sábado, 11 de novembro de 2023

AQUELA ESPERANÇA QUE JAMAIS SE APAGARÁ

 



H O R Á R I O   D O   A L M O Ç O

 

As mesmas caras de sempre todos os dias

Repetidas no horário do almoço,

Não consigo distinguir de quais moradias

Nesta mistura de vozes em alvoroço...

 

De vez em quando algumas mais arredias

Sem querer me fazem desenhar um esboço

Pelas tantas esperanças fugidias

Quase me conduzindo ao fundo do poço...

 

Fujo dessas vias escorregadias,

Busco me livrar duma corda no pescoço

Nem quero chegar naquelas horas tardias...

 

Obrigando-me a engolir o caroço

Sem piedade das minhas teimosias

Enfim possa ver alguém como bom moço...

 

José Alberto de Souza  

POA, 11/nov./2023

sábado, 3 de junho de 2023

A TENTATIVA PARA UMA BUSCA INFRUTÍFERA

 De repente me vêm

essas lembranças,

daquelas pessoas

que já sumiram

do meu pensamento:

aonde andarão elas,

agora tão perdidas

em minha memória?

 

E eu sinto

a estranha sensação

de que estou vivendo

em outro mundo:

um fantasma em busca

da afinidade alheia. 

 

José Alberto de Souza

POA, 03/jun./2023


terça-feira, 25 de abril de 2023

O DESFECHO PARA UMA ESTÒRIA INACABADA

 


 

Aonde eu vou, eu sempre deixo uma saudade,

Saudade dos lugares bonitos que eu vi,

Momentos que me trouxeram felicidade

Numa boa companhia que conheci...

 

Saudade que nunca pode ser revivida

Após um tempo que já ficou no passado

Em certa época já dada por perdida

Apesar de esforço jamais recuperado...

 

Duma vez por todas, saudade me deixasse,

Libertando-me destas falsas esperanças

Como este teimoso broto que renasce

 

Na seiva da saudade assim borrifada,

Lançando folhagens de borbulhantes danças

Numa memorável estória inacabada...

 

José Alberto de Souza

POA, 25/abr./2023.

terça-feira, 4 de abril de 2023

*UM DESAFIO QUE SURGE A TODO MOMENTO*




P A R A   U M   G R A N D E   A M O R


Fostes o grande amor de minha triste vida

Que eu deixei escapar sem qualquer protesto

Para ficares tantos anos escondida

Falha dum reconhecido e amável gesto

 

Comigo ficou essa mágoa ferida

Marcada em dia tão infeliz e funesto

Naquela época distante e não sabida

Sequer lembrada por este servo modesto

 

Agora depois destas águas passadas

Torno a te reencontrar quase na minha frente

Neste quadro de rápidas pinceladas

 

Que o Criador fez questão de colocar

De modo inesperado para tanta gente

Como se quisesse uma ação determinar...

 

José Alberto de Souza

POA, 04/abr./2023

 

domingo, 19 de fevereiro de 2023

*AQUELA SOLIDÃO - UMA FIEL COMPANHEIRA*


 Eu percorro toda esta rua tão deserta

E nela não encontro nenhuma viva alma,

É mais um dia de feriado na certa

Em que procuro desfrutar a doce calma

 

Parece que a solidão já não me assusta,

Passando a ser uma fiel companheira,

A passagem do tempo em medida justa

Para contemplar a minha vida inteira

 

Avisto casas de antigos moradores

Ainda insistindo em tantas recordações.

Levando-me imaginar aqueles amores

 

Como se surgissem em repentinas versões

Através dos inesperados corredores

Cá presentes sem nunca apagar tais visões.

 

José Alberto de Souza

POA, 19/mar./2023

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

ATÉ ARREPENDIMENTO PODE SER PERDOADO

 



Para ter ilusão, não preciso sorrir

Quando apenas me basta ser enganado,

Qualquer página, sem que tenha de abrir

Para encontrar meu destino devassado

 

Mas como é doce nunca se descobrir

Certo equívoco muito bem ocultado,

Nenhuma necessidade a decidir

De revelar aquele segredo guardado

 

Mais vale o momento presente por vir

Do que desperdiçar tudo que nos é dado

Na forma incondicional de nos servir

 

No fim, nada que não possa ser perdoado

Pela simples razão que venhamos sentir

Algum futuro arrependimento frustrado.


José Alberto de Souza

POA, 10/JAN./2023

terça-feira, 29 de novembro de 2022

NOSSA SEMPRE LEMBRADA : RUA DAS FLORES

 

("Edumar Pinturas" Instagram)

R U A   D A S   F L O R E S

 

Quando ela tão brilhante ali passava,

Passarinhos jogavam pequenas sementes

Que sua formosa presença inspirava

Sem dispensar tantos olhares insistentes

 

Então naquela tosca alameda brotava

Minúscula haste duma pedra ardente

E despercebida a flor que se tornava

Agora chama atenção de toda gente

 

Hoje surpreso me permito contemplar

Tamanha multidão de luzidias cores

Que de repente surgem naquele lugar

 

Lembrei-me de todos os antigos amores

Dos tempos em que costumava cultivar

Cá nesta resplandecente Rua das Flores.

 

José Alberto de Souza

POA 29/nov./2022.

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

QUANDO NOSSOS OLHARES SE ENCONTRARAM












Surpresos, nossos olhares se encontraram

De compaixão poderia ser algum fato

Nem sei se por ali eles então buscaram

Manter-se nesse possível anonimato

 

De certo modo nenhum sorriso ousaram

Para não demonstrar qualquer espalhafato

Denunciando a maneira que usaram

Sem confundir propósito com ultimato

 

Ao acaso tão inesperado deixaram

A ocasião surgisse de imediato

Libertos da pressa que sempre desejaram

 

Fechar com chave d’ouro aquele ornato

Na esperança do futuro que ficaram

Aguardando mesmo bastante abstrato...

 

José Alberto de Souza

POA 16/Nov./2022.



 

domingo, 13 de novembro de 2022

HAVENDO POSSIBILIDADES DE FRUSTRAÇÔES


 

Eu já perguntei

E você não me respondeu:

Será que você gosta de mim?

Eu só queria ter certeza

Antes de me aproximar...


Não quero alimentar

Essas esperanças reprimidas

Nas condições sociais

Que nos mantem afastados...


Assim fico na dúvida

De ser um amor desesperado

Sem qualquer razão de ser

Para se fazer correspondido,

Com possíveis frustrações...


José Alberto de Souza

POA, 13/nov./2022.


domingo, 16 de outubro de 2022

Sérgio da Costa Franco - seria um Deus Bondoso?

 


Muitas vezes temos ouvido falar de um Deus Bondoso que nos quer muito bem. Mas diante de tantas injustiças existentes neste nosso mundo, costumamos nos revoltar querendo saber porque este Ser Superior não interfere de imediato para proteger as criaturas mais necessitadas. Creio nesse misericordioso Nosso Senhor como se não guardasse rancor com essa brusca reação que abandona qualquer resquício de esperança.

No dia a dia de nossa existência vivenciamos até mesmo em muitas pessoas tão próximas de nós a presença de um Deus Bondoso que nos encoraja, estimula e atende aqueles pedidos do momento através de uma atitude solidária. E elas nunca se mostram ansiosas por serem reconhecias em seus atos meritórios, deixando de lado os rancores que poderiam demonstrar por serem atingidas e mal interpretadas.

Assim, quando tomamos conhecimento de uma pessoa simples, isenta de qualquer vaidade, que se relaciona gentil e humildemente com seu próximo, sempre disposta a perdoar os deslizes alheios, não guardando futuros rancores, ficamos nos imaginando como se estivéssemos diante de um Deus Bondoso, reverenciando sua inesperada e prestimosa companhia, uma graciosa bênção surgindo em nosso caminho.

Então nos vem a mente um fato ocorrido em 1982, quando participávamos da organização dos festejos comemorativos aos 40 anos da instalação do Departamento de Jaguarão do Instituto Porto Alegre e decidimos escrever uma carta aos leitores do Correio do Povo, na época coordenado por um desses Deuses Bondosos, o qual não hesitou de publicá-la na íntegra apesar do texto longo ocupando um valioso espaço.

Posteriormente fomos solicitados a buscar no arquivo do Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa uma cópia de um artigo da escritora Rachel de Queiroz sobre sua estadia em Jaguarão, publicado na antiga revista O Cruzeiro, o qual foi enviado a seguir para o advogado Eduardo Alvares de Souza Soares que preparava na ocasião em parceria com outro ilustre conterrâneo a edição de “Olhares Sobre Jaguarão”.

E não é que este parceiro sugeriu a Soares a inclusão na 2ª. parte da referida obra versando sobre o Olhar dos Conterrâneos escritos de nossa autoria sobre os 40 anos de fundação do Ipinha jaguarense, um deles justo aquele que foi publicado no Correio do Leitor acima referido, o que permitiu a um mero desconhecido a honra de compartilhar um generoso espaço no lançamento em 2010 dessa importante obra.

A 13 de outubro último, somos privados do convívio com o amigo, conterrâneo e vizinho Sérgio da Costa Franco, a quem consideramos um Deus Bondoso na impressão que nos lega de extrema cordialidade e honradez de caráter, das quais sempre testemunhamos  nas mais variadas oportunidades.