela do consumismo celulares, computadores, eletrônicos, carros último tipo, toda engrenagem que move o mercado.
**********
Enquanto isso, presenciamos nas ruas do nosso bairro, dezenas de sem-teto nos atacando para obter a migalha de uma “moedinha” sobrando em nosso bolso e vão juntando uma a uma para depositar essa “féria” nas farmácias, padarias, lojas e bares necessitados de troco. Noite avançada, alguns somem das nossas vistas quando não se acomodam entre jornais e caixas de papelão, debaixo de alguma marquise para se abrigar das intempéries. E esta legião de excluídos sempre acorre a “Sopa dos Pobres” de alguma instituição filantrópica, em busca da sua única alimentação diária.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Vergara Marques sempre agregador

O nosso conterrâneo Luiz Carlos Vergara Marques que se notabilizou pela criação do programa Turfe & Boa Música na extinta Rádio Itaí, costuma promover todos os meses um encontro dos veteranos radialistas que atuaram nas principais emissoras do nosso Estado. Grande agregador, ele convoca toda a Velha Guarda para relembrar os bons tempos da época áurea da nossa radiofonia, quando saúda um a um todos os presentes, salientando da sua importância como referenciais dos meios midiáticos.
Atendendo honroso convite de Vergara Marques, em companhia de Hunder Everto Corrêa, outro jaguarense ilustre, comparecemos nessa emocionante confraternização e pudemos testemunhar esse exemplo de união e de ideais consolidados na experiência classista de cada um dos seus integrantes, depoimentos imprescindíveis ao balisamento das novas gerações de comunicadores que dão continuidade a essa extraordinária jornada em busca de uma melhor dignidade profissional.
Nesta última terça-feira dia 14, tradicional restaurante Forno & Fogão, ao lado do glorioso Estádio dos Eucalitos na rua Silveiro, tivemos oportunidade de conhecer e cumprimentar grandes personalidades do antigo rádio gaúcho, tais como Salomão Ainhorn, Pedro Amaro, Batista Filho, Sergio Bechelli, Vanize Brown, Beatriz Correa, Arnaldo da Costa Filho, Sergio Dillenbourg, Marisa Fernandes, Lauro Hagemann, Lucio Hagemann, Cleomar Pereira Lima, Cláudio Medina, Leo Pagano, Elisabeth Passos, Antonio Carlos Porto, Antonio Carlos Resende, Aldo Rosito, Rocco Rosito, Sergio Schüller e outros mais.
Muito dessa gente tem aqui chegado oriunda do nosso Interior, em cujas emissoras e jornais ganharam formação para se desinibir e aprender a falar em público, exercitando a oratória e a escrita e consequentemente adquirindo mobilidade social em sua árdua carreira. Eram os conhecidos “bicos” de que se dispunha na época para arranjar uma renda extra afim de custear estudos e até atender caprichos próprios como pagar o cinema ou o guaraná para a namorada, normalmente dependurados na conta dos pais.
Luiz Carlos Vergara Marques, há duas décadas estacionado nos 64 - resultados de uma providencial amnésia – foi um dos que descobriu a sua vocação, graças a um concurso de oratória promovido pelo Grêmio Literário Castro Alves, no Ginásio IPA de Jaguarão. Em sua primeira tentativa, traído por excessiva timidez, teve de encarar tremendo fiasco. Por isso mesmo resolveu se empenhar no aprimoramento do seu desempenho até o próximo concurso, quando então atingiu o seu propósito e se revelou como brilhante locutor, cujo vozeirão conserva até hoje.
Em Porto Alegre, não lhe foi difícil percorrer todas as rádios locais, onde deixou passagem marcante, notadamente na emissora do Edifício do Relógio (Chaves Barcelos), no Largo do Medeiros, a qual alavancou com a notável audiência do seu programa Turfe & Boa Música, que se caracterizava por preencher com espaços melodiosos ininterruptos o intervalo entre um páreo e outro do Hipódromo, o que não acontecia nas outras emissoras, interrompendo a programação normal para irradiação daqueles páreos. E o nosso herói não ficou só nisso, chegando a narrar em plena Gávea vários Grandes Prêmios do Brasil.
Aposentado como Diretor da Rádio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ai está o nosso Vergara abrilhantando almoços e jantares e, por puro diletantismo, tirando sua casquinha como apresentador oficial de muitos Bailes das Debutantes, como tem ocorrido em sua terra, onde é bastante requisitado nessa função.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Afabre promove no BRDE Cultural o lançamento de "Lá pelas tantas"





De 13 de outubro a 23 de novembro, andei encarando quatro sessões de autógrafos, a saber: Centro Municipal de Cultura (13/10) – lançamento de “Para Não Dizerem Que Passei Em Brancas Nuvens”; Espaço Cultural do BRDE (28/10) – lançamento de “Lá pelas tantas”; Feira do Livro de Porto Alegre (09/11) – lançamento de “Para Não Dizerem Que Passei em Brancas Nuvens”; Feira Binacional do Livro, em Jaguarão (23/11) – idem, o mesmo livro. Nesta última, cheguei a promover o Compre 1 / Leve 2, ou seja, quem adquiria o de contos, levava também o de crônicas grátis. Desses eventos, faltou-me comentar o realizado no Espaço Cultural do BRDE, sem dúvida, onde obtive os melhores resultados, tendo em vista ali se encontrar o meu público alvo, antigos colegas de serviço, além de aproveitar a data do 17º aniversário da nossa Associação de Aposentados – AFABRE.
Com salgadinhos bastante apreciados e encomendados pela gerente da cantina local, Rejane Macedo, que se esmerou junto com o “Maître” Miguel Venceslau no atendimento aos convidados, os quais tiveram oportunidade de degustar e apreciar um vinho branco italiano, servido na temperatura ideal, por sinal, muito elogiado pelos presentes. Um clima excelente para o desenrolar de um memorável Happy Hour no 14º Andar do Edifício Comendador Azevedo, sede do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, onde todos puderam assistir a transformação diurno-noturna da cidade numa paisagem de tirar o fôlego com destaque para a vista do nosso Mercado Público.
O presidente da AFABRE, Renato Albano Petersen, aproveitou a ocasião para salientar o desempenho que a entidade vem obtendo no decorrer da sua existência, além de dizer da sua satisfação em promover o lançamento de “Lá pelas tantas”, de autoria de um associado. De minha parte, agradeci o apoio recebido para a realização desse acontecimento que fiz questão coincidisse com a importância da data para ser marco de congraçamento entre colegas ativos e inativos. Mais tarde, percebendo a chegada do jornalista Marcello Campos, da Rádio Guaíba, pedi licença para dirigir algumas palavras de saudação ao novel conviva que era o responsável pelo trabalho caprichado e competente de dar forma ao volume, desde a revisão, a diagramação até a arte da capa, incluindo o prefácio.
Marinheiro de primeira viagem é fogo, tem que contar tim-tim por tim-tim todas suas façanhas, que dirá um escriba bissexto apontando presenças no primeiro lançamento: Luiz Felipe Badia, Jaqueline e Carlos Bezerra, Valdeci Bezerra, Coralio Bragança Pardo Cabeda, Luis Alberto Calazans, Maria Beatriz Perla de Camargo, Marcello Campos, Gladis Maria Crespan, Nadir José Damo, Alda e Wenceslau Gonçalves, Ottoniel Gomes da Rocha Júnior, Fabrício Schirmann Leão, Regiane Silva Macedo, Rejane Silva Macedo, Vivian Marques, Alberto Leite de Castro Neto, Regina Nunes, Argus Ruy Guex de Oliveira, Maria Leonora Oliveira, Renato Albano Petersen, Erci Adevico Pias, Frederico Hoffmeister Poli, Adriana Réus, Walmor Salami, Antonio Sidinei Scarparo, Marlow Maria Caon Schenato, Egon Pedro Scherer, Ivete Suzana Selbach, Ana Maria Silva, Joelci de Souza Alianello, Zelinda Celina Rubin Soares, Luiz Carlos Teixeira, Nelson Teixeira, Miguel Venceslau e Kie Yamamoto – graças à divulgação dentro do BRDE feita pelos colegas Antonio Roberto Arena e João Francisco Sattamini.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Na chuva : 56ª Feira do Livro POA

No Jornal Escola IIIª Lâmina, de Carazinho e Passo Fundo (Ano 01 – Número 04 – Dezembro de 1997), publiquei artigo intitulado “A Roleta dos Autógrafos na Feira do Livro de Porto Alegre”, no qual abordava o grande afunilamento a que foram submetidos os lançamentos de novos títulos na 43ª FLPA, conforme transcrevo a seguir: “Nas sessões de autógrafos, fizeram-se presentes algumas centenas de autores, tentando não só expandir suas inquietações literárias como também obter o reconhecimento da crítica e da mídia nem sempre generosas, já que ignoraram 2/3 desses lançamentos, conforme se pode constatar através das coberturas jornalísticas do evento. Mais impiedosa ainda a repercussão entre o público leitor, peneirando aqueles que se fizeram merecedores de sua preferência:...(best sellers do momento) – ou seja: Conclui-se que daqueles 1/3 diferenciados, sobraram aproximadamente 4% (quatro por cento) felizardos ganhadores nessa roleta de autógrafos”.
Dia 9 de novembro, tocou-me a vez de trocar de posição na 56ª FLPA, assinando autógrafos no lançamento do livro “Para Não Dizerem Que Passei em Brancas Nuvens”, de minha autoria. Foram quase 30 caneteadas no período de 18h30min ás 19h45min (um livro a cada 2, 3 minutos), até me disseram que eu estava com a fila mais comprida entre os autores desse horário (Benedito Saldanha, Cícero Galeno Lopes/Maria Cristina França/Zilá Bernd, Maria Berenice Dias, Maria do Carmo Campos/org. e José Carlos Teixeira Giorgis). Prejudicados que fomos por uma chuvarada que ocorreu naquele momento, além de ser ignorado na mídia local, conseguimos esse resultado através de 100 mensagens enviadas pelo correio eletrônico e mais 100 convites personalizados que foram remetidos pelo correio comum, alcançando um retorno de 15%, bastante razoável.
Soleno José Ribeiro de Almeida, Nilo de Los Angeles, Pedro Fagundes de Azevedo, Zilda Azevedo, Ruth e Guilherme Braga, Hunder Everto Corrêa, Eulálio Delmar Faria, Geraldo Guilherme de Freitas, Alda e Wenceslau Gonçalves, Tereza Goulart, Ermínia Mayer, Vera Lúcia da Silva Moraes (Dª. Marietina), Rogério Medeiros Ilha Moreira, Carlos Alberto Neves, Lucien Bittencourt Pires, João Pompílio Neves Pólvora, Sérgio Roberto Corrêa Reggio, Fernando Rozano, José Brignol Sanchez, Cláudia e Plínio Schererschewsky, Ana Maria Silva, José Maria Antunes da Silva, Sérgio Souza Amaro da Silveira, Blau Fabrício de Souza, Ibanez Vasco de Souza, Zinaida Tscherdantzew, Darcy Coelho Vieira, Kie Yamamoto – que me perdoem se me estendo nessa nominata, mas não poderia deixar de registrar aqui essa gente destemida que se dispôs a encarar um imprevisto aguaceiro, proporcionando-me uma confraternização inesquecível.

domingo, 28 de novembro de 2010

Vivenciando instante privilegiado

Da esquerda para a direita, Orceli, Alencar, Carlos José, Souza,
Heriberto (em pé) e Álcio Riccordi, nosso querido Gaita (sentado).

Grande ator do teatro riograndense, natural de Jaguarão, Joberto Teixeira levou à cena, no Teatro Esperança, o monólogo “As Mãos de Eurídice”, a mesma peça com que foi aplaudido de pé no principal palco do nosso Estado – o São Pedro, de Porto Alegre. Fiquei sabendo, através de uma emocionante crônica do Professor Cléo dos Santos Severino publicada no jornal “A Folha”, lá pelo fim dos anos cinqüenta, que o espetáculo foi realizado para uma restrita platéia, mas que no dizer desse cronista com a presença de um casal de idosos, nada mais nada menos que os pais daquele artista, lotavam todo o espaço vazio daquela casa, dada a feliz oportunidade deles assistirem a magistral interpretação do seu talentoso descendente.
Outro momento mágico do nosso Cine Teatro Esperança me foi relatado pelo saudoso amigo Newton Silva, quando ali se apresentou o notável cantor e compositor Rubens Santos, já falecido, um dos parceiros de Lupicínio Rodrigues, então cumprindo uma turnê artística patrocinada pelo Governo do Estado, provavelmente agendada pelo conterrâneo Danilo Brum, o qual integrava o Conselho Estadual de Cultura. Pois o Newton me enfatizou que esse espetáculo foi dirigido a uma meia dúzia de assistentes, os quais chegaram a sentir pena de tantos ausentes que deixaram de conferir um dos mais abalizados intérpretes do velho Lupi. Compreendi perfeitamente essa colocação, tendo acompanhado o veteraníssimo Rubens em inúmeras performances no antigo restaurante do CIB – Centro Ítalo Brasileiro, situado na Rua João Teles, bairro Bonfim, que costumava reunir às segundas-feiras a nata da música riograndense, ocasiões em que abusava de sua potência vocal, sem utilizar qualquer microfone.
Estive em Jaguarão para autografar “Lá pelas tantas” e “Para Não Dizerem Que Passei em Brancas Nuvens”, livros de minha autoria na II Feira Binacional do Livro e 27ª da Câmara Júnior de Jaguarão e senti o acentuado movimento cultural em nossa terra, destacando-se o espaço destinado a “Associación de los Escritores de Uruguay”, bem como a grande diversidade de títulos oferecidos nas bancas ali instaladas, uma das quais ocupada pela Livraria Contexto local. Agradecendo a apresentação que me foi contemplada pelo Professor Carlos José Azevedo Machado, da comissão organizadora do evento, procurei salientar a coragem e o pioneirismo de uma nova loja de livros que se instalou na cidade, buscando resgatar atividades anteriormente desenvolvidas pelas antigas “A Miscelânea” e “Apolo” e até lembrei da fantástica figura do carpinteiro Seu Guimarães, leitor compulsivo que algumas vezes recebia obras literárias como paga por serviços prestados.
Faço questão de nominar – perdoem-me alguma omissão – a todos aqueles que testemunharam o meu instante privilegiado: artista plástico Cleber Carvalho; professora Roseli Calveti, secretaria-adjunta de Educação; Fernanda Cassel, diretora de comunicação da Casa de Cultura; Hilda e Cladistone Arruda Dias, suas filhas Alicia e Isabele (representados); Escola Pio XII; Alda e Wenceslau Gonçalves; Maria Alice e Udo Kercher, seus filhos Aline e Pedro (representados); Vera Lúcia e Carlos José Machado, seus filhos Vinicius e Érico; professor Heriberto Machado; Luiz Inácio Machado (representado); escritor José Nunes Orcelli; Ana Lecy Pacheco; Carmem e José Álvaro Pacheco, seus filhos Matheus e Álvaro (representados); Jorge Luiz Neves Passos, mentor da Confraria dos Poetas de Jaguarão http://confrariadospoetasdejaguarao.blogspot.com/2010/11/o-poeta-das-aguas-doces-na-feira.html; Maria Fernanda Passos, diretora da Casa de Cultura; Fabiana e Alencar Porto, ele secretário de Cultura e Turismo;
professor Cláudio Ely Rodrigues; Beatriz e Álcio Riccordi, suas filhas Patrícia e Cátia; escritor Eduardo Álvares Souza Soares.
A essa gente fidalga dedico preito de gratidão pelo prestígio que me distinguiram.