
Temos o gaiteiro Paulo Barbosa,
os seus dedos pesados de camponês,
mas delicados na poética prosa
com minúsculos botões, a polidez...
Ontem, de manhã cedo, fomos surpreendidos por mensagem do Glênio Reis, comunicando o falecimento do nosso querido amigo Paulo Ercílio Barbosa, músico, antigo integrante do Regional do Clube do Choro de Porto Alegre, do qual foi fundador como ainda o seria do Museu da Imagem e do Som de nossa Capital. Deixa a prantear-lhe a ausência sua esposa Dª. Tereza e os filhos Sandra, Fábio, Gerson e Fabiane, além de seis netos. O seu enterro ocorreu, às 10 horas, no Cemitério João XXIII, com grande acompanhamento de familiares e amigos que lá se fizeram presentes, entre os quais seus companheiros do CCPA - Miriam e Arthur Sampaio, Enio Casanova, Luiz Fonseca, Luiz Palmeira, André Rocha, João Madruga, Soleno Almeida e Raul Flores e esposa.
Paulo Ercílio Barbosa (18.09.1932 - 27.12.2009) é mais um nome que inscrevemos na galeria das nossas eternas saudades onde já se encontram gravados os de Alcides Gonçalves, Jessé Silva, Johnson, Paulo Santos, Cláudio Braga, Francisco Campos, Osmar Gonçalves, Geraldo Majela, Jorge Costa, Zeno Azevedo, José Dorneles, Geraldo Santos, Waldyr Justi e outros tantos que tivemos oportunidade de conhecer desde os inesquecíveis encontros das segundas-feiras no Centro Ítalo Brasileiro – CIB, década de 80, ali na Rua João Telles, bairro Bonfim.
Acometido por moléstia degenerativa, ultimamente o nosso saudoso Barbosa já não tinha mais ânimo para freqüentar as reuniões e saraus a que sempre era requisitado para demonstrar seu virtuosismo na gaita-ponto, chegando ao ponto de seu filho Gerson (violão 7 cordas) e o sobrinho Elias (bandolim e cavaquinho) muito insistirem para tocar juntos, inclusive com planos de gravar um CD para resgate da sua obra, na qual se destacavam os choros Solfejando, Insensata e Ponto a Ponto.
O grande violonista Jessé Silva costumava elogiar a postura de interpretação do Barbosa com seu instrumento musical – ele sabe puxar um choro – o que constatamos através dos 2 discos gravados pelo Clube do Choro. Além desses registros, esse festejado músico ainda participou do projeto Por Amor á Música, editado sob a chancela do Fumproarte, solando e acompanhando composições de Paulo Sarmento Filho (Saltitante e Choro Azul), Alcides Gonçalves (Minha Seresta e Pardo Velho), Jorge Machado (Meu Recado e Amor Tem Prazo), Jayme Lubianca (Nasce uma Canção e Porto dos Casais), Francisco Campos (O Patriarca), Antoninho Gonçalves (Sabiá Moreno) e Jessé Silva (Meu Pensamento).
Formado em Administração de Empresas pela UFRGS – chegou a empresar o zagueiro Ari Ercílio, seu irmão, quando este atuou na dupla Grenal - era funcionário aposentado da CEEE – Companhia Estadual de Energia Elétrica e dedicava-se à música por puro diletantismo. Ele nos contava que seu pai tocava o mesmo instrumento e que na ausência deste exercitava de ouvido as tecias do acordeom às escondidas com a conivência da sua mãe, até que um dia esta falou para seu pai – tu precisa ver, o guri está tocando direitinho. E o pai – não acredito, quero ver – e daí em diante passou a ser o seu maior incentivador.