terça-feira, 4 de setembro de 2012

> VOLTANDO AO TÚNEL DO TEMPO


Edição do Diário de Notícias, constante do acervo do Sr. Carlos Alberto Machado Neves, filho do craque cruzeirista Alberto Neves.

A alma entusiasta do elemento cruzeirista, comemorou no dia 27 de abril último, por entre manifestações de alegria o décimo ano de pugnas do Esporte Clube Cruzeiro que tantas e tão grandes glórias tem alcançado nas lutas futebolísticas, Esse acontecimento foi, sem dúvida, a prova mais eloqüente do quanto de simpatia souberam granjear todos os elementos que pertencem ao Cruzeiro, simpatia que se robustece cada vez mais, ante lauréis conquistados por ocasião de lutas memoráveis.
Desde a sua fundação até os nossos dias, o Cruzeiro, pelo esforço e dedicação dos seus componentes, tem sabido corresponder com alto grau de merecimento a simpatia que desfruta em nosso mundo desportivo, contando sempre com elevado número de torcedores, que não lhe regateiam aplausos nos lances empolgantes das partidas que emocionam.
Reputado como clube possuidor de homogêneo conjunto do desporte bretão, tem realizado partidas memoráveis com quadros da vizinha república e cidades limítrofes, cabendo-lhe todas as vezes a vitória consagradora como um prêmio ao estímulo e galhardia de cada um dos seus jogadores.
Fundado que foi no dia 27 de abril de 1924 á Rua Aquidabã pela boa vontade e esforço dos Srs. Cristovão Neves, João Correia da Silva, Pedro Correia da Silva, Dorval Knorr, Marçal Dias, Valter Jardim, Nésio Miranda, João Nunes Filho, Rubens Gerundo e Tomaz Miere, solidificou-se desde logo com a adesão de outras pessoas, marchando até agora de maneira modesta e brilhante, pela camaradagem desportiva que reina entre os velhos membros fundadores
Teve como iniciadores, formando a primeira diretoria, as seguintes pessoas: presidente, Lourival Tavares Leite; vice-presidente, Venceslau Garcia; 1º.secretário, Gabriel E. Correia; 2º. secretário, João Miranda; tesoureiro e capitão geral, Cristovão de Almeida Neves; capitão de quadro, Rubens Gerundo; orador, Luiz Dorval Lopes; guarda-desporte, Nepomuceno Larrosa. Conselho consultivo: presidente, Rosalino Lopes de Moura; relator, João Nunes Filho.
Presidindo a primeira diretoria provisória do Cruzeiro, deixou desde logo patenteado o seu grande interesse como responsável dos destinos do mesmo o incansável desportista Cristovão Almeida Neves, tendo mesmo depois de entregado a direção, se interessado e trabalhado com afinco destacado, merecendo-lhe agora a recompensa de ter sido aclamado sócio benemérito por grande número dos denodados cruzeiristas, que testemunharam assim um ato de inteira justiça aos seus serviços sempre empregados com interesse pelo bom nome do Cruzeiro.
Quando em 1927 inaugurou-se sob a responsabilidade do Sr. Claudino Neves, o seu campo de futebol, outro esforçado desportista da velha guarda do Cruzeiro, que tudo tem feito e se empenhado pelo brilho da existência de tão útil como simpática agremiação, ainda Cristovão Neves, secundando o seu parente e consócio não mediu sacrifícios, ora contribuindo com parcelas, ora trabalhando ele próprio com outros entusiastas elementos do alinhamento e marcação do campo.
Vem depois Lourival Tavares Leite, primeiro presidente eleito por grande maioria que, dirigindo de maneira admirável o futuro do Cruzeiro, demonstrou muito tino e capacidade no espinhoso cargo, procurando por todos os meios solucionar os problemas intrínsecos desde que os mesmos se movessem de acordo com a recomendação valorosa do clube da camisa tricolor. Merece portanto nossos aplausos o correto desportista que é, sem dúvida, Lourival Leite.
Seguindo os seus antecessores, não se tem descuido pelos destinos do glorioso Cruzeiro, Felipe Giozza, que há pouco deixou o cargo, entregando a Valter da Rocha Passos, conceituado cavalheiro e comerciante desta praça. Felipe Giozza foi incansável e um sincero amigo dos seus consócios.
Empregando como os demais o tempo em bem salvaguardar os interesses do clube, ele tem sido sempre o reparador para que nada falte de necessário nos dias de grande partida, tornando-a, por isso, esplendente a grandes elogios.
Haja vista quando foi da partida internacional realizada a 28 de outubro entre uruguaios da cidade de Vergara e o Cruzeiro, ficou maravilhosamente acertado um pacto admirável de camaradagem desportiva, graças ao empenho e boa vontade que empregou desde a recepção até o final das festas, das quais ficaram radiantemente demonstrada a educação e lealdade que possui Giozza.
Pelo Cruzeiro tem trabalhado um pugilo de homens dedicados, destacando-se tudo que diz respeito à glória da vida desportiva de Jaguarão: Luiz Dorval Lopes, orador; Rubens Gerundo, Tomaz Miere, Antônio Pinto Ribeiro, Alcides Moraes, Peri Moreira, Plínio Gomes, Julio Proença, Alcides Palma Pereira, irmãos Alcindo e João Amaro, José Pinto de Carvalho, Orestes Bezerra, Pedro Correia Silva e outros muitos que aparecem no plano onde figura a lista dos que se interessam do pujante e glorioso campeão. O primeiro desses foi agraciado com o título de sócio honorário, estimulando assim os grandes e inestimáveis serviços prestados àquele.

(Publicado no Diário de Notícias, em 24 de maio de 1934, cuja edição consta do acervo do Sr. Carlos Alberto Machado Neves, filho do saudoso craque cruzeirista Alberto Neves).  
                                                                                                                                                                                                    

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Saindo do Túnel do Tempo >> 50 anos


CRUZEIRO CAMPEÃO ESTADUAL – 3º. e último de uma série

Em 1954, exercia a correspondência da Folha da Tarde Esportiva na “Cidade Heróica” o cronista que assina estas notas. E através desse periódico, em 1955, teve oportunidade de escrever uma série de artigos sob o título “Jaguarão nos Esportes”, no qual tecia algumas considerações sobre aquilo que foi observado no ano anterior. Então se clamava, entre outros fatores, pela intensificação do intercâmbio esportivo com outros centros mais adiantados e pela renovação de elementos como causas básicas e necessárias ao desenvolvimento do esporte naquela cidade.
E, na temporada passada, a ação desenvolvida pelo Esporte Clube Cruzeiro do Sul foi como se fosse uma “varinha de condão” a atender espontaneamente aquelas aspirações. De vez que, nesta ocasião, a jornada empreendida foi plena de confrontos com equipes diversas – de Mello, Treinta y Tres, no Uruguai, Pelotas, Rio Grande e outras tantas. E mais ainda os convites que vem recebendo a agremiação para se exibir em outras localidades, como Bagé, ante o Grêmio local, e Mello, ante o Selecionado do Departamento de Cerro Largo, atualmente disputando o Campeonato Nacional do Uruguai – amistosos esses já acertados. Além disso, os dirigentes cruzeiristas estão empenhados em apresentar em Jaguarão as equipes profissionais do Cruzeiro e do Internacional, de Porto Alegre, e Bangu, do Rio de Janeiro. Para esse fim, estão plenamente confiantes no sucesso do empreendimento, tendo em vista as ótimas arrecadações obtidas nos últimos cotejos do Estadual.
Mas também se salientou a importância da renovação de valores que se fez sentir justamente neste instante quando vários elementos estrelados vêm sendo sondados a se transferir para outros centros, apesar de ser bastante provável a conservação do mesmo plantel para o ano em curso. Assim vem acontecendo com Adãozinho, o astro principal do elenco tricolor que tem interessados no seu concurso todos os clubes de Pelotas e mais a dupla Gre-Nal; com Afonso e Fontoura, que receberam convite para treinar no Brasil, de Pelotas, após o “Torneio da Morte”, e Aramis no Esporte Clube Pelotas. Fora os atletas Ludwig e Cacaio que, apesar de não terem propostas concretas, devem se transferir para a “Princesa do Sul”, em virtude de saírem aprovados no vestibular de Economia. Contudo o Esporte Clube Cruzeiro do Sul encontra-se preparado para receber tais desfalques, tendo em conta as revelações que vem surgindo nos juvenis, tais como o arqueiro Luiz Carlos, o zagueiro Pedrinho, o médio Bayard, o atacante Pitella e outros.
Como conseqüência dessa fase áurea que vem passando o tricolor da fronteira, menciona-se os melhoramentos que são introduzidos em sua praça de esportes – o Estádio “Mackinley Rosa”. Acha-se em conclusão o Pavilhão Social, construído pelos torcedores, com fundos provenientes da venda de cadeiras cativas. Neste deverá ser instalado um Ambulatório Médico, a fim de serem realizados exames periódicos nos atletas, em caráter preventivo. Em etapas seguintes, a instalação de tela olímpica no gramado, com túnel de acesso para o árbitro e os jogadores, e a edificação, em futuro bem próximo, do ginásio coberto para a prática de football de salão, de volley e basket.
Falar mais ainda da conquista estrelada, no certame estadual de amadores, pode já se tornar monótono. Não obstante o muito que se disse até agora acerca do tricolor de Jaguarão é pouco, tendo em vista os detalhes desconhecidos que se vão procurando revelar. São fatos incontestáveis que entusiasmam a todos aqueles que sentiram de perto as emoções do Campeonato de 1961, da Série Verde. Que fazem este despretensioso articulista tornar à sua pena para transmitir aos leitores as impressões colhidas no decorrer dessa sensacional campanha esportiva.

(Publicado em 10.04.1962 na Folha da Tarde Esportiva, de Porto Alegre).

Seguindo no Túnel do Tempo > 50 anos



CRUZEIRO CAMPEÃO ESTADUAL – Segundo de uma série

Retornando ao que se disse no artigo anterior – apenas se fez justiça com a conquista do título de Campeão Estadual de Amadores da Série Verde pelo Esporte Clube Cruzeiro do Sul, de Jaguarão. Isto porque o trabalho no alto comando da entidade estrelada foi um trabalho de base, de coordenação e de planejamento. Assim é que, embora funcionassem independentemente para facilitar a administração, nenhum dos setores da Diretoria chegou a ser individualizado, em proveito do serviço realizado em conjunto.
Também merece uma citação especial a assistência médica proporcionada aos atletas através da eficiente colaboração dos Drs. Rudy Walter Kussler e Carlos José Gonçalves, os quais não mediram esforços no cuidado e recuperação da saúde daqueles. No sentido de complementar a alimentação, sob determinação médica, foram feitas aplicações de glicose e vitamina, por via muscular, nos jogadores às vésperas de partidas, de quinta a domingo; fato esse habitual em qualquer organização esportiva.
Ainda se pode mencionar certa preparação psicológica que se faz sentir entre os atletas. Todos pisam o gramado com a maior naturalidade e com um único fim – o de jogar football – nunca buscando vencer de qualquer maneira. Desta forma, apesar da invencibilidade mantida até agora, os cruzeiristas vêm sendo prevenidos a encarar a derrota como uma contingência do esporte para que possam, amanhã ou depois, sair-se de cabeça erguida e convencidos de que perderam para uma equipe melhor.
Outro fator que se deve abordar é a evolução tática que vem dando ao quadro tricolor um padrão de jogo definido. Nada menos de três sistemas já foram adotados em sua equipe – WM nas primeiras partidas, um 4-2-4 no Campeonato Municipal e 4-3-3 no Estadual. Após a decisão de sua chave no certame de amadores é que se deu o entrosamento no último dos sistemas citados com marcação por zona. Até o derradeiro jogo, muito discutido e criticado, porém, foi o que produziu melhor rendimento. Além disso, a sorte também ajudou, pois o ataque não deixou de anotar tentos nos momentos mais difíceis.
Em realidade, o Esporte Clube Cruzeiro do Sul é uma equipe amadora muito bem preparada com um rendimento satisfatório, capaz mesmo de surpreender alguns quadros profissionais, como o fez no ano passado ante os titulares do Farroupilha e do Pelotas, aos quais venceu respectivamente pelos escores de 3x2 e 2x1. E nesses jogos vem sendo reputada como uma equipe leve, que atua sempre leal e corretamente, quaisquer que sejam os resultados parciais obtidos, de maneira que os adversários saiam intactos ao findar a contenda.
E os louros conquistados não subiram à cabeça dos jogadores, dos dirigentes, dos associados e dos simpatizantes do clube das cores farroupilhas. Após a última contenda do Estadual, foram paralisadas por um período de 30 dias as atividades do Departamento de Football. Mas, já a 17 do corrente, deve ter sido iniciada a presente temporada, na qual serão conjugados todos os esforços no sentido de manter esta sequência de sucessos até agora apresentados pelo Esporte Clube Cruzeiro do Sul. “Que criou fama, mas não deitou na cama”...

(Publicado em 29.03.1962 na Folha da Tarde Esportiva, de Porto Alegre)

Túnel do Tempo: cinquenta anos atrás



CRUZEIRO CAMPEÃO ESTADUAL – Primeiro de uma série

18 de fevereiro de 1962. Chega a seu término o Campeonato Estadual de Amadores da Série Verde, correspondente à temporada de 1961. E conquista o título máximo o Esporte Clube Cruzeiro do Sul, de Jaguarão. Prêmio justo e merecido que vinha coroar com êxito um passado de lutas e glórias de uma das mais tradicionais entidades amadoristas do Estado. Fundada em 1924, a agremiação esportiva baluarte daquela cidade vem se mantendo garbosamente através dos tempos – tantos e tantos clubes passaram enquanto essa vai ficando.
Realmente, vários fatores contribuíram de modo decisivo na brilhante campanha encetada pelo quadro tricolor, invicto há 49 jogos. Entre eles, a organização exemplar da Diretoria, a eficiente orientação técnica, a disciplina e camaradagem dos atletas nos treinos e concentrações e a torcida da colônia jaguarense radicada em Porto Alegre nos jogos de Guaíba e Canoas. Nas excursões, os dirigentes estrelados não pouparam esforços em proporcionar a máxima assistência aos jogadores. Estes eram transportados nas condições melhores possíveis e chegaram até a serem concentrados na Praia da Alegria, às vésperas dos cotejos finais.
São unânimes os jogadores em salientar a orientação técnica que vêm recebendo – a do Dr. José Antônio Candiota Duarte da Silva, Campeão Panamericano de 1956 – sem igual até então nos clubes locais. Treinamentos intensos são realizados durante a semana, com ensaios de conjunto às terças e quintas e preparo físico às quartas e sextas. No decorrer dos treinos, existe um revezamento entre titulares e aspirantes, resultando sempre a escalação do que render melhor. E não participa dos cotejos o atleta que não treina. Por esse motivo, embora visados, vários elementos de fora não chegaram a ser utilizados. Unicamente têm a sua oportunidade os mais assíduos e persistentes nas práticas.
Impressiona sobremaneira a facilidade e o jeito todo especial com que o treinador manobra cada um dos seus pupilos. O que resulta de um saneamento mental empreendido através de uma disciplina rígida e inflexível com poucas punições, porém, de caráter profundo. Em Pedro Osório, alguns elementos de destaque encontravam-se afastados da equipe que mesmo assim ainda conseguiu um empate de 1x1 frente ao Piratini local. E esta disciplina é mantida fora e dentro de campo. Basta dizer que a agremiação vem granjeando um ótimo conceito em todas as homenagens de que lançaram mão.
Na temporada passada, um grande plantel de jogadores esteve em ação – Oscar, Almir e Luiz Carlos (arqueiros), Cordeiro, Pedrinho, Silveira e Aramis (zagueiros), Ludwig, Oliveira, Bittencourt, Cacaio e Fontoura (médios), Afonso, Nogue, Otaviano, Luiz Orlando, Adãozinho, Neca, Elbio, Vitor Hugo e Pitella (artilheiros). Todos em iguais condições e nenhum titular absoluto, de modo geral, correspondendo perfeitamente bem. Reservas apenas eventuais, mas sempre prontos para intervir nas partidas.
Após o jogo em Canoas, muitos dos atletas mostravam-se desejosos de chegar a Porto Alegre. No entanto, voltaram para a Praia da Alegria, onde estiveram concentrados. Lá o treinador Duarte fez-lhes ver da necessidade de repousar, tendo em vista a viagem longa e cansativa que tinham pela frente e o pouco tempo de que dispunham para os “aprontos” da contenda decisiva do Campeonato. Mas deixou a critério de cada um essa resolução e todos prontamente lhe atenderam o aviso. Comentando o fato, Duarte apenas se limitou a citar Osório – “É fácil a missão de comandar homens livres: basta lhes mostrar o caminho do dever”.
(Publicado em 20.03.1962 na Folha da Tarde Esportiva, de Porto Alegre).

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Há exatos 50 anos em meus alfarrábios


CRUZEIRO NAS FINAIS DO ESTADUAL DE AMADORES
(Publicado em 17.02.2012 no jornal “A Folha”, de Jaguarão.)

Aproxima-se do seu término o certame estadual de amadores, promovido e realizado anualmente pela Federação Rio Grandense de Futebol. Classificados para as finais desse importante torneio o Esporte Clube Cruzeiro do Sul, desta cidade, e o Frigoríficos Nacionais Futebol Clube, de Canoas, disputam a conquista do galardão máximo do campeonato. Portanto, já tendo assegurado, um dos dois, o título de Vice-Campeão Estadual da Categoria, independente de qualquer resultado que possa ocorrer.
Aproveitando o ensejo, apresentamos nestas breves linhas, a título de esclarecimento, uma noção (talvez sujeita a incorreções) sobre o que seja o sistema de disputa desse Campeonato.

Disputantes e posição
A Série Verde compõe-se de 23 municípios, dos quais apenas 19 foram representados no certame de 1961. Esta série é subdividida em 3 grupos, enquadrados segundo 7 chaves.
Na chave 1, disputaram as agremiações G. E. Juventude (Candelária), A. E. Sobradinho, da cidade do mesmo nome, e G. A. Operário (Rio Pardo), sagrando-se esse último vencedor da referida.
Enfrentaram-se na chave 2 E. C. Itapuí (Guaíba), E. C. Guarani (Venâncio Aires) e G. E. Taquariense (Taquari), o primeiro dos quais vencendo essa chave.
As equipes representativas de Rio Pardo e Guaíba jogaram entre si para decidir o privilégio de disputar com o Atlético Mineiro F. C. (São Jerônimo), único integrante da chave 3, o título de campeão do grupo, conquistado pelo E. C. Itapuí.
Para apontar o vencedor da chave 4, puseram-se em disputa C. A. Camaquense (Camaquã), G. E. Juvenil (Tapes) e Juventus F. C. (Barra do Ribeiro), tendo triunfado esse último.
Na chave 5, que foi conquistada pelo representante de nossa cidade, disputaram ainda G. E. Internacional (Arroio Grande), F. C. Piratini (Pedro Osório) e Paulista F. C. (Pelotas).
O nosso valoroso E. C. Cruzeiro do Sul impôs-se ante os representantes de Barra do Ribeiro, conquistando assim o título de campeão do Grupo 2, para em seguida também triunfar ante o vencedor do Grupo 1 e habilitar-se às finais do certame.
O grupo 3, com uma só chave (6), foi vencido pelo Frigoríficos Nacionais F. C. (Canoas) ante as equipes do G. A. Juventude (Esteio) e do F. C. Estância Velha, da localidade que lhe empresta a denominação.
O Avenida F. C. (Porto Alegre), jogando ante o Tamoio F. C. (Viamão), venceu o grupo 4 (chave 7), porém, foi eliminado pela representação de Canoas, que já é adversária do campeão de nossa cidade nas finais do Estadual.

Os desistentes
Não participaram desse campeonato os representantes de Cachoeira do Sul (chave 1), General Câmara (chave 2), São Lourenço do Sul (chave 4) e São Leopoldo (chave 6). Observa-se portanto que as chaves 5 e 7 foram as únicas com atuação integral, o que já é um motivo de satisfação para nós, tendo em vista ser a nossa chave (5) a que teve maior número de concorrentes.

A maior liga do futebol amador
A primeira vista, ante um ligeiro exame do carnê do Campeonato Estadual de Amadores de 1961 (Série Verde), parece-nos ser o representante de São Jerônimo o mais privilegiado dos concorrentes do certame. No entanto, deve-se levar em conta que a Liga desse município possui 17 filiados, sendo bastante extenso o seu campeonato, com jogos inclusive no meio da semana. Basta se dizer que sua equipe representativa não foi o quadro campeão, mas sim o vencedor do primeiro turno do campeonato municipal, pois que este não tendo chegado a seu término na época aprazada pela F.R.G.F., tiveram os clubes de São Jerônimo que entrar em acordo para apontar o seu representante nesse Estadual de Amadores.

Datas aprazadas
Outro motivo nos chama a atenção, ou seja, as chaves 6 e 7 que constituem isoladas os grupos 3 e 4 respectivamente e cujos vencedores já podem disputar entre si uma candidatura às finais do Estadual. Entretanto, temos de levar em consideração que os campeonatos municipais de Esteio, Canoas, São Leopoldo e Porto Alegre possuem um elevado número de participantes. E o campeonato estadual já começa a ser disputado nos certames citadinos. Daí esse aparente privilégio.

Desempenho dos finalistas
O Frigoríficos Nacionais representa 6 municípios, disputando previamente um total de 8 partidas nesse certame, enquanto o E. C. Cruzeiro do Sul tem a si a responsabilidade de 17 municípios, totalizando 13 partidas jogadas. Como vemos, a nossa equipe passou por 75% dos concorrentes, disputando 25% das 50 partidas realizadas e a serem realizadas na Série Verde, salvo uma terceira contenda nessa decisão.

Considerações e sugestões
Tivemos oportunidade de palestrar amavelmente com um dos encarregados do Departamento do Interior da F.R.G.F., Sr. Luiz Santana, o qual nos forneceu gentilmente um ligeiro retrospecto de todos os jogos efetuados na Série Verde, bem como se prontificou a abordar e discutir francamente conosco o critério de disputas do Estadual de Amadores. E foi o que fizemos. Julgamos bastante ponderáveis muitos dos seus argumentos e compreendemos a complexidade na elaboração do carnê de jogos. Porém, solicitamos vênia para discordar em certos detalhes. Pareceu-nos ligeiramente “sacrificado” o grupos 1, enquanto os grupos 3 e 4 um pouco mais “descansados”. Apenas dizemos isso à luz da realidade, sem querer provocar polêmicas. Se não vejamos: 1º) desde 3 de dezembro (1961) os vencedores dos grupos 3 e 4 estavam aguardando a sua vez de enfrentar os vencedores dos grupos 1 e 2, somente conhecidos a 4 do corrente (fev/1961), dois meses passados; 2º) o vencedor do grupo 3, também desde 3 de dezembro (1961), esperava a ocasião de disputar com o vencedor do grupo 1, conhecido a 21 de janeiro (1961), quase dois meses parado.
E daqui a nossa sugestão aos dirigentes do Departamento do Interior da F.R.G.F. daquilo que nos parece ser a solução mais razoável: a transferência de São Jerônimo (chave 3) do grupo 1 para o grupo 3.

José Alberto de Souza

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

UM GURI EM BUSCA DE AVENTURA

Meus sonhos me aprontam cada “gancho”! Pois não é que me deparo com uma comadre que falava para outra ter lido no jornal uma reportagem sobre os perigos aos jovens saindo a cavalgar fora da cidade. “Peraí, eles passeavam a cavalo dentro da cidade?” – estranhei, quase invadindo a cena. Porém, veio-me à mente uma de minhas estadias na cidade de Tapes - RS, situada às margens da Lagoa dos Patos e considerada a mais plana ao nível do mar, onde constatei não ser incomum esse costume, mesmo fora do tradicional desfile no feriado comemorativo de 20 de setembro.
Nada mais natural para que se favoreçam longas caminhadas a pé ou pedaladas de bicicleta, apesar do comodismo daqueles que não dispensam o automóvel para se deslocar em pequenas distâncias. E do lazer daqueles que ainda têm como alternativa a prática da equitação no perímetro urbano. Sem submeter suas montarias a grandes esforços, os ginetes também desfrutam de um prazer mais ecológico e saudável. Eles circulam nas vias públicas, inteiramente despojados de qualquer pretensão de impressionar com suas esporádicas passagens, que nem chegam a ser notadas no passeio.
Essa conversa das comadres falando do inconveniente dos jovens pegarem a estrada montados em seus pingos me jogou em tempos distantes quando minha cidade parecia pequena demais para minhas perspectivas de vida. Jaguarão era o universo a que me restringia como se não bastassem minhas explorações pelas ruas, quando as percorria de cabo a rabo, uma por uma, às vezes, tentando chegar a pé nas vilas mais pobres e afastadas, em busca da aventura de sentir a realidade de outras paragens. Quantas vezes não me detive ali no Prado, querendo prosseguir pela saída da cidade.
Houve ocasiões em que alugava bicicleta para prolongar esses trajetos. Mesmo assim, essas novas expectativas não passavam de entradas Uruguai adentro, pela ponte cruzando o rio e seguindo na direção da Cochilla para trazer “pan alemán” ou então esticando mais até o cansaço me parar lá pelos lados da Tablada. Outras vezes, a gente pegava um pequeno bote para navegar rio acima, onde nos perdíamos num dos inúmeros braços e ficávamos horas dando voltas, sem a mínima orientação, apenas na base de tentativas para encontrar o caminho de volta ao curso principal das águas.
Um dia havia de chegar a que surgisse oportunidade de sair daquele insulamento e lá fui eu de carona num "jipão" do Exército, a convite do primo Cesário, para passar uns dias em sua residência de Bagé, onde servia numa das guarnições locais. Pelo caminho, a estadia no Paris Hotel, de Pelotas, contemplava pela janela entreaberta do quarto em que estávamos hospedados a imensa torre metálica do relógio do Mercado Público, cujo carrilhão batia preciso as horas. Eu começava a desbravar o mundo...

sábado, 14 de julho de 2012

Por que apagar o nome tão tradicional ?


Está ali no Blog do Wenceslau – “Meu saudosista predileto” – quando na realidade procuro desenvolver um texto memorialístico, baseando-me em fatos passados que me ocorrem no momento, cujas lembranças ainda permanecem frescas no subconsciente, sem a necessidade de exercitar a imaginação. Busco testemunhar algumas histórias que vivenciei através desta passagem ainda não concluída pelo nosso planeta. Dos contatos estabelecidos com aqueles vultos que me impressionaram pela sua nobreza e vontade de contribuir com o desenvolvimento pleno de nossa sociedade.

Até me julgo demasiadamente conservador ao constatar as tradições desaparecendo à revelia de todos aqueles que esperam sua continuidade. Ou então quando elas são mantidas pelo desejo da comunidade como é o caso do Café Aquarius, de Pelotas, recentemente “imortalizado” pelo poder público. Suas dependências, resguardadas de outras finalidades que venham a conflitar com a sua velha utilização como “ponto de encontro”, resistem à especulação imobiliária para que gerações vindouras usufruam do hábito saudável de agregar pessoas num espaço comum.

Aqui, no Menino Deus, meu bairro, situa-se um dos bares mais tradicionais da Avenida José de Alencar, JA Lanches, onde se reúne democraticamente a qualquer hora do dia ou da noite, até com mesas na calçada, uma clientela de faixa etária heterogênea. E constato estarrecido que seu proprietário, após sete anos com o mesmo nome no capacho de entrada, em razão de ampliar suas instalações, achou por bem mudar a denominação do estabelecimento, para meu gosto nada afirmativa se comparada à anterior. E, como protesto, neguei-me a aceitar tranquilamente essa “arbitrariedade”.

Outro nome bastante sugestivo era o do antigo “Botequim”, também aqui do bairro, cujo dono resolveu alterá-lo devido estarem surgindo nas redondezas vários “butecos”. Porém, pura e simplesmente Botequim, discordo que por aqui ainda seja uma designação comum, apesar de evocar épocas da antiga cultura lusitana. Pode ser que muitos nem venham a ligar para o ocorrido, afinal esses proprietários têm se esmerado em caprichar nas instalações e atendimentos, o que importa mais na realidade. Agora, se me perguntarem como se passaram a chamar, vou dizer que desconheço.

Evidente que progresso e desenvolvimento de agrupamentos urbanos determinam começo e fim de ciclos visuais em nossas andanças através do cotidiano. E precisamos mudar as penas para dar asas ao mito liberal de aceitação a novos tempos, saudando aqueles melhoramentos que se fazem necessários ao nosso bem estar. Cada estabelecimento comercial mantém-se com dificuldade frente às oscilações de mercado. E essas crises muitas vezes obrigam a encerrar suas atividades, dando lugar a modernas e eficientes lojas que trazem consigo letreiros mais identificados com a futura clientela.

Sem querer, descobri um novo bar bem em frente ao JA, anunciando um “suculento mocotó às quartas e aos sábados”, e resolvi conferir a oferta. Associando a denominação Bar e Restaurante do Portuga a um velho conhecido, constatei que o estabelecimento já tinha percorrido vários endereços sem abandonar o antigo apelido de seu dono, Paulo Amorim, conhecidíssimo empresário de jogadores de futebol e agregador dos “boleiros” nos encontros fora das quatro linhas. Nem preciso falar da minha satisfação de rever a mesma marca sempre ostentada em toda peregrinação do Portuga por diferentes locais.

Finalmente, acuso uma “aberração”, no bom sentido, em plena Rua da Praia, onde se instalou a nova “Loja Renner” adotando o Memorial da Livraria do Globo.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Valoroso Pitangueiro desde criancinha!


Tendo em vista a brilhante reportagem fotográfica da Confraria dos Poetas de Jaguarão, permitimo-nos reproduzir aqui alguns flashes do lançamento de "Minha Fachada Predileta" na noite de 27 de junho último, no Clube Instrução e Recreio (antigo Voluntariosos Pitangueiros) podendo assim ser apreciado a intensa movimentação ocorrida durante este evento cultural.

http://confrariadospoetasdejaguarao.blogspot.com.br/2012/06/clube-instrucao-e-recreio-viveu-noite.html

De nossa parte, impossibilitados de retratar cada um dos convidados presentes naquela memorável noite em que predominou a camaradagem e confraternização, o que me permitiu rever velhos amigos e conhecidos, só me resta relacionar os importantes nomes que lá compareceram, a saber:


Daiane Araujo (Jornal Pampeano), Elisângela Costa Barcellos, Carlos Vilian Caetano, Rosali Calveti, Cleber Carvalho, Fernanda Cassel, Paulo Sérgio Cardoso Chader, Ana Maria Mattos da Cunha, Francisco Caraciollo da Cunha, Francisco Carlos Mattos da Cunha, José Irineu Garcia, Martin Cesar Gonçalves, Cristina Ferreira Lima, Ely Noda Lima, Nergipe Almeida Machado, Bráulio de Azevedo Machado, Carlos José Azevedo Machado, Luiz Inácio Azevedo Machado, Heriberto Machado, Érico Pacheco Machado, Vinicius Pacheco Machado, José Carlos Pólvora Machado, Antônio Carlos Rodrigues Marques, Luiz Carlos Dutra Monteiro, José Nunes Orcelli, Ana Lecy de Souza Pacheco, Vera Lúcia de Souza Pacheco, Jorge Luiz Neves Passos, Maria Fernanda Passos, João Carlos Hernandes Pedrosa, Danilo Pinto, Italo Pittella, Carmem Lúcia Neves Pólvora, José Alencar Porto, Quenia Lopez de Resem, Alcio Riccordi,Cátia Riccordi, Fabiana Riccordi, Tamara Riccordi, Cléa Rodalles, Cláudio Ely Rodrigues, Cláudio Rotta Rodrigues, Vanderléia da Silva, Carmem Lúcia Soares, Cláudio Acosta Xavier e Luiz Xavier.

A todos vocês gostaria de manifestar minha gratidão por mais esse apoio e estímulo recebidos, sem deixar de reconhecer todo empenho que me foi dispensado na divulgação desse acontecimento, através dos blogues Confraria dos Poetas de Jaguarão, Turismo em Jaguarão, Talentos Jaguarenses, Prosa Galponeira e Varal do Brasil.

sábado, 30 de junho de 2012

...NATA no aconchego do Bistrô (final)

O editor Rossyr Berny passa à minha mão Diploma de Honra ao Mérito pela publicação de Minha Fachada Predileta, através da Editora Alcance.

Todos apresentados com exceção de Alda Ferreira Gonçalves, esposa do Wenceslau, que aparece nesta última foto.

... Mais NATA no aconchego do Bistrô...


Como havia me referido na postagem anterior, sigo insistindo para apresentar a totalidade dos convidados presentes ao nosso memorável evento.











                 Paula Lopes e Jair Fernandes, nossos anjos protetores.
O "Imortal" Glênio Reis, ilustre amigo e grande incentivador.
Lucien Bittencourt Pires, velho parceiro e funcionário graduado do BRDE.












Jornalista Marcello Campos, da Rádio Guaíba, ilustre parceiro e colaborador.
O colega João Francisco Sattamini dando início a seu panegírico.
Presença obrigatória de Ibanez Vasco de Souza, presidente da Associação dos Funcionários Aposentados do BRDE.




Colega aposentado Alberto Leite de Castro Netto, um voraz leitor.
A bela Jô que ainda encanta seus colegas no BRDE.
E chega de panegíricos!!!


"La Mama" Gislaine e o "filhão" Gilberto Fagundes de Souza.
A incansável agregadora da colônia jaguarense Ana Maria Silva.
Alberto Markzak Oliveira e Átila Resem Hidalgo, "guardiães" da minha escolta.