sábado, 1 de fevereiro de 2020

ALGUMAS CINZAS DESTE MEU ESQUECIMENTO



En algun momento del pasado,
Adonde despedimonos
Con la esperanza de volver,
Hoy quedase alla
Como hojas perdidas en el tiempo…

En algun momento del pasado,
Eres un triste recuerdo
De una época gloriosa
En que se cruzaran
Nuestros distintos destinos…

En algun momento del pasado,
Alla se pone como testigo
De un malogrado amor
Que dejó de florescer
En las cenizas de mi olvido…
J.A.de Souza, POA 02/02/2020.


sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

O DOM DA FANTÁSTICA TELA DE MESTRE PINO


Estátua da Liberdade apontando
Constantemente para nosso espaço cósmico
Como se estivesse a todos lembrando
Deste seu exclusivo proceder telúrico

Para que sempre se continue enxergando
Uma esperança a chegar nesse tempo cíclico
De crises e entendimentos alternando,
Uma possibilidade de paz ao público

Embora das águas se venha elevando,
Não deixa de compartilhar poder enérgico
Com outros monumentos ali se avistando

Ponte Mauá cede imponente panorâmico
E mais ao fundo a sua vez espalhando
Da cidade todo patrimônio eclético.

JOSÉ ALBERTO DE SOUZA,
POA, 03/10/2019.

sábado, 9 de novembro de 2019

*ESTAS PALAVRAS SÃO COMO AQUELAS ONDAS


PALAVRAS COMO ONDAS

As palavras vão e vem
Como as ondas batendo na praia,
Que deixam aquele recado
E retornam sem resposta
Para de novo insistir
Numa outra teimosia

Alguém não se cansa
De sempre apelar ao vento
Por esta brisa tão suave
Que traga esperada mensagem
De um afeto perdido
Na imensidão do infinito

Mas as águas não deixam
De mudar na corrente
E não são as mesmas
Tais palavras que passeiam
Sua indiferença pela solidão
De quem nunca se cala

José Alberto de Souza
POA, 09/11/2019.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

OS FILHOS DESTA MÃE JAMAIS RECONHECIDA


OS FILHOS DA MÃE

Os filhos da mãe andam por aí
Abandonados, dormindo ao relento,
E nos cobram essa indiferença,
Pedindo alguma moedinha
Que nunca temos no bolso.

E como nos pesa na consciência
Estar bem acima do seu nível
Sem ter do que se queixar,
Acomodados na vida confortável
Sempre nos constrangendo.

De que adianta nosso protesto
Para desculpar nossa alienação
De nunca querer modificar
Esta situação desequilibrada
Que jamais será mais justa.

Pois nunca deixaremos de ser
Como estes pequenos burgueses
Contentando-se em ignorar
Nossos irmãos desfavorecidos
Por uma eterna falta de sorte.

José Alberto de Souza
POA, 22/out/2019.

domingo, 19 de maio de 2019

#UMA QUÍMICA PARA AQUELA ALMA PRÓXIMA



F I M   D E   P I C A D A

Com essa química que vem dentro de mim
Corroendo as sobreviventes entranhas
Sem respeitar o ocaso d’amargo fim
Para insistir em tão funestas artimanhas

É o que me resta dum perdido jardim
Agora tomado pelas ervas estranhas
Que se espalham e cobrem rasteiras assim
O solo inteiro em minúsculas montanhas

Ainda mais deixando de possuir ambições
De retornar àquela antiga juventude
Sempre resistindo em nossos corações

Como se fosse a derradeira virtude
Conservar as tantas e boas aspirações
Numa redoma de nostálgica atitude.

José Alberto de Souza
POA, 19/05/2019.

segunda-feira, 25 de março de 2019

#QUANDO SURGEM AS LEMBRANÇAS FUGAZES

Stephen Baker, pintor australiano, Depois do Expediente.

U M A   S Ó   T A Ç A

As nossas vidas outras poderiam ser
Se a gente conseguisse mais esta graça
De unir numa forma sincera, sem querer,
Sendo sempre livre de qualquer ameaça

Sem que o destino tivesse de manter
Essas origens duplicadas na fumaça
De caminhos diferentes a percorrer
Que nos proíbem de visar uma só taça

Tanto e tanto tempo se viu a passar
Escoando por entre vias tortuosas
Nestas lembranças difíceis de apagar

E mesmo assim elas ressurgem manhosas
Em sonhos inconvenientes de mostrar
Idealizados pelas mentes teimosas.

José Alberto de Souza
POA, 24/03/2019.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

EIS AI SUBLIME EXALTAÇÃO DE SENTIMENTOS



E X P E C T A T I V A

Agora no ermo de minha solidão
Me apareces como um desejo proibido
A que busco resistir nesta tentação
Chegando de repente num tempo perdido

E fico pensando se vens cedo ou tarde
Para usufruir este ocaso de alheia vida
De maneira discreta, quase sem alarde,
Numa última oportunidade oferecida

Sem que não me reste qualquer alternativa
A compartilhar deste previsível risco
Na breve aproximação que objetiva

Não, não assopra as brasas da nossa amizade,
Pois embora escondidas nesse fogo arisco
Podem se espalhar em cinzas de ansiedade.

José Alberto de Souza
POA 12/10/2018.

domingo, 9 de setembro de 2018

COSTA FRANCO II CRONISTA SEM ENCOMENDA



MEMÓRIA DO RATINHO - Sérgio da Costa Franco

Quando me lembro das muitas coisas que ocupam minha memória dos 90 anos e que os contemporâneos mais jovens desconhecem, é inevitável que me venha a vontade de escrever. Vinte anos de crônica diária, no passado século vinte, me marcaram.
O primeiro estágio dos Costa Franco em Porto Alegre foi no bairro Menino Deus, então um arrabalde bucólico, onde restavam vastos terrenos baldios, chácaras onde se cultivavam frutíferas e hortigranjeiras, e o silêncio das noites só era quebrado periodicamente pelo ranger do bonde República. Minto. De vez em quando, para surpresa de todos, adultos e crianças, o sossego era quebrado pelos acordes do “homem da flauta”. Esse personagem andava pelas ruas do bairro com sua flauta de taquara, - instrumento artesanal com mais de metro de comprido -, onde ele assoprava melodia indefinida e creio que jamais identificada. Talvez uma valsinha antiga, tornada compatível com seu rudimentar instrumento. Houvesse público, ou não, para escutá-lo, ele parava em qualquer esquina e dava o seu recital gratuito, sem pedir propina ou qualquer espécie de retribuição.
Por muito tempo o chamávamos simplesmente de “homem da flauta”, até descobrirmos que ele era bastante conhecido no bairro como o “Ratinho”, pois outra de suas habilidades, além da música, era imitar a perseguição de um camundongo, o que fazia imitando os gritinhos de sua suposta vítima e surrando o chão com a flauta de taquara. Mas esse “show” só era dado a pedido e por insistência de seu público infantil. Quero imaginar que ainda hoje existam remanescentes desse público, certamente entre octogenários e nonagenários, pois não estou tão sozinho. Porém o bairro já não tem seu “Ratinho”. Certa padronização alcançou todo o mundo, e mesmo com o esvaziamento dos manicômios, não se encontram mais os tipos singulares eu davam pauta aos cronistas. Ou será porque não vamos mais às ruas desertas e sinistras da cidade?

COSTA FRANCO I CRONISTA SEM ENCOMENDA



O PRESTÍGIO DA ORLA - Sérgio da Costa Franco

     Era usual falar-se em “beira do Guaíba” ou ”margem do Guaíba”, como os demais rios, arroios ou lagos da província. E a “beira” era tão popular que até serviu para denominar o estádio do Internacional, construído em terreno generosamente doado pela Prefeitura de Porto Alegre: o Beira-Rio, sem mais retoques. Mas eis que o Município resolveu enfeitar e reurbanizar um trecho de sua popular “Avenida Beira Rio”, oficialmente rotulada de “Edvaldo Pereira Paiva”, desde o tempo do Prefeito Alceu Collares que a construiu e inaugurou.  O importante eixo viário que desafogou o tráfego para a Zona Sul não foi tão celebrado e homenageado como vem sendo agora esse pequeno trecho, que ganhou alguns melhoramentos e enfeites, no espaço entre a Usina Elétrica (erradamente chamada de usina do Gasômetro) e o monumento das cuias, também conhecido como “monumento das tetas”. Os veículos de comunicação ou os próprios órgãos da Prefeitura, ou fosse lá quem fosse, desde logo começaram a falar num projeto de revitalização da ORLA do Guaíba. Não era a beira do Guaíba, nem a margem do Guaíba. Era a ORLA. Mesmo que o termo não fosse de uso corrente e que o povão falasse habitualmente em BEIRA do rio, como já falara outrora em “Rua da MARGEM”, para referir-se à margem do arroio Dilúvio. E tanto se bateu na tecla da ORLA, que esse termo deixou de ser substantivo comum, para se tornar em Porto Alegre um nome próprio, merecedor até de inicial maiúscula. Dias atrás uma pessoa me perguntou se eu já tinha visitado a Orla. Sem me dizer orla de onde ou orla de quê.
     Os especialistas em Linguística poderão esclarecer se esse prestígio súbito de certas palavras pode acontecer e porquê. E foi forçoso que me lembrasse dos ACRÍDEOS. Foi isso lá pela década de 1940. Houve em Porto Alegre e arredores uma praga de gafanhotos, que devastou hortas e jardins, tomando vulto na pauta dos jornais da época. E meus colegas da imprensa, no louvável anseio de enriquecer cientificamente seus textos, consultaram especialistas em insetos e descobriram que o popular gafanhoto pertence à família zoológica dos acrídeos. E, de uma hora para outra, não se falou mais em gafanhotos, mas em acrídeos. Os acrídeos atacavam em Viamão e Gravataí; nuvens de acrídeos aterrorizavam Belém Novo e Vila Nova. E tal foi a popularização dos acrídeos que, no primeiro Carnaval, um grande bloco, creio que da Baronesa ou do Partenon, intitulou-se “Acrídeos do samba” e desfilou no Centro com o estandarte de um vistoso gafanhotão. Era a entomologia triunfante, saindo das academias e ganhando as ruas... A ORLA ganhou prestígio semelhante aos acrídeos.

sábado, 10 de março de 2018

* Em 11/mar/2018 - PARABENS, JACQUELINE! *



Caríssimo amigo,
És testemunha do sonho do Garoeiro de publicar 2.022 poemas em 2022, no centenário de dona Odette, sua mãe. Infelizmente, hoje, o destino a levou!
Como de Natal-RN até Bauru-SP o passo é enorme, não poderei estar lá, na despedida...
O que acarreta mudança na programação do Reblog do Poeta Garoeiro, onde constava o nosso vídeo "Parabéns, Jacqueline!", como você sabe.
Assim sendo, repasso, aqui, a você o link do Youtube onde acabo de gravar aquele nosso vídeo para a Jacqueline, que é para você postar no Blog do Poeta das Águas Doces, entre hoje e amanhã, para ser fiel à data, 11 de março.
Abraço,
Garoeiro