terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

UM APELO BEM SUCEDIDO /Sérgio Costa Franco

Porto Alegre Bairro Menino Deus no tempo das chácaras
O apelo que fiz, numa destas minhas crônicas avulsas, por gente que pudesse compartilhar das minhas lembranças mais remotas do bairro Menino Deus, teve bom resultado. As crônicas em si, que eu dirijo ao restrito público dos meus filhos, netos e amigos próximos, teriam o destino dos natimortos, se não fosse a gentileza de meu conterrâneo e vizinho José Alberto de Souza, que habitualmente as reproduz em seu blog, e do colega Antônio Goulart, que, nesse caso transcreveu minhas reminiscências nas colunas do “Almanaque Gaúcho” em Zero Hora.
Mostrando que memórias emocionadas não são privativas deste octogenário, escreveu-me o Engenheiro Roberto Difini, colega do Curso Científico do Colégio Anchieta em 1945, para acrescentar lembranças muito vivas daquele velho Menino Deus que ambos conhecemos na infância.
Mas as lembranças dele me induziram a espichar o assunto, pois evocaram uma imagem perdida e esquecida da Rua José de Alencar, que muito importa relembrar: a Vila Esmeralda, sede de uma grande chácara que fazia fundos na Rua Costa, pertencia aos avós maternos do Roberto, João Pereira da Costa e sua esposa, casal que eu conheci e ainda conservo na memória. Assinalada por uma grande figueira e por um magnífico portão de acesso, o imóvel estaria hoje preservado como relíquia do patrimônio, não só do bairro, como da própria cidade de Porto Alegre. Ali estava um dos últimos exemplares de sede de chácara, com fisionomia autenticamente rural. Outros imóveis que resistiram à ânsia demolitória, como o solar de Lopo Gonçalves, na Rua João Alfredo, ou o sobrado da Rua Paraíso, no Morro de Santa Teresa, têm o estilo de residências urbanas.
João Pereira da Costa fora comerciante visceralmente urbano, dono da joalheria Esmeralda, na Rua de Bragança, mas sua chácara no Menino Deus conservava as características de um estabelecimento rural, quase se diria uma sede de estância. Creio que, já no início da década de 1980, um de nossos prefeitos nomeados, do período ditatorial, talvez o Thompson Flores, concebeu abrir a Rua Múcio Teixeira até a José de Alencar, disso resultando a desapropriação e demolição da Vila Esmeralda, com seu centenário e estilizado portal, mais o magnífico arvoredo. Parece que se tratava de um projeto urbanístico antigo, repetidamente adiado. Tudo para abrir uma radial tortuosa e estreita, que mais adiante se interrompe. Em lugar da chácara, numa esquina movimentada, está uma prosaica e insossa agência da Caixa Econômica. Atentado modernizante, que hoje, com melhor consciência patrimonialista e ambiental, talvez não se consumasse.
Imagino não sermos apenas nós, eu e o Roberto Difini, que lamentamos a perda da Vila Esmeralda no ambiente do Menino Deus. 

5 comentários:

JASouza. disse...

A rua Múcio Teixeira era interrompida pelo riacho Ipiranga até 1990, quando foi construída a ponte que passou a ligar os bairros Menino Deus e Cidade Baixa, durante a administração do Prefeito Olívio Dutra; Entre a Avenida Ipiranga e Rua Marcílio Dias, existia um terreno que foi desapropriado para dar continuidade à Rua Múcio Teixeira, em que se situava uma Igreja Metodista na Marcílio e, ao lado desse templo religioso, havia uma entrada para um vilarejo ocupado com vários chalés de madeira, onde residiam vários biscateiros, um deles me “quebrava o galho” como eletricista. Hoje temos a rua asfaltada e quardada na Avenida Ipiranga por um depósito da Ultragás numa das esquinas e pelo Posto Ipiranga na outra.

Ellen Reis disse...

Adorei Seu Souza! Como sempre parabéns! Como posso fazer para colocá-la no Face do bairro? O sr me autoriza? Bjus saudosos!!!! 😘

Hunder Correa disse...

Caro José Alberto, conheci a referida rua nos anos de 1960 e até os anos l976 era interrompida na José de Alencar.Lembro-me que estava cercada e eu quando descia da condução, na José de Alencar, cortava por essa cerca para chegar à Rua Ccosta, onde eu residia. São lembranças de uma época em que o Menino Deus era um Bairro pacato e sem comércio algum. Apenas um armaze´m açougue , uma fruteira e a lavanderia dos Japoneses na esquina da J. de Alencar com a Oscar Bitencourt.Depois do Shhoping a explosão, assaltos e desastres.

JASouza. disse...

Na dúvida, resolvi dar uma passada na Rua Marcílio Dias para saber ao certo onde se situava a Igreja Metodista naquele logradouro, o que me foi esclarecido pelo proprietário da Mecânica Antares, ainda existente no mesmo local de vinte anos atrás, quando era seu cliente. Ele me disse que essa igreja deu lugar a um prédio de apartamentos e ficava na boca da Rua Baronesa de Gravataí e não na Múcio Teixeira como referido.

JASouza. disse...

Devo salientar a importância daquela ponte sobre o riacho Ipiranga, de vez que para chegar na continuação da Múcio Teixeira, anteriormente só era possível alcançar através ou da Avenida Praia de Belas ou da Avenida Getúlio Vargas. Passei nessa ponte logo que foi inaugurada e tive a sensação de estar “invadindo um outro país”, no caso o bairro Cidade Baixa...