segunda-feira, 22 de agosto de 2016

JACQUELINE AISENMAN - MEDALHA DE OURO

Em 7 de fevereiro de 2008, postei matéria sob o título Agilmar Machado levanta taça no Carnaval de Laguna/SC, que foi objeto de comentário de Jacqueline Bulos Aisenman nos seguintes termos: “Um prazer descobrir este blog, principalmente através de um texto que fala de pessoa tão especial como Agilmar Machado, um ícone para todos sul-catarinenses, com sua memória de jornalista impagável e sua irreverente pena. Com certeza, voltarei! Abraços, Jacqueline”.
Seguiu-se então Agilmar intervindo nas apresentações: “Amigo JA: A Jacqueline, autora do primeiro comentário, merece uma identificação. Trata-se de uma lagunense arraigada às coisas de sua terra, jornalista e intimamente ligada às artes como seu pai, o saudoso Amigo, jornalista, pintor e escritor, Richard Calil Bulos. Foram também meus amigos muito próximos seu avô, Doutor Abelardo, primor de cidadão, bem como seu tio, Armando, nosso sempre lembrado tribuno e parlamentar. O casal Jacque e Paulo residem na Suíça (terra de sua avó paterna) desde 1990. É de lá que ela conta com uma plêiade de amigos daqui para levar adiante seu benemérito propósito de enaltecer sua terra natal. CORACIONAL é seu primoroso site, no qual fui bondosamente acolhido por ela e pelo Paulo. Grato, Jacque, pelas tuas referências tão generosas como sempre. Ao JÁ, mais um abraço (dos cinco ou seis já “remetidos” hoje!). Agilmar”.
Essa repercussão me levou a postar, em 10/02/2008, Navegando pela rota de PortoAlegre a Genebra com escala em Laguna, em que agradecia a honrosa deferência da aproximação com aqueles amigos. Entre os comentários recebidos Agilmar disse “BONITO, MEU IRMÃO!!! JÁ ESTÁS COM O CORAÇÃO EM JAGUARÃO, POA, LAGUNA, FLORIPA E GENEBRA (SUIÇA)! ALÉM DA SENSIBILIDADE, CORAÇÃO DE POETA TEM ASAS... ABRAÇÃO, Agilmar”. E Jacqueline disse “Muito obrigada por suas palavras. Que texto lindo, palavras sentidas uma a uma, saídas do coração diretamente para esta página, viajando continentes e atingindo aqui o profundo dos meus sentimentos. Parabéns, jornalista! Abraços, Jacqueline”.
Devo reconhecer nessa ilustre dama como a primeira seguidora desse nosso blog, correspondendo-me a grata satisfação de acompanhar o seu precioso CORACIONAL, onde digitei numa quadrinha a opinião sobre uma das telas de sua autoria Natureza Morta, ao que Jacqueline me convidou “Vem, poeta, vem para o Varal!”. Nessa ocasião, ela estava lançando um novo e ambicioso projeto de agregar autores lusófonos na Revista Eletrônica Varal do Brasil, na qual foram generosamente acolhidas as humildes colaborações de nossa lavra. Inclusive chegamos a levantar 1º lugar na categoria crônica com “O velho chateau daqueles rapazes de antigamente”, no II Prêmio Literário promovido por aquela publicação editada em Genebra/Suíça.
Um Comunicado Importante está chegando ao conhecimento de todos apreciadores das iniciativas do Varal do Brasil, através do qual é informado o encerramento das atividades dessa Associação Cultural, responsável pela divulgação de tantos autores da comunidade lusófona mundial e grande incentivadora daqueles que costumam escrever para as gavetas, atendendo sua necessidade de se comunicar com os leitores espalhados pelos nichos que se criaram através de uma “literatura sem frescura”. Ali essa jornalista se definia como a “mulher-orquestra” – para nós uma quixotesca criatura - que sempre extrapolou graciosamente seus limites de solitária organizadora de um plano carente de aportes financeiros necessários ã sobrevivência. 
Jaqueline Bulos Aisenman há de se sentir como aquela “tia” dum orfanato que tem de lidar com a “chantagem” de inúmeras crianças solicitando-lhe um carinho único e que tem de se desdobrar para contentar a todos, ficando frustrada quando não o consegue. Seus diletos “sobrinhos” estão ai para testemunhar todo seu hercúleo esforço...

quinta-feira, 28 de julho de 2016

HORIZONTES DO MEU UNIVERSO PARTICULAR

O pior bolicho do mundo, o homem que se esconde em si mesmo, a hospitalidade campeira, as frustradas tertúlias em volta do fogo de chão, as desventuras do Tigre (o bravo cachorro que os acompanhou)retrata bem certo espírito indômito através do relato “Terra Adentro” de Luiz Sérgio Metz, Pedro Luiz da Silveira Osório e Tau Golin, três jornalistas gaúchos que empreenderam uma jornada em lombos equinos, saindo de Santa Maria até chegar a Jaguarão, treze dias após percorrerem árduas trilhas desse pedaço do território sul-rio-grandense.
Confesso que tenho certa inveja de minha sobrinha Ana Lecy Souza Pacheco pelo tipo de atividade que exerce. Como funcionária da Emater, ela percorre nosso município, prestando assistência técnica a vários estabelecimentos rurais. Não tem dia nem hora para colocar o pé na estrada e se enveredar campo afora, não importa como esteja o tempo, faça chuva ou faça sol. E lá se vai ela pelos caminhos empoeirados ou então tirando “peludo” em vias enlameadas, cruzando arroios e abrindo porteiras para se extasiar com a fantástica paisagem dos cerros ondulantes.
Enquanto outros acumulam milhas nas andanças por outras paragens exóticas, ilustrando-se com uma cultura global a fim de se tornarem cidadãos do mundo, eu me contentaria em chegar até algum boteco na beira da estrada para adquirir conhecimento intuitivo com os frequentadores do local. “Apeie, vivente, e venha tomar um mate conosco” – uma saudação rica de acolhida, sem dúvida alguma me deixaria realizado na intenção de ampliar os horizontes do meu universo pessoal e satisfeito a contemplar um infinito de tempo e espaço desconhecido.
Em São Paulo, tive oportunidade de conhecer uma estrada secundária para Itu, atravessando o carro de balsa pela represa de Guarapiranga, passando por Bom Jesus de Pirapora e retornando por Campinas. Também cheguei a me atrair pela permanente nebulosidade de Paranapiacaba, estação da Santos-Jundiaí, a que me arrisquei, motorizado, subir a serra a partir de Mauá com pouca gasolina no tanque e sem saber da inexistência de postos de abastecimento nas redondezas. Mesmo assim consegui um garrafão de 5 litros retirado do estoque de combustível  no único empório do povoado.
Durante certo tempo, a ladeira da Rua João Carvalho, no bairro Agronômica, foi meu endereço residencial em Florianópolis-SC. O relevo dessa capital é rico de aclives e declives que não impedem sua escalada imobiliária avançando nas encostas dos morros, casarios e escadarias nas mais inóspitas localizações. Assim, não consegui conter minha curiosidade de saber o que existia no fim daquela rua, decidindo-me a subir lomba acima e chegando até o fim do calçamento. Dali em diante, apenas seguia uma vereda rudimentar a perder de vista, o que me fez desistir dessa incursão.
Também em Florianópolis, andei fazendo diversas travessias pela Ponte Hercílio Luz no trajeto da Ilha para Capoeiras e vice-versa. Para lá levamos uma “alemãzinha” de Três Riachos, distrito de Biguaçu-SC, a fim de ajudar nos serviços de casa, comprometendo-nos a deixá-la com seus familiares de sábado a domingo, quando iríamos busca-la. Ela descia do carro no fim da estradinha que terminava próximo ao mercado existente na região e seguia por uma trilha que a gente não sabia aonde ia dar. Até que um dia um colega se dispôs a acompanha-la para apanhar um passarinho e se arrependeu amargamente, depois de uma longa caminhada pelos morros cerrados.
Aquele mercado era uma espécie de “centrinho” de Três Riachos e que se enchia de gente toda vez que lá chegávamos e, numa das voltas, esperava-nos, junto com a filha, a mãe para reclamar sem qualquer discrição estar a menina passando fome lá em casa, pois não servíamos pirão, o prato predileto dela. Assim, oferecia-nos um saco de farinha de mandioca para engrossar nossa alimentação. Ali mesmo provamos a qualidade do produto caseiro de um branco puro, gostoso de ingerir até mesmo cru, vindo a se adicionar em nossos hábitos alimentares com aprovação de toda família.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

JUSTO NAQUELE DIA, TANTAS TRAPALHADAS!

Justo naquele dia, em que o amigo Milton e eu resolvemos dar um giro pelas casas noturnas de nossa preferência, tinha de acontecer aqueles fatos inusitados. Logradouros mal iluminados, de repente nos vimos no centro de uma confusão danada, cercados pelos brigadianos na quadra fechada. Milton, com os braços levantados, pedia para que eu parasse. Surdo, segui caminhando em direção àqueles dois vultos que gritavam alguns metros na minha frente, até sentir uma carabina encostada em meu peito e entender o que eles queriam: “Não se mexa, fique onde está!”
Justo naquele dia, o técnico alemão que trabalhava em sondagem de petróleo na localidade, depois de encher a cara de tanta cerveja com soda limonada – se queixava do amargor da nossa bebida –, inventou de apedrejar os vidros das casas com “luz vermelha” nas portas, provocando todo aquele aparato policial, além de algum casal clandestino se valer de saídas de emergência... E eu por pouco não fui acusado daquela “germânica” esculhambação para ser submetido a maiores interrogatórios, graças à interferência de Milton convencendo os guardas de minha deficiência auditiva.
Justo naquele dia, ainda tivemos coragem de chegar à casa de “Tia Margarita”, quando Marlene deu para se engraçar comigo na frente de Pedrão, estivador no caís do porto e “dono do pedaço”, de quem tinha se afastado por desentendimento amoroso. Mal enxergou seu brutamonte ali chegando, jogou toda sua robustez amassando meu colo franzino e tentando despeitá-lo: “Viu só? Já estou com homem novo...” Eu tentava me desvencilhar e aquela abundância me lambuzava com o batom exagerado de seus lábios: “Eu fora, não tenho nada que ver com isso” – enquanto Mister Músculo cerrava os punhos, dizendo para eu fazer bom proveito.
Justo naquele dia, entrei madrugada adentro, detido por Marlene em seu quarto, invejando Milton que tinha se retirado mais cedo. Porém, não me demorei muito e logo consegui escapar das garras daquela “matrona”, saindo para a rua apressado e temendo alguma represália por parte do rival descartado. Assim, colocava à prova minha regra de evitar qualquer confronto e manter distância de indivíduos mais avantajados fisicamente. Acredito que meu anjo da guarda fez um bom trabalho, conduzindo-me são e salvo, apesar dos sobressaltos da jornada.
Justo naquele dia, nem sei onde estava com a cabeça para enfrentar tantas adversidades. Bem que podia continuar enfiado no salão de sinuca, bebericando e enchendo os pulmões com a fumaça dos cigarros acesos. Afinal, estava me divertindo com as discussões acaloradas dos inconformados perdedores, eu mesmo arriscando algumas tacadas sem capricho em inocente passatempo. Depois era só pagar a conta dos minutos gastos e sair incólume por onde entrara. Mas tinha que falar mais alto o notívago inveterado, querendo esticar o tempo ocioso...
Justo naquele dia, tive oportunidade de consolidar uma forma de conduta que valoriza o respeito mútuo e as diferenças, evitando as reações intempestivas. E até agora, tenho me valido dessa mansidão para colher os efeitos desejados por minha vontade. Desde então, é que esse fato veio a ficar indelevelmente marcado e, sempre que posso, procuro compartilhar a lição aprendida com outros mais próximos e necessitados deste modesto modo de pensar, como veio a ocorrer anos mais tarde com um velho conhecido.
Justo naquele dia, surgiu a mensagem que se ajustaria futuramente para advertir certo cidadão idoso e metido a conquistador que estava a fim de assediar uma senhora presente no almoço em que estávamos juntos:
- “Olha só que linda aquela “coroa”, vou lá falar com ela...” – e eu lhe preveni:
- “Não vai não, "seu" Chico, que o marido dela é atleta de luta livre”. E mesmo assim, ele nem se convenceu, tinha outras convicções e me retrucou, batendo pé:
- “Pode ser lutador, mas não quer dizer que deva estar ‘descalcificado’!”

segunda-feira, 11 de julho de 2016

DE BILHETEIROS E SUA SORTE "MUI" GRANDE

O simpático Buré e seus craques navegantinos.

Don Ramón trabalhava na Aduana uruguaia da Ponte Internacional Mauá (Rio Branco) e, ao que me consta, tinha seus “bicos” como agente do magazine London Paris, de Montevidéu, capital daquele país vizinho. Como tal, costumava ir até Jaguarão, no lado brasileiro, para repassar o volumoso catálogo daquela conceituada casa comercial a meu tio Cantalício Resem. Para mim, menino ainda, era uma tentação folhear as páginas da esmerada publicação, sem exigir aquisição de qualquer produto ali exposto, cuja encomenda era decidida por quem dispunha dos recursos necessários.
Pois este catálogo e mais as figurinhas do chocolate Águila, então adquirido “allá de la puente”, ainda permanecem fixados nas recordações duma longínqua infância. Lembro ainda que Don Ramón era irmão de cor e sangue de Frederico, que morava e vendia bilhetes de loteria em nossa cidade. Ambos negros elegantes bem vestidos, mas que se distinguiam falando cada qual o idioma da localidade em que residiam, já que seriam “hermanos” apartados por duas pátrias com um mesmo berço de origem – o que bem caracterizava o nosso amálgama fronteiriço.
E assim me esforço para trazer a mente outros bilheteiros como a admirável figura humana do saudoso Buré, deficiente físico com defeito em ambos os pés e dificuldades na fala, mas com uma notável capacidade de superação. Buré morava bem longe, lá pelos subúrbios da capela São Luiz, e se deslocava de pés descalços até a zona central de Jaguarão, sem recursos na época para usar sapatos especiais. Torcedor fanático do Navegante Esporte Clube, insinuava-se pelas mesas do Café do Comércio, sempre bem recebido e generosamente aquinhoado com o troco do cafezinho.
Fui-me da querência e andei por outros rincões, sem que deixasse de chegar inúmeras vezes por lá para rever amigos e parentes. E Buré que ali ficou, quando me enxergava sempre tinha seu bilhete com a saudação cordial, enquanto eu notava uma transformação gradual em sua vestimenta e aspecto físico, alcançando almejado par de sapatos, além de roupas limpas e chapéu que lhe garantiam uma melhor qualidade de vida. Como resultado da profícua e honesta atividade que exercia.
Remexendo no subconsciente, surge-me uma época em que frequentava a casa de meu primo Anysio de Souza Resem, vizinho da residência e oficina mecânica de Cláudio “Sheda” de Freitas, ali fazendo amizade com a turma vizinha que me acolheu na esplanada das figueiras de trás do Mercado Público, onde o pessoal corria atrás de uma bolinha de meia, muito bem tratada por um negrinho franzino, conhecido por Hiria, abusando de dribles desconcertantes. Paulinho e Adão, da família do “Sheda” e mais Ercio Gentil eram outros companheiros inesquecíveis.
O “campinho” se situava entre a Usina Elétrica e o Mercado, no início da Rua 27 de Janeiro e, na outra rua paralela, XV de Novembro, havia um amplo largo totalmente desocupado até começarem as obras de construção da Capitania dos Portos. Cercada de tapumes, que a gente dava jeito de invadir para dar vazão às travessuras imaginadas num esconderijo das vistas de qualquer passante na Avenida 20 de Setembro (Beira Rio), propício para assombrar algumas pessoas inadvertidas nas horas mais sossegadas. Para dar o tom de alma penada, eu ainda arranhava na gaitinha de boca.
Numa dessas ocasiões, circulava ali na Beira Rio o bilheteiro castelhano Marrecão, baixote e troncudo, buscando algum cliente para acenar com a sorte grande. Não deu outra – na linha de frente, a artilharia de estilingues se preparou e lançou as bolinhas de cinamomo (paraíso), pegando em cheio o incauto que logo se virou para ver de onde vinha aquela saraivada. Intrigado, aceitou a trégua e seguiu seu caminho. Ai resolvi soprar a gaitinha para assistir os companheiros correndo de um lado para outro, o que me obrigou a seguir atrás até me topar com Marrecão adentrando o recinto. Não chegou agarrar nenhum de nós, mas não deixou de dar queixa ao Sheda e, a partir do dia seguinte, este colocou seus guris no batente da oficina e ponto final em nossa diversão.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Como seria defendido Qorpo Santo em dias atuais

"José Joaquim de Campos Leão, autonomeado Qorpo-Santo, meu cliente, comprovadamente é um homem de intelecto elevado a tal ponto que pode ser confundido com loucura. Ademais, a autora do processo, Sr.ª Inácia de Campos Leão, aparenta desimportar-se com o bem-estar do marido, atribuindo maior relevância e consideração aos bens de meu cliente em detrimento da liberdade deste.
Qorpo-Santo demonstra capacidade plena para exercer todos os deveres e direitos da vida civil e, apesar de seus hábitos peculiares, jamais apresentou qualquer risco à sociedade. Sendo assim, é possível evidenciar o total descabimento deste pedido de interdição.
Os fatos anteriores, apresentados pelos testemunhos de Juvêncio, fiel criado de Qorpo-Santo, e Eusébio, amigo próximo do réu, servem apenas para ratificar a sanidade de José Joaquim de Campos Leão perante a comunidade.
Se, em algum momento, seu comportamento possa ter levado qualquer pessoa a crer na loucura de meu cliente, talvez tenha sido pela discrepância de suas ações. Quando um homem teme por sua segurança e não tem outro meio de defendê-la, o melhor que pode fazer é trancafiar-se em sua própria casa, cenário em que Qorpo-Santo decidiu tornar uma janela sua porta de entrada e saída.
Quanto aos delírios que tanto Inácia quanto Juvêncio afirmam ter presenciado podem ser tratados por um psiquiatra capaz em sua função, não havendo necessidade de internar um homem plenamente apto a viver em sociedade."

terça-feira, 28 de junho de 2016

A RÉPLICA EPISTOLOGRÁFICA DE "GAROEIRO"

NOVENOS MÚLTIPLOS

Caríssimo Souza,

Maravilha! Pelo visto, todo o mundo estava ansioso por sua volta, alimentando o Blog do Poeta das Águas Doces com essa sua indispensável energia positiva!
Parabéns, mais uma vez!
Gostei dos seus "novenos múltiplos"! Ficaria imensamente realizado se, de fato, nos nove anos seguintes, o Poeta das Águas Doces pudesse se fazer cada vez mais presente e mais criativo, brindando aos Leitores com "causos", crônicas, contos, e, principalmente, poemas!
Como você sabe, certamente, a estrutura interna do sistema numérico decimal, em consequência da valoração posicional, contém inúmeras propriedades, sendo uma delas, essa que você comenta, a divisibilidade de um número, por nove.
"Um número será divisível por nove, se a soma dos dígitos que o compõem, for divisível por 9".
Em parte de seu bom exemplo, verifica-se que 2016, com: 2 + 0 + 1 + 6 = 9, soma, essa, que dividida por nove, é igual a 1, assegura validade à propriedade, c.q.d. ...
O melhor, no entanto, é a possibilidade de que tal propriedade possa ser associada ao nosso desempenho existencial e social, que não deve ser tido como algo "alucinatório", pois, há mais, muito mais, entre o céu e a Terra, do que o pensamento alcança...
Gostei, muito, desse seu retorno!
Abraço,
Garoeiro

segunda-feira, 27 de junho de 2016

INSPIRAÇÔES PARA UMA HIPÓTESE EMPÍRICA

“Mas enfim, eu vivo sob uma regra: se eu estou incomodando os conservadores, então estou no caminho certo.” (Felipe Neto)

Há pouco, tomei conhecimento da curiosidade matemática sobre o “número mágico” nove, constatando que a soma dos algarismos de todos seus múltiplos sempre resulta em nove. No caso do presente ano (9x226=2016, múltiplo de nove), a soma de seus algarismos 2+0+1+6=9, assim como 2007 e 2025. Porém, 9x222=1998, cujos algarismos somados 1+9+9+8=27 e, considerando parâmetros lógicos, 2+7=9. Em função desses resultados, a numerologia indicava padrões a serem adotados para um melhor desempenho pessoal. Então, lembrei-me da teoria dos biorritmos (físico, emocional e intelectual), a qual me levava a uma alucinatória hipótese sobre ciclos de euforia e depressão, alternando-se sucessivamente de nove em nove anos, em que as curvas cruzariam a linha neutra (ponto crítico) justamente naqueles anos “noveno-múltiplos”.
Teríamos pois de 0 a 9 (euforia), de 9 a 18 (depressão), de 18 a 27 (euforia) e assim por diante até 2007 a 2016 (depressão) em que se cruzaria a linha neutra para atingir de 2016 a 2025 um período eufórico. Confesso que não cheguei a verificar a validade dessa minha teoria, deixando aos especialistas a tarefa de contestá-la ou não. Será que esses múltiplos de nove não representam pontos críticos? Já está mais do que na hora de cessarem essas contínuas catástrofes neste nosso mundo tão sofrido e maltratado para que se recomponha o equilíbrio entre Humanidade e Natureza. Afinal estão ai 12 milhões de desempregados só em nosso país e 65 milhões de refugiados buscando asilo em todo mundo, motivo mais do que suficiente para que se pense em soluções para essa tremenda crise global. Para tanto, há que se erradicar a ganância dos poderosos, restaurar a ética nos negócios e respeitar a dignidade dos mais humildes.

“Há escritores que escrevem literatura. Outros só conseguem escrever palavras.”
Raymanod Chandler

Muito me sensibilizaram as mensagens recebidas da querida colega Kie Yamamoto e do “Garoeiro” Jeferson Barbosa da Silva que assim se manifestaram:
- Caro Amigo, Tenho sentido a ausência de novas postagens. Espero que o amigo esteja em boa saúde. Apenas um pouco indolente para novas criações, certamente. Grande abraço, Kie.
- Caríssimo JASouza, Estamos saudosos de sua presença sempre exemplar e atuante no Blog Poeta das Águas Doces, que não pode continuar parado em dezembro de 2015. Por favor, volte, com boas novas! Abraço, Garoeiro.
Este ainda me brindou com um primoroso texto intitulado ALVISSARAS:
Caríssimo JASouza,  Ah, que bom que você respondeu, mostrando e explicando que, apesar do inferno que nos impuseram, estamos vivos!
Preciso esclarecer a você esta verdade que infelizmente deixa passar, despercebida: nós, escritores brasileiros, militantes da História e da Cultura, somos a derradeira vanguarda com que o futuro conta!
José Alberto, poeta das águas doces, desse sul transbrasileiro de que Jaguarão é capital, você é alguém muto especial, obra prima, nas militâncias derradeiras da resistência contra a mediocridade e o Nada!
O Nada nem cansa nem pára de abocanhar tudo o que fizemos e sonhamos, fazendo esse país algo razoável, como historicamente pudemos sentir, nos últimos anos.
Agora, sofrendo esta enorme, gigantesca bocada do Nada, realmente, dá vontade de parar, dizer chega, sumir.
Mas, não! Cada crônica sua, cada poema,no Blog, ou na Confraria dos Poetas de Jaguarão, no Varal, da guerreira Jacqueline, aqui, no Garoeiro, em qualquer espaço real ou virtual, é um golpe contra o avassalador ataque da mediocridade e do nada!
Por favor: não pare! Resista! Escreva! Persevere!
Ousar lutar, ousar vencer!
Grande e emocionado abraço, Garoeiro.

Devo dizer que tais palavras me lembraram para ilustrar esta matéria com a conhecida frase de Martin Luther King Jr.

domingo, 26 de junho de 2016

WENCESLAU GONÇALVES E SEU LANÇAMENTO

Ontem, vários jaguarenses se fizeram presentes à sessão de autógrafos e lançamento de “A Condena e Outros Contos da Fronteira Sul”, obra de estreia do escritor conterrâneo Wenceslau Gonçalves, que se realizou nas dependências de Ladeira Livros, à Rua General Câmara, nº. 385, nesta Capital. Por oportuno, transcrevemos abaixo a apresentação desse livro de contos pelo próprio autor.

UMA ALDEIA CHAMADA JAGUARÃO

“Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”, disse o escritor russo Liev Tolstoi (1828-1910). Pois este livro foi inspirado em minha aldeia. Quem nasceu, viveu ou ainda reside em Jaguarão, absorverá com facilidade a maioria dos relatos contidos nas páginas a seguir. Até me arrisco a pressupor que alguns dos elementos desta ficção talvez não apresentem novidade para quem os traz consigo na memória.
O que transcrevo no papel é parte da vida em um cenário do qual fui testemunha, participante e protagonista. Mas as referências e fatos reais não implicam um relato necessariamente autobiográfico. Minha intenção primeira é compartilhar o imaginário de quem conheceu Jaguarão no tempo em que a cidade, com seus tipos, lugares e episódios, parecia uma espécie de aldeia – condição que, de certa forma, ela não perdeu de todo. Se isso proporcionar um olhar de ternura sobre o passado, terei conseguido atender meu intento.
Para alguns, saudosismo é pensar e agir de forma retrógrada. Há muito que discutir sobre isso, mas não tenho qualquer pretensão nesse sentido. Desde cedo, apenas procuro observar a vida ao meu redor. Nem sempre fui capaz de entendê-la e, aliás, até hoje raramente consigo. Tenho sempre mais perguntas do que respostas.
Wenceslau Gonçalves
Abril de 2016.

O autor ainda planeja realizar outras sessões de autógrafos em Jaguarão (possivelmente no Círculo Operário) e em Arambaré, afora na próxima Feira do Livro de Porto Alegre, possibilitando a outros conterrâneos adquirir esta sua primeira edição

Ressalte-se ainda que este livro contém a versão para o espanhol feita pelo professor Luis María Farnos, bacharel em Orientação Pedagógica, argentino de Necochea (Buenos Aires) e residente em Arambaré, onde atua como tradutor de textos acadêmicos e literários, além de ensinar sua língua pátria em algumas escolas do interior do Estado.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

No alto deste pedestal, meio século vos contempla


“José Alberto de Souza e demais formandos da Escola de Engenharia da Universidade do Rio Grande do Sul tem o prazer de convidar (...) para a solenidade de sua formatura que será realizada no dia 18 de dezembro, ás 20.30 horas, no Salão de Atos da Reitoria” – abria-se assim o libreto Engenheiros – 1965. Portanto, arrogo-me o direito de evocar alguns fatos referentes a este evento a fim de retirar um pouco da poeira do tempo a que vai sendo relegado para que se resgate a importância desse acontecimento não só para as pessoas envolvidas como também em termos de benefícios para sua comunidade.
E as lembranças me chegam aos borbotões e me levam a saudosa época das reuniões dançantes do Centro de Estudantes Universitários de Engenharia e dos bailes da Reitoria, afora esticadas pela Arquitetura, Farmácia e outros recintos a que percorríamos nos fins de semana. Na Reitoria, vim a conhecer minha esposa Gislaine Fagundes, então estudante de Pedagogia, que também se formou nesse mesmo ano, poucos dias após minha diplomação. Esta foi num sábado, dia da semana que também marcou Natal e Ano Novo naquele ano, deixando o seguinte 8 de janeiro para marcar nosso casamento, logo depois viajando para São Paulo em busca de emprego.
Nosso orador, Izaltino Camozzato, e o paraninfo, Prof. Antenor Wink Brum, desandaram a tecer críticas ao sistema de ensino universitário, surpreendendo à mesa diretora da colação de grau. Posteriormente, na formatura do Curso de Pedagogia da Faculdade de Filosofia da URGS, idêntico protesto veio ocorrer na fala da oradora da turma, o que levou o Reitor presente ao ato a se manifestar fazendo referência a uma solenidade anterior (a nossa) e a atual que deixavam de ser motivo de congraçamento e orgulho de familiares e amigos dos formados para dar lugar a uma “lavagem de roupa suja”, impróprias para a ocasião.
Decorridos cinquenta anos, a turma de engenheiros formados em 1965, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, promoveu um reencontro para confraternização entre seus remanescentes na noite de 27 de novembro passado, ocorrido no restaurante da Sociedade Germânia, ao qual compareceram 2 engenheiros civis (transportes), 6 engenheiros civis (estruturas), 10 engenheiros civis (obras e saneamento), 1 engenheiro civil (obras hidráulicas), 18 engenheiros mecânicos, 18 engenheiros eletricistas, 2 engenheiros químicos, 3 engenheiros civis e eletricistas, 3 engenheiros metalúrgicos, 5 engenheiros mecânicos e eletricistas e 5 engenheiros mecânicos e metalúrgicos, provenientes de alguns estados do país, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Considerando-se um total de 166 alunos que ingressaram em nossa Escola de Engenharia, abrindo o ano letivo de 1961, dos quais 33 já falecidos e 60 ausentes por problemas de saúde e familiares, o mosaico daqueles que atenderam ao chamado dos organizadores dessa marcante festa comemorativa de seu cinquentenário de formatura, dá bem uma ideia da propagação dos conhecimentos adquiridos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, não só beneficiando as mais diferentes atividades econômicas, sociais e educacionais, como também gerando incalculável riqueza cultural e progresso para muitas regiões deste nosso imenso Brasil. 
Acredito que tenhamos desempenhado a contento essa relevante missão, sem medir esforços despendidos, muitas vezes à custa de sacrifícios pessoais que nos privaram de convívio familiar e até colocando em risco a própria saúde. E ai estão nossos cabelos grisalhos, as rugas de nossas faces, o físico alquebrado, os colegas que tributaram com a própria vida como testemunhas de uma batalha gloriosa. Rosito, grande agregador, que reuniu essa plêiade de abnegados como Nivaldo, Milano, Hartz, Bruno, Graziuso e todos aqueles que logo acorreram com suas adesões, formam este majestoso pedestal – parafraseando Napoleão – “onde meio século vos contempla”. 

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

TOMEI UM ITA E ME FUI LÁ PARA O NORDESTE


http://academiadeletrasdecrateus.blogspot.com.br/2015/10/o-aracati-no-sertao.html

PAPO LEGAL

As crônicas do poeta cearense Raimundo Cândido Teixeira Filho, ilustre cria dos sertões de Cratheús, são uma provocação a nos desafiar a vontade de prosear, sentado na calçada, jogando conversa fora.
Eis que ele acaba de pinçar uma inédita manifestação sertaneja no prolífero dicionário cearês - “a genial expressão “B.R.O brós” só para indicar os meses mais quentes do ano, de setembro a dezembro”.
Prosseguindo, arremata o período com uma sentença folclórica: “Dizem que o mundo, uma vez, findou-se com muita água e que, agora, vai se acabar é nas labaredas de fogo e o foco é no sertão cearense”.
Peço licença ao Professor pra me trasladar de cadeira e cuia até sua calçada e me sentar sem cerimônia alguma, aproveitando a brisa refrescante deste Aratiba amigo que surge em madrugadores mormaços.
Ah, se eu não falaria das estripulias de “El Niño” lá pelas bandas do Pacífico, causando esta tremenda bagunça que não deixa de ser sempre inversão de valores com inundação no Sul e seca no Nordeste.
Até proporia uma força tarefa de serafins bombeiros a fim de impelir essa nossa enxurrada a irrigar aquelas áridas terras do Agreste, combatendo as maléficas intenções do Capeta nesta fornalha acesa.
Para consolo desse nobre Vate, ainda relataria certa madrugada na praia de Tramandaí, em que alguns moradores do condomínio Quebra-Mar acomodaram seus colchões e ventiladores nos corredores externos.
Vixe, foi uma vez só, nem precisei aquecer água para o chimarrão, mas que me senti reencarnado nas profundezas ígneas, palavra que senti, duvidando existir qualquer calorão senegalesco mais intenso.
E você ainda fala de outro Aratiba desviando-se pelas esquinas desta cidade e revoludteando “santinhos” de mico leão dourado, onça pintada e garoupa que gerariam corrupção entre políticos e eleitores.
Parece-me, Mundinho, que os ventos se comunicam entre si, se não como explicar que o nosso Minuano venha compactuando com essa safadeza engendrada pelo manhoso Aratiba nestas tão longínquas paragens.