quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Complementando: Um quebra cabeça...



Em 13/05/1987, Zero Hora (p.49) publicou entrevista concedida a Cláudio Dienstmann, pelo historiador Carlos Lopes dos Santos, sob o título “História do Negro no Futebol Gaúcho”, da qual me permito reproduzir a abordagem final da referida matéria: - “Mas quando Luiz Carvalho, grande centro-avante do Grêmio, foi para o Rio de Janeiro e jogou no Botafogo, ele fez questão de levar um jogador negro, o Jaguarão, ponteiro-esquerdo, criado no Palmeiras, da várzea de Porto Alegre. Só que o Botafogo não aceitou o Jaguarão, porque era preto e ele foi parar no Bangu. No primeiro jogo entre os dois clubes, o Botafogo com Luiz Carvalho, tomou 5x0 do Bangu – três golos do Jaguarão. Era um tipo Tesourinha, mais forte”. 
Transcrevo ainda do livro “Nós é que somos banguenses”, de Carlos Molinari, as seguintes passagens: “Curiosa a história do ponta-esquerda Cirilo Campelo, apelidado pelo nome de sua cidade natal: Jaguarão. Chegou ao Rio na vã tentativa de jogar pelo Botafogo, mas foi proibido de treinar em General Severiano por ser negro! Lá foi aconselhado a procurar o Bangu, pois segundo um diretor botafoguense o "seu tom de pele seria ideal no time dos Mulatinhos Rosados". Veio para a Rua Ferrer, treinou e ficou. No Campeonato Carioca marcou somente dois gols, sendo que um deles justamente em cima do Botafogo.” ... “Mudanças significativas ocorreram na equipe de futebol do Bangu em 1932. A principal delas foi a saída de três titulares absolutos: o goleiro Zezé foi defender o Olaria, o atacante Jaguarão iria parar no Engenho de Dentro e Domingos da Guia. O zagueiro havia exibido sua classe suprema de tal forma que foi impossível para o Bangu mantê-lo após tantas insistências dos outros clubes - ele iria para o Vasco”.




terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Um quebra cabeça para nossa memória


Em pé: Zé Maria, Buza, Plínio, Santana, Médio e Ladislau. Agachados: Sá Pinto, Domingos da Guia, Zezé, Eduardo Moura e Jaguarão. Equipe do Bangu em 1930, no Estádio de São Januário.

Em uma de suas obras, o escritor Eduardo Álvares de Souza Soares aventou a tese da diáspora da população jaguarense, em que os jovens se viam forçados a procurar outros centros em busca de melhores oportunidades em termos de mobilidade social. E o patrimônio arquitetônico que a cidade possui atesta bem essa evolução demográfica do município, onde cada prédio cadastrado tem uma história oculta para ser revelada através das pessoas que lá residiram e deixaram marcas de sua passagem através do tempo.
Alguns anos atrás, Fausto de Mattos Mello Ferreira, português de Aveiro, já falecido, por duas vezes, andou circulando por Jaguarão em visita de reminiscências. Pois o Fausto era neto do tio Joaquim, que enviuvou em Portugal e veio dar com os costados nestas plagas pampianas, acompanhado de sua filha Celeste e mais o genro e netos. Esse genro, cujo nome não recordo, foi gerente do Banco Português, antecessor do Pelotense e do Banrisul e residiu por certo tempo em nossa terra, regressando após com a família às suas origens. Aquele avô de Fausto casou com tia Maria José, uma das irmãs de meu pai José Dalberto, e terminou ficando por aqui até o fim de seus dias.
Quando saiu de Jaguarão, Fausto tinha 10 anos de idade e só veio rever as terras brasileiras quando já alcançava a 65 bem vividos, um sonho acalentado durante toda essa ausência, sempre suspirando por um retorno a seus tempos de infância. E aquele menino renasceu caminhando desde cedo pelas antigas ruas que ele jamais esquecera, reconhecendo cada prédio e lembrando até de seus velhos moradores. Isto que ele já vinha se correspondendo por um período bastante prolongado com nosso confrade Jorge Passos, a pretexto de resolver certa pendência na Receita Federal.
De minha parte, às vezes me vejo em palpos de aranha, quando me solicitam informações que dizem respeito a épocas anteriores a meu nascimento. A nossa memória vai se perdendo no tempo e não tem jeito de se resgatar o que procuramos. A transferência para Porto Alegre, em 1937, do 3º Regimento de Cavalaria Divisionária tem dado muito pano para mangas em matéria de pesquisas. Exemplo disso ai está o Grêmio Esportivo General Osório, agremiação que foi campeã jaguarense de futebol em 35 e 36, chegando a disputar o Gauchão, conforme nos foi demonstrado por Douglas Marcelo Rambor, pesquisador de Três Coroas. E quem se habilita para esclarecer esse assunto?
Em 13/05/1987, Zero Hora (p.49) publicou entrevista concedida a Cláudio Dienstmann, pelo historiador Carlos Lopes dos Santos, sob o título “História do Negro no Futebol Gaúcho”, da qual me permito reproduzir a abordagem final da referida matéria: - “Mas quando Luiz Carvalho, grande centro-avante do Grêmio, foi para o Rio de Janeiro e jogou no Botafogo, ele fez questão de levar um jogador negro, o Jaguarão, ponteiro-esquerdo, criado no Palmeiras, da várzea de Porto Alegre. Só que o Botafogo não aceitou o Jaguarão, porque era preto e ele foi parar no Bangu. No primeiro jogo entre os dois clubes, o Botafogo com Luiz Carvalho, tomou 5x0 do Bangu – três golos do Jaguarão. Era um tipo Tesourinha, mais forte”. 
Recentemente, encontrei uma foto do Bangu onde aparece esse atleta: http://esquadroesdefutebol.blogspot.com.br/2010/04/bangu-ac.htmlDesde então tenho me perguntado se esse jogador seria mesmo natural de Jaguarão? Se alguém na época sabia que um conterrâneo brilhava no time dos “mulatinhos rosados”, onde despontava um Domingos da Guia, figurando ao lado do maior artilheiro da história da tradicional agremiação – Ladislau, com 223 golos? Como diria o grande Érico Veríssimo, “eta, mundo velho sem porteira”, por aonde vão se espalhando os nossos “jaguarões”?

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

*As trapalhadas do Gauchão em 1939*


Riograndense, de Rio Grande, campeão de 1939.

Em sua 19ª. edição, o Campeonato Gaúcho de Futebol de 1939 praticamente marcou o fim da era do amadorismo no Rio Grande do Sul, pois as principais agremiações da Capital já tinham se profissionalizado e constituído a Associação Porto Alegrense de Desportos. Devido a divergências sobre as regras do certame, em comum acordo com seus filiados, essa entidade decide não apontar o seu representante citadino. Assim, esse certame teve as suas regionais remanejadas e distribuídas nas seguintes zonas: Centro (1ª., 2ª., 3ª. e 4ª. regiões); Sul (5ª. região); Serra (6ª. e 7ª. regiões); Litoral (8ª. e 9ª. regiões) e Fronteira (10ª. e 11ª. regiões).
Zona Centro (campeão Sport Club Novo Hamburgo)
Com a exclusão de Porto Alegre, Departamento Desportivo de Minas de São Jerônimo (atual Arroio dos Ratos) e Grêmio Athlético Capitão Salomão (São Leopoldo) disputam o título da  1ª. Região, em jogo realizado em 29/10/1939 no Estádio da Timbaúva (Porto Alegre), em que a equipe dos “mineiros” vence a contenda por 8 tentos a 3.
Na 2ª. Região, América Foot Ball Club e Couto Foot Ball Club, de Rio Pardo, e Foot Ball Club Santa Cruz jogam entre si em turno e returno de 23/07 a 27/08/1939, sagrando-se campeão Couto F.B.C.. Da mesma forma, Club Sportivo Bento Gonçalves, Foot Ball Club Montenegro, Foot Ball Club Esperança e Sport Club Novo Hamburgo se enfrentam de 16/07 a 18/09/1939 para consagrarem S.C. Novo Hamburgo como vencedor da 3ª. Região.
Em 01/10/1939, o Sport Club Juventude (Caxias do Sul) derrota o Guarani (Cachoeira do Sul) por 4x1 e, no jogo de volta em 08/10/1939, acontece a vitória deste por 3x0, dando origem a outro jogo para desempate em 29/10/1939 realizado no Estádio da Timbaúva/P. Alegre, com vitória do S.C. Juventude por 2x1, que assim alcança o título da 4ª. Região.
Para apontar o campeão da Zona Centro, são disputadas as seguintes partidas:
01/11 (Chác. Camélias) – S.C. Novo Hamburgo 4 x S.C. Juventude 3
12/11 (Timbaúva) – Minas S.Jerônimo 6 x Couto F.B.C. (R. Pardo) 0
17/11 (Timbaúva) – S.C. Novo Hamburgo 4 x Minas S. Jerônimo 0
Zona Sul (campeão Grêmio Sportivo Bagé)
Compreendendo apenas a 5ª. Região, o título foi decidido no jogo de ida (15/10) em Jaguarão, quando o Bagé derrotou o Sport Club Cruzeiro do Sul, daquela localidade, por 4 tentos a 1, tendo este de entregar os pontos na partida de volta por não conseguir levar seu time completo à cidade da equipe adversária.
Zona Serra (campeão Sport Club Gaúcho, de Passo Fundo)
Fazendo parte a 6ª. Região (Cruz Alta e Passo Fundo), foram necessárias as seguintes partidas para decidir o título:
10/09 – Grêmio Riograndense F.B.C. (C. Alta) 1 x S.C. Gaúcho 5
17/09 – S.C. Gaúcho (P. Fundo) 0 x Grêmio Riograndense F.B.C. 2
24/09 (Eucaliptos/S. Maria) – S.C. Gaúcho 2 x G. Riograndense 2
28/09 (Eucaliptos/S. Maria) – G. Riograndense 0 x S.C. Gaúcho 2
Habilitado para a final zonal em 08/10/1939, no Estádio dos Eucaliptos/S. Maria), o Sport Club Gaúcho enfrentou e venceu por 2x1 o representante da 7ª. Região, Riograndense F.B.C., campeão citadino de Santa Maria.
Zona Litoral (campeão F. B. C. Rio Grandense, de Rio Grande)
Pela 8ª. região (Rio Grande e Pelotas), aconteceram os seguintes jogos:
01/10 – Foot Ball Club Riograndense 1 x Sport Club  Pelotas 2.
15/10 – Sport Club  Pelotas 1 x Foot Ball Club Riograndense 2.
22/10 (Estádio do São Paulo/Rio Grande)
– Foot Ball Club Riograndense 1 x Sport Club Pelotas 1.
Como o terceiro jogo terminou empatado, a Federação marca uma quarta partida em campo neutro (Ferroviário/Bagé) para a semana seguinte, dia 29/10, escolha feita pelos dois clubes digladiantes, em presença do Sr. Milton Soares presidente daquela entidade.
Na cidade de Bagé, aconteceu o imprevisto:  o representante Lauro Lima contrariando as ordens da Federação mandou imprimir cartazes anunciando o jogo no estádio do Guarani. O Pelotas foi a este estádio e o Riograndense ao campo do Ferroviário. Lima declarou o Pelotas como vencedor do embate por não comparecimento do Riograndense, justificando sua medida em face do campo do Ferroviário ser muito distante do centro da cidade e que financeiramente para a Federação seria mais lucrativo o jogo no Estrela D'Alva.
No entanto, essas ponderações não chegaram a ser aceitas pelo presidente da Federação, Milton Soares, que houve por bem  convocar assembléia geral para marcar nova partida em Porto Alegre. Porém, o Pelotas decidiu não mais continuar no certame, pois se julgava o legitimo vencedor da partida.
Deu-se condição a que o F.B.C. Riograndense disputasse as finais zonais com o representante da 9ª. região, Sport Club Rio Branco, campeão citadino de Santa Vitória do Palmar, derrotando-o em ambos os jogos de ida (1x4) e volta (7x0) efetuados em 19/11/1939 (SVP) e 26/11/1939 (RG).
ZONA FRONTEIRA (campeão Grêmio Foot Ball Santanense)
Em jogos válidos (melhor de três) pela 10ª. região, a 13/09/1939, 20/09/1939 e 05/10/1939, o Sport Club Uruguayana, após eliminar o Quaray Foot Ball Club, não aceitou jogar a final zonal (13/10/1939) em Livramento contra o Grêmio Foot Ball Santanense, pois exigia campo neutro. Vitória deste WO.
FASE PRELIMINAR (eliminatória nos Eucaliptos/Santa Maria)
12/11 – S.C. Gaúcho (P. Fundo) 2 x Grêmio Sportivo Bagé 2
              (em duas prorrogações, 2x1 pró Gaúcho).
SEMIFINAIS (jogos realizados em Livramento e Rio Grande)
10/12 – S.C.Gaúcho (P.Fundo) 1 x G.F.B. Santanense (Livramento) 2.
07/01/1940 – F.B.C. Riograndense (R.G.) WO x S.C. Novo Hamburgo.

Classificando-se Grêmio Foot Ball Santanense, de Livramento, e Foot Ball Club Riograndense, de Rio Grande, às finais do certame gaúcho de 1939, resultaram os seguintes jogos:
14/01/1940 (Est. 14 de Julho/Livramento) – Árb.: Ari Almeida 
– G.F.B. Santanense 4 x F.B.C. Riograndense 4.
21/01/1940 (Est. Gen.l Osório/R. Grande) – Árb.: V. Martinatto 
– F.B.C. Riograndense 3 x G.F.B. Santanense 1
28/01/1940 (Praça de Esportes Getúlio Vargas/Pelotas) 
– G.F.B. Santanense 0 x F.B.C. Riograndense 0.
Nesses jogos, a equipe vice-campeã gaucha de futebol em 1939 alinhou da seguinte forma:
GRÊMIO FOOT BALL SANTANENSE – Morozin, Ítalo e Pedro – Goulart, Pepe Garcia e Filhinho – Sorro, Beca, Bido, Raul e Borges.
A agremiação rio-grandina sagrou-se campeã com o seguinte quadro:
FOOT BALL CLUB RIOGRANDENSE – Brandão, Armando e Cazuza – Martinez (Pelado), Pacheco e Mariano – Osquinha, Carruíra, Cardeal, Chinês e Plá.

          (Graças à competência de Douglas Marcelo Rambor).

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Em 1938, mais um Gauchão complicado


A vez do Guarani, de Bagé, em 1938

Ainda sem a participação das principais equipes de Porto Alegre, o Campeonato Gaúcho de Futebol de 1938, em sua 18ª. edição, iniciada em novembro daquele ano – com considerável atraso devido à grave crise por que passava a FRGD – abrangia as seguintes zonas: Centro (1ª, 2ª, 3ª, 4ª e 5ª. regiões); Serra (6ª. e 7ª regiões); Sul (8ª e 9ª regiões); Fronteira (10ª região) e Litoral (11ª. e 12ª. regiões).
Na 1ª. região, Grêmio Sportivo Renner, de Porto Alegre, eliminou Grêmio Atlético 8º Batalhão de Caçadores, de São Leopoldo, vencendo as duas partidas de ida (ox2) e volta (2x1). Classificou-se, na 2ª. região, Sport Club Juventude, de Caxias do Sul, ao vencer uma (3x2) e empatar outra (2x2) das contendas frente ao Club Sportivo Bento Gonçalves.
Alguns campeões citadinos representaram as respectivas regiões, a saber: 3ª.) Foot Ball Club Santa Cruz; 4ª.) Guarani Foot Ball Club, de Cachoeira do Sul; 5ª.) Sport Club Brasil, de Minas de São Jerônimo; 6ª.) Riograndense Foot Ball Club, de Santa Maria; 7ª.) Grêmio Riograndense Foot Ball Club, de Cruz Alta; 8ª.) Guarani Foot Ball Club, de Bagé; 9ª.) Sport Club Cruzeiro do Sul, de Jaguarão, e 12ª.) Sport Club Vitoriense, de Santa Vitória do Palmar.
Nos confrontos entre regiões, ocorreram os seguintes resultados, apontando os campeões de cada Zona:
CENTRO 
(campeão – Grêmio Sportivo Renner, de Porto Alegre).
28/11 – Grêmio Sportivo Renner 2 x Sport Club Juventude 1 e
               Guarany (Cachoeira do Sul) 2 x Foot Ball Club Santa Cruz 2
               (na prorrogação 3x0 para o Guarani).
01/12 – Guarany (Cachoeira do Sul) 5 x Sport Club Brasil 6
05/12 – Grêmio Sportivo Renner 1 x Sport Club Brasil 1
               (1x0 pró Renner na prorrogação).
SERRA
(campeão – Riograndense Foot Ball Club, de Santa Maria).
27/11 – Riograndense (Cruz Alta) 4 x Riograndense (Santa Maria) 5 e
04/12 – Riograndense (Santa Maria) 3 x Riograndense (Cruz Alta) 2.
SUL
(campeão – Guarany Foot Ball Club, de Bagé).
21/11 – Sport Club Cruzeiro do Sul 0 x Guarany F.B.C. (Bagé) 5 e
28/11 – Guarany F.B.C. (Bagé) 5 x Sport Club Cruzeiro do Sul 0.
FRONTEIRA 
(campeão – Sport Club Uruguayana/10ª. região)
21/11 – Sport Club Uruguayana 4 x Grêmio Foot Ball Santanense 1
28/11 - Grêmio Foot Ball Santanense 4 x Sport Club Uruguayana 1
04/12 – Sport Club Uruguayana 3 x Grêmio Foot Ball Santanense 1
               (jogo desempate no arrabalde Estrela D’Alva, em Bagé).
LITORAL 
(campeão – Foot Ball Club Riograndense, de Rio Grande)
04/12 – G.A. 9º Reg. Inf. (Pelotas) 1 x F.B.C. Riograndense (R. Grande) 2
11/12 – F.B.C. Riograndense (R. Grande) 1 x G.A. 9º Reg. Inf. (Pelotas) 0
18/12 – F.B.C. Riograndense (R. Grande) 5 x Sport Club Vitoriense 0.
FASE PRELIMINAR (eliminatória em Bagé)
11/12 – Riograndense F.B.C. (S. Maria) 6 x Sport Club Uruguayana 4.
SEMIFINAIS (jogos realizados em Porto Alegre e Rio Grande)
18/12 – Guarany F.B.C. (Bagé) 3 x Riograndense F.B.C. (S. Maria) 2
22/12 – F.B.C. Riograndense (R. Grande) 2 x G.S. Renner 1.
Desta forma, Guarany Foot Ball Club, de Bagé, e Foot Ball Club Riograndense, de Rio Grande, habilitaram-se às finais do certame gaúcho de 1938 e se enfrentaram nas seguintes datas e locais:
08/01/1939 (Ferrov.) – Guarany 1(Rubilar) x Riograndense 1(Cardeal);
15/01/1939 (Oliveiras) – Riograndense 2(Oscar e Cardeal) x Guarany 0;
22/01/1939 (Praça de Esportes Getúlio Vargas, em Pelotas) – Guarany 3(Picão/2 e Quesada) x Riograndense 1(Cardeal).                         
O jogo desempate aconteceu dois dias após no mesmo local, havendo empate de 1(Medina) x 1(Chinês), sob arbitragem de Alfredo de Oliveira Calero, que suspendeu a partida aos 3 minutos da prorrogação devido a tumulto provocado pela torcida do Guarani, após o gol de Rubilar, porém, a FRGD confirmou o resultado, consagrando a equipe de Bagé como campeã gaúcha nesse ano.
A agremiação do Foot Ball Club Riograndense saiu vice-campeã desse certame formando: Brandão, Ballester e Armando – Sassi, Alfinete e Assis - Oscar, Carruíra, Cardeal, Chinês e Plá. Técnico: Gentil Valério.
A equipe bageense Guarany Foot Ball Club vitoriou-se, pela segunda vez, no Campeonato Gaúcho de Futebol de 1938, mandando a campo o seguinte quadro: Jorge, Jorjão e Gancho – Dini, Balão e Fidelcino – Picão, Libinho, Medina, Rubilar e Quesada.

(Com a valiosa colaboração de Douglas Marcelo Rambor).

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

* E continuamos atuando no Gauchão !

Equipe Campeã do Gauchão em 1937

O Campeonato Gaúcho de Futebol de 1937 se caracterizou pela cisão na Associação Metropolitana Gaúcha de Esportes Atléticos, em que Grêmio, Internacional, Cruzeiro, São José e Força e Luz decidiram criar a AMGEA Especializada que se filiaria a Federação Brasileira de Football, defensora do profissionalismo e rival da Confederação Brasileira de Desportos. A outra AMGEA Cedebense permaneceu ligada à Federação Rio Grandense de Desportos, inscrevendo Sport Club Americano, Sport Club Novo Hamburgo, Foot-Ball Club Porto Alegre, Grêmio Esportivo Renner e Sociedade União Villa Nova na disputa do certame citadino. 
Em sua 17ª. edição, esse campeonato passou a compreender as seguintes Zonas: Centro (1ª., 2ª., 3ª. e 4ª. regiões); Serra (5ª. e 6ª. regiões); Sul (7ª., 8ª. e 9ª. regiões); Litoral (10ª. e 11ª. regiões); Fronteira (12ª. região).
Sport Club Novo Hamburgo (P. Alegre) e Grêmio Atlético 8º. Batalhão de Caçadores (S. Leopoldo) se enfrentaram para se classificar na 1ª. região; Clube Esportivo Bento Gonçalves e Grêmio Sportivo Flamengo (Caxias do Sul), na 2ª. região; Rio Grandense Foot Ball Club (S. Maria) e Guarani Foot Ball Club (Cachoeira do Sul), na 5ª. região; Sport Club Cruzeiro (Passo Fundo) e Grêmio Riograndense Foot Ball Club (Cruz Alta), na 6ª. região; Botafogo Foot Ball Club (S. Gabriel), Humaitá Foot Ball Club (Cacequí) e Grêmio Sportivo Duque de Caxias (Dom Pedrito), na 7ª. região; Grêmio Sportivo Brasil (Pelotas) e Foot Ball Club Riograndense (Rio Grande), na 10ª. região; Grêmio Foot Ball Santanense (S. Livramento) e Sport Club Uruguaiana, na 12ª. região.
Desses confrontos, habilitaram-se as representações de Porto Alegre, Caxias do Sul, Santa Maria, Passo Fundo, São Gabriel, Rio Grande e Santana do Livramento, aos quais se juntaram os campeões citadinos de Rio Pardo (Couto Foot Ball Club, 3ª. região), Minas de São Jerônimo (Sport Club Guarani, 4ª. região), Bagé (Club Sportivo Ferroviário, 8ª. região), Jaguarão (Sport Club Cruzeiro do Sul, 9ª. região) e Santa Vitória do Palmar (Sport Club Vitoriense).
O Club Sportivo Ferroviário derrotou o Sport Club Cruzeiro do Sul por 2x1, em jogo realizado no Estádio Estrela D’Alva/Bagé a 12/12/1937, formando: Diogo, Divo e Garcia – Alegrete, Lolo e Vaquinha – Figueiró I, Figueiró II, Ruy, Donazar e Barradas. O quadro de Jaguarão entrou em campo com Octacílio, Irany e Deoclydes – Heitor, Mestre e Ataliba – Lauro (autor do gol), Souza, Arismendi, Moreira e Álvaro.
Sagraram-se vencedores em suas respectivas zonas: Centro (Esporte Clube Novo Hamburgo); Serra (Riograndense Foot Ball Club, de Santa Maria); Sul (Grêmio Sportivo Ferroviário, de Bagé); Litoral (Foot Ball Club Riograndense, de Rio Grande) e Fronteira (Grêmio Foot Ball Santanense, de Santana do Livramento), que se enfrentaram nas seguintes datas e locais:
26/12/1937 (Estádio dos Eucaliptos/S. Maria)
 – Riograndense F.B.C. 1 x G.F.B. Santanense 4
26/12/1937 (Estádio das Oliveiras/R. Grande)
- F.B.C. Riograndense 3 x G.S. Ferroviário 0
Na semifinal, em 02/01/1938, G.F.B. Santanense e S.C. Novo Hamburgo empataram em 2x2 (na prorrogação 1x0 para o Santanense), em jogo realizado na Chácara das Camélias, sob arbitragem de Dante Maroni.
Na final, a primeira partida aconteceu no Estádio das Oliveiras/Rio Grande, em 09/01/1938, sendo árbitro Bernardino de Souza Neto, apontando a vitória do Riograndense pelo escore de 2 tentos (de Plá) a zero sobre o Santanense. Porém, este conseguiu vencer a segunda partida por 3 (Garcia, Hortêncio e Beca) x 2 (Cardeal e Carruíra), na Boca do Lobo/Pelotas, em 16/01/1938, sob arbitragem de Nestor Corbiniano de Andrade.
O desempate também ocorreu na Boca do Lobo, em 19/01/1938, sob arbitragem de Francisco Corrêa de Azevedo, terminando a partida em 3 (Garcia, Hortêncio e Beca) x 3 (Cardeal, Duarte e Mariano), com gol do Santanense aos 46 minutos, o que acarretou briga generalizada, forçando a Federação marcar um novo jogo. Este foi disputado no Estádio Estrela D’Alva/Bagé, em 02/02/1938, sendo árbitro Eloy de Menezes e saindo vitoriosa a equipe de Santana do Livramento por 4x0, com golos de Sorro (2) e Bido (2).
Receberam as faixas de campeão gaúcho de 1937 os atletas do Grêmio Foot Ball Santanense: Brandão, Alfeu e Seringa (Pedro) – Mulato (Garnizé), Mascarenhas e Goulart (Pepe Garcia) – Sorro, Magno (Pascoalito), Hortêncio (Bido), Beca e Tom Mix. Treinador: Ricardo Diaz.
Como vice-campeões, os integrantes do Foot Ball Club Riograndense: Portugal, Patrício e Cazuza - Hermes (Garcia), Alfinete e Mariano – Cleto, Carruíra (Duarte), Cardeal, Chinês e Plá. Treinador: Gentil Cardoso.

(Mais um "gancho" resultante de nossa parceria com o ilustre pesquisador Douglas Marcello Rambor).

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Jaguarenses mais um ano no Gauchão


Em 1936, a FRGD adotou uma nova divisão entre as zonas futebolísticas do Estado, que passaram a compreender 18 regiões, a saber: Zona Centro (1ª, 2ª e 3ª regiões); Zona Nordeste (4ª, 5ª e 6ª regiões); Zona Serra (7ª, 8ª, 9ª e 10ª regiões); Zona Sul (10ª, 11ª, 12ª e 13ª regiões); Zona Litoral (14ª e 15ª regiões); Zona Fronteira (16ª, 17ª e 18ª regiões).
Os seguintes campeões citadinos representaram as respectivas regiões: 1ª) Sport Club Internacional, de Porto Alegre; 3ª) Sport Club Juventude, de Caxias do Sul; 6ª) Sport Club Guarani, de Minas de São Jerônimo; 7ª) Sport Club Cruzeiro, de Passo Fundo; 8ª) Grêmio Riograndense Foot Ball Club, de Cruz Alta; 9ª) Riograndense Foot Ball Club, de Santa Maria; 10ª) Guarani Foot Ball Club, de Cachoeira do Sul; 12ª) Grêmio Sportivo Bagé; 13ª) Grêmio Athlético General Osório, de Jaguarão (eliminado pelo Bagé por 3x2); 15ª) Sport Club Rio Branco, de Santa Vitória do Palmar; 16ª) Sport Club 14 de Julho, de Itaqui; 17ª) Sport Club Ferrocarril, de Uruguaiana.
Disputaram a classificação em suas regiões: Foot Ball Club Montenegro e Club Sportivo Bento Gonçalves (2ª); Grêmio Sportivo Leopoldense e Sport Club Novo Hamburgo (4ª); América Foot Ball Club e Couto Foot Ball Club, de Rio Pardo, e Santa Cruz Foot Ball Club (5ª); Grêmio Sportivo Duque de Caxias, de Dom Pedrito, e Botafogo Foot Ball Club, de São Gabriel (11ª); Sport Club Rio Grande e Grêmio Athletico 9º Regimento de Infantaria, de Pelotas (14ª); Grêmio Foot Ball Santanense, de Santana do Livramento, e Ypiranga Athlético Foot Ball Club, de Quaraí. Sairam vencedoras regionais as representações de Bento Gonçalves, Novo Hamburgo, Santa Cruz, São Gabriel, Rio Grande e Santana do Livramento.
Nos confrontos entre regiões, sagraram-se campeões: S.C. Internacional, da Zona Centro; S. C. Novo Hamburgo, da Nordeste; Rio Grandense F . B. C., da Serra; Botafogo F. B. C., da Sul; S. C. Rio Grande, da Litoral; G. F. B. Santanense, da Fronteira (que desistiu da competição). Na fase preliminar, S. C. Novo Hamburgo eliminou Botafogo F. B. C. por 11x0, partida realizada a 10/01/1937 na Chácara da Camélias, em Porto Alegre. Nas semifinais, ocorreram os jogos:
10/01/1937 – S. C. Internacional 4 x Rio Grandense F. B. C. 4 (na prorrogação Inter 4x0), na Chácara das Camélias.
14/01/1937 – S. C. Rio Grande 5 x S. C. Novo Hamburgo 2, no campo da Baixada, em Porto Alegre.
Decidindo o certame, S. C. Internacional e S. C. Rio Grande enfrentaram-se em duas contendas a 17  e 21/01/1937, ambas vencidas pela equipe riograndina  por 3 tentos (Souza, Pesce e Ernestinho) a 2 (Salvador e Silvio Pirilo), com arbitragem de Henrique Maya Faillace, e 2 gols (Souza e Pesce) a zero, árbitro Demóstenes dos Sillos, e disputadas em Porto Alegre (Timbaúva e Chácara das Camélias).
Sport Club Internacional saiu vice-campeão gaúcho de futebol de 1936 com a seguinte formação: Penha, Alpheu e Natal – Garnizé (Zezé), Risada e Levi – Artigas (Tijolada), Salvador (Mancuso), Silvio Pirilo, Castilhos e Tom Mix. Treinador: Bernardo de Souza Neto.
Sagrou-se campeão gaúcho de futebol de 1936 Sport Club Rio Grande que alinhou em suas fileiras: Munheco, Fructo e Cazuza – Juvêncio, Chinês e Roberto (Sanguinha) – Ernestinho, Darinho (Caringi), Souza (Carruíra), Marzol e Pesce. Treinador: Gustavo Kraemer Filho.

A matéria aqui apresentada, mais uma vez, baseou-se em dados coligidos por Douglas Marcelo Rambor, incansável pesquisador do nosso futebol.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Linha direta com a Grande Florianópolis


Recomendo com louvor e solicito a todos "manezinhos" seu prestígio e divulgação entre seus amigos e conhecidos.

sábado, 6 de outubro de 2012

Estreia do Cruzeiro do Sul no Gauchão !


Em 1934, disputaram a Zona Litoral do Campeonato Estadual de Futebol (7ª. Região) as equipes do Sport Club Rio Grande, Sport Club Rio Branco (Santa Vitória do Palmar), Grêmio Atlético 9º. Regimento de Infantaria (Pelotas) e Sport Club Cruzeiro do Sul (Jaguarão).
Do confronto entre Rio Grande e Rio Branco, em 04/11/34, saiu vencedor o primeiro pelo escore de dois tentos a zero.
No campo da Estação Central Dr. Augusto Simões Lopes, em 25/11/34 se enfrentaram 9º. R.I. versus Cruzeiro do Sul, sendo árbitro o Sr. Mário N. Reis desse prélio que foi vencido pela equipe de Pelotas por 4x0, com golos assinalados por Bichinho (2) e Coruja (2). Os quadros atuaram com as seguintes formações:
9º. Regimento de Infantaria – Brandão, Jorge e Chico Fuleiro; Folhinha, Itararé e Celistro; Chaves (Coruja), Cerrito, Ruy, Cardeal e Bichinho – Treinador: Sgtº. Corbiniano de Andrade.
Cruzeiro do Sul – Alcides Moraes, Deoclydes e Irany; Moreira, Pintado e Alberto; Aldírio, Antônio, Amador, Arloque e Oracy. Técnico: Júlio Proença.
Em jogo eliminatório a 02/12/34, enfrentaram-se Rio Grande e 9º. R.I., tendo empatado em 1x1 no tempo regulamentar, porém, saindo vitorioso na prorrogação por 2x0 o esquadrão de Pelotas.
Em 09/12/34, aconteceu o confronto do 9º R.I. com o Guarani Foot Ball Club, de Bagé (que já havia eliminado as equipes de Dom Pedrito e São Gabriel, integrantes da Zona Sul) e mais uma vez aquela equipe saiu-se vitoriosa por 2x1, habilitando-se assim como representante do Litoral/Sul à fase final desse certame que teve ainda a participação de S.C. Internacional, de Porto Alegre (Centro), S.C. Novo Hamburgo (Nordeste), Rio Grandense F.B.C., de Cruz Alta (Serra) e S.C. Uruguaiana (Fronteira).
Na fase preliminar, em 02/12/34, Novo Hamburgo foi derrotado pelo Rio Grandense, de Cruz Alta, acusando 1x3 no marcador.
Nas semifinais, ocorreram os seguintes resultados:
09/12/34 – Internacional 4 x Uruguaiana 2;
13/12/34 – 9º. Reg. Inf. 0 x Rio Grandense 0 (na prorrogação 1x0 para 9º. R.I.).
Internacional e 9º. Regimento de Infantaria passaram a final que foi realizada em 16/12/34, na Baixada (P. Alegre) e vencida pelo primeiro por 1x0, golo de Tupã, alinhando as equipes da seguinte forma:
Sport Club Internacional – Penha, Natal e Risada; Garnizé, Poroto e Levi; Chatinho, Tupã, Mancuso, Darci Encarnação e Cavaco. Treinador: Mário de Abreu.
9º. Regimento de Infantaria – Brandão, Jorge e Chico Fuleiro; Folhinha, Itararé e Celistro; Coruja, Ruy, Cardeal, Cerrito e Bichinho. Treinador: Sgtº. Corbiniano de Andrade.
Com o registro dessa estréia do Esporte Clube Cruzeiro do Sul, de Jaguarão, concretizo minha vontade de apresentar aquela resenha da partida com o 9º Regimento de Infantaria, onde despontava a estrela de Cardeal que brilhou nos campos do nosso país e do Uruguai, da qual me criei ouvindo falar apesar de não ser nascido então, rendendo assim meu sincero reconhecimento pela prestimosa colaboração à foto de Carlos Alberto Machado Neves (filho do saudoso Albertinho Neves), depoimento de Alcides Carlos de Moraes (remanescente daquela gloriosa época) e acervo  de Douglas Marcelo Rambor, este grande pesquisador do futebol gaúcho.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Duas equipes jaguarenses no Gauchão ?



Em 31 de agosto último, o confrade Jorge Luiz Passos me repassou mensagem de Douglas Marcelo Rambor, pesquisador de Três Coroas-RS, interessado em manter contato comigo para troca de informações sobre os campeonatos amadores do Rio Grande do Sul, notadamente sobre o Grêmio Sportivo General Osório, que representou a Liga Jaguarense no Campeonato Gaúcho de Futebol em 1935 e 1936. Como nunca ouvira falar dessa agremiação, procurei me informar e só obtive a confirmação do conterrâneo Alcides Carlos de Moraes, residente no Rio de Janeiro, de que o Esporte Clube Cruzeiro do Sul fora derrotado pela equipe dos militares, no campo do quartel, em disputa do título de campeão citadino no ano do centenário farroupilha. Desta forma, resultou a nossa parceria de pesquisar não só nos arquivos da Federação Gaúcha de Futebol, como também no acervo do Regimento Osório, em Porto Alegre, dependendo ainda de solicitações já encaminhadas a quem de direito.
Devo dizer que esse contato foi extremamente proveitoso, pois veio ao encontro de minha intenção de elaborar matéria sobre a participação dos clubes jaguarenses no Gauchão de 1934 a 1939, cujos detalhes eram de amplo conhecimento do arguto pesquisador Douglas, o qual prontamente se colocou à disposição. Fruto desse assessoramento resultou nossa postagem sobre o Campeonato Farroupilha de Futebol, inclusive esclarecendo polêmica acerca do treinador do 9º Regimento de Infantaria, de Pelotas, vencedor daquele certame, que viemos a descobrir, na edição de 29 de outubro de 1935 do Correio do Povo, como sendo o Cap. Carlos Andrade Leão. Fiquei bastante impressionado com a abrangência de tais dados que me permitiram resgatar a história quase completa daquele certame, até então indisponível na Internet. Apenas para se avaliar os resultados dessas pesquisas que o parceiro Rambor vem efetuando há mais de 3 anos, apresentamos como exemplo coleta específica sobre G. S. General Osório:
Campeonato Gaúcho 1935 – Zona Sul
– 10ª. Região (Bagé e Jaguarão)
Em 15 de setembro, o Guarani F.B.C. (Bagé) foi derrotado pelo G.S. General Osório (Jaguarão) pelo escore de 1x2, no arrabalde Estrela D’Alva, com arbitragem de Mário Fuchs.
Em 22 de setembro, General Osório caiu diante do Guarani por 2x3.
O jogo desempate ocorreu em 29 de setembro, no arrabalde do Bancário, sendo árbitro Alfredo de Oliveira Calero, cabendo a vitória ao Guarani por 3 tentos a 1, anotados por Nicanor e Libinho (2) para os vencedores e Ratto (General Osório), alinhando as equipes com as seguintes formações:
Guarani Foot Ball Club – João, Alfeu e Navarro; Paulo, Porcellis e Mário; Picão, Libinho, Tarzan, Nicanor e Tom Mix.
Grêmio Sportivo General Osório – 25, Bonifácio e Nenê; Jontaul, Arlindo e Oly; Machado, Arloque, Cecy, Ratto e Elcy.
Entre diversas informações importantes que me forneceu Rambor para mapear a participação dos clubes jaguarenses no Gauchão, fiquei sabendo da filiação de nossa liga à Federação Rio Grandense de Desportos entre os anos de 1934 a 1939, sendo que a partir de 1936 o campeonato citadino passou a ser considerado como Região, ou seja, o campeão local também era detentor de título regional. Ele fala ainda de suas consultas aos jornais da época em Porto Alegre – Correio do Povo, Diário de Notícias, A Federação e A Nação – os quais davam pouca ênfase aos resultados da zona sul do Estado, obrigando-lhe a buscar outras fontes como raros almanaques esportivos especializados. Assim sendo, pretendemos relatar a atuação do Esporte Clube Cruzeiro do Sul (1934, 1937, 1938 e 1939) e do Grêmio Sportivo General Osório (1935 e 1936) no antigo Gauchão.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Uma Legenda Viva do Futebol Gaúcho


Alcides Carlos de Moraes nasceu em Jaguarão, no dia 24 de maio de 1916. Começou jogando, aos 12 anos como “filhote”, de centro-avante no Esporte Clube Cruzeiro do Sul, de sua cidade natal. Em 1936, jogou no Clube Atlético Bancário, de Pelotas. No ano seguinte, estreava no Esporte Clube Pelotas, no qual foi campeão em 1939 (triunfo de 3x1 sobre o Brasil). Chegou a ser pretendido pelo Botafogo, do Rio de Janeiro, sem avançar nas negociações pela necessidade de abandonar o futebol devido a um emprego que lhe ofereceram de Fiel de Armazém, quando da inauguração do Porto de Pelotas em 1940. Como não emplacou nesse cargo, também perdeu aquela oportunidade de atuar no futebol carioca. 
Legenda viva do futebol gaúcho, entre 1940 e 1941, Alcides Moraes deixou marcante passagem como goleiro titular do selecionado do Rio Grande do Sul. Defesas arrojadas e incrível senso de colocação foram evidentes qualidades que levaram esse craque do interior a ser convocado para aquela seleção, onde pontificavam nomes como Tesourinha, Rui, Massinha, Foguinho, Carlitos, Noronha, Alvim, Dario, Vaz, Tavares e o treinador Telêmaco Frazão de Lima. “Quanto ao Massinha fomos moleque em Jaguarão” – assim ele se refere ao conterrâneo e acirrado rival em vários clássicos Bra-Pel. Também foi Diretor de Futebol do E. C. Pelotas em 1945, sagrando-se bicampeão citadino (na final com o Brasil, de virada por 2x1), campeão do interior e vice do Estado.
Era um excelente cobrador de faltas, numa época em que os arqueiros não se arriscavam muito fora da sua área. No dia 30 de março de 1941 realizava-se um Bra-Pel, válido pelo Torneio Início, que terminou empatado em 0x0, com a decisão indo para os pênaltis. Ramon, pelo Brasil, fez quatro golos e Alcides defendeu o quinto pênalti. Na sua vez, o Pelotas desperdiçou a primeira cobrança e então Alcides pediu para bater e marcou os outros quatro, empatando a série que na época não era alternada como agora. Na decisão de três pênaltis para cada lado, mais uma vez esbanjando categoria, esse nosso conterrâneo não perdoou com três acertos e ainda defendeu os dois pênaltis do Brasil, garantindo para o Pelotas o título daquele Torneio. Alcides Moraes certamente deveria ser o Rogério Ceni daqueles tempos.
Encerrou a carreira esportiva em abril de 1942 para assumir suas funções na Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul. Transferido para São Luiz Gonzaga em 1943, chegou a jogar de atacante no Ipiranga, daquela cidade. Como passatempo, dedicou-se aos campos de golfe e ao tênis. Casou-se, em Pelotas no dia 23 de junho de 1944, com Dª. Alda Oliveira de Moraes (de quem enviuvou em 2008),  tendo dois filhos desse matrimônio, Luiz Fernando e José Carlos, o primeiro deles advogado e aposentado como procurador do Ministério da Fazenda, e o segundo médico e professor titular de patologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Este, com 25 anos em 03/12/1972, foi vítima de um assalto que o deixou paraplégico, quando fazia residência médica na capital fluminense. Com licença especial, o casal foi ao Rio para acompanhar a reabilitação desse filho e como esta demorasse, Alcides teve de voltar para reassumir o cargo no Estado.
José Carlos Oliveira de Moraes ainda é jogador de basquete em cadeira de rodas, tendo participado das paraolimpíadas de 1986, em Atlanta nos Estados Unidos, e com Celso Lima, introduziu o tênis para cadeirantes no Brasil, em que se disputa anualmente um torneio de caráter nacional. E Alcides, aposentando-se em junho de 1976, retornou definitivamente ao Rio de Janeiro, onde se mantém exilado do nosso frio, apenas vindo a Pelotas na temporada de veraneio, sempre marcando religiosamente seu ponto no tradicional Café Aquarius. Cativando a todos com seu carisma, sua simpatia e memória privilegiada.

domingo, 23 de setembro de 2012

M*e*r*g*u*l*h*o***p*r*i*m*a*v*e*r*i*l

Recebi da ilustre retratista Maria de Fátima Barreto Michels, de Laguna-SC, o belíssimo ensaio fotográfico acima intitulado, que reproduzo para justa e merecida divulgação.

A abelhinha chegando...
Sobrevoando...
Fez  pouso e...
Mergulhou...
...total.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O Campeonato Farroupilha de Futebol



Todos os dados aqui apresentados nos foram fornecidos, com espantosa riqueza de detalhes, pelo Sr. Douglas Marcelo Rambor, notável pesquisador do futebol sul-riograndense.

Comemorando o centenário da Revolução Farroupilha em 1935, a Federação Rio Grandense de Desportos (atual F.R.G.F.) resolveu denominar o certame gaúcho de futebol daquele ano como Campeonato Farroupilha.  Esta competição abrangeu 6 zonais, compreendendo 15 regiões, nas quais foram inscritas 34 agremiações representando 29 Ligas municipais. Teve início em 30 de junho, findando a 27 de outubro da referida temporada.

Zonal Centro

1ª. Região – representada pelo Campeão Metropolitano de Porto Alegre (Grêmio F.B.P.A.)
2ª. Região – participaram S.C. Juventude e G.S. Flamengo (Caxias do Sul) e F.B.C. Montenegro, saindo campeã a primeira das referidas agremiações.
3ª. Região – participaram S.C. Nacional e G.S. Leopoldense (São Leopoldo), S.C. Taquarense e G. Ferroviário (Taquara) e S.C. Brasil (Canoas), saindo campeão o primeiro dos referidos.
No confronto entre os vencedores da 2ª. e 3ª. Regiões, saiu vitorioso o S.C. Juventude (6x0), habilitando-se a enfrentar o Grêmio F.B.P.A. na final, sagrando-se este (6x2) Campeão desta Zonal.

Zonal Noroeste

4ª. Região – representada pelo Campeão Citadino de Novo Hamburgo (S.C. Novo Hamburgo)
5ª. Região – participaram F.B.C. Santa Cruz (Santa Cruz do Sul), Couto F.B.C. e América F.B.C. (Rio Pardo), sendo vencedora regional a primeira destas agremiações.
6ª. Região – participaram S.C. Brasil e S.C. Guarani (Minas de São Jerônimo) e C.S. Lajeadense (Lajeado), em que saiu o primeiro dos referidos como vencedor da região.
Os primeiro colocados da 5ª. e 6
ª Regiões disputaram entre si e o S.C. Brasil (3x1) teve a primazia para decidir com o S.C. Novo Hamburgo, pelo qual foi vencido (8x2) na final da Zonal.

Zonal Serra

7ª. Região – Disputaram Riograndense F.B.C. (Santa Maria) e Tamandaré A.C. (Cachoeira do Sul), saindo vencedor o primeiro.
8ª. Região – G. Riograndense F.B.C. (Cruz Alta), Riograndense F.B.C. (Passo Fundo), G.A. Glória (Carazinho) e 19 de Outubro (Ijuí), o primeiro dos quais vencedor dessa região.
Na final zonal entre os vencedores dessas regiões, sagrou-se Campeão da Serra o Riograndense F.B.C., de Santa Maria, que derrotou (6x2) o seu homônimo de Cruz Alta.

Zonal Sul

9ª. Região – Disputaram G.S. Duque de Caxias (Dom Pedrito) e G.S. Militar (São Gabriel), o primeiro somando mais pontos.
10ª Região – Também com dois participantes, Guarani F.B.C. (Bagé) e G.S. General Osório (Jaguarão), confronto decidido a favor do primeiro.
O Guarani F.B.C. obteve a conquista do certame desta Zonal (6x1) no embate entre vitoriosos regionais. 

Zonal Litoral

11ª. Região – Com dois participantes, G.A. 9º Regimento de Infantaria (Pelotas) e S.C. São Paulo (Rio Grande), vencida pelo primeiro. 
12ª. Região – representada pelo Campeão Citadino de Santa Vitória do Palmar (S.C. Rio Branco).
Na final zonal entre os representantes dessas regiões, vencendo seu oponente por 6 a 4, o G.A. 9ª Regimento de Infantaria trouxe para si a decisão dessa fase.

Zonal Fronteira

13ª. Região – decidida entre dois homônimos S.C. 14 de Julho (de Itaqui e São Borja) a favor do primeiro.
14ª. Região – representada pelo Campeão Citadino de Uruguaiana (Operário F.B.C.)
15ª Região – vencida pelo G.F.B. Santanense (Santana do Livramento) que derrotou (3x0) a equipe do Militar (Quarai).
Operário F.B.C. (14ª. Região) passou (4x0) por S.C. 14 de Julho (13ª. Região), porém, foi batido, pelo mesmo escore, diante do G.F.B. Santanense.

Em classificatórias à Fase Final, aconteceram os seguintes cotejos de campeões zonais:
Fronteira/Serra – G.F.B. Santanense 3 x Riograndense F.B.C. 1
Nordeste/Litoral – S.C. Novo Hamburgo 8 x Guarani F.B.C. 3

Classificados os representantes da Fronteira e do Nordeste, ocorreram as semi-finais:
Grêmio F.B.P.A. 6 x G.F.B. Santanense 0 e G.A. 9º Reg.de Infantaria 3 x S.C. Novo Hamburgo 2.

Prepararam-se assim os palcos para as grandes finais de Pelotas e Porto Alegre, vencidas respectivamente por Grêmio F.B.P.A. (1x3) e G.A. 9º R.I. (0x3), o que levou a mais um jogo para desempatar.

E às 16 horas do dia 27 de Outubro de 1935, as duas equipes voltaram a se defrontar na Chácara dos Eucaliptos, diante de um público de aproximadamente 15.000 pessoas, com a arbitragem do Sr. Manoel Silva, desta vez o placar acusando o triunfo da equipe de Pelotas por 2 tentos a 1, gols assinalados  Cardeal a 1’ e Cerrito aos 18’ e por Russinho (Grêmio) aos 35’ do primeiro tempo, alinhando as equipes da seguinte forma:
Grêmio Foot Ball Porto Alegrense: Chico, Dario e Gonzaga; Jorge, Mascarenhas e Sardinha II; Lacy (Artigas), Russinho, Veronese (Torelly), Foguinho e Divino

Grêmio Atlético 9º Regimento de Infantaria: Brandão, Jorge e Chico Fuleiro; Ruy (Folhinha), Itararé e Celistro; Birilão, Bichinho (Coruja), Cerrito, Cardeal e Gasolina. 





Assim o G.A. 9º Regimento de Infantaria, fundado em 26 de abril de 1926. veio a ser considerado “Campeão por 100 anos” e, em razão de decreto assinado pelo então presidente da República, Getúlio Vargas, em 1941, que proibia as unidades militares emprestar o seu nome a associações civis, surge o Grêmio Atlético Farroupilha, denominação adotada em referência ao principal título de sua história.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

> VOLTANDO AO TÚNEL DO TEMPO


Edição do Diário de Notícias, constante do acervo do Sr. Carlos Alberto Machado Neves, filho do craque cruzeirista Alberto Neves.

A alma entusiasta do elemento cruzeirista, comemorou no dia 27 de abril último, por entre manifestações de alegria o décimo ano de pugnas do Esporte Clube Cruzeiro que tantas e tão grandes glórias tem alcançado nas lutas futebolísticas, Esse acontecimento foi, sem dúvida, a prova mais eloqüente do quanto de simpatia souberam granjear todos os elementos que pertencem ao Cruzeiro, simpatia que se robustece cada vez mais, ante lauréis conquistados por ocasião de lutas memoráveis.
Desde a sua fundação até os nossos dias, o Cruzeiro, pelo esforço e dedicação dos seus componentes, tem sabido corresponder com alto grau de merecimento a simpatia que desfruta em nosso mundo desportivo, contando sempre com elevado número de torcedores, que não lhe regateiam aplausos nos lances empolgantes das partidas que emocionam.
Reputado como clube possuidor de homogêneo conjunto do desporte bretão, tem realizado partidas memoráveis com quadros da vizinha república e cidades limítrofes, cabendo-lhe todas as vezes a vitória consagradora como um prêmio ao estímulo e galhardia de cada um dos seus jogadores.
Fundado que foi no dia 27 de abril de 1924 á Rua Aquidabã pela boa vontade e esforço dos Srs. Cristovão Neves, João Correia da Silva, Pedro Correia da Silva, Dorval Knorr, Marçal Dias, Valter Jardim, Nésio Miranda, João Nunes Filho, Rubens Gerundo e Tomaz Miere, solidificou-se desde logo com a adesão de outras pessoas, marchando até agora de maneira modesta e brilhante, pela camaradagem desportiva que reina entre os velhos membros fundadores
Teve como iniciadores, formando a primeira diretoria, as seguintes pessoas: presidente, Lourival Tavares Leite; vice-presidente, Venceslau Garcia; 1º.secretário, Gabriel E. Correia; 2º. secretário, João Miranda; tesoureiro e capitão geral, Cristovão de Almeida Neves; capitão de quadro, Rubens Gerundo; orador, Luiz Dorval Lopes; guarda-desporte, Nepomuceno Larrosa. Conselho consultivo: presidente, Rosalino Lopes de Moura; relator, João Nunes Filho.
Presidindo a primeira diretoria provisória do Cruzeiro, deixou desde logo patenteado o seu grande interesse como responsável dos destinos do mesmo o incansável desportista Cristovão Almeida Neves, tendo mesmo depois de entregado a direção, se interessado e trabalhado com afinco destacado, merecendo-lhe agora a recompensa de ter sido aclamado sócio benemérito por grande número dos denodados cruzeiristas, que testemunharam assim um ato de inteira justiça aos seus serviços sempre empregados com interesse pelo bom nome do Cruzeiro.
Quando em 1927 inaugurou-se sob a responsabilidade do Sr. Claudino Neves, o seu campo de futebol, outro esforçado desportista da velha guarda do Cruzeiro, que tudo tem feito e se empenhado pelo brilho da existência de tão útil como simpática agremiação, ainda Cristovão Neves, secundando o seu parente e consócio não mediu sacrifícios, ora contribuindo com parcelas, ora trabalhando ele próprio com outros entusiastas elementos do alinhamento e marcação do campo.
Vem depois Lourival Tavares Leite, primeiro presidente eleito por grande maioria que, dirigindo de maneira admirável o futuro do Cruzeiro, demonstrou muito tino e capacidade no espinhoso cargo, procurando por todos os meios solucionar os problemas intrínsecos desde que os mesmos se movessem de acordo com a recomendação valorosa do clube da camisa tricolor. Merece portanto nossos aplausos o correto desportista que é, sem dúvida, Lourival Leite.
Seguindo os seus antecessores, não se tem descuido pelos destinos do glorioso Cruzeiro, Felipe Giozza, que há pouco deixou o cargo, entregando a Valter da Rocha Passos, conceituado cavalheiro e comerciante desta praça. Felipe Giozza foi incansável e um sincero amigo dos seus consócios.
Empregando como os demais o tempo em bem salvaguardar os interesses do clube, ele tem sido sempre o reparador para que nada falte de necessário nos dias de grande partida, tornando-a, por isso, esplendente a grandes elogios.
Haja vista quando foi da partida internacional realizada a 28 de outubro entre uruguaios da cidade de Vergara e o Cruzeiro, ficou maravilhosamente acertado um pacto admirável de camaradagem desportiva, graças ao empenho e boa vontade que empregou desde a recepção até o final das festas, das quais ficaram radiantemente demonstrada a educação e lealdade que possui Giozza.
Pelo Cruzeiro tem trabalhado um pugilo de homens dedicados, destacando-se tudo que diz respeito à glória da vida desportiva de Jaguarão: Luiz Dorval Lopes, orador; Rubens Gerundo, Tomaz Miere, Antônio Pinto Ribeiro, Alcides Moraes, Peri Moreira, Plínio Gomes, Julio Proença, Alcides Palma Pereira, irmãos Alcindo e João Amaro, José Pinto de Carvalho, Orestes Bezerra, Pedro Correia Silva e outros muitos que aparecem no plano onde figura a lista dos que se interessam do pujante e glorioso campeão. O primeiro desses foi agraciado com o título de sócio honorário, estimulando assim os grandes e inestimáveis serviços prestados àquele.

(Publicado no Diário de Notícias, em 24 de maio de 1934, cuja edição consta do acervo do Sr. Carlos Alberto Machado Neves, filho do saudoso craque cruzeirista Alberto Neves).