
O C O N F I N A M E N T O
Agito minha cabeça entre as mãos: Chega! Chega!
Não quero escutar mais... Não quero que me joguem
totais de mortos, manipulação de números silenciosos e anônimos.
Já faz algum tempo, desejava correr em disparada
pelas avenidas e ruas. Hoje sonho em soltar as asas e voar como as aves de rapina no azul
infinito.
Minha imaginação já esgotou sua reserva.
Estou só e muitas vezes me sinto só.
Não existe presença em minha casa de passos, risos.
E de uma alma no eco de uma voz.
Afasto essas figuras próximas, porém longínquas: a
imobilidade da tela no breve espaço do confinamento.
Onde está o vento agitando cabelos e o sol ofuscando os olhos?
A confusão do transcurso deste tempo...
Um louco levou-me a voar, elevando-nos acima da sanidade, só com o impulso dos
sonhos.
Um estouro que comoveu
o nada.
Logo caímos derrotados para a rotina dos dias.
*Tradução de José Alberto de Souza