sábado, 10 de outubro de 2015

Quando a gente tinha gás de sobra... * Para agitar!

Foto para a "Revista dos Sports": José Alberto de Souza e Newton Silva.

De início, gostaria de externar a V.S. grande honra de me dirigir à ilustre Secretaria de Turismo de minha terra natal. Outrossim, desejaria apresentar minhas escusas em face de imperdoável falha, apesar de involuntária, quando de última estada em Jaguarão, havendo solicitado audiência através do meu primo Anysio Resem, a qual não pude comparecer por desencontro na comunicação.
Assim justificado, passo a expor uma ideia que venho refletindo há tempos. Acontece que, a 01/06/1985 tive oportunidade de assistir o espetáculo “Noite de Seresta”, quando então me foi dada a grata satisfação de ser apresentado a Alcides Gonçalves, um dos grandes nomes da nossa música popular, conhecidíssimo em suas parcerias com Lupicínio Rodrigues, através de sucessos como “Cadeira Vazia”, “Quem Há de Dizer”, “Maria Rosa”, “Castigo” e outros mais.
Na ocasião, lembrei-me dos antigos programas de calouro da nossa Rádio Cultura, do saudoso Regional que se apresentava no palco do Cine Teatro Esperança. Os grandes cantores da cidade na época eram Severo, já falecido, e Adalberto Mendes. Este mesmo Adalberto, hoje aposentado e que, até pouco tempo atrás, pipoqueiro, sobrevivia da renda de sua humilde labuta. E eu então me questionava o quanto a nossa cidade não deve um preito de reconhecimento aos velhos artistas pelos valores culturais que nos legaram no passado.
Do convívio com o grande amigo Alcides Gonçalves, falecido a 09/01/1987, é que acabei me entrosando com uma parcela respeitável de músicos e cantores que fazem a noite porto-alegrense e, juntos, estamos empenhados em tornar realidade um desejo que aquele irmão tinha em vida, qual seja produzirmos a “Grande Seresta”, espetáculo beneficente, com renda total em favor do menor abandonado, evento já contando com apoio da Epatur.
Pois bem, a minha ideia seria programar no Teatro Esperança – a I Mostra Internacional do Músico Brasileiro, que prosseguiria sendo realizado anualmente. Confesso que o germe dessa sugestão resultou de conversa com o conterrâneo Newton Silva, o qual me colocou a par do potencial de mercado que a nossa música popular sempre alcançou no Uruguai e na Argentina.
Perdoe-me a expressão e o entusiasmo – mas seria um festival “para castelhano ver”, uma atração para difundir um dos polos turísticos inaproveitados de Jaguarão – o nosso Teatro! É bem verdade que algo similar foi feito a 22 e 23/maio/1987, com a recente realização do I Festival de Seresta de Jaguarão, iniciativa que merece toda a nossa consideração e incentivo pelo que de ineditismo encerra.
Portanto, contamos com a boa vontade e colaboração de alguns amigos:
Glênio Reis, que apresenta o programa “Gaúcha dá Samba”, aos sábados das 21 às 24 horas, na Rádio Gaúcha;
– Aroldo Dias, empresário que vem produzindo o show “Noite Seresta”, nesta cidade e em várias cidades do interior;
Jessé Silva, grande violonista de renome nacional e que já realizou em 1977 a “Noite da Música Brasileira”, no Salão de Atos da Reitoria/UFRGS.
Faço questão de salientar que dificilmente outra cidade da nossa fronteira teria condições de sediar um evento igual em face de inexistência de uma casa de espetáculos do porte do nosso Esperança. Além do que tal iniciativa representaria uma abertura de mercado de trabalho para cantores e músicos que ai poderiam encontrar interessados para eventuais apresentações.
Parece-me que se poderia pensar no assunto e encontrar uma maneira de viabilizá-lo. Por tal motivo, coloco à apreciação de V.S. essa ideia, esperando voltar a discutir e entrar em mais detalhes noutra oportunidade, para o que me disponho a atender qualquer solicitação.





Carta que não chegou a seu destino por ser extraviada nos porões daquela Municipalidade.


5 comentários:

Carlos José de Azevedo Machado disse...

Poeta das águas doces, este texto para mim é mais uma pérola, principalmente por tratar de um aspecto que se relaciona com a minha dissertação sobre o Teatro Esperança. A partir da década de 1960 este teatro acabou ficando fechado, sendo aberto apenas esporadicamente através de projetos de entidades e escolas. Um desses grandes projetos justamente está o que o senhor cita nesta carta: o Programa de calouros da Rádio Cultura. Grande abraço e continue a nos brindar com suas publicações.

EDEMAR ANNUSECK disse...

Grande Mestre José Alberto de Souza, maravilha. História e ideias devem ser contadas e não guardadas com muitos fazem. Que possa dar os frutos no tempo devido. Um forte abraço.
Edemar Annuseck
Curitiba - PR

Cabeda disse...

Souza, por que tantas boas iniciativas tendem a ser relegadas aos porões?...

Anônimo disse...

José Alberto, lamentável que esse projeto tivesse sido extraviado, que há longos anos não tivesse sido implementado.
É uma pena que iniciativas como essas não surgiram nem surgirão depois dessa tua idéia.
Com especal abraço do Hunder.

clovis erly Rodrigues disse...

Grande amigo , amizade que muito me honra ,quantas cartas extraviadas deveriam ser encontradas. Imagina as cartas escritas para os Curtos ? Heponino eX-IPAENSES , Schelee , o número é infindavel. Só mesmo um poeta de seu calibre e sensibilidade é capaz de acordar um jaguar adormecido.Quanta riqueza, continue seu garimpo para que possamos usufruir de verdadeiras joias.