quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

*CRÔNICAS DE CANTALÍCIO E FLORISBELA (II)

O primo Luiz Eduardo Fontes de Mello Almeida, um dos coordenadores do portal de nossa árvore genealógica Family Search, descobriu um anúncio de 1916 em que o pai de Florisbela, meu avô José Vieira de Souza, coloca para venda ou aluguel a sua propriedade em Jaguarão, a fim de viajar a Portugal, onde deveria se submeter a tratamento de saúde. Tal fato me faz relembrar que aquela minha tia e mãe de criação nos contava que avó Joaquina chegou a costurar uma cinta-bolsa na vestimenta para que ele levasse o dinheiro necessário ao custeio de sua estada no seu país de origem.
Como não cheguei a conhecer esses meus avós paternos José Vieira e Joaquina Teixeira de Souza, sempre foi difícil localizar outros lugares em que tivessem vivido além daquela cocheira. Ainda mais que pouco me despertava curiosidade em tenra idade sobre acontecimentos de antanho, como os locais da existência daquelas privadas de fundos que eram trocadas de tempos em tempos para decantação e secagem dos dejetos utilizados nas plantações. Apenas ainda ouço as palavras de Dª. Florisbela ensinando os benefícios oriundos desse reaproveitamento, a seu ver: - “Não existe melhor adubo”.
Florisbela de Souza Resem era uma mulher dominadora que sempre procurava colocar ordem onde se fizesse necessário, mesmo lançando mão de algumas artimanhas. Eu que o diga, tarado por panquecas, comendo a minha parte e cobiçando a “enrolada” dos outros comensais no almoço – não queres mais, podes me passar a tua – nem me dava conta da sua contrariedade. Pois não é que certo dia apresentou na mesa de refeições aquele “pratarrão” das tão desejadas, anunciando que era só para mim e eu consumi toda aquela oferenda... E durante algum tempo, não as podia enxergar à frente!
E não ficou só nisso meu aprendizado com ela, sempre se esmerando naqueles tratamentos com remédios caseiros. Um deles, preparado na chaleira com café forte, bem amargo, no qual mergulhava um tição de brasa, para que se ingerisse como purgante. Era um filme de horror para eu protagonizar aquela cena que se acentuava com minha rebeldia. E para atenuar esse protesto, uma vez me trouxe uma “malzbier”, minha predileta que, nem sei como, sorvi a garrafa todinha, degustando o líquido gota a gota, sem desconfiar da escamoteação no conteúdo desta bebida.
A matrona Dª. Bela, em assuntos da casa, opinava sem maiores contestações nas muitas reformas que procedeu no prédio, alterando toda uma estrutura projetada pelos empreiteiros na planta original. De minha parte, estranhava aquela janela de vidros e postigos na parede divisória entre um dos quartos e o banheiro. Mais tarde, verifiquei que se tratava de uma abertura externa, sendo aquele banheiro colocado sobre a laje num espaço vago do pátio interno. E ainda havia alguns “hóspedes” que costumavam espiar com leve abertura dos postigos, caçoando de minhas imperfeições estéticas...
As paredes internas de madeira aos poucos iam sendo desmontadas sem que se apagassem os vestígios da divisão anterior. Os diferentes tipos de ladrilhos usados nas peças dos fundos denunciavam os locais onde esteve funcionando cozinha, banheiro e dispensa. Tia Florisbela dava mais ênfase ao aspecto prático do que o estético com o fim de melhor acomodar a todos descendentes que ali buscavam se manter reunidos no estreitamento dos laços familiares. Pouco importaria uma ostentação difícil de ser obtida a custo de parcos recursos que eram geridos de forma conservadora e modesta. 
Dona Belinha, dona Belinha era uma guerreira: resistiu anos a fio num tempo em que inexistiam os apelos do consumo moderno. Estava sempre pronta a preservar a figura carismática do “Major” Cantalício com o apoio que lhe dispensava nos bons e nos maus momentos. Mas sobreveio a insidiosa arteriosclerose, apagando-lhe a consciência e prostrando-a numa cama do hospital, em que se fazia acompanhar durante todo dia por seu esposo e velho companheiro de árduas batalhas, então impotente para lhe proporcionar uma mais digna qualidade de vida

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

CRÔNICAS DE *CANTALÍCIO & FLORISBELA* (I)


O Poeta Garoeiro, de Natal-RN, intima-me para que escreva as “Crônicas de Cantalício e Florisbela”, impressionado com os relatos do saudoso Pedro Leite Villas Boas ao grande Mário Quintana, na única ocasião em que o encontrei no arquivo do Correio Povo e fui apresentado por aquele bibliófilo nosso conterrâneo. Então Pedro falou dos seus tempos de encadernador na tipografia de “A Miscelânea” e Quintana escutava com especial atenção o desempenho de minha tia e mãe de criação Florisbela de Souza Resem, esposa de Cantalício, em suas lides domésticas e comerciais.
Naquele tempo, Cantalício Resem foi designado por Carlos Barbosa, conterrâneo então Presidente do Estado do Rio Grande do Sul, a assumir funções como Juiz Distrital em Jaguarão, não obstante a suas desculpas de que não se encontrava preparado para exercer esse cargo. Sem outra opção, teve de se valer de uma alentada biblioteca jurídica, a que sempre recorria varando madrugadas no estudo dos autos de julgamento. Sem uma conclusão definitiva, muitas vezes vencido pelo cansaço, decidia-se por sua consciência para emitir o parecer final.
E esses pareceres chegaram a se tornar jurisprudência nos tribunais, motivo de grande admiração de muitos juristas da Capital, como os desembargadores Nésio Miranda e Celso Afonso Pereira que sempre o visitavam em suas passagens por Jaguarão. Ai também esteve o conceituado causídico Felipe Machado Carrion, também diretor do Colégio Estadual Júlio Castilhos na época em que lá estudei, que fez questão de conhecer aquele juiz cujas opiniões legais eram objeto de consultas por vários de seus colegas para firmarem posição na defesa ou na acusação de réus em julgamento.
Florisbela preservava-o de forma a nunca comprometê-lo com qualquer deslize, esmerando-se na recepção dos visitantes que não se cansavam de elogiar sua famosa sopa de entrada nos almoços. Aliás, minha prima Graciema Resem da Silveira costumava dizer que Florisbela era uma pessoa sábia que se fazia calada sem se intrometer nos assuntos a que não era chamada, evitando qualquer impertinência. A sala de jantar do sobrado em que residiam, parecia um templo ornamentado pela cultura daqueles que tiveram o privilégio de lá desfilarem seus conhecimentos.
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Douglas Marcelo Rambor, parceiro e grande pesquisador sobre o futebol gaúcho, revela-me a faceta de “desportistas” do casal, enviando a correspondência – acima ilustrada - que comunica a eleição em 07/Jul./1905 de uma das Diretorias da Sociedade F.B.Sport Jagurense, provavelmente a primeira entidade esportiva da cidade, constando o nome de Cantalício Resem como 2º secretário dessa agremiação. Entre seus familiares era conhecida a ojeriza que passou a nutrir pelo esporte bretão desde que constatou a péssima habilidade de seus conterrâneos no trato com a bola.
Este fato teve origem a partir do momento em que assistiu a uma partida de futebol contra marinheiros de um navio inglês ancorado no porto de Rio Grande, apresentando um verdadeiro espetáculo de domínio da pelota no campo da peleja, não conseguindo aceitar a condição de perna-de-pau daqueles amadores de Jaguarão. Isto apesar de ter o filho Anysio que se destacava nas equipes em que participava, negando-lhe sempre o apoio de sua presença para conferir sua habilidade técnica. Até o fim de seus dias não acreditou que Jaguarão chegasse a ser um celeiro de craques.
Para dar um exemplo dessa birra, o primo Anysio contava-me da sua grande mágoa ao término de uma partida na equipe do Ipinha de Jaguarão contra um quadro de Treinta y Tres – Uruguai – em que fizera o gol da vitória e todos os pais dos atletas ipaenses invadiram o campo para abraçar seus filhos, Diz ele que teve de engolir em seco essa comemoração solitária. Florisbela também era contrária às tendências do menino Anysio em se misturar com os moleques, correndo atrás de uma bolinha nas “peladas” do Largo da Bandeira, motivo de algumas reprimendas quando chegava a casa

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

UM ESCRITO DE CLÉO DOS SANTOS SEVERINO

C A N T A L Í C I O   R E S E M
(Retratado em 18/maio/1975, data comemorativa de seus 92 anos de idade).

Havia em Cantalício Resem o germe da cultura que se manifestou na atividade jornalística e na propagação de conhecimentos vários, através da Livraria “A Miscelânea”, que dirigiu por mais de 30 anos. E o mais curioso de tudo isso é que o nosso biografado nunca cursou uma escola. Aprendeu as primeiras letras por ensinamento de seu pai e foi através da leitura, de muita leitura, que sedimentou seus conhecimentos e estruturou sua cultura.
Venâncio Felix de Cantalício Vieira Resem nasceu na cidade de Jaguarão em 18 de maio de 1883. Era filho de Ângelo Resem e de Delfina Vieira Resem. Aqui viveu e labutou toda uma vida; 93 anos de profícua atividade em Jaguarão, digno exemplo de amor à terra e à sua gente. Já aos 16 anos, então na cidade de Melo, República Oriental do Uruguai, emprega-se em uma padaria. Bem cedo inicia a dura labuta pela vida. Com 16 anos era balconista da ferragem de Bernardino e Domingos Ribeiro (no local onde está hoje o Banrisul). Já maduro e experiente, estabeleceu-se, em 20 de julho de 1910, com a Livraria e Gráfica “A Miscelânea”, à Rua 27 de Janeiro, antes nº 39, agora nº 408, no edifício que hoje leva o seu nome, por uma deferência especial e justa do atual proprietário: Dr. Eduardo Alvares de S. Soares.
A Livraria “A Miscelânea” encerra todo um histórico de distribuição de cultura e saber. Foram ali vendidas as mais notáveis obras editadas no Brasil, desde as de cultura em geral às de ficção em todos os seus gêneros, bem como as didáticas empregadas em nossas escolas. Nela houve memoráveis reuniões informais, desde os intelectuais mais categorizados, as simples rodas de amigos do proprietário, simpático e atencioso. Na sua ampla sala, entre prateleiras de volumes os mais diversos, discutiram-se toda sorte de fatos, situações e problemas que agitavam o Brasil de então. Saudosos tempos aqueles em que se cogitava mais da cultura do que da economia.
Em 1911, casou-se com dona Rosa de Souza Resem, que veio a falecer sete anos depois, deixando-lhe uma filha: Nilza. Casou-se em segundas núpcias com dona Florisbela de Souza Resem (1920), com a qual teve dois filhos: Anysio e Lucy. Sua segunda esposa foi uma notável colaboradora, dirigindo por vários anos a Gráfica “A Miscelânea”, então a mais profícua e ativa da cidade; gerenciou também por nove anos o jornal “A Folha”, passando a direção do mesmo ao filho Anysio, em 1947.
Em 1926, Cantalício Resem passou a exercer o cargo de Juiz Distrital até 1938, quando foi aposentado pelo Artigo 177. A sua nobre figura, aliada ao simpático tratamento que dispensava a todos, faziam-no perfeitamente integrado à função que tão bem desempenhou. Bem caracterizava sua personalidade forte mas modesta a atitude que tomou quando foi convidado pelo Presidente do Tribunal de Justiça do Estado para exercer o cargo de Juiz Distrital, em Porto Alegre, pois era o primeiro da lista das 72 Comarcas do Estado. Agradeceu e rejeitou a deferência, informando que não era formado.
No campo jornalístico foi onde se revelou notadamente sua atividade cultural. Aos 18 anos idealizou e fundou um Jornal (o primeiro), todo ele escrito à mão, numa tiragem de 50 exemplares mensais. Realmente incrível. Foi por algum tempo redator de “A Ortiga”, jornal crítico, literário e noticioso, criado por Oscar de Oliveira, em 1903. Ainda nesse ano foi diretor e redator de “O Namoro”, hebdomadário literário e crítico.
Em 1910 foi redator do jornal “A União”, órgão da Sociedade União Caixeiral Jaguarense, pertencente ao Clube Caixeiral, sociedade recreativa da qual foi um dos fundadores, junto com Geraldo Piúma e outros. Foi um dos diretores de “A Situação”, jornal diário, órgão do Partido Republicano.
Em 1930, a Livraria “A Miscelânea”, então sob a direção de Florisbela S. Resem, fundou o jornal “O Comércio”, órgão de divulgação comercial que recebeu a ativa participação de Cantalício Resem.
Em quatro de dezembro de 1938, juntamente com Alfredo de M. Tinoco e Irany P. Ribeiro, fundou o jornal “A Folha”, que por 54 anos participa na construção e no progresso da Cidade Heroica.
Também na imprensa falada a contribuição de Cantalício Resem foi importante. Juntamente com um grupo decidido de pessoas, foi um dos fundadores da nossa Rádio Cultura.
No campo social e assistencial sua contribuição não foi menor. Com Dorval Santos e Francisco Nogueira Júnior, fundou o Colégio 20 de Setembro (1918), uma das primeiras escolas de alfabetização noturna para adultos no Brasil.
Foi por 33 anos secretário da Associação Protetora dos Desvalidos, hoje Sociedade Beneficente Augusto César de Leivas.
Ainda outros inúmeros benefícios trouxe a atuação de Cantalício Resem à nossa cidade, que o espaço desta crônica, já extensa, não nos permite citar. Era um homem de hábitos extremamente rígidos, de comportamento retilíneo, que pautava por uma dignidade a toda prova. Afável no trato, atencioso para com todos, com um permanente sorriso a espalhar-se-lhe pelo rosto, procurava servir sempre sem nunca se corromper. 93 anos de dignidade e trabalho, uma figura notável entre os construtores na nossa comunidade.
Jaguarão, 26 de março de 1992.
Cléo dos Santos Severino

(Publicado no jornal “A Folha”).

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

VOCÊ SEMPRE SERÁ UM ROSTO NA MULTIDÃO

Para ampliar, clique na imagem.

U M   R O S T O   N A   M U L T I D Ã O

Para mim
Você sempre vai ser
Um rosto na multidão
(pura ilusão)
Que de repente pode aparecer...

Numa busca desesperada,
Devo confundir pessoas e lugares,
Em tantos olhares posso distinguir
A realidade disfarçada
Das minhas miragens.

Quando você andar
Através de outras paragens,
Os seus passos também
Estarei imaginando
Como se caminhassem
Me procurando.

domingo, 24 de setembro de 2017

EU SONHEI QUE AINDA PROCURAVA GISLAINE

A última fotografia de minha saudosa e querida esposa Gislaine Fagundes de Souza, na véspera de seu passamento.

Pode ser que a tristeza seja natural, mas quem aguenta a dor de uma saudade? Toda uma vida que se dedica a uma pessoa amada e, de repente, somos privados do seu convívio. Tudo ao nosso redor vira lembrança constante de uma sentida ausência. E haja força para se acostumar a uma nova rotina de quebra de hábitos arraigados. Como se fosse ainda aquela presença uma realidade que não aceitamos ser extinta. Tanto desejássemos proporcionar a qualidade de vida que lhe faltou para cumprir a derradeira missão.
Quanta coisa ficou pendente que planejávamos providenciar para seu conforto – atendimento domiciliar para coleta de exame de sangue, consulta médica agendada, tomografia da mandíbula completa, implantes dentários, continuidade de tratamento osteopático, troca de colchão para ortopédico, reforma do banheiro, – tanto que confiávamos na sua resistência até a conclusão dessas tarefas. Nem as lágrimas derramadas são capazes de compensar tantos adiamentos que foram processados.
Tentamos conscientizar nossos filhos de que eles sempre serão o fruto do nosso encontro conjugal, a verdadeira razão de suas existências, dando prosseguimento a futuros descendentes para consolidar uma modesta estirpe e encarando conflitos familiares como um necessário aprendizado para chegar a um entendimento dos valores afetivos. Ela que nem conseguiu enxergar a primavera florescendo, partiu em busca de suas origens, ao encontro daqueles outros entes queridos no plano espiritual.
Ela foi uma companheira das boas e más horas, uma esposa que ajudou a constituir um razoável patrimônio para nossa família, graças a sua noção de economia, garantindo um futuro pecúlio à nossa sobrevivência. E assim conseguimos enfrentar aqueles momentos tão difíceis que culminaram na recuperação plena da saúde de um dos nossos filhos. Agora recentemente tivemos a satisfação de ver o outro filho recomeçar a sua carreira profissional após dois anos desempregado com escassos recursos.
Ela era uma pessoa muito extrovertida, apesar de se tornar bastante carente com o passar do tempo que a imobilizava para se distrair naquelas atividades que lhe causavam prazer – foi colaboradora voluntária na Creche de Mães da Vila Lupicínio, aonde chegou a presidir essa entidade a pedido de seus beneficiários necessitados do recebimento de verbas municipais, E posteriormente veio a exercer ocupações como secretária do Clube da Melhor Idade do Menino Deus, braço direito do presidente Lourival Ávila. 
Gislaine Fagundes de Souza vinha tendo dificuldades para se movimentar com problemas nos joelhos bastante doloridos, definhava com dificuldades de alimentação e de beber água suficiente para estancar uma acelerada desidratação. Teve de ser removida para o Hospital Mãe de Deus, aonde veio a falecer em 21 de setembro de 2017, após três paradas cardíacas. Faltando 64 dias para completar oitenta anos do seu nascimento e deixando em nós esta imensa saudade da sua presença inestimável.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

E SEMPRE NOSSOS ETERNOS ANOS DE PÉROLA

À direita, os "jubilandos" Vera Lúcia e José Alberto e, à esquerda, os outros "sobrinhos do Capitão" José Álvaro e Ana Lecy.

Anos de pérola separam jubileus de ouro e carvalho – o teu e o meu. Essas pérolas que nunca vão deixar de ser pérolas, mesmo com o passar do tempo. Todo ano, recebo esse presente como uma graça concebida no ventre de minha saudosa mana. Ela tinha um jeito diferente de ser carinhosa quando dizia que eu era um bom irmão ou que nunca a deixava de apoiar nos momentos difíceis. Nem as duas vezes em que nosso pai se tornou viúvo, deixando-a órfã de mãe na primeira e eu também órfão na segunda, conseguiram nos afastar do afeto que nutríamos um pelo outro, apesar de não habitar o mesmo teto.
Anos de pérola por toda eternidade para traduzir esse elo que sempre nos manteve unidos e que jamais se romperá embora esticado no espaço celestial. A presença dela se faz notar em cada gesto teu, em cada atitude que possa demonstrar a tua personalidade firme e amistosa. E eu ainda sinto o seu abraço carinhoso quando me enlaças naquelas saudações espontâneas de velhos amigos que caminham juntos numa mesma jornada deste planeta. Compartilho com teu marido e com teus filhos dessa imensa alegria de viver cada momento na plenitude de nossas existências enquanto persistirem de forma harmoniosa.
Anos de pérola tão esperados para que viessem ocorrer e sedimentar minhas lembranças dos teus pais queridos, dos teus irmãos que eu gostava de embalar sob os protestos de alguém – “Vais deixar essa guria manhosa!” – e daquela casa que era como se fosse prolongamento do meu próprio lar. Mesmo à distância, ainda estou observando a evolução dos teus passos que não se cansam para chegar de mansinho até onde tua presença se faz necessária, seja acompanhando a todos aqueles carentes do teu incentivo, seja demonstrando o teu orgulho com o sucesso alcançado por todos que tem o privilégio da tua amizade.
Quantas pérolas enfiastes no colar dos teus sentimentos, quantas voltas esse colar já não deu no repositório da tua humildade. Hoje estás nesse galho de ouro que logo vais trocar por outros ramos de símbolos diferenciados que nem galardões merecidos quando se vencem íngremes escaladas, a fim de se avistar no cimo da montanha aquele horizonte colorido e brilhante das tuas emoções. 

segunda-feira, 31 de julho de 2017

UM VARAL P'RA NOSSA CARA "MECENAS" (VII)

José Alberto de Souza
As asas de anjo de Jacqueline
Oito de fevereiro de dois mil e oito, logo, vamos completar uma década de sadio intercâmbio entre parceiros que jogam entre si, tendo as letras como lanças e escudos neste insólito tabuleiro cultural.
Ataque e defesa, avanços e recuos, chegamos a nos esgrimir com a força dos argumentos, de maneira leal, “pas de touché”, apenas exercitando o consenso das ideias para aquela postura de respeito mútuo.
Entender a diferença daquele que discorda, mas tem convicção do seu ideal, sem acomodar-se às conveniências sociais e nem tirar proveito do poder de influenciar nas decisões que causarem danos totais.
Pelo bem comum, eles não medem esforços para atingir seus objetivos, mesmo a custa de sacrifícios pessoais que se refletem no estado de espírito desse entorno onde impera uma generosidade sem limites. 
Embora invisíveis, suas asas de anjo se fazem sentir nas atitudes desprendidas beneficiando tantas pessoas, cujo reconhecimento pouco importava obter, a não ser a satisfação de abranger este universo.

domingo, 16 de julho de 2017

UM VARAL PARA NOSSA CARA "MECENAS" (VI)





PARA JACQUELINE

POR Lenival de Andrade 
em 15/07/2017 às 12h20





Foi num belo mês de Agosto
Que meu humilde trabalho foi ao mundo apresentado
Logo vi o resultado e fiquei emocionado
Falar bem dela falo com muito bom gosto
Para o progresso estou disposto
Sinto necessidade que ela me ensine
Pessoa muito bacana e de cultura sublime
Lançou-me numa boa na revista VARAL DO BRASIL
Assim logo minha moral subiu
Então receba de forma real e especial
Tornando tudo tão legal
Pois FIZ para você amiga Jacqueline

sábado, 15 de julho de 2017

UM VARAL PARA NOSSA CARA "MECENAS" (V)

COMENTANDO...

        Em 1976 pouco tempo após minha chegada a Florianópolis, num passe mágico entre muitos mais, fui admitida no antigo e extinto jornal A Gazeta. Comecei na função de revisora e acumulei a de repórter/redator.
Responsável por uma crônica diária criei o título “Comentando...” e nesse espaço eu ‘pintava e bordava’ os acontecimentos da antiga Florianópolis – que ainda não era Floripa.  Consequentemente comecei a participar da vida literária insipiente na pacata Capital.
Passaram-se muitos anos e a moderna Floripa cheia de prédios e aterros roubados do mar me acolheu como escritora. E, como tal, venho participando de encontros e associações literários e culturais.
Pois num desses movimentos, fiz um ‘plantão’ na Feira do Livro de Florianópolis, creio que há uns três ou quatro anos. Nessa ocasião conheci JACQUELINE. Confesso que não sabia de quem se tratava, mas aquela simpática e simples mulher carregava uma bagagem ímpar. Ali fiquei sabendo um pouco do trabalho que ela fazia com a ‘ponte’ Brasil/Suíça oportunizando aos escritores brasileiros a possibilidade de vencer distâncias com seu Varal Literário.
Creio que a simpatia entre nós duas foi recíproca e começamos a nos comunicar via Facebook. Numa de suas visitas ao Brasil tive a satisfação de reunir uns poucos escritores para recepcioná-la junto com o marido e o filho. Tivemos momentos muito agradáveis. Jacque fez um relato das atividades em Genebra e Paris e como os trabalhos que enviamos ao seu Varal foram bem recebidos.
Repentinamente, nossa querida amiga avisou que estava se retirando dessas valiosas atividades. Numa analogia, Jacqueline e a ponte Hercílio Luz “estavam fora de combate”... Mas, ainda nessa similitude: Jacque voltou e a ponte está se recuperando!!!
 Ivonita Di Concílio 
Florianópolis/2017

sexta-feira, 14 de julho de 2017

UM VARAL PARA NOSSA CARA "MECENAS" (IV)

MEU AGRADECIMENTO PARA JACQUELINE BULOS AISENMAN

Isabel  Cristina Silva Vargas


Alguns anos atrás estreei no Varal do Brasil, na Revista de número 8, revista literária virtual organizada por esta criatura incrível que saiu do Sul do Brasil para ganhar o mundo através da atividade literária própria e por sua atividade de gestora e produtora cultural, participando de feiras, organizando eventos, editando coletâneas ou antologias. 
Nas redes sociais criou um grupo com ativa participação nas atividades que propunha de criação de contos, crônicas, poemas, assim como outras formas de escrita.
Este constante encontro virtual possibilitou-me organizar várias destas atividades a fim de Jacqueline coloca-las no blog. Isso me deixava muito feliz pela sua confiança, assim como eu creio que deveriam ficar todas as outras participantes a quem ela solicitava esse apoio.
Em outra ocasião escrevi uma das orelhas do Varal Antológico.
Através das participações frequentes passamos a admirar e respeitar os trabalhos mútuos.
O encerramento das atividades do Varal do Brasil, em virtude dos problemas que acometeram Jacqueline causou profunda surpresa só ultrapassada pela preocupação com seu restabelecimento.
Tenho muito a agradecer a esta pessoa sincera, amiga, generosa que em vez de expor ao mundo sua competência e talento, unicamente, doou seu tempo para todos aqueles que chegaram até ela através do Varal.
Agora, no momento que lançou a edição zero de uma nova revista, a Veia, em proposta diferente do Varal que era gratuito, volto a agradecer por inclusão de meu trabalho nesta nova proposta literária.
A ela, mais uma vez, agradeço desejando muito sucesso nos novos caminhos a trilhar.

Sucesso!!!