quinta-feira, 20 de novembro de 2014

IDEIAS QUE BROTAM DESTA IMAGEM SINGELA

Lançamento de "Lá Pelas Tanras" no Espaço Cultural do BRDE:
Bezerra & Bielinski em 28/10/2010, quando me brindaram com primorosa reportagem fotográfica.

Confrontos à parte, sempre tive excelente relacionamento com o saudoso colega Carlos Augusto Dal Zen Bezerra, não só como funcionário do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, trocando informações para nosso melhor desempenho profissional, mas também como amigo leal e entusiasta sempre pronto a nos apoiar nas iniciativas culturais que empreendíamos através da nossa Associação de Funcionários, entre as quais Boletim Informativo da AFBRDE e Oficina com o jornalista João Carlos Tiburski, já falecido.
Havia ainda afinidade nas origens, pois Carlinhos era filho de segundas núpcias com Dª. Maria Thereza do conterrâneo Sr. Orestes Bezerra, auditor de finanças da Secretaria da Fazenda, aposentado em Nova Prata, de onde aquele era natural, como seus irmãos Carmem e Flávio. Além disso, era sobrinho de Dª. Geny Gentilina Bezerra Neves, casada com o Sr. Cristóvão Almeida Neves, pais de seus primos Sheldon e José Aparício, inesquecíveis companheiros do chimarrão dominical. Por parte de pai, viúvo de Dª. Arminda de Souza Bezerra, tinha mais dois irmãos, os jaguarenses Luiz Aparício e Valdeci.
Falecido a 31/01/2012, um dia após completar 65 anos, mesma véspera em que sua filhinha Clara Gabriela, de seu matrimônio com a colega Jaqueline Bielinski, festejaria seu nascimento há seis lustros. Jaqueline e Carlinhos trabalharam muito tempo juntos no setor financeiro da Direção Geral do BRDE e, com eles, participei da montagem de vários programas para recuperação de crédito nesse Banco. Então me foi delegada a missão de coordenar securitização rural e refinanciamento do BNDES, no tocante à Agência de Porto Alegre.
Confesso que tive de partir do ponto zero para dominar uma área que desconhecia, valendo-me da proximidade física entre DIGER e AGPOA para colher as informações necessárias à custa de muita insistência com diversos responsáveis dos mais variados setores do BRDE. Sem querer menosprezar a importância de todas essas pessoas que me auxiliaram com presteza e boa vontade, devo salientar o proveitoso contato com Jaqueline Bielinski e Carlos Bezerra na jornada que travávamos para cumprir os prazos estabelecidos pelo BNDES.
Antes, porém, tivemos de enfrentar a batalha pelo levantamento da liquidação extrajudicial do nosso Banco, em consequência da quebra do Produban, de Alagoas, com o elevado número de certificados de depósito interbancário ali investido pelo BRDE. Na Assembleia dos funcionários, na AGPOA, foi constituída comissão para tratar da defesa dos interesses do pessoal, através da representação oficial de Renato Albano Petersen, Carlos José Ponzoni, Nede Lande Vaz da Silva e Carlos Augusto Dal Zen Bezerra.
Enquanto isso, outra ala “xiita”, na qual me incluo juntamente com Luiz Carlos Beiller de Freitas, João Francisco Sattamini e Milton Silva e Silva, movimentava-se na “contramão”, apoiando a ação popular contra o interventor do Banco Central no BRDE, patrocinada pelo advogado Dr. Antônio Carlos Gomes, e tentando convencer a maioria renitente a abraçar a causa institucional em detrimento da situação funcional, o que veio se concretizar pela ampla mobilização política e social de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. 
Nesta época, Carlinhos e eu estávamos em lados opostos, da mesma forma Jaqueline, ainda sem ligação afetiva com ele, que nos dava suporte na intransigente oposição a uma maioria acomodada numa garantia de futuro emprego. Até que as duas correntes passaram a se articular numa mesma direção para levar a bom termo o levantamento dessa liquidação extrajudicial. 
E coroando todo esse esforço, ao ser homenageado pelos 30 anos de serviço prestados ao BRDE, Bezerra chegou a arregimentar em torno de si, os funcionários aprovados em Concurso que não se realizava há mais de duas décadas. De outro lado, nessa mesma cerimônia, em contraponto apresentei os colaboradores contratados que deixavam o Banco, em busca de colocação no mercado de trabalho.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Mostra Literária BRDE: 54 autores funcionários

Da esquerda para a direita: Adriana Reus, Carlos José Ponzoni, Dir. Carlos Henrique Vasconcelos Horn, Miriam Tolpolar, Mayara Penna Dias, Fernanda Letícia de Souza, José Alberto de Souza, Leandro Leal Ghezi, Zinaida Tscherdantzew, Felipe Daiello, Denise Weinreb, Corálio Bragança Pardo Cabeda, Aline Vieira Malanovicz, Vera Regina Ferreira Carvalho, Vera Lúcia Ambrozi, Thiago Fetter da Silva, Dir. Neuto Fausto de Conto e Antonio Sidinei Scarparo.
Dia 3 de novembro, recebemos Certificado de Participação, como colaboradores do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, na I Mostra Literária que se realiza presentemente no Espaço Cultural –Projeto Memória do BRDE. Este evento está inserido na 60ª Feira do Livro de Porto Alegre, embora lançado simultaneamente com o Balcão Literário BRDE no saguão do Edifício Comendador Azevedo, onde se situa a sede Banco, e foi prestigiado com a presença do patrono da Feira, escritor e jornalista Airton Ortiz, e do Presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, Marcos Antônio Cena Lopes.

O Balcão Literário, inaugurado na ocasião, serviu para consolidar uma das iniciativas do BRDE de incentivo à cultura com a instalação de uma estante no referido saguão, destinada a abrigar os livros recebidos por doação e que serão oferecidos para retirada livre e posterior devolução. Em um segundo momento, foi lançado o Projeto Memória BRDE e a 1ª Mostra Literária, na sobreloja da GEPLA. O economista da Superintendência de Planejamento (SUPLA), Carlos Ponzoni, coordenador do GT-Pró-Memória-BRDE, salientou o resultado alcançado no resgate de cerca de 54 autores distribuídos através de 122 títulos.


Além de Certificados de Participação, todos esses escritores foram agraciados com a obra “Memória da Litografia – Pedras Raras da Livraria do Globo”, da artista plástica Miriam Tolpolar, editada sob o patrocínio do BRDE e prefaciada pelo seu Diretor de Planejamento Carlos Henrique Horn. Ainda foram disponibilizados marcadores de página reproduzindo trechos da obra de cada um dos autores. Destaque especial para a apresentação da Escola de Música do Instituto Popular de Arte-Educação (IPDAE), que abrilhantou a festa em diversas fases da solenidade. Um esplêndido coquetel foi servido a todos convidados.

A primazia de ser agraciado pela artista plástica Miriam Tolpolar
E para finalizar cumprimentamos aos Diretores Carlos Henrique de Vasconcelos Horn e José Hermeto Hoffman, representantes do Rio Grande do Sul no BRDE, e aos colegas Carlos José Ponzoni, Adriana Reus, Beatriz Trois Cunha Poli, Maria Eliana da Silva, Maria Leonora Oliveira, Michelle Santellano e Aline Tyska, integrantes daquele Grupo de Trabalho pela sensibilidade em promover um evento de tamanha importância para a comunidade da Instituição, desejando que se repita sempre esse sucesso em futuros empreendimentos.




quinta-feira, 6 de novembro de 2014

NA "MOITA", QUEM DISSE QUE ELE ESPERAVA?

Entre as pessoas referidas, além de Júlio Cunha, já se encontram 
na “sobreloja” Luiz Carlos Silveira, Newton Silva e Anysio Resem.

Julinho ensaia com Aroldo Dias em Jaguarão e logo se põe a dedilhar o pinho altissonante daquele. Era bem a “baixaria” que vinha sonhando executar desde os seus dez anos, idade na qual nascia para o violão. Daí o seu desejo de ficar com o instrumento do Aroldo, em troca dava o seu Del Vecchio, com fio e tomadas para caixa de som, super incrementado, levava tudo. Mas o outro, cantor profissional, não podia prescindir da sua ferramenta de trabalho.
Estávamos ali presenciando o “cambalacho”, Newton Silva, Luiz Carlos Silveira e eu, entreolhávamo-nos telepaticamente entendidos – Julinho está precisando de um violão mais à altura do seu talento – e fingíamos ignorar o “drama”, no fundo nos acumpliciávamos a fim de aprontar alguma para o querido amigo.
Em Porto Alegre, Eulálio Delmar Faria e eu nos desincumbíamos da missão de procurar Aroldo Dias e conferir as características do seu Rei dos Violões caixa alta, surdo, sonante, bom de graves, bem ao estilo Júlio Cunha. Dali procurávamos o artesão Breno, no Partenon, transversal à direita da Avenida Bento Gonçalves, uma rua que sobe o morro em frente da torre do Supermercado Carrefour, casinha verde com aberturas pintadas de vermelho, nº 489, nem me lembro do nome da rua. Lá chegando, éramos recebidos em meio a violões, cavaquinhos, banjos, bandolins, surdos, mudos e falantes. Breno ficava sabendo das nossas pretensões e nos mostrava a sua especialidade. Eulálio experimentava (não tem outro?), tocando e comparando e chegava à sua conclusão: “Este é o mais semelhando ao do Aroldo, mas aquele sete cordas se presta mais para Julinho exercitar sua criatividade”.
Negócio feito, dirigiamo-nos a Jaguarão e combinávamos reunir um grupo de amigos na Churrascaria Rafa – Luiz Carlos Silveira, Eulálio Delmar Faria, Newton Silva, Anysio Resem, Paulo Sabbado, Alvanir Freitas e eu. Júlio não sabia de nada, o pretexto era de oferecer um assado para Eulálio, seu velho companheiro de seresta, ele não devia deixar de comparecer.
Após comes e bebes, dava-se início aos trabalhos: “Julinho, os teus amigos aqui reunidos gostariam de te oferecer através de Luiz Carlos uma pequena lembrança, traduzindo toda admiração e apreço pela tua pessoa” – e o portador passava a suas mãos o violão encapado que o garçom vinha trazendo e dizia ser este mais completo e adequado ao seu desenvolvimento artístico.
Pego de surpresa, mal atinava em desencapar o objeto, o homenageado vê bem o que há de diferente neste violão (sete cordas), qual a marca (Julio Cunha, 10/02/1990), olha só que bordões. Na sua humildade, Julinho dizia que em seus 53 anos bem vividos jamais tinha recebido um presente igual aquele. Enquanto isso, sentíamo-nos honrados por representar outro tanto de seus amigos que gostariam de estarem ali presentes, apesar da noite chuvosa.
(Matéria publicada em 24/02/1990, no jornal “A Fôlha” de Jaguarão).

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Carta publicada em 18/04/1987 na "A Fôlha"/ JGO

À direira, Dair Nunes, récnico Campeão Juvenil 1970, pelo  Crizeoro
Volta e meia, tenho o prazer de me deparar aqui na Capital com a figura simpática e entusiasta do amigo Dair Nunes. Para mim, ele continua o mesmo daqueles tempos em que me criei na sempre lembrada Jaguarão. Ao que me consta desde que me conheço por gente, sempre vi o “Zazá” lépido e faceiro a correr atrás de uma bola. Desportista acima de tudo, praticando os mais diversos esportes – futebol, vôlei, basquete e outros mais. Incentivando as “peladas” da várzea, orientando os jovens nas tantas equipes que formou. Um carregador de piano, quantos pianistas não brilharam à sua custa!
Repito, tal encontro sempre me proporciona esta nostálgica sensação de retorno às origens. “Zazá” põe-me a par daquilo que acontece no meio esportivo da nossa cidade. Fala-me do seu inacreditável amor, autêntica paixão, pelo nosso saudoso Esporte Clube Cruzeiro do Sul. Da sua obstinada dedicação, creio que razão de ser da sua própria vida, na incansável tarefa de manter acesa a gloriosa mística tricolor.
Mas “Zazá”, velho amigo, vem me desabafar as suas mágoas pelo cansaço gerado com a incompreensão daqueles que lhe poderiam prestar um apoio mais eficaz. Fico sabendo que se encontra aqui na Capital tratando da sua saúde e que ao mesmo tempo aproveita para providenciar no encaminhamento de ficha de atleta da Associação Cruzeiro Jaguarense, na Federação Rio Grandense de Futebol. E assim os assuntos se vão sucedendo até chegarmos ao impasse surgido dentro daquela Associação quanto à sobrevivência do Departamento de Futebol, a qual vem sendo ameaçada por correntes favoráveis à sua extinção, apesar da fusão anteriormente acordada pelas duas sociedades – Clube Jaguarense e Esporte Clube Cruzeiro do Sul.
E nós aqui – Sheldon, Aparício, Nede e eu – estrelados da velha cepa, em nossas reuniões informais, ficamos perplexos ante a crítica situação a que chegou nosso inesquecível time do coração. Não conseguimos entender por que o “cruzeirista” está se tornando uma espécie em extinção. Por que dentro daquela Associação não existe gente disposta a reagir contra esse estado de coisas. Por que não se reúnem os remanescentes daquelas épocas áureas, buscando uma solução mais honrosa para essa questão. Quem sabe até denunciando o convênio dessa malograda fusão. 
Afinal de contas, “Zazá” não merece representar esse melancólico papel. 

sábado, 18 de outubro de 2014

* FALA, VIOLINO! * (Jayme Lewgoy Lubianca)

Ao amigo Souza, com o prazer renovado, POA, 03/11/2004.

Falava um violino em sua linguagem
De seus sonhos, de seus ciúmes,
Descrevia soberbas paisagens,
Falava de amores e de queixumes.
Tange a corda de um violino choroso,
Traduzindo com magia a tristeza,
Em suas arcadas, ruge o vento, sussurra a brisa,
Ó sábio! O sábio fica no esquecimento,
E o louco furioso! O louco furioso ameniza.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

AS CINQUENTA MIL "CARAS" DE NOSSO POETA


Nesses últimos dias, tem me acontecido vários fatos imprevistos que me constranjo em comentá-los para não bancar o louvor em causa própria, como se quisesse evitar algum assunto de pouca importância.
Arrisco-me, porém, a ser mal interpretado, pois não consigo conter minha empolgação com este acúmulo de sucessos que me foi proporcionado de modo tão intenso dentro da comunidade de generosos amigos.
Primeiro, o 1º. Lugar obtido na categoria Crônica do II Prêmio Varal do Brasil de Literatura (edição 2014), com o trabalho “O Velho Chateau Daqueles Rapazes de Antigamente”, concorrendo só por teima.
Este era um texto que já vinha sensibilizando algumas pessoas e que me animava a regá-lo de muita esperança, afinal não sou um nome consagrado, uma celebridade, apenas buscava reconhecimento público.
A seguir, deparo-me atingindo a contagem do milésimo comentário em uma das postagens deste nosso blogue, o que foi motivo de receber inúmeras congratulações de meus caros seguidores, após confirmada.
E ainda constato chegar à marca das 50.000 visualizações no total de 285 postagens, o que representa mais um evento a ser comemorado e partilhado com todos aqueles que me distinguem com seus acessos. 
E tem mais a mostra das publicações de autoria dos funcionários escritores do BRDE (Rua Uruguai, 155), a ser lançada às 17 horas do próximo dia 3 de novembro, parte integrante da 60ª. Feira do Livro.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

JÁ ATINGIMOS A CONTAGEM DO "MILÉSiMO"...

Havendo recebido o milésimo comentário na postagem anterior deste nosso blog, decidimos publicar uma representativa série  de "emblemáticos” para homenagear todos leitores que nos honram com seus acessos.


0001. Seu Souza, folgo em ver que os mistérios da Internet, aos poucos, vão sendo desvendados pela sua perseverança.Há braços!! em 1º de agosto de 1929
Mauro Castro
em 01/08/07

0101. Querido Souza....siempre leo tus historias y comentarios, y me daba verguenza no responderte.....me daba, por que estoy acá te acompañando y queriendo participar de estas innúmeras historias de un poeta que flota....flota....y es leve como una pluma.Fabio em Como entrar num parafuso sem fim
Anônimo
em 31/03/08

0201. Aplaudo o retorno do talento amigo, esbanjando jovialidade e graça! Aguardemos a Dulcinéia superar o desencanto? Parabéns!Adilson Rodrigueiro em DESENCANTANDO DULCINEIA (I)
em 27/01/09

0301. Oi, pessoal: A Lúcia foi minha professora de informática. Ela me enviou um e-mail tipo circular pedindo uma corrente em favor de sua sobrinha, com leucemia aguda. Eu respondi perguntando o que mais poderia fazer além de incluí-la em minhas orações. A resposta dela está aí acima. Eu repasso pra vocês porque talvez os jovens das nossas relações - entre 18 e 60 anos - queiram aderir a essa nobre campanha de doação de medula. Guilherme. em Na fila à espera de um transplante
Anônimo
em 04/09/10

0401. Querido amigo, conterrâneo, apoiador, muito obrigado pela matéria em seu prestigiado blogue. Arquivei com carinho como lembrança. Abração. Je. em Ele revela que nasceu em Jaguarão
em 15/05/11

0501. Grande Mestre José Alberto de Souza, Parabéns é muito pouco pelo muito que você tem feito pela cultura brasileira. Os jovens precisam conhecer o que um dia registrou e não só desiquilibrados, voando com seus carrões e fazendo vítimas a cada momento. É hora de uma reforma na Constituição, na vida daqueles que vem apressadamente tentando substituir-nos. A palavra mais adequada a realidade brasileira é "conscientização". É hora de acordar para que nosso país não passe pelo mundo com a rapidez que a última década registrou. Forte abraço e parabéns. Já deveriam ser pelo menos 100 mil. E quando esse número for registrado estarei aquilo com muita alegria para parabenizá-lo. Edemar Annuseck São Paulo - SP emATINGIMOS MARCA EMBLEMÁTICA
em 22/10/11

0601. Escritor José Alberto há momentos na vida que são aquela lufada de ar novo a nos recompor. Você foi até Valinhos para somar em literatura junto aos jovens. Isto esparrama uma alegria grande em nossos corações. Parabéns por tão bonita empreitada! Vale à pena a estrada quando nela nos deparamos, surpreendentemente, com homens como você e mulheres como Clarice Villac. Poxa que bom fazer parte dessa turma de vocês! Sou uma privilegiada. Beijo daqui. Fatima/Laguna/SC em INTERATIVIDADE EM VALINHOS-SP
Anônimo
em 20/03/12

Anônimo
em 24/09/12

0801. Linda Tio!! em UMA LETRA EM BUSCA DE UMA MELODIA
em 30/07/13

0901. Poeta das águas doces, saudações! Coincidência grande, estou a aprender escrita com o grande Marcelo Spalding por um curso na Internet. Um abraço. Raimundo Cândido em O GRANDE DESAFIO DE PUBLICAR UM LIVRO
em 23/04/14


1001. Parabéns Tio! Este prêmio só vem corroborar o que nós já conhecemos, o seu talento. Bjs em PARA QUEM É PARTE DESTA MINHA HISTÓRIA
Quenia López de Resem
em 04/10/14

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

UM AMIGUINHO PARA MINHA NETA MARIANA

Visitante ilustre,
ele surgiu assim sem avisar,












com suas cores resplandecentes,












 e não se fez de rogado
para devorar as frutinhas tentadoras.

Fotos de Marylene Fernandes Vieira.









terça-feira, 30 de setembro de 2014

PARA QUEM É PARTE DESTA MINHA HISTÓRIA



O Varal do Brasil tem a honra e a alegria de anunciar os vencedores e as menções honrosas do II Prêmio Varal do Brasil de Literatura (edição 2014).

Nossa comissão julgadora foi formada por: Clevane Pessoa de Araújo Lopes, Luiz Carlos Amorim, Maria de Fátima Barreto Michels, Sabrina Bulos e Valdeck Almeida de Jesus.

Os vencedores!
Primeiro lugar em:

- CONTO:  Título, por Rui Pedro Pinheiro
- INFANTIL: Tavito, um Sapinho Diferente, por Flávia Assaife
- POEMA: De vida, mágica e mistério, por Gaiô
- CRÔNICA: O velho Chateau daqueles rapazes de antigamente, por José Alberto de Souza

Menções honrosas: (sem ordem de classificação ou categoria)

- No Face, por Ana Polessi
- Fatalidade, por Rossana Aicardi Caprio
- Preta, por Maria Luiza Vargas Ramos
- A aura do Varal, por Gladis Deble
- Salão de Beleza, por Magda Resende
- Será que pode?, por Joana Puglia
- Rato Zé, por Edna Barbosa de Souza
- O dia em que perdi perdão a Leonardo da Vinci, por Isis Berlinck Renault
- Aribelo, por Anette Apec Barbosa
- Cinema, por Marco Miranda
- A Mulher no espelho, por Tulia Lopes
- Harmonia, por Sonia Cintra
- Auréolas, por Sandra Berg
- O encontro dos rios, por Isis Dias Vieira
- Louvor à Mulher, por Isis Dias Vieira
- Meia mulher, por Geni Pires de Camargo
- A dançarina, por Julia Rego
- Cinema, por Marco Miranda
- Não me abandone ela, por Igor Christiano Buys
- Amor Real, por Vera Salbego
- Dentro da gente, por Nelci Back Oliveira
- O Beija-Flor e o Violinista, por Juliano Sotti
- As Máscaras da Dor, por Vicência Jaguaribe
- A Phil Spector, por Sandra Nascimento
- Violão Amante, por Aglae Torres

O Varal do Brasil agradece profundamente a todos os participantes pela valiosa participação de cada um. Os textos enviados estão todos de parabéns pela qualidade e criatividade!

Transcrito: http://varaldobrasil.blogspot.com.br/2014/09/resultados-do-ii-premio-varal-do-brasil.html

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O PRELÚDIO PARA AQUELA ALMA ILUMINADA


Na baixada daquela rua, cheia de buracos e cascalhos, fazendo esquina com o caminho que vinha do Asilo, situava-se um pequeno sobrado. A umidade constante do local, encravado naquele canto por uma sanga rodeada de taquarais correndo pela divisa do terreno, retocava de um rosa esmaecido a sua pintura mais que descascada. A fachada principal se recuava dando espaço para um roseiral a separá-la da mureta com o portão de madeira em frente ao íngreme barranco, no cimo do qual se avistava hospital e capela da Santa Casa. Na lateral, possuía ainda um avanço de um só piso e pé-direito de pouca altura e uma pequena porta a entestar com a Rua da Baixada. Por ali se entrava no humilde estabelecimento daquele sapateiro que se fizera respeitar pela clientela das redondezas com a qualidade dos seus serviços.
Lá dentro, Alemão, como era conhecido no lugar, mantinha-se ligado ao movimento da rua, enquanto amaciava alguma sola de couro batendo diligente com o martelo num dos suportes do tripé acomodado entre os joelhos dobrados e cobertos pelo avental ensebado, a se equilibrar sentado numa rústica banqueta. Dali ele enxergava, no sol a sol das suas lides, o monótono cortejo das mesmas caras que se repetiam a cada dia, nas rotineiras passagens das idas e vindas dos locais de trabalho. Sentidos aguçados, tanto podia reconhecer o passo marcial do sargentão se dirigindo apressado ao Quartel como o perfume adocicado das prostitutas, perambulando ali perto, a catar os últimos raios solares para se arejarem um pouco do mofo da Pensão.
 - Seu Alemão! Seu Ale... mão... – o guri entrou na sapataria tropeçando desavisado no falso degrau, pois não atinara em desacelerar a corrida desabalada em que vinha rua abaixo, quase expelindo os bofes boca a fora, resultado do atropelo da fala com a respiração.
- Te acalma, moleque! Afinal por que toda essa correria? – parecia que Alemão, a entrada imprevista, fora pego de surpresa.
- Foi a filha do Maestro, seu Alemão... Ela me pediu para lhe chamar o mais rápido possível. E que é para o senhor levar o instrumento... Entendeu? – o guri deu o recado e se mandou porta afora sem dar mais explicações, tão estabanado como entrara.
A situação inusitada, logo foi se desvencilhando do avental que lhe protegia a roupa do uso diário, ao mesmo tempo em que gritava para a mulher lá na cozinha preparando o almoço:
- Me alcança o “cachimbo”... Vamos, rápido, que eu estou precisando ir à casa do Maestro!
Não precisou falar a segunda vez, em seguida a esposa já lhe trazia o seu carinhoso “cachimbo”, um inestimável sax-tenor. Apanhou-o já dentro do estojo e saiu apurado para a rua, sem dar ouvidos à mulher sugerindo que levasse algum casaco ou qualquer outro abrigo para se proteger da garoa fina que caía lá fora.
Enquanto subia a Rua da Baixada a passos resolutos, começou a lembrar como o Maestro se apegara a ele a ponto de o considerar um discípulo predileto. O Maestro apreciava a obstinação com que ele se dedicava a ensaiar, tentando aperfeiçoar a sua maneira de tocar o instrumento que lhe havia sugerido aprender. Os outros componentes da Banda até que tinham mais facilidade em assimilar de pronto as instruções do Maestro, porém, a tranquilidade com que se detinha numa constante busca de perfeccionismo na execução musical era motivo daquela admiração. Se bem que custasse mais a fixar as notas de uma partitura, tornava-se impecável após dominá-las por completo.
Lépido, duas quadras acima, já dobrava à direita quando se deu conta de que desconhecia a razão do chamado do Maestro. Apenas sabia que este se encontrava adoentado há alguns dias, recente ainda era sua última visita. E lhe chegavam as notícias dizendo que o Maestro passava bem, em franca recuperação. Mas que diabo ser chamado àquela hora da manhã sem mais delongas. A dúvida se instalava em seu pensamento: e se fosse coisa grave? Ah, se fosse, deveriam ter chamado o médico e não ele! Não, não pode ser.
Ai sua atenção se voltou para o outro lado da rua, um casarão de linhas clássicas, aqueles janelões antigos, sitos dois a dois de cada lado da enorme porta de carvalho, entalhes em relevo que combinavam com a eclética fachada, na qual ainda se viam as discretas aberturas destinadas a ventilar o amplo porão abaixo do pavimento principal. À entrada entreaberta, já o aguardava a filha do Maestro, logo veio a seu encontro assim que o avistou.
- Que bom, Alemão, que vieste em seguida. Papai está lá dentro, ansioso por te falar alguma coisa, insistiu muito para que te chamasse. - Ele nem conseguiu dizer qualquer palavra, apenas se limitou a ser conduzido pela jovem senhora, subindo os cinco degraus do hall de entrada, passando da sala de visitas ao aposento em que se encontrava recolhido o Maestro.
O ambiente refletia uma tranquilidade aparente através da relativa imensidão daquele espaço onde se alternavam harmoniosas as tonalidades claras e escuras das paredes e dos móveis do austero dormitório. Numa cama de casal, obra artesanal de madeira maciça, enfiava-se na cabeceira a tela do mosquiteiro pendente do teto. Ali estava o Maestro, cabeça recostada num amontoado de travesseiros e os braços soltos sobre lençóis e cobertas limpas e arrumadas. Os olhos dele ganharam novo brilho com a chegada do bom amigo e um sorriso feliz se estampou naquela face desgastada pelo tempo.
- Aqui estou, Maestro, pronto para lhe atender... – nem concluiu a frase, pois reparava o enfermo fazendo sinal com a mão para que se aproximasse mais como se quisesse comunicar algo. E ele não hesitou em chegar até a beira do leito a fim de escutar melhor aquela voz sussurrante.
- Te lembras, meu filho, daquela Ave Maria que te ensinei para tocares junto com o Coro da Igreja? Pois bem, eu gostaria que a executasses agora no teu virtuoso sax.
Alemão nem titubeou, retirou o “cachimbo” do estojo e destampou o bocal, aproximando-o dos lábios já prontos para aquela interpretação. De leve, os dedos ainda estavam engraxados e as unhas encardidas pelo serviço interrompido em questão de instantes. Sentiu-se embaraçado com a grotesca aparência, mas mesmo assim procurou esquecer, soltando o ar que percorria aquele labirinto de carnes e metais, lá do fundo das suas entranhas para se lançar na graciosa revoada do som, lá do âmago da sua sensibilidade a se espalhar livre pela atmosfera.
Entrementes, o Maestro se enlevava numa sensação de paz e conforto aliviando o corpo combalido. Fechava os olhos e ficava assistindo à retrospectiva da sua vida. O lugarejo onde nascera, encravado nas montanhas da longínqua Veneto. As horas em que se detinha sentado na cerca de pedras, pastoreando as ovelhas no vale acidentado, onde a campina surgia do solo rochoso. A sinfonia da natureza, o vento soprando nas grotas e a água do riacho correndo entre os cascalhos do seu leito. A longa caminhada de todos os dias em gélidos amanheceres rumo à Escola. O pífaro jogando melodias na estrada de chão batido, conforme a imaginação criava. O sonho de chegar ao Liceu de Música e se tornar regente de uma grande orquestra. De um dia se apresentar no Scala de Milan. O grande conflito mundial, países arrasados, populações inteiras na busca de um destino mais alentador. A chegada ao Brasil, uma aventura que modificou todos os hábitos da sua existência. A retomada de antigos anseios dos quais jamais abdicou. Sempre investindo em sua verdadeira vocação, o remanescente que fora realizado compensava amplamente o empenho nessa árdua batalha. No final, a balança pendia a seu favor.

No ambiente, pairava o sobre-humano esforço do saxofonista para não interromper a execução daquela peça instrumental.