Batias
bem o componedor na caixa dos tipos ao compasso duma melodia surgindo em tua
cabeça, enquanto apareciam caracteres de todos os lados.
Mal
sabias que, naquela dança animada, a cultura vinha aos borbotões, as palavras e
linhas do texto se transformando em nascente pensamento.
Mesmo
assim não te descuravas daqueles difíceis significados e interagias pelo ritmo
de tua inspiração, em contraponto às rebuscadas frases.
Tuas
mãos esculpiam uma harmonia perfeita da forma com o conteúdo, os dedos
encardidos de artífice compondo a mais limpa das obras gráficas.
Eras
Mestre em corrigir a ortografia nos descuidados originais e eu aquele Aprendiz
a quem fazias sem querer pegar gosto pelo idioma pátrio.
Quando
cochilavas à beira da bancada, oxalá teus sonhos pudessem alcançar a evolução
da prensa de Gutenberg até a atual Era da Informática.
E
assim me tornaste um escriba sem maiores pretensões do que jogar com as
letrinhas como costumava fazer antigamente nos tipos de antimônio.










