sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

No alto deste pedestal, meio século vos contempla


“José Alberto de Souza e demais formandos da Escola de Engenharia da Universidade do Rio Grande do Sul tem o prazer de convidar (...) para a solenidade de sua formatura que será realizada no dia 18 de dezembro, ás 20.30 horas, no Salão de Atos da Reitoria” – abria-se assim o libreto Engenheiros – 1965. Portanto, arrogo-me o direito de evocar alguns fatos referentes a este evento a fim de retirar um pouco da poeira do tempo a que vai sendo relegado para que se resgate a importância desse acontecimento não só para as pessoas envolvidas como também em termos de benefícios para sua comunidade.
E as lembranças me chegam aos borbotões e me levam a saudosa época das reuniões dançantes do Centro de Estudantes Universitários de Engenharia e dos bailes da Reitoria, afora esticadas pela Arquitetura, Farmácia e outros recintos a que percorríamos nos fins de semana. Na Reitoria, vim a conhecer minha esposa Gislaine Fagundes, então estudante de Pedagogia, que também se formou nesse mesmo ano, poucos dias após minha diplomação. Esta foi num sábado, dia da semana que também marcou Natal e Ano Novo naquele ano, deixando o seguinte 8 de janeiro para marcar nosso casamento, logo depois viajando para São Paulo em busca de emprego.
Nosso orador, Izaltino Camozzato, e o paraninfo, Prof. Antenor Wink Brum, desandaram a tecer críticas ao sistema de ensino universitário, surpreendendo à mesa diretora da colação de grau. Posteriormente, na formatura do Curso de Pedagogia da Faculdade de Filosofia da URGS, idêntico protesto veio ocorrer na fala da oradora da turma, o que levou o Reitor presente ao ato a se manifestar fazendo referência a uma solenidade anterior (a nossa) e a atual que deixavam de ser motivo de congraçamento e orgulho de familiares e amigos dos formados para dar lugar a uma “lavagem de roupa suja”, impróprias para a ocasião.
Decorridos cinquenta anos, a turma de engenheiros formados em 1965, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, promoveu um reencontro para confraternização entre seus remanescentes na noite de 27 de novembro passado, ocorrido no restaurante da Sociedade Germânia, ao qual compareceram 2 engenheiros civis (transportes), 6 engenheiros civis (estruturas), 10 engenheiros civis (obras e saneamento), 1 engenheiro civil (obras hidráulicas), 18 engenheiros mecânicos, 18 engenheiros eletricistas, 2 engenheiros químicos, 3 engenheiros civis e eletricistas, 3 engenheiros metalúrgicos, 5 engenheiros mecânicos e eletricistas e 5 engenheiros mecânicos e metalúrgicos, provenientes de alguns estados do país, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Considerando-se um total de 166 alunos que ingressaram em nossa Escola de Engenharia, abrindo o ano letivo de 1961, dos quais 33 já falecidos e 60 ausentes por problemas de saúde e familiares, o mosaico daqueles que atenderam ao chamado dos organizadores dessa marcante festa comemorativa de seu cinquentenário de formatura, dá bem uma ideia da propagação dos conhecimentos adquiridos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, não só beneficiando as mais diferentes atividades econômicas, sociais e educacionais, como também gerando incalculável riqueza cultural e progresso para muitas regiões deste nosso imenso Brasil. 
Acredito que tenhamos desempenhado a contento essa relevante missão, sem medir esforços despendidos, muitas vezes à custa de sacrifícios pessoais que nos privaram de convívio familiar e até colocando em risco a própria saúde. E ai estão nossos cabelos grisalhos, as rugas de nossas faces, o físico alquebrado, os colegas que tributaram com a própria vida como testemunhas de uma batalha gloriosa. Rosito, grande agregador, que reuniu essa plêiade de abnegados como Nivaldo, Milano, Hartz, Bruno, Graziuso e todos aqueles que logo acorreram com suas adesões, formam este majestoso pedestal – parafraseando Napoleão – “onde meio século vos contempla”. 

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

TOMEI UM ITA E ME FUI LÁ PARA O NORDESTE


http://academiadeletrasdecrateus.blogspot.com.br/2015/10/o-aracati-no-sertao.html

PAPO LEGAL

As crônicas do poeta cearense Raimundo Cândido Teixeira Filho, ilustre cria dos sertões de Cratheús, são uma provocação a nos desafiar a vontade de prosear, sentado na calçada, jogando conversa fora.
Eis que ele acaba de pinçar uma inédita manifestação sertaneja no prolífero dicionário cearês - “a genial expressão “B.R.O brós” só para indicar os meses mais quentes do ano, de setembro a dezembro”.
Prosseguindo, arremata o período com uma sentença folclórica: “Dizem que o mundo, uma vez, findou-se com muita água e que, agora, vai se acabar é nas labaredas de fogo e o foco é no sertão cearense”.
Peço licença ao Professor pra me trasladar de cadeira e cuia até sua calçada e me sentar sem cerimônia alguma, aproveitando a brisa refrescante deste Aratiba amigo que surge em madrugadores mormaços.
Ah, se eu não falaria das estripulias de “El Niño” lá pelas bandas do Pacífico, causando esta tremenda bagunça que não deixa de ser sempre inversão de valores com inundação no Sul e seca no Nordeste.
Até proporia uma força tarefa de serafins bombeiros a fim de impelir essa nossa enxurrada a irrigar aquelas áridas terras do Agreste, combatendo as maléficas intenções do Capeta nesta fornalha acesa.
Para consolo desse nobre Vate, ainda relataria certa madrugada na praia de Tramandaí, em que alguns moradores do condomínio Quebra-Mar acomodaram seus colchões e ventiladores nos corredores externos.
Vixe, foi uma vez só, nem precisei aquecer água para o chimarrão, mas que me senti reencarnado nas profundezas ígneas, palavra que senti, duvidando existir qualquer calorão senegalesco mais intenso.
E você ainda fala de outro Aratiba desviando-se pelas esquinas desta cidade e revoludteando “santinhos” de mico leão dourado, onça pintada e garoupa que gerariam corrupção entre políticos e eleitores.
Parece-me, Mundinho, que os ventos se comunicam entre si, se não como explicar que o nosso Minuano venha compactuando com essa safadeza engendrada pelo manhoso Aratiba nestas tão longínquas paragens.


terça-feira, 20 de outubro de 2015

NEM ACREDITO: DEPOIS DA PRATA, VEM OURO

Rumo ao Cinquentenário de Formatura, puxando a fila com Eberle, Araújo, Ferlauto, Michelena, Schmitt... 


No próximo dia 27 de novembro, a Turma de Engenheiros da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, graduados em 1965, estará promovendo encontro de confraternização comemorativo a seu cinquentenário de formatura, que deverá se realizar, a partir das 19 horas na Sociedade Germânia. De um total de 142 formandos, já confirmaram sua presença nesse evento 74 colegas, e mais oito, incluídos alguns da turma de 1966 que ingressaram conosco na Escola de Engenharia em 1961. Como convidados especiais se farão presentes os professores Athos Stern, Domingos Matias Urroz Lopes, Eurico Trindade Neves, Nicolau Jorge Waquil e Paulo Mazeron. 
Recebendo diploma do paraninfo Prof. Antenor Wink Brum.
Outra cerimônia ocorrerá a 20 de novembro vindouro no Salão de Atos da Reitoria (Avenida Paula Gama, 110), quando a Associação de Antigos Alunos da UFRGS vai recepcionar, às 17h30min, os jubilados de 1965, 1990 e 2005. Junto com minha esposa Gislaine, também formada em 1965 no curso de Pedagogia da Faculdade de Filosofia, e mais os colegas engenheiros Roberto Júlio Beretta e Jorge Miguel Heinenberg, tivemos oportunidade de participar em 1990 da celebração promovida pela Universidade, alusiva aos 25 anos de formatura. 
Na ocasião, encontrei o professor de Cálculo Infinitesimal, engenheiro José Olimpio de Abreu Lima (Oscarito), comemorando seus 50 anos de formatura. E procurei o velho mestre para que tomasse conhecimento de que ele era grande responsável por eu estar sendo jubilado naquele momento, relatando-lhe o exame oral em que me deu aquele branco na presença do mais temível “ralador” da Escola e joguei a toalha para desistir da Engenharia de uma vez por todas. E ele não permitiu que assim procedesse, encaminhando-me ao quadro negro para me fazer algumas perguntas, as quais respondi conseguindo vencer aquele bloqueio momentâneo e assim discorrer sobre o ponto sorteado, permitindo minha aprovação naquela cadeira.
Abreu Lima surpreendeu-se com aquela minha manifestação, já que estava acostumado justamente com o contrário, como de certa vez num voo aéreo, onde um dos pilotos, ao ver seu nome na lista de passageiros, procurou-o para lhe cumprimentar. Apresentando-se como seu ex-aluno, logo revelou que “graças ao senhor, o Brasil perdeu um Engenheiro, mas em compensação ganhou um grande Comandante de Aviação”. No entanto, apesar de aprovado em Cálculo Infinitesimal, fiquei dependente em Geometria Analítica, no segundo ano, o que me fez optar pela Engenharia Mecânica, completando cinco cadeiras, o mesmo número dos demais cursos da Escola.
Em 18/12/1965, receberam diplomas de Mecânicos 41 colegas, dos quais 19 já confirmaram presença no evento. Nosso curso lidera o “ranking” com nove saudosos ausentes. Foram localizados mais nove ainda vivos, mas que provavelmente não poderão comparecer. Sem notícias, constam como desaparecidos Gerhard Paulo Böckler, Ivar Vildo Rojas Lopez (Bolívia), José Carlos Soares de Araujo e Milton Edison Scherer, Em 1966, quando ingressei na Ford, em São Paulo, encontrei lá os colegas José Alberto da Silva Barbosa (Metalúrgico), Alfredo Floriano Tonetto e José Carlos Soares de Araujo, estes dois últimos que gostaria bastante de rever.
Concluindo em 1958 o curso científico no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, decidi encarar o vestibular de Engenharia nos anos de 1958, 1959 e 1960, quando finalmente consegui aprovação para ingresso na Escola. Lá encontrei Roberto Luiz Mold, Nelson Fetter Júnior, Hiparcus Raupp e Flávio Antunes Graziuso, egressos do Julinho que ali chegaram antes de mim. Aliás, devo ao colega Mold ter me tirado de uma saia justa logo no primeiro dia de aula, na frente do prédio novo da Engenharia. Ele e eu nos encontramos no momento em que não havia ninguém por perto. Pois apareci todo afeitado, de terno e gravata, e ele me aconselhou que trocasse a roupa para evitar maiores estragos com os “trotes” iminentes. “Mas já está em cima da hora, não vai dar tempo”. E Mold insistiu: “Te vira e encontra um lugar para troca de vestimenta”. Eurico, nosso bedel, me quebrou o galho, guardando ao menos casaco e gravata em local seguro. Depois da aula inaugural, os veteranos comandados por Sergio Chemale Selistre nos colocaram em ordem unida para nos conduzir aos canais da Redenção, onde nos batizaram com roupa e tudo a fim de assumir a condição de calouros. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015



S E R R A   D O S   M E N D I G O S

Escalei a árdua Serra dos Mendigos,
A trancos e barrancos, cambaleando
Atrás daqueles inesquecíveis amigos
Que por lá agora estivessem morando.

Nas trilhas da escura mata fechada,
Fiquei sabendo que ali se descobre
Uma verdade pela Natureza celebrada:
Ninguém é mais rico nem mais pobre.

Principia que dinheiro não vale nada
Quando se sente vibrante solidariedade
Surpreendendo a festa de chegada
E a alegria nos ares da liberdade.

Então surge vontade danada de ficar
Sem querer sair pelo resto da vida,
Descompromissado, à toa pra matutar
Sobre qualquer realidade conhecida.

Nesta aldeia, todos são despojados
De antigas vaidades tão costumeiras
Que os fizeram superiores adorados
Até alcançarem as horas derradeiras.

José Alberto de Souza.

sábado, 10 de outubro de 2015

Quando a gente tinha gás de sobra... * Para agitar!

Foto para a "Revista dos Sports": José Alberto de Souza e Newton Silva.

De início, gostaria de externar a V.S. grande honra de me dirigir à ilustre Secretaria de Turismo de minha terra natal. Outrossim, desejaria apresentar minhas escusas em face de imperdoável falha, apesar de involuntária, quando de última estada em Jaguarão, havendo solicitado audiência através do meu primo Anysio Resem, a qual não pude comparecer por desencontro na comunicação.
Assim justificado, passo a expor uma ideia que venho refletindo há tempos. Acontece que, a 01/06/1985 tive oportunidade de assistir o espetáculo “Noite de Seresta”, quando então me foi dada a grata satisfação de ser apresentado a Alcides Gonçalves, um dos grandes nomes da nossa música popular, conhecidíssimo em suas parcerias com Lupicínio Rodrigues, através de sucessos como “Cadeira Vazia”, “Quem Há de Dizer”, “Maria Rosa”, “Castigo” e outros mais.
Na ocasião, lembrei-me dos antigos programas de calouro da nossa Rádio Cultura, do saudoso Regional que se apresentava no palco do Cine Teatro Esperança. Os grandes cantores da cidade na época eram Severo, já falecido, e Adalberto Mendes. Este mesmo Adalberto, hoje aposentado e que, até pouco tempo atrás, pipoqueiro, sobrevivia da renda de sua humilde labuta. E eu então me questionava o quanto a nossa cidade não deve um preito de reconhecimento aos velhos artistas pelos valores culturais que nos legaram no passado.
Do convívio com o grande amigo Alcides Gonçalves, falecido a 09/01/1987, é que acabei me entrosando com uma parcela respeitável de músicos e cantores que fazem a noite porto-alegrense e, juntos, estamos empenhados em tornar realidade um desejo que aquele irmão tinha em vida, qual seja produzirmos a “Grande Seresta”, espetáculo beneficente, com renda total em favor do menor abandonado, evento já contando com apoio da Epatur.
Pois bem, a minha ideia seria programar no Teatro Esperança – a I Mostra Internacional do Músico Brasileiro, que prosseguiria sendo realizado anualmente. Confesso que o germe dessa sugestão resultou de conversa com o conterrâneo Newton Silva, o qual me colocou a par do potencial de mercado que a nossa música popular sempre alcançou no Uruguai e na Argentina.
Perdoe-me a expressão e o entusiasmo – mas seria um festival “para castelhano ver”, uma atração para difundir um dos polos turísticos inaproveitados de Jaguarão – o nosso Teatro! É bem verdade que algo similar foi feito a 22 e 23/maio/1987, com a recente realização do I Festival de Seresta de Jaguarão, iniciativa que merece toda a nossa consideração e incentivo pelo que de ineditismo encerra.
Portanto, contamos com a boa vontade e colaboração de alguns amigos:
Glênio Reis, que apresenta o programa “Gaúcha dá Samba”, aos sábados das 21 às 24 horas, na Rádio Gaúcha;
– Aroldo Dias, empresário que vem produzindo o show “Noite Seresta”, nesta cidade e em várias cidades do interior;
Jessé Silva, grande violonista de renome nacional e que já realizou em 1977 a “Noite da Música Brasileira”, no Salão de Atos da Reitoria/UFRGS.
Faço questão de salientar que dificilmente outra cidade da nossa fronteira teria condições de sediar um evento igual em face de inexistência de uma casa de espetáculos do porte do nosso Esperança. Além do que tal iniciativa representaria uma abertura de mercado de trabalho para cantores e músicos que ai poderiam encontrar interessados para eventuais apresentações.
Parece-me que se poderia pensar no assunto e encontrar uma maneira de viabilizá-lo. Por tal motivo, coloco à apreciação de V.S. essa ideia, esperando voltar a discutir e entrar em mais detalhes noutra oportunidade, para o que me disponho a atender qualquer solicitação.





Carta que não chegou a seu destino por ser extraviada nos porões daquela Municipalidade.


quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Engenharia UFRGS 1965 - a turma que fez história

Matéria da ZH veiculada em outubro de 2004
Entrei no elevador com duas garotas vestidas para festa. Ambas com aproximadamente 20 anos de idade. Sorriram e eu disse: estive numa festa comemorando 40 anos de formatura. Só tinha velhos. Elas riram e ambas disseram: que bacana. 
As 9 h da noite entrei no Salão da Sociedade Germânia onde seria realizado o jantar de comemoração. Pareceu-me uma chegada ao futuro.  
Meus colegas estavam todos em avançada idade. Pareceu-me ser o único jovem. 
Não havia estranhos. Eu conhecia a todos. Uns mais, outros menos. 
“Os homens de mais de 60 anos pensam conhecer-se a todos, entre si.” 
Avancei ao fundo do salão e vislumbrei olhos e braços em minha direção. Minutos de convivência inseriram-me no contexto. 
Quarenta anos de separação não modificaram a relação de profunda ligação. Não perdemos a intimidade. 
Chegaram-se um a um, vários colegas da turma civil de 1965. Sem perguntas desnecessárias, ou comentários críticos. 
Alguém trouxe ao assunto a 1º Febic e a viagem à Europa dela decorrente. 
Lembrei a uns e relatei a outros detalhes pouco conhecidos do evento, como a ida de uma equipe de vendedores da feira a São Paulo e Rio, formado pelo Renaux Cunha, Mario Brasiliense, Tabajara Ricardo Pinto, este não colega mas meu parceiro de outras lides, e eu. Fomos de ônibus a São Paulo e sem aviso ou autorização, nos hospedamos na Casa do Estudante. Lembrei-me do encontro e da tentativa de contratação de Caio de Alcântara Machado, criador da Fenit, em seu escritório. Dos encontros e desencontros em São Paulo. Das visitas às indústrias. No Rio de Janeiro, o hotel de ultima categoria na Praça Mauá, onde ficamos hospedados; as noites em Copacabana na antiga Av. Atlântica. O sucesso da missão 
Uma sucessão de aventuras de lunáticos quase imberbes. 
A 1º Febic foi uma façanha de um grupo. 
Surgiu-me a ideia. O Flavio teve brilhante desempenho comercial. Mas jamais seria o que foi sem o trabalho coletivo.  E cada um dos participantes contribuiu  com ideias, suor e dedicação, representados pela logotipia e cartaz idealizados pelo Mario Brasiliense. 
A 1º Febic ocorrida há mais de 40 anos foi uma lição para a vida.  
Recentemente li uma entrevista com o jornalista Gay Talese que escreveu um livro sobre o New York Times.   Afirmou que “do que lê em  jornais acredita apenas nos resultados esportivos”. Lembrei-me da Febic. Inventamos o evento. 
Fizemos crer que a Escola da Engenharia o tenha organizado. Tivemos no papel o apoio de entidades governamentais voltados à indústria. Fizemo-la ser inaugurada pelo Ministro da Indústria e Comercio e pelo Governador Ildo Meneghetti. Na verdade - independentemente dos  diversos discursos usados para cada ocasião - captávamos recursos para ir à Europa. Subsidiariamente a feira trouxe benefícios à engenharia, à Escola, aos estudantes que nos sucederam e principalmente aos integrantes da AECI-65, pelos ensinamentos, experiências e resultados do trabalho. Tanto ali como na viagem que a sucederia.  
Cabe  especial lembrança do Diretor Professor  Leiseigneur de Faria que contribuiu de forma decisiva, cedendo o espaço da Escola de Engenharia, e por sua tolerância no decorrer do preparo e realização da feira. Convenhamos: bagunçamos a escola por dois ou três meses. Também aos inesquecíveis Eládio Petrucci e Adamastor Urriath pelo apoio e cessão do espaço do departamento para os escritórios  da feira, e demais professores do curso. 
A 1º Febic foi a demonstração da capacidade de uma geração em criar objetivo, métodos, planejamento e consegui-los. Sua historia  pode servir de inspiração  a nossos filhos e netos, quando a questão for busca dos objetivos. 
Quando eleito presidente da AECI-65 com a função de viabilizar a viagem do grupo à Europa, visitei o Mata-borrão prédio público provisório construído na esquina da Borges de Medeiros com a Andrade Neves, onde fica hoje o prédio da Caixa Estadual. Havia lá uma exposição não me lembro do que. Pensei em fazer uma feira para arrecadar fundos para nossa viagem. A ideia me veio à noite, na cama. Na manhã seguinte falei aos companheiros da AECI. Com a discussão o embrião deu margem a planos e metas. 
A ideia final foi utilizar os espaços da Escola de Engenharia e fazer uma feira industrial. Fez-se uma comissão organizadora e deu no que deu.  
Voltando à festa de confraternização no Germânia, cumpre registrar as notadas ausências dos que por motivos próprios não compareceram. E os que se foram prematuramente, donde destaco o Francisco Duarte Junior, o nenê. Que figura, que ausência. 
As imagens que a maioria tem deles são as gravadas há 40 anos, imortalizadas na foto da formatura. 
O Carlos Alberto Rosito um dos mais entusiastas organizadores do jantar não me conheceu de pronto quando da minha chegada. Seus olhos ficaram velhos. 
O Michelena e outros incansáveis aglutinadores merecem mais do que aplausos. São heróis. 
A minha sensação de intimidade e alegria foi anterior a qualquer taça de vinho ingerida. 
Não foi um encontro nostálgico. Foram momentos alegres de descontração. Uma reunião de valentes remanescentes de uma geração já fora do “prazo de garantia”. 
Ficou a expectativa de novos encontros mais restritos. Prometi manter contato e o faço. Sei das dificuldades, mas afinal, o que temos a perder? 
Ao final entrei no carro para retornar a casa e pensei: as meninas do elevador tem razão. Foi bacana.
Hélio da Conceição Fernandes Costa.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

RETRATO RESTAURADO EM ÚLTIMO SUSPIRO

No primeiro plano, meu avô José Vieira de Souza, com Joãozinho, um dos filhos do viúvo Joaquim Mello, a seu lado minha mãe Maria Francisca, minha avó Maria Joaquina, Mário, outro dos filhos de Joaquim; atrás, em pé, tia Rosa, primeira esposa de Cantalício Resem, a seu lado meu pai José Dalberto de Souza, tio Joaquim e esposa Maria José, tio João e tia Florisbela, segunda esposa de Cantalício, meu tio e pai de criação. A importância dessa foto restaurada que nos foi gentilmente enviada pelo primo Luiz Eduardo Almeida deve-se ao fato de representar bem o início dos ramos Souza e Mello, aqui no Brasil.


Vamos combinar o próximo piquenique lá no outro plano foi título de uma das postagens do nosso blogue, ilustrada por uma antiga fotografia familiar, na qual até ontém só restava apenas um dos integrantes ainda vivo, minha prima Lucy de Souza Resem, quando criancinha. E por incrível coincidência recebo do primo Luiz Eduardo, residente no Rio de Janeiro, o retrato restaurado de um quadro que se encontrou durante muito tempo pendurado na sala de visitas do sobrado de meu tio e pai de criação Cantalício Resem, cuja cópia ilustra o presente texto, a seguir por Lucy Resem Hidalgo.

ORIGEM DA FAMÍLIA SOUZA
Provavelmente eu seja a única que conheça a origem da nossa família em Jaguarão.
Após o jantar meus pais tinham o hábito de ficar conversando, ainda na mesa do jantar. Foi assim que fiquei sabendo muita coisa do passado.
Dois irmãos, José e Jerônimo Vieira de Souza, saíram da terra deles em Marco de Canaveses (Portugal) para procurar um navio que os trouxesse para o Brasil. Foi um patrício deles que esteve aqui e regressou rico que contou maravilhas da terra. Despertou nos jovens o espírito de aventura e o desejo de melhorarem a vida.
Em Portugal, nas vilas e nas cidades pequenas, a vida tinha se tornado difícil. Em função disso, os irmãos resolveram embarcar para o Brasil em busca de novas oportunidades. Partiram para a cidade do Porto e, lá, procuraram um navio que viesse para cá.
Souberam de um cargueiro alemão que viria ao Brasil.
Decidiram entrar clandestinamente no navio, pois não possuíam dinheiro para custear a viagem. Ao entrarem, encontraram um escaler coberto com uma lona. Decidiram se esconder ali, onde passaram muitos dias. Estavam em alto mar, quando um marinheiro, fazendo faxina, descobriu o esconderijo deles. Foram levados ao comandante do navio e, não podendo desembarcá-los, colocou-os como auxiliares do cozinheiro de bordo. Desta forma, seguiram viagem até o cais do Rio de Janeiro.
No porto do Rio de Janeiro, esperando navios que aportavam, advindos da Europa, estava sempre um português, que era dono de um armazém onde a colônia portuguesa se reunia. Ao vê-los falando a língua mãe, aproximou-se e ficou sabendo como e por quê tinham vindo para o país. Dada a situação, decidiu levá-los e dar-lhes abrigo e emprego. Em poucos dias, apareceu no armazém um português que voltaria para Jaguarão(RS) e necessitava de mão-de–obra para sua lavoura, sendo assim, contratou-os.
Na nova cidade começaram a trabalhar e, como eram agricultores, conheciam bem o ofício. Permaneceram na lavoura por alguns anos, conseguindo, com isso, juntar um dinheiro – pois era essa a intenção deles - para adquirirem um pedaço de terra onde, cada um, pudesse trabalhar em sua propriedade. 
José Vieira de Souza comprou uma chácara que estava à venda ali por perto. Entusiasmado, mudou-se para lá e começou a trabalhar. Plantou frutas, verduras, legumes e, em poucos meses, começou a colher o fruto de seu trabalho.
Como havia plantado muita coisa, resolveu comprar uma carroça e um cavalo e, assim, poder começar um negócio.
Passou a vender de porta em porta na cidade.
Foi assim que conheceu uma viúva de nome Joaquina que tinha um filho chamado João Manuel. Como via que ela era muito trabalhadora, achou ser ela a mulher ideal para ele. Alguns meses depois de conhecê-la, pediu-a em casamento, o que aconteceu algum tempo depois. Foram morar na chácara. Ela o auxiliava fazendo pão, doces e cuidava da propriedade enquanto ele estava na cidade negociando.
Assim, foram amealhando mais dinheiro.
Dessa união, nasceram: José Dalberto, Maria José, Rosa Maria e Florisbela.
José Dalberto casou, em primeiras núpcias, com Deolinda Garcia. Tiveram muitos filhos, mas só ficaram vivos e cresceram Marçal, que morreu ainda solteiro; Ruth, que casou com Vinícius Amaro da Silveira, e Ivanira. Ruth e seu esposo, tiveram Helena, Amílcar, Suzana, Lúcia, Ana Maria, Elisabete e Sérgio.
Ivanira casou com José Mirapalheta Pacheco, onde tiveram os filhos Maria Alice, José Álvaro, Hilda Terezinha, Ana Lecy e Vera Lúcia.
José Dalberto enviuvou e casou, em segundas núpcias, com Maria Francisca de Souza, filha de Jerônimo Vieira de Souza – sua prima. Dessa união nasceu José Alberto que casou com Gislaine Fagundes. Tiveram os filhos Jerônimo e Gilberto.
Maria José casou com um viúvo de nome Joaquim Luís de Mello e só teve uma filha de nome Hilda, que casou com um oficial do exército chamado Ociran Sebastião de Almeida. Do casal nasceram Luiz Fernando, Eduardo Ubirajara e Regina.
Rosa Maria casou com Cantalício Resem e tiveram dois filhos, o primeiro, José Ângelo, faleceu ainda criança e Nilza, que casou com um oficial do exército de nome Luís Cesário da Silveira. Tiveram os filhos Evandro Ubiratan, Graciema de Nazaré, Gracíola do Carmo, Luís Cesário Filho, Graciara de Fátima, Gracília da Conceição e Gracira de Loreto.
Após o nascimento de Nilza, Rosa faleceu de gripe espanhola.
Florisbela casou com seu cunhado, Cantalício. Dessa união, nasceram Anysio e Lucy.
Anysio casou-se, em primeiras núpcias, com Lecy Dutra, tendo os filhos José Augusto, Lia e Luís Augusto.
Anysio enviuvou e casou-se, em segundas núpcias, com Mirnaloy de Lopez, com quem teve os filhos Anysio Filho e Quênia. 
Lucy casou com José Hidalgo Filho e teve cinco filhos: Maria da Graça, Átila, Lorena e as gêmeas Anaí e Maria da Luz. 

O que sei de Jerônimo Vieira de Souza, irmão de José Vieira de Souza, é que comprou um pedaço de terra no interior de Jaguarão, num lugar chamado Arrombados. Casou-se com uma moça da região de nome Pacífica, da união deles nasceram: Vitório, Alcides, Maria Francisca e José Firmino. Não tenho conhecimento da existência de netos de Jerônimo e Pacífica, se tiveram e quais seus nomes. Sei, apenas, o nome de uma neta, Nely, filha de Alcides, e um neto, José Alberto, filho de Maria Francisca

Como é só isto que sei da nossa família, escrevi para que as novas gerações tomem conhecimento. A todos que lerem este escrito, peço que levem em consideração o fato de, quando fiz essa leitura, já estar com a idade de quase oitenta anos, portanto, com a possibilidade de ter omitido algum fato. 

Lucy Resem Hidalgo nasceu em 19/11/1928 e faleceu hoje 25/08/2015.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

A nossa solidariedade para Pedro Miguel Quijano

Carlos Alberto Rosito e esposa, Paulo de Azevedo Moura, Luiz Leandro Lutz, Flávio Lúcio Scaff e esposa (em pé)
e `Pedro MIguel Quijano e esposa (sentados), comemorando 40 anos de formatura (2005) na Escola de Engenharia da UFRGS.


Meus caros Bruno, Flávio e colegas mecânicos da TE URGS 65,

Em primeiro lugar o nosso melhor MUITO OBRIGADO a você, Bruno, pela visita ao nosso Pedro Miguel QUIJANO e sua esposa, levando um pouco do muito de amizade que ele conquistou em todos nós. De minha parte guardo lembranças mais do que agradáveis do convívio com o QUIJANO.
Fomos colegas no Ginásio do Anchieta, mas nesta época meu grupo mais próximo era constituído do Alexandre Pasqualini Silla – até hoje almoçamos juntos semanalmente aqui no Rio – Atan Barbosa – o campeão das MISSAS DE AULA na época e depois campeão brasileiro de GOLFE, também  residente aqui no Rio; Luiz Paulo Pilla Vares, já falecido; e João Paulo Pires Neto, igualmente residente há décadas aqui no Rio.
Na Escola de Engenharia retomamos o contato, mas foi na viagem à Europa no PROVENCE da “LINEA C”, no início de 1965, que viemos a estreitar as relações. Estávamos ambos em uma das cabines para seis pessoas, da TERZO MINIMO – e no dia do embarque -31 de Dezembro de 1964 – nos preparávamos para o REVEILLON. O QUIJANO não encontrou o seu perfume e tomou um verdadeiro “banho” com o meu. Nesta mesma noite conheceu uma argentina muito linda e simpática – a Graziela.
Os argentinos eram uns 800 a bordo do PROVENCE e nós os “macaquitos brasileños”  não passávamos de algumas dezenas. Os 13 ou 14 dias de ida, mais outro tanto na volta, estreitaram muito o meu relacionamento com o QUIJANO, mas muito mais ainda o relacionamento do QUIJANO com a Graziela.
Alguns anos após a formatura – 1973 ou 1974 – eu residia em São Paulo e retornava para casa, ao final da tarde, pela AVENIDA 23 DE MAIO já então engarrafada. Um motorista “nervosinho”, no interior de um enorme DODGE DART, buzinava incessantemente atrás de mim, embora a circulação estivesse praticamente interrompida. Lá pelas tantas, cansado das buzinas, e ainda com a falta de paciência dos 30 e poucos anos, abri a porta de meu “fusquinha” e o motorista do DODGÃO também abriu a dele. ÀS GARGALHADAS lá estava o GRANDE QUIJANO. Depois do abraço fraternal e alguma conversa MOLE, perguntei pela Graziela. A resposta não chegou a me surpreender: “Ela agora e a Senhora QUIJANO”!
Penso que o casamento terminou, mas o GRANDE QUIJANO, pelo que você informa Bruno, teve a sorte de encontrar uma nova e excepcional companheira.
Logo depois vim para o Rio e só voltei a encontrar o QUIJANO em nossas comemorações de formatura. Na festa dos 40 anos  em 2005, fiquei triste com o olhar perdido dele e com seus  sorrisos também distantes quando me dirigi a ele, procurando estabelecer uma conversa. Ainda não sabia que estava praticamente cego e com a memória muito prejudicada.
Pretendo aceitar o convite da Sra. QUIJANO e juntar-me aos outros colegas que forem levar a ela  a nossa solidariedade, no dia 28 de Novembro.  
Como solicitado por você Bruno, estou enviando cópias aos nossos colegas do curso de mecânica. Muitos terão, sem dúvida, outras recordações do nosso amigo para relatar.
A todos, ainda com certo amargor na boca, o meu grande abraço,
Rosito.

Mensagem recebida a 9 do corrente, do Engº Carlos Alberto Rosito TE URGS 65, 
residente no Rio de Janeiro-RJ.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

_ONDE VOCÊ ESTIVER, ETERNA ADMIRAÇÃO !

Da esquerda para direita: Helio Hartstein, Hermann Lobmaier, Ivar Vildo Rojas Lopez, JAROSLAV KOHUT, José Alberto de Souza, José Antônio De Carli Eberle, José Carlos Soares de Araujo, Luiz Fernando Michelena e Luiz Fernando Schmitt.

Já me disseram que não sou brilhante, porém, não sou medíocre. Mediano, talvez, orgulho-me de tantas celebridades que me acolheram em seu ambiente, tratando-me com toda consideração. E eu me honro de haver partilhado da amizade de uma figura brilhante como foi o Engenheiro Mecânico JAROSLAV KOHUT, se não me engano, aluno quase laureado – sempre colecionando notas máximas –, na Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, cuja trajetória tive o ensejo de acompanhar desde os primórdios até a conclusão do nosso curso superior.
Um grande parceiro no encontro de todas as horas, seja no café da manhã na lanchonete do Centro de Estudantes Universitários de Engenharia – CEUE, ou nas salutares caminhadas até o Restaurante Universitário, durante muito tempo situado na Avenida Azenha (hoje Instituto de Identificação) e após na Avenida João Pessoa. Ele sempre se valia do transporte coletivo, vindo do bairro Jardim Floresta, na distante Zona Norte da nossa capital, aproveitando esse tempo demorado para repassar seus apontamentos e até preparar as lições recebidas na realização das provas iminentes.
Kohut era projetista da Metalúrgica Staiger, cujo proprietário Sr. Carlos lhe dava suporte para cursar seus estudos superiores, mediante compensação de horas extras que se estendiam ao período noturno para completar suas tarefas profissionais. Não dispunha, pois, de tempo domiciliar para se preparar adequadamente e nem costumava adquirir os livros técnicos adotados na Escola, quando muito os acessava na Biblioteca da Engenharia ou através de manuais dispostos em seu ambiente de trabalho. Ele era muito mais um engenheiro de prancheta do que de gabinete.
Este colega tinha todas as condições para escolher o emprego mais conveniente após sua formatura, chegando a receber convite de outro nosso contemporâneo, Engº. Mecº. Hermann Lobmaier, para trabalhar em São Paulo. Entretanto, mantinha sua lealdade para a firma de Carlos Staiger, onde reconhecia o apoio recebido na época de estudante universitário. E ali permaneceu batalhando e colaborando na concordata que envolveu aquela empresa, falindo algum tempo depois. Restou-lhe uma aposentadoria modesta, mas suficiente para se manter dignamente perante seus familiares.
Carlos Werner Uhlig, Flávio Antunes Graziuso, Jaroslav e eu formamos um grupo para elaborar trabalho de conclusão na disciplina de Construção de Máquinas, em que se fez notória a experiência em desenvolvimento de projetos técnicos de Kohut. Foi uma oportunidade de atuar coletivamente, onde cada um de nós deixou a marca de sua contribuição, revelando curiosas facetas de sua personalidade. Na ocasião, ficamos sabendo que Jaroslav costumava fazer contas mentalmente em alemão e o resultado traduzido para português, a posteriori.
Lembro-me de uma vez em que ele nos mostrou a sua carteira modelo 19, em que constava sua nacionalidade como apátrida e ele nos contou que nascera na Ucrânia, então território polonês, com sucessivas anexações a outros países como a Rússia, o que dificultava uma definição mais exata no órgão de imigração. Ele nos dizia do privilégio de viver no Brasil com abundância de suas frutas tropicais, tão raras naquele país, de inverno extremamente rigoroso, mas que se revestia com sua exuberante Natureza no decorrer da Primavera, descrita em suas entusiásticas palavras.
Lealdade, sem dúvida, é o maior legado que nos legou JAROSLAV KOHUT como traço marcante de seu magnânimo caráter.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

ATÉ DE REPENTE, ILUSTRE E NOBRE COLEGA !

Da esquerda para direita: Celso Batista Pizato, Antônio Gilberto da Luz Hartz, Raul Ludwig, Antonio Carlos Bica Smith, Luiz Fernando Schmitt, Ciro Paulo da Cunha e Silva, Luiz Fernando Michelena, Roberto Julio Bereta, JAROSLAV KOHUT, Darcy Kurban Abrahão, Flávio Antunes Graziuzo, Velco Tadeu de Mattos, Sergio Victorio Paseti, Enio Rigon e José Antônio De Carli Eberle (em pé), Agis Caraíba dos Santos, José Alberto de Souza, Cláudio Marchetto, Edemar Soares Antonini, Luiz Felipe da Rosa Ferlauto, Flávio Lúcio Scaf e Carlos Roberto Delgado Martins (agachados) - comemorando 25 anos de formatura no curso de Engenheiros Mecânicos da Escola de Engenharia (UFRGS).


A memorialística deste Poeta das Águas Doces tem feito aparecer no Google o nome de muitas pessoas conhecidas que costumam ali buscar alguma referência a seu respeito. Assim é que acabei recebendo mensagem no “face” de um colega da Engenharia, querendo saber quem eram aquelas gurias que sentaram à nossa mesa no Restaurante Universitário. Devo dizer que estranhei essa inquirição de vez que ele não fazia parte daqueles contatos a quem enviava postagem de nosso blog. Além de esclarecer que as ditas ali se acomodaram por mero acaso, perguntei-lhe como tomara conhecimento do fato e ele me respondeu que havia acessado aquela postagem ao procurar seu nome no referido site de buscas.
Daí se tornou mais ou menos frequente suas curtidas em minha linha de tempo tal o interesse que demonstrava por saber o que eu andava aprontando na internet. Para mim, era uma grande satisfação esta forma de trocar figurinhas, não muito comum entre outros seguidores que passavam por cima daquilo que costumava expor, sem dar a mínima bola. Ainda mais se tratando de um velho companheiro que sempre me dispensou a maior das afinidades como daquela vez em que nos convocavam a comparecer nas comemorações dos 40 anos de formatura na Engenharia da UFRGS. Pois esse camarada teve o desplante de avisar aos organizadores do evento: “só confirmo se ‘Jaguarão’ também confirmar!”
Diante dessa intimação, não me restou alternativa se não aparecer em dia e horário combinado na Sociedade Germânia, onde tomamos conta de uma das mesas junto com nossas esposas e mais o colega Velco Tadeu de Mattos. Noite agradabilíssima em que vivemos a grande emoção de rever colegas há muito afastados de nosso convívio, remoçando alguns anos numa inesquecível volta ao passado, regada as mais finas iguarias em bebidas e opíparos pratos da mais caprichada gastronomia. O momento da despedida se encerrou com seu convite para visitá-lo em sua casa na praia de Mariluz que chegamos a concretizar em certa temporada e desfrutamos da amável companhia dos anfitriões na tarde refrescante daquele aprazível balneário.
No início deste ano, ele me falou que recebera telefonema de Antônio Carlos Bica Smith, um dos nossos colegas da turma de Engenheiros Mecânicos, anunciando preparativos para nosso cinquentenário de formatura, os quais eu desconhecia. Depois, como não voltou a lhe fazer contato, buscava obter alguma informação comigo que não podia lhe retornar por impossibilidade de conseguir me comunicar com outros contemporâneos espalhados por este “mundo velho sem porteiras”. Era evidente seu entusiasmo para reviver aquele mágico encantamento de uma década atrás. Cheguei até combinar uma nova ida até Mariluz neste último verão, porém, tive de postergar para outra ocasião por eventual indisponibilidade.
Mês passado, sou colhido pela mudança de usuário em sua conta no “face book”, passando a ser utilizada por sua esposa, devido a seu passamento no dia 25 transato, cujas missas de 7º dia e 1º mês deram-se a 1º e 25 do corrente. Abalado por esta notícia cheguei a manifestar para sua esposa – “não terei coragem de sentar em outra mesa que não esteja esse grande companheiro” – ao que ela me respondeu: “Ele estará presente ao teu lado, curtindo a festa dos 50 anos”.
Reproduzo aqui o texto que ele postou em seu mural a 25 de dezembro de 2014: “Natal em Família – Eu e Maria com minhas amadas filhas Katiane e Jacqueline, acompanhados dos genros Renato Henriques Martinbiancho e José Serpa Júnior, dos netos Guilherme e Eduardo Martinbiancho, da minha querida cunhada Eugênia Sawka e Sérgio, com meus sobrinhos Bruna Christine Chwal e Alex Felipe”.

Não conseguindo externar todo meu sentimento pela irreparável perda do saudoso JAROSLAV KOHUT, encerro aqui esta lauda com nossas condolências à família enlutada, apesar de que devo voltar com meu depoimento pessoal em nova postagem.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

AQUELAS INSTIGANTES CARTAS D'ALÉM MAR !



Grata surpresa! Recebemos carta de Portugal, dos Açores. Assinada por um nome consagrado da nossa literatura: LuizAntonio de Assis Brasil. Letra a letra, digerimos as palavras vagarosamente a fim de prolongar o sabor da crônica gostosa. Detalhista, ele nos faz relato de sua atual estadia naquele arquipélago, em Ponta Delgada, a capital sediada na ilha de São Miguel. Desse primor de correspondência, extraímos alguns trechos para repartir com os leitores de A FONTE a honrosa exclusividade.
O impulso de continuar lendo Assis Brasil é tão intenso que nos desperta a curiosidade para o seu livro de estreia, escrito em 1976 – “Um Quarto de Légua em Quadro” – que trata justamente da saga da colonização açoriana em terras gaúchas.
Nos três cadernos que compõem o diário do médico Dr. Gaspar de Froes, podemos sentir a trajetória dos ilhéus desde sua chegada à antiga Vila do Desterro (Ilha de Santa Catarina), até sua instalação no Porto dos Casais, que deu origem à capital do Estado do Rio Grande do Sul.
A sacrificada travessia marítima (maligna, mal de Luanda, febres), a estada provisória no Desterro e depois na Vila do Rio Grande, a demarcação das fronteiras acertada pelo Tratado de Madri entre Portugal e Espanha, a precariedade do arranchamento no Morro de Santana, tudo inquieta o narrador que se identifica com a sua gente através de um sentimento generalizado de frustração: o descaso com a sorte desses colonos consequente da indiferença dos planejadores da ocupação dos vazios geográficos da América do Sul. 
A realidade da pesquisa histórica se entremeia com a ficção do drama íntimo de personagens comuns, conformados em sobreviver num meio estranho e inóspito. Enfim, o autor reconstitui um dos tantos momentos cruciais nos vários deslocamentos daqueles milhares de adultos e crianças trazidos dos Açores – “tocados de lá para cá como gado manso”. 

(Publicado em A Fonte, Jornal de Integração de Santo Antônio da Patrulha e Litoral Norte, na 2ª quinzena de Março de 1992, Ano I, Nº 1).