sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Alcides Gonçalves - o grande esquecido (IV)

Assim, pois, compositor, cantor e pianista consagrado, teve de retornar a Porto Alegre, onde consegue emprego na Assembléia Legislativa. Nessa ocasião, acontece o estremecimento das relações com seu principal parceiro, devido a não constar o seu nome no selo do disco em que Francisco Alves lançou Cadeira Vazia pela Odeon. Porém, continua compondo ou sozinho(Cachimbo da Paz, Minhas Serestas, Pecador, Olho Pro Céu, Fim de Festa), ou em parceria com Leduvy de Pina (Divisão, Se Ela Soubesse), com Ciro Gavião (Mendigos), com Flávio Pinto Soares (Brigamos Outra Vez, Chorei Uma Vertente, Modifiquei Minha Vida, Samba Cinquentão, Soluço de Boêmio, Violão Ciumento) e com Agnaldo Bechelli (Esfera da Vida).
Em 1977, tentando resgatar sua obra, o pesquisador paulista J.L. Ferrete produziu o antológico LP Cadeira Vazia, da Série Destaque / Continental e, em 1982, seu parceiro Flávio Pinto Soares editou mil cópias do LP Pra Ela, que teve a participação da OSPA – Orquestra Sinfônica de Porto Alegre.
Através do espetáculo Noite de Seresta, produzido por Aroldo Dias em 1985, apresentava-se nesta Capital e no interior do Estado com destacada participação, além de sua presença constante nos encontros musicais das segundas-feiras no restaurante do CIB – Centro Ítalo-Brasileiro, e das quintas-feiras no Las Tablitas, situado no antigo Estádio dos Eucaliptos, como sempre anunciada e relembrada pelo seu velho admirador Alberto Garrido.
Atualmente, constatamos que muitos apresentadores ainda omitem o nome de Alcides Gonçalves ao anunciarem músicas de sua parceria com Lupicínio Rodrigues, justo agora perto do seu centenário de nascimento, quando se faz necessário o resgate de sua obra.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Alcides Gonçalves - o grande esquecido (III)

E a famosa dupla surge com Alcides colocando música nos versos de Lupi: Cadeira Vazia, Castigo, Maria Rosa, Quem Há de Dizer, Jardim da Saudade...
Permanecendo no Rio de Janeiro, após a gravação daquele primeiro disco, logo ingressa na Rádio Nacional, onde ganha o apelido de Voz do Trovão, tal a potencialidade de suas cordas vocais. Desta época, são os versos de Pedro Caetano que musicou em homenagem a uma ouvinte nordestina, cuja melodia foi gravada por Orlando Silva, intitulados Minhas Valsas Serão Sempre Iguais. Os sambas Chorar Pra Quê (1942) e Desta Vez Não (1943) foram compostos em parceria com Ataulfo Alves, cujas gravações na Odeon fizeram sucesso naquele tempo.
No Copacabana Palace, atua em vários shows daquele hotel junto com Radamés Gnattali, na banda de Simon Bountman. A Segunda Grande Guerra apanha-o excursionando pela América do Sul, como pianista da orquestra argentina Santa Paula Serenaders. E ao término desse conflito mundial, acontece a perda de um ente querido – o Pardo Velho – seu pai Juvenal Gonçalves.

Alcides Gonçalves - o grande esquecido (II)

Na regressão de sua vida, podemos chegar ao tempo em que era tratador de cavalos do General Flores da Cunha ou então auxiliar de escritório em várias fábricas locais, quando estudava piano e atuava como crooner em diversas casas noturnas porto-alegrenses, tais como o Maipu e o Marabá. Ainda rememoramos a época em que embarcava em navios do antigo Loyd Brasileiro – Itanajé, Araranguá e Aratimba – tocando piano junto com o violino de Alexandre Ziotwski e a guitarra do seu irmão Antoninho.
Destacando um de seus irmãos – Walter Gonçalves – que morreu nos Estados Unidos e que costumava tocar bateria com as mãos, lembraríamos ainda do grupo Irmãos Gonçalves, com Alcides (piano e voz), Juvenal (contrabaixo), Oscar (violão e voz), Antoninho (guitarra e violão) e Osmar (bateria), todos eles já falecidos.
Chegada é a década de trinta, quando o encontramos, por longa temporada, atuando na Rádio El Mundo, de Buenos Aires, então a mais importante da Argentina. Em seu regresso, viria a ser um dos cantores convidados para a inauguração da Rádio Tupi de São Paulo e contratado pela nossa Rádio Farroupilha, em cujos bastidores conheceria o aspirante a compositor e hoje notável Lupicínio Rodrigues.
Comemorava-se, em 1935, o centenário da Revolução Farroupilha e Alcides, defendendo a sua parceria com Lupi, vence o festival de música alusivo ao evento promovido pela prefeitura de Porto Alegre. E assim nascia a primeira composição – Triste História – premiada com dois contos de réis...
Nessa época, não havia o microfone fora das rádios e Alcides Gonçalves torna-se a grande estrela vocal da Orquestra de Paulo Coelho, apenas utilizando-se da força de seus pulmões e de uma corneta de papelão para fazer ouvir a impostação da sua voz, educada cuidadosamente. Esse desempenho só poderia resultar no convite que recebe da RÇA Victor para gravar seu primeiro disco, no qual registraria a estréia de Lupicínio Rodrigues na produção fonográfica – Triste História e Pergunte Aos Meus Tamancos –, em 78 rotações, datada de 3 de agosto de 1936.

Alcides Gonçalves - o grande esquecido (I)

...antes de adoecer, queria realizar um último desejo – promover a Noite da Grande Seresta, no Teatro São Pedro, em Porto Alegre, convidando compositores e intérpretes brasileiros. Não deu tempo. O destino é caprichoso; foi injusto mais uma vez. Mas quem sabe se os amigos gaúchos, companheiros de boemia e noitadas memoráveis; quem sabe se eles não organizarão, mais tarde, uma grande seresta e dedicarão esta serenata ao artista sensível e humano que escreveu tanta coisa bonita, ao parceiro esquecido no repertório de Lupicínio, ao pianista e cantor que, queiram ou não, entrou para as páginas da história da música brasileira e entrou com uma obra notável, onde ninguém pode apontar o que é mais belo – Cadeira Vazia, Quem Há de Dizer, Maria Rosa ou Castigo... (in Nosso Domingo Musical, programa produzido por Paulo Tapajós, do Centro Brasileiro de Rádio Educativo Roquete Pinto, com narração de Cid Moreira).
Pouquíssimas pessoas sabiam ao certo do ano de nascimento de Alcides Gonçalves – 1908 – mesmo entre aqueles que se costumavam reunir para festejar a sua data natalícia – 1º de outubro – e muitos até desconheciam sua naturalidade – Pelotas – tal o seu apego e o seu amor por esta Porto Alegre que o adotou. Porém este véu de mistério viria a ser desvendado quando nossos veículos de comunicação obrigaram-se a registrar seu necrológico, resultante de seu falecimento – a 9 de janeiro de 1987 – nesta terra que escolheu para viver seus últimos dias.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Só mesmo Toni Dias - melhor do que a encomenda

Em Intimidade Devassada contei a história da lareira do Ruy Figueira em meio aos destroços da sua casa demolida que me inspirou aquele poemeto da ilustração. Depois disse ter enviado o mesmo para vários amigos, entre eles um compositor nativista que o recebeu justo no dia em que se estava separando da esposa e que até - não me prometia - tinha vontade de musicá-lo. Na ocasião, lembrei-me dos causos que o conterrâneo Sheldon Neves costumava contar-me sobre a Praça das Carretas, em Jaguarão, e da época áurea da cidade, quando era um importante centro comercial do Estado, devido ao seu porto fluvial recebendo navios de várias partes do mundo, os quais lá descarregavam suas cargas das mais diversas mercadorias. Dali eram embarcadas em carretas puxadas por juntas de bois e sendo conduzidas a outras cidades, entre as quais Bagé naquele tempo com seu abastecimento dependente da praça de Jaguarão.
Vai daí, lareira virou figueira e eu resolvi dar uma roupagem tradicionalista naqueles versos inconformados, cuja metamorfose tratei logo de passar às mãos daquele amigo, tendo então ele me respondido que não precisava ter agauchado. Assim, morreu o assunto.
Posteriormente, deixei essa letra com o esposo da minha sobrinha Hilda Pacheco, o Toni Dias, advogado durante o dia e cantor da noite em Florianópolis e qual não foi a minha surpresa quando me disseram que, tomando os ares da Laguna Merin, o santo tinha lhe baixado para colocar a melodia - de uma tacada só - em Praça das Carretas.
Passado algum tempo, a parceria tinha que sair melhor do que a encomenda e o Toni foi convidado a participar da gravação ao vivo no Bar Drakkar (Lagoa da Conceição/SC), em setembro de 2002, do CD Músicos da Ilha, incluindo no mesmo as composições de nossa parceria Praça das Carretas e Caravelas, esta última tendo sido bastante tocada na programação da Rádio da Universidade de Santa Catarina. Toni Dias (violão e voz), Beto Bacci (percussão), Marco Aurélio (trombone) e André Maia (baixo) foram as feras que tornaram real esse nosso sonho.
Tapumes, obras e prédios, / ainda resiste ali a figueira, /
antigamente ramada / de gaudérios estropiados, /
em volta das trempes, / a preparar o pouso.
E a memória perambula / nos tempos e nas distâncias, /
essas picadas abertas / pelo sulco de patas e rodas.
Parece até que se ouve / o pampeiro rangendo / por entre as carpas /
- causos, assombros, / hoje desgarrados / neste e noutros rincões.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

L.F.Veríssimo - ZH 16/10/82 - Pag.6 - A Serenata (II)

Souza, que se autodenominava o último romântico do mundo, apaixonara-se por Laura, que não ligava àquele homem tão antigo que lhe mandava flores e sonetos. Aí Souza teve uma idéia. Faria uma serenata para Laura. O cantor seria um amigo, chamado Nosso. De tanto ser apontado pela turma como o nosso Cauby, o apelido pegara. Mas havia um problema. Laura morava num oitavo andar, fundos. E atrás do seu edifício passava um viaduto. >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
Souza e seu grupo - dois violões, um cavaquinho, uma flauta e o Nosso - foram examinar o terreno. O viaduto tinha uma vantagem. Passava à altura do quarto andar, o que os aproximava da janela de Laura, no oitavo. Mas tinha o perigo de serem atropelados no meio da serenata.
- Que horas vai ser o troço? - perguntou o Nosso.
- Tem que ser depois da meia noite. Senão não tem graça.
- A essa hora não tem muito tráfego. E se aparecer um carro, a gente tem tempo de correr.
- Não - disse Souza. Não podia conceber a Laura vendo seus seresteiros dispersados por um ônibus no meio da segunda estrofe. Só havia uma solução: - Vamos entrar no edifício.
- Como?
- Pela porta, ora. Entramos, subimos no elevador e tocamos no corredor, em frente à porta dela.
O Nosso não gostou muito. Serenata de corredor, não parecia direito. Mas enfim, a festa era do Souza.
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Encontram-se na porta do edifício à meia noite. Souza estranhou a bagagem do Saraiva, um dos violonistas. O que era aquilo?
- Minha guitarra é elétrica!
- Mais esta. Quero ver arranjar tomada.
A porta do edifício estava trancada. Teriam que usar o porteiro eletrônico. Até apertarem no botão certo, ouviram vários desaforos. Finalmente acertaram. A voz de sono da Laura perguntou o que era.
- Vamos lá! - gritou o Souza.
Pelo interfone, Laura ouviu o Nosso começar a cantar, depois gritos - É a polícia... Calma lá... Nós não somos assal... - depois o que pareciam ser disparos. Depois não ouviu mais nada. Voltou para a cama e disse para o namorado, um analista de sistemas, que devia ser trote.
Quando soube do que tinha acontecido, Laura sentiu-se obrigada a ir visitar o Souza no hospital. A bala da polícia passara perto do pulmão. Quando viu a Laura entrar no quarto, o Souza pulou da cama, para horror dos amigos, e tropeçou no tubo do soro. Foi levado de volta à cama. A Laura pedindo desculpas. E ele mal podendo respirar, dizendo:
- Por quem sois. Por quem sois.
Era um incorrigível.
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Transcrevo essa crônica como compensação às inúmeras explicações que tive de passar a todos aqueles que confundiam, na época, a ficção com a realidade.

L.F.Veríssimo - ZH 15/10/82 - Pag.6 - A Serenata (I)

O Souza se declarava:
- Sou o último romântico do mundo!
E era mesmo um tipo em extinção. Um galanteador. As mulheres não sabiam como reagir aos rapapés do Souza. Ficavam confusas quando Souza não apenas lhes beijava as mãos como dizia: A seus pés. Seria gozação?
Mas gostavam. Era diferente. Às vezes precisavam se controlar para não rir quando o Souza fazia uma frase rebuscada sobre a cor dos seus olhos ou comparava pescoços com torres de alabastro. Mas que diabo, elogio é elogio, não importa o estilo. E não foram poucas as que sucumbiram ao charme antigo do Souza. Depois contavam que o Souza não queria nada, queria mesmo era namorar, ir ao cinema e depois a uma confeitaria. O Souza era esta outra coisa ultrapassada, um moço respeitador.
Laura era belíssima e o Souza, assim que a conheceu, fez um soneto. Laura achou graça, fez um comentário qualquer - Legal ou Falou - e esqueceu. Mesmo porque não saberia o que dizer a um homem de cabelo engomado e casaco acinturado.
O Souza mandava flores para Laura. Um bouquet por dia, todos os dias, sempre acompanhado de um soneto. Escrito em tinta verde, como a minha esperança. Mas a Laura nada. Trabalhava, estudava, queria se formar em psicologia, tinha mais o que fazer. Que cara chato, era a sua única reação. Até que o Souza teve uma idéia.
- Uma serenata!
Os amigos tentaram dissuadí-lo.
- Isso não se usa mais, Souza.
- Por isso mesmo. O impacto vai ser maior.
Em pouco tempo o Souza reuniu o necessário: dois violões, um cavaquinho, uma flauta e, como cantor, o Nosso, um farmacêutico. De tanto ser chamado pelos amigos de o nosso Cauby, o farmacêutico acabara conhecido apenas pelo apelido. Mas o que pegara fora o nosso não o Cauby.
Tudo pronto para a serenata. Só havia um problema. Laura morava num oitavo andar, fundos. Se fizessem a serenata na frente do edifício, acordariam todos os moradores de frente e a Laura não ouviria. E atrás do edifício passava um viaduto. (continua amanhã)

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Mauro Castro - Fera da informática

Aqui perto de casa, temos o ponto de taxi da Saldanha Marinho, a nossa disposição para o que der e vier. Quando chamo algum, já sou reconhecido pela voz - pronto, seu Souza, já estou indo para aí - tamanha nossa intimidade no convívio diário. Cada um tem a sua característica, porém, todos primam pela gentileza e bom atendimento. Ali sempre encontro a Dª. Graça, Dª. Luciane (não existe qualquer preconceito entre eles), seu José Matos (82 anos, que se gaba de nunca ter sofrido qualquer acidente em sua vida profissional), seu Carlos, seu Edésio, seu José Melo, seu Moacir, Anderson (um deles) e mais ainda outros que já deixaram o ponto tais como o Ari Maia (sempre de terno e gravata), o Ricardo e o Ivan, afora aqueles que não cheguei a guardar o nome.
Um dia, atendeu-nos pela primeira vez um taxista, carequinha, cuja fisionomia pareceu-nos bastante manjada - você não é aquele cara que escreve no Diário Gaúcho? Era um taxi incrementado, quase uma biblioteca, com jornais e revistas para os passageiros se distrairem, quando não dispostos a um papo amigo do Mauro Castro. Antes eu já tinha tomado conhecimento da sua escolha entre os 100 destaques nacionais da Seleções do Readers Digest pela edição do seu blog Taxitramas na Internet. Vai daí que, como apreciador das suas saborosas crônicas semanais naquele Diário, lembrei-me de arrancar do Mauro algumas dicas para elaboração deste Poeta das Águas Doces, passando assim a ser meu consultor eventual.
Gente, o homenzinho é uma fera tanto nas letras como na informática. Autodidata, disse-me que tudo que aprendeu foi na base do curioso, mexendo aqui e ali. Experimentem só buscar no Google o Taxitramas para descobrir um mundo rico de venturas e desventuras.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Festival de Música de Porto Alegre - Regional Centro/2004

Em 20/11/2004, tivemos oportunidade de participar do Festival de Música de Porto Alegre, tendo sido selecionada a nossa composição Menina Felicidade (Admar Rodrigues/J.A.Souza) num total de 618 músicas inscritas entre as 16 regiões do Orçamento Participativo desta Capital, das quais 165 concorriam pela Regional Centro e destas apenas 13 - aproximadamente 8% - foram escolhidas para serem apresentadas na eliminatória do Centro. Considerando-se o total de 193 músicas selecionadas para as eliminatórias de todas regionais, estas representavam pouco mais de 31% do total inscrito. Assim, pode-se ter uma idéia da grande concentração de inscrições na Regional Centro. Embora não tenhamos conseguido a classificação para a finalíssima entre os vencedores de cada regional e a indicação para gravação no CD do Festival, só o fato de termos participado da eliminatória do Centro foi um resultado excelente em termos de reconhecimento e divulgação do nosso trabalho.
Anunciada como uma receita para conquistar uma garota num baile, a letra de nossa autoria, enriquecida com a melodia vibrante de Admar Rodrigues, imaginem só com o recurso do áudio - Desvia o teu olhar / da moça que está naquele lado, / se queres namorar / sai de mansinho, / bem disfarçado / pega da sua mão, / do fundo do coração / declara todo teu amor. / Vai, colhe essa flor / no jardim da mocidade, / não é sempre que surge / a menina felicidade. / A ocasião é agora, / tira ela pra dançar, / rodopiando... rodopiando... / faz toda volta no salão, / deixa ela bem tontinha / pra que não te diga: NÃO. - interpretada pela cantora Marília Benites e o acompanhamento de regional com Luiz Palmeira (violão 7 cordas), Chico Pedroso (cavaquinho), Guaraci Gomes (bandolim), Fábio (violão 6 cordas), Valtinho (pandeiro) e Paulo Boca (surdo), correspondeu as melhores expectativas do público presente no pátio externo da Usina do Gasômetro.
Marília Benites, até então, nunca havia participado de um festival de música e, quando fomos comunicar que a nossa música havia sido selecionada, ficou com as pernas trêmulas e precisou ser amparada pelo seu esposo Luiz Palmeira, que a fez sentar numa cadeira e providenciou-lhe um copo de água com açucar, para se restabelecer do susto.
Na foto, da direita para a esquerda, Luiz Adelmo Palmeira - o mago das 7 cordas, sua esposa Marília Benites - a voz sibilante, Gislaine Souza - a patroa, e o letrista de Menina Felicidade, na tocaia da Usina do Gasômetro.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

O pirata que virou papagaio

O flagrante acima foi colhido durante a programação do Sem Fronteiras , através da câmera fotográfica da cantora Jussara Souza, minha conterrânea que brilhou na Rádio Gaúcha e como crooner da orquestra do maestro Karl Faust, lá por meados dos anos cinquenta. Acontece que Dª. Tônia, moradora do mesmo andar do nosso prédio, esteve visitando em Piracicaba/SP outra cantora daquela época, sua amiga Loiva Terezinha. Esta recém tinha recebido uma série de fotos que a Jussara tinha lhe mandado e resolveu mostrar as mesmas para Dª. Tônia. Qual não foi a surpresa da visitante quando deu de cara comigo
- mas o que está fazendo o meu vizinho nesta foto?
E hoje, creio eu, estarei supreendendo o Magrinho Elétrico, Professor Glênio Reis, tentando transmitir-lhe todo reconhecimento pelo estímulo e pelas idéias que me tem passado para apresentar este modesto Diário. Há anos que venho cultivando essa admiração pelo Tio Glênio, como é carinhosamente chamado nos meios artísticos. De minha parte, prefiro tratá-lo como Professor, à maneira como os jogadores de futebol costumam bajular os seus treinadores. Agora, não querendo ser puxa-saco, afirmo com toda convicção que muito tenho aprendido com o seu fraternal convívio e a cultura musical que esbanja por todos os poros.
A princípio, quando o conheci nas inesquecíveis churrascadas de sábados à tarde na residência do saudoso casal Iracema e Francisco Campos, naquele que foi o mais afamado fundo de quintal do bairro Medianeira, achava-o meio arredio e refratário a novas amizades. Até que um dia ele chegou para mim e me disse - estou impressionado com a tua sensibilidade - pura e simplesmente por que eu lhe havia perguntado qual o disco que havia rodado em seu programa de uma cantora até então desconhecida, mas com nome artístico bacana pra chuchu, Consuelo de Paula. Pois não é que ele tinha tocado Samba, Seresta e Baião despretenciosamente e, quando lhe falei, resolveu analisar melhor o conteúdo desse disco e acabou descobrindo uma artista de grande talento. Posteriormente, veio a entrevistá-la no Sem Fronteiras, por telefone, e até insistiu para que mostrasse o seu trabalho aqui no Rio Grande do Sul, durante a época mais adequada para tanto, ou seja, no Festival da Moenda da Canção, de Santo Antônio da Patrulha.
Sem querer, acabei pialando o mate da amizade de uma criatura extremamente gentil, que passa a ser, a partir deste momento, patrono desse Poeta das Águas Doces.

domingo, 12 de agosto de 2007

* A boa e sempre lembrada nostalgia *


O scratch gaúcho, de pé, da esquerda para a direita: 
Tesourinha, Rui, Massinha, Fogo, Carlitos e o treinador Telêmaco
 Ajoelhados: Noronha, Alvim, Dario, Alcides, Vaz e Tavares. 
Massinha e Alcides os jaguarenses da seleção.

Anos quarenta, era uma época em que a crônica esportiva ainda não havia nacionalizado o vocabulário corrente nas páginas dos jornais: o esporte das multidões era escrito e pronunciado como nas suas origens – foot-ball – ou então na linguagem dos mais pernósticos – soccer. As regras definiam situações ilegais tais como – off side. E na escalação dos teams - nem é bom falar – dizia-se keeper, half e forward (center). Havia se  instituído um colonialismo cultural que, a bem dizer, já se vinha arrastando por meio século. Mas o costume era tolerado assim mesmo, não obstante vez por outra surgisse algum nacionalista a falar de ludopédio...
Porém, se o noticiário esportivo era escasso nos jornais, transbordava nas rodas que se formavam em cada ponto de encontro – nas ruas, nos bares, nos clubes e até mesmo nas padarias. Havia, pois, um sabor diferente na preparação semanal que antecedia todo bom espetáculo futebolístico. A gente sentia que o amor à camiseta falava mais alto que os mil réis remunerativos dos profissionais ainda não mercenários – simples categoria a que se honravam de pertencer os mais notáveis. Os pavilhões de madeira, sociais como eram chamados, pareciam mais ecológicos do que estes monstrengos de concreto, hoje tão ociosos na maior parte da temporada e ainda mais vazios quando ocupados por uma torcida proporcionalmente menor em relação aos participantes das contendas. Nem se sentia o sacrifício de chegar mais cedo ao campo para conseguir o melhor lugar junto ao alambrado, já que havia a motivação de assistir a preliminar dos aspirantes.
Na Revista do Globo, de 22/11/1941, deparo-me com a Quinzena Desportiva, em que o jornalista Amaro Júnior trata do Campeonato Brasileiro de Foot-Ball e questiona se “os gaúchos conseguirão derrotar os paulistas?” Nessa matéria, aborda o reencontro do nosso selecionado com a representação de Santa Catarina em sua volta a Porto Alegre, em 09/11/1941, após doze anos  do último embate. E comenta sobre a evolução do futebol barriga verde, demonstrando “proficiência... alguma técnica e meticuloso preparo individual”. Apesar da vitória do Rio Grande do Sul pelo escore de 6 a 4, são ressaltados os seus fatores favoráveis de “melhor conhecimento do gramado, torcida e maior traquejo em prélios de envergadura”. Do primeiro gol assinalado por Carlitos que desempatou o jogo até o terceiro do conterrâneo Massinha, foram decorridos 10 minutos.
Amaro Júnior ainda arriscava prognósticos sobre o próximo adversário dos gaúchos que sairia de Pará x Paraná, “o qual deverá ser o da terra das araucárias... seu primeiro adversário de cartaz firmado”. O que não se confirmou em face de vitória dos paraenses por 2 tentos a l, em 22/11/1941 (Belém do Pará), os quais também foram batidos pelo nosso selecionado – 3x2 * (27/11/1941) – no Estádio do Pacaembu, da capital paulista. Esse saudoso cronista achava difícil passar pelos mineiros que já tinham vencido fluminenses (2x0 em 10/11/41 – B. Horizonte) e sergipanos (3x1 * em 15/11/1941 – S. Paulo), confirmando-se osso duro de roer com mais um apertado triunfo nosso de 5x4 *, em 29/11/1941, dois dias após no mesmo local do último prélio. Resultados * pelas quartas de final.
Relembrando 1936, quando Rio Grande do Sul eliminou Distrito Federal nas semifinais em melhor de três (3x3, 3x2 e 2x2) e se classificou para a final com São Paulo, saindo vice-campeão brasileiro (2x1, 1x3 e 1x2), colocava-se a possibilidade de repetir e superar esse desempenho. Embora garantido para as disputas com os paulistas, o selecionado gaúcho não teve melhor sorte do que as duas goleadas sofridas de 7x2 (3/12/1941) e 4x1 (6/12/1941) em São Paulo. Nas finais com os cariocas – SP 4x2 (10/12/1941) em S. Paulo, SC 4x3 (14/12/1941) e SP 1x0 (17/12/1941), no Rio de Janeiro, a equipe bandeirante se sagrou campeã do certame nacional daquele ano, “o maior de todos quantos já foram realizados, pois só o território do Acre não toma parte...”

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

De Cordoba (Argentina) para Porto Alegre: Jose Lopez



O Fernando Rozano é uma das amizades que tenho conquistado devido à afinidade pelo gosto da música. Jornalista que atua na imprensa alternativa, costuma publicar os seus comentários sobre os lançamentos que ocorrem no meio musical, destacando-se como redator e editor da revista Porto & Vírgula, da Secretaria Municipal de Cultura. E, assim, nós costumamos trocar algumas figurinhas das novidades que um ou outro não tenham conhecimento. Mas isso é assunto que pretendo historiar numa outra oportunidade. Não é que o Fernando vem de me brindar com uma agradável surpresa – trouxe-me uma cópia exclusiva do CD La Mueca, gravado pelo trio de mesmo nome radicado na cidade de Córdoba, na Argentina, sendo constituído por José López e Marcos Modenesi (violões e arranjos) e Matias Quevedo (voz), os dois primeiros discípulos de Horacio Burgos e estudantes de Composição Musical na Universidade Nacional de Córdoba, além de professores com alunos particulares, e o último aluno de canto da Escola de Música La Colmena, onde estuda com Paola Bernai. Além disso, ainda fiquei sabendo que José Lopez encontrava-se em Porto Alegre, em intercâmbio cultural, para aperfeiçoamento em Composição Musical na UFRGS e então propus ao Fernando Rozano para que o apresentássemos ao Glênio Reis, no programa Sem Fronteiras, da Rádio Gaúcha.
Combinado o encontro, dirigimo-nos à Rádio Gaúcha, em 03/06/2006, chegando lá justo no momento em que a Brigada negociava a libertação de um refém do seqüestro de uma lotação ocorrido ali em frente. O programa Sem Fronteiras então tinha cedido seu espaço para a cobertura do acontecimento e só pode começar às 23 horas, quando Glênio Reis iniciou com o quadro Tangos y Nada Más, em que entrevistou José López e rodou três das faixas do CD La Mueca. Primeiro Otoño Porteño (Astor Piazzolla), depois La Última Copa (Francisco Canaro/Juan Andrés Caruso) e, por último, Sueño de Guitarras, admirável composição instrumental para execução a duas guitarras de autoria de Marcos Modenesi e José López. E assim desenrolou-se a primeira parte desse quadro, onde Glênio Reis esbanjou a sua simpatia e agilidade de improvisação, deixando José López bastante a vontade para mostrar o trabalho desse trio cordobês. Já na segunda parte do quadro, este comunicador-repentista, alternando suas falas ora em português ora em espanhol, inventou de nomear o seu entrevistado como comentarista dos recentes lançamentos discográficos, em tango, de artistas brasileiros, tais como Vera Pratini, Bibi Ferreira/Miguel Proença e Dona Amélia López Cruz. José López saiu-se a contento nesse encargo e ainda encerrou a sua participação, apresentando ao vivo com sua guitarra uma pequena improvisação de clássicos da música porteña. Coube ao Fernando Rozano e eu opinar sobre o referido desempenho, em que destacamos nossa admiração por assistir um jovem instrumentista a renovar o tango através de uma roupagem mais moderna. E o Professor Glênio parece que pulava numa perna só de tão satisfeito por imprimir uma nova dinâmica a Tangos y Nada Más.
Descobri e dou de barato: clique na foto para ver os detalhes.

Muito axé para vocês, minha gente:

Acabo de dar umas voltas pela Vila do IAPI. Incógnita, ninguém me reconhece. Algum rádio tocando na vizinhança, até escuto nítida, tão atual, a minha voz de anos atrás. Estou aqui parada, bem em frente ao bloco de apartamentos onde morei com minha família. Uma janela em particular, traz recordações que, ainda hoje, mantêm-se tão vivas em minha memória. Pois é, lembro-me daquele dia quando começava a pregar os olhos para acordar o mais cedo possível e, em seguida, embarcar com meu pai no ônibus da madrugada que nos levaria para o Rio de Janeiro. Então, essa vigília foi interrompida com o murmúrio de algumas vozes bastante conhecidas dos meus ouvidos, ecoando na paz bucólica do subúrbio. Sonolenta, por conta daquela tremenda zoeira, levantei-me para espiar nas frestas da veneziana, a mesma que agora estou fitando do lado de fora. Aí, as luzes do nosso apartamento logo se acenderam todas. Minha mãe Ercy, meu pai Romeu, meu irmão Rogério e minha prima Rosângela acotovelaram-se junto comigo, abrindo a janela do meu quarto. Aqui embaixo, na rua, estava o Glênio Reis dedicando-me aquela serenata de despedida que o Túlio Piva, o Mutinho, o Sérgio Napp, o João Palmeiro e o Luiz Mauro, a turma que muito pastou comigo, preparara com tanto carinho. Convidados, eles entraram em nossa casa e tiveram de se contentar com alguns farroupilhas que a gente tinha para oferecer.
Quanta saudade daquele tempo do Clube do Guri, dos meus dindos Daisy e Ary Rego que acreditaram em mim, preservando-me com seus conselhos decisivos para prosseguir numa carreira que nem tinha sido iniciada. Vocês nem imaginam o quanto lamentei ter de largar aquele convívio lindo paca do programa, ao completar meus quinze anos. Ainda bem que, logo depois, encaixaram-me no Rádio Seqüência, da Farroupilha. Em seguida, vem o Maurício Sobrinho para me convidar a fazer parte do elenco da Rádio Gaúcha. Aí aparece o Astor, da CBS-Colúmbia, insistindo para que eu fosse para o Rio. E, de repente, quando menos espero, estou estreando no programa Noite de Gala, da TV Rio.
Mas que paulada aquele Arrastão, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, no Primeiro Festival da Música Popular Brasileira de TV Excelsior, em São Paulo. E, como se não bastasse, mais um caneco com Lapinha, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, na Primeira Bienal do Samba. E aquele tremendo show Falso Brilhante, que só foi possível apresentar em São Paulo, tal a grandiosidade da produção.
Em Porto Alegre, fiz a estréia nacional de Transversal do Tempo, espetáculo autobiográfico que se prestou para responder àqueles que diziam eu ter esquecido minhas origens, mesmo tendo projetado obras de autores gaúchos como Raul Elwanger, Jerônimo Jardim, Ivaldo Roque, Jayme Lubianca e Geraldo Flach. E tem aquela do Festival de Jazz de Montreux, em que me digladiei no palco com o maluco do Hermeto Paschoal, cada qual querendo estraçalhar um ao outro, momento mágico como diria o Glênio Reis. Como vocês vêem, tudo aconteceu como uma bola de neve levando-me de roldão pela estrada a fora.
Mas, pôxa, sessenta anos é vapt-vupt. Eu tenho mais é que curtir Maria Rita, meu sangue correndo em suas veias, tomara que corresponda à nossa torcida pelo seu sucesso, aliás, eu quero agradecer toda energia que vocês têm mandado para ela. Enfim, abraço a todos que estão aí nesta bonita festa, bebendo do meu champanhe.
ERCC, 17/MAR/2005.
PS.: Maior cantora brasileira de todos os tempos é a vovozinha, tá?

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Intimidade devassada

Na esquina das avenidas Praia de Belas e Bastian, em frente ao Shopping onde hoje situa-se o Bankboston, existia uma casa estilo espanhol, residência do ex-radialista Ruy Figueira, outrora famoso Reporter Esso da Rádio Farroupilha. Quando passava por ali no meu trajeto de ida para o trabalho, sempre avistava a simpática figura com o seu indefectível charuto, ora arrumando as pedrinhas do piso da calçada, ora podando caprichosamente a cerca viva existente por detrás do muro baixo que circundava o imóvel.
Na época em que estavam construindo o novo Shopping, vendo-o a varrer pacientemente a sua calçada dia após dia para livrar-se da constante sujeira ocasionada pelos caminhões que trafegavam levando a terra das escavações daquele terreno em frente, tentei solidarizar-me com a sua sina, protestando contra aquela sua faina de Sísifo. Diplomaticamente, ele me deu a entender como é que iria se incomodar com uma obra que iria valorizar o seu imóvel no futuro.
Várias vezes, encontrando-me dentro de casa, sentia o cheiro forte do tabaco e comentava para Gislaine, minha esposa - garanto que é o Ruy que está passando aí em frente... Não dava outra. Outro dia, lendo sobre o cheiro adocicado (?) do charuto, resolvi consultar o Figueira especialista e qual não foi a minha surpresa quando ele me revelou que não tinha... Olfato!
Posteriormente, o Ruy veio a perder a esposa adoentada, viuvo curtia a sua solidão na casa vazia até que teve um derrame. O seu filho Marçal, de início tentou acompanhá-lo na antiga habitação, mas terminou por levá-lo para morar com sua família. A tradicional casa estilo colonial espanhol, em seguida foi colocada a venda, sendo adquirida por conhecido político que ali pretendia construir um prédio para instalar o seu escritório de advocacia. E o casarão veio abaixo sob o martelar inclemente das marretas, devastação total e, sob as ruínas, permaneu a lareira ereta por um bom período de tempo.
Incomodava-me deveras com o que contemplavam os meus olhos - a lareira isolada no meio dos escombros. Para mim, a intimidade devassada. E um dia botei no papel aquilo que sentia. Um texto despretencioso que dependia de imagens para transmitir aquela derrocada, enviei para vários amigos as cópias ilustradas. Um deles, conhecido cantor e compositor nativista, recebeu a mensagem justo no dia em que separava-se de sua esposa e então, impressionado, telefonou-me comunicando a coincidência, até prometeu-me botar música no poemeto. Mas isto já é outra história.
Descobri e dou de barato: clique na ilustração para ver os detalhes.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

...e a luz brilhou até demais!

Beleza de espetáculo o lançamento do CD Uma Luz a Brilhar da nossa eterna Rainha do Rádio, Maria Helena Andrade. A começar pela projeção em tela do vídeo, no qual ela contava detalhes de sua carreira artística precocemente interrompida aos 19 anos, idade em que casou e passou a dedicar-se às lides domésticas: decorrido algum tempo, superando o trauma da separação, ela se faz ressurgir como uma nova fenix, batalhadora e corajosa, para realizar aquilo que mais gosta de fazer - cantar eu preciso e preciso... Após, intercalaram-se vários depoimentos de colegas, familiares e compositores, tais como Ary Rego, Guilherme Braga, Wilson Ney, Rodrigo Piva, Alexandre Rodrigues, além dos filhos de Alberto do Canto.
Abrem-se as cortinas e o som vem de roldão, a majestosa presença da Rainha, arrasando a platéia atônita que prorrompe em aplausos. Sua Magestade larga a maviosa voz que Deus lhe deu com a canção-oração Ave Maria (Jayme Redondo/Vicente Paiva) e por ai vai trilhando o caminho brilhante das estrelas com o clássico imortal de Ary Barroso - Rio de Janeiro - passeando pelos nossos saudosos Alberto do Canto - Porto Alegre, Cidade Sorriso - e Túlio Piva - Se Eu Errei -, detendo-se um pouco a contemplar pela vereda as flores escondidas da obra de Wilson Ney - Basta - e Alexandre Rodrigues - Haverá/Sem Retorno/Perfeito É Só Deus/Não É Um Qualquer/Me Deixa Sambar - além de Serginho Meriti e Dhema, a dupla carioca do momento - Chicote da Vida.
No palco, conseguimos reconhecer, entre a plêiade de instrumentistas, nossos manjadíssimos Luiz Mauro Filho e Marco Farias (teclados), Luiz Palmeira (violão 7 cordas), o compositor, arranjador e maestro Alexandre Rodrigues (violão), e no coral a produtora Silvana Prunes, Ana Maria Bolzoni, Celso Campos, Rucenita dos Santos e Nego Zê - com participação especial junto à Maria Helena em Chicote da Vida - além de outros novatos bastante competentes com um som da pesada que não fica nada a dever aos figurões de fora. Ali estavam ainda um quarteto de metais - Sérgio Dias (trombone), Anjinho (trumpete), Guinter Júnior (saxofone) e Amauria Iablonovski (sax tenor), - Paulo Mac Laren Natel (bateria), Kikinho (contrabaixo) e André Luiz Pontes (cavaquinho), realizando uma notável performance, todos eles revelados pelo olho clínico do maestro Alexandre. E como se não bastasse esse séquito, a Rainha ainda se fazia acompanhar dos seus súditos do corpo de danças, executando magníficas coreografias.
Ao final do espetáculo, aplaudida de pé, a platéia pedindo bis, Maria Helena Andrade teve de voltar ao palco para a apoteótica apresentação de Babaloo (Margarita Lecuona) e demonstrar assim, com a lotação plena do Auditório Dante Barone da Assembléia Legistiva, dia 04/08/2007, que existe vida inteligente na face da terra prestigiando tais empreendimentos, desde que haja vontade férrea para levar adiante a bandeira da nossa evolução cultural.
Registramos aqui as presenças marcantes de Jayme Lubianca, Ruth Regina, Ruth e Guilherme Braga, Rosa e Carlos Boccanera Koch, Neiva e Luiz Mauro Pinto Costa, famosos integrantes da turma do gargarejo.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Maria Helena Andrade vai botar para quebrar...

Ainda faltam dois meses para completar os 50 anos de sua primeira gravação através do selo Mocambo, um compacto com músicas de autoria de Rubens Santos & Hamilton Chaves (Paisagem Gaúcha), Lupicínio Rodrigues & Rubens Santos (Você Não Sabe), João Peixoto Primo & Nelson Cavaquinho Silva (Amor Nunca Mais) e Lupicínio Rodrigues (Há Um Deus), com acompanhamento de Primo e seu Conjunto Melódico - que foram resgatadas recentemente através do site Ao Chiado Brasileiro.
Pois não é que a nossa querida Rainha do Rádio Gaúcho - cujo título ainda lhe pertence por não ter sucessora - prepara-se para lançar o CD Uma Luz a Brilhar, o segundo disco da sua exitosa carreira artística.
O evento deverá acontecer, nesta Capital, dia 04/08/2007, às 21 horas, no Auditório Dante Barone da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul.
Lá estarão presentes, certamente, os seus colegas Cantores do Rádio, tais como Guilherme Braga, Fernando Collares, Roberto Gianoni, Jussara Souza, Ruth Regina e outros tantos admiradores, prestigiando a magnífica festa abrilhantada pelos teclados de Luiz Mauro Filho e outras feras instrumentais.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

1º de agosto de 1929

Deus só podia estar de bem com o Universo no dia em que, apenas de uma tacada, resolveu mandar para o nosso planeta duas criaturas tão ricas e tão humanas, as quais seriam predestinadas a desempenhar esta missão de desapego às coisas materiais, despertando no seu próximo algo que tanto diz respeito ao espírito como é essa maravilhosa arte musical. Se não como explicar estejamos aqui rememorando, após decorridos exatos setenta e oito anos, sob o pretexto de festejar a chegada ao nosso mundo destes dois talentosos violonistas que tanto nos tem alegrado e tanto nos tem proporcionado o mais fraterno dos convívios.
Quanto a humanidade não teria a aprender caso valorizasse mais o artista anônimo e popular que dá tudo de si para transmitir uma mensagem de esperança e de conforto nas ocasiões mais precisas! Estes fabulosos entes que nos mostram, seja através da imagem ou do som, toda a beleza da vida que os nossos sentidos nem sempre se fazem atentos...
A nossa irmandade hoje está radiante de jubilo e alegria por mais esta oportunidade que surge de cumprimentar, de abraçar, de beijar, de cantar em prosa e verso estes dois veteranos que aí ainda estão batalhando –
JORGE MACHADO DE BARCELLOS
& MARIO SCHIMIA SANTOS FORTES.
A eles nós queremos dedicar o melhor do nosso carinho pelo que representam como cidadãos e, acima de tudo, como gente.