terça-feira, 27 de novembro de 2007

Vamos combinar o próximo piquenique lá no outro plano?

Há muito, muito tempo, eu nem tinha nascido, fôra a minha tia (a que tem a criança no colo), Maria José, irmã de meu pai José Dalberto (ausente).
Há muito tempo, tinha partido a minha mãe Maria Francisca, nem cheguei a conhecê-la.
Algum tempo depois, foi a vez da avó Delfina, a qual tinha tomado emprestado, mãe de Cantalício e Modesto.
E o tempo passando, acabou levando o tio Modesto (de chapéu e lenço no pescoço).
Passado um certo tempo, aconteceu a perda da minha tia, segunda mãe, Florisbela, também irmã do meu pai.
Mais algum tempo e lá se vai o seu esposo, tio Cantalício, meu pai substituto.
E, neste último fim de semana, mais duas perdas afetivas – a do meu primo Anysio (no plano mais elevado, em cima dum cavalo) e da minha prima Hilda (ali ao lado da minha mãe).
Hilda era filha de Maria José e Joaquim Mello (na ocasião ausente), viúva do General Ociran Sebastião de Almeida e mãe de Luiz Fernando, Eduardo Ubirajara e Regina, afora os netos e bisnetos (?), há muito radicados no Rio de Janeiro; vaidosa, esbanjava classe e vitalidade até ser atingida por moléstia degenerativa.
Quanto a Anysio de Souza Resem, 85 anos, irmão de criação, filho de meus tios Florisbela e Cantalício Resem, viúvo de Lecy que gerou-lhe os filhos José Augusto, Lia e Luiz Augusto (considerando-se ainda a descendência dos netos); e também de Mirnaloy, em segundas núpcias, de cuja união deixou os filhos Anysio Filho e Quênia, eu teria muito mais a dizer devido a um convívio familiar mais frequente e prolongado.
Um abnegado acima de tudo, com profíqua atuação durante anos na comunidade jaguarense, ora como provedor na Santa Casa de Caridade e na Associação Protetora dos Desvalidos, ora como presidente da Associação Comercial e, posteriormente, da Associação dos Aposentados de Jaguarão, dedicando-se de corpo e alma na gestão dessas instituições, a ponto de prejudicar os próprios negócios.
Benjamim da família, optou pela permanência na cidade natal a fim de dar assistência a seus genitores, já aposentados, e assumir a propriedade da Livraria e Tipografia A Miscelânea, além de dar continuidade á publicação do jornal “A Folha”, tradicional semanário da cidade, herdando o idealismo de Cantalício e Florisbela no espírito pioneiro de tais empreendimentos.
Para mim, ficaram as doces lembranças do companheirismo sadio, quando nossas idades superavam a barreira da diferença acentuada, no diálogo franco, nos conselhos abertos, nas discussões acaloradas, na colaboração recíproca aos problemas alheios.
Como esquecer aquelas vezes em que, ainda garotinho, e ele já moço taludo e namorador, insistia eu para que me levasse nas noites de segunda-feira ao Cine Theatro Esperança para assistir aos seriados do Tom Mix e, já na outra semana, era ele quem vinha me perguntar se eu não ia ver a continuação do folhetim?
A criança de colo, Lucy, próxima de atingir oitenta, e a menina com chapéu na mão, Nilza, quase chegando aos noventa, irmãs do Anysio, estão ai como testemunhas daquele piquenique na chácara do tio Cantalício.

7 comentários:

Anônimo disse...

Oi tio Zézinho
É com pesar que leio sobre a morte do tio Anysio, não sabia. Em contrapartida me alegro em saber dessas histórias da família. Hoje descobri a origem do meu nome e da Lecy, são homenagens a pessoas da família.Pena que não pude conhecer minha xará, será que sou parecida com ela? Um beijo.
Hilda

Jerônimo Fagundes de Souza disse...

Realmente, a perda do Tio Anysio foi um choque. Restam as boas lembranças...

JASouza. disse...

Hildinha:
A tua xará é a terceira da esquerda para a direita na foto, após a tia Maria José e minha mãe Maria Francisca - aquela menina de queixo saliente, conforme poderás verificar em detalhes, clicando na ilustração.

Anônimo disse...

Parabéns !

Muito interessante.

Ficamos sabendo que sua veia boemia tem resistência familiar.

Não desanime, vá em frente. Temos que ter uma atividade prazerosa.

Petersen

Maria Lucia disse...

Quem tem recordações tem tesouros! abraço

Anônimo disse...

Pois, é, Souza,
Quando eu tinha 20 anos, pensava que envelhecer não era lá essas coisas.
Hoje, tenho muito mais que vinte e descobri que rugas e cabelos prateados (ou a ausência deles) têm lá seu charme. Pior é perder as referências. A saudade.
Quiçá n'outra seara!
Kie
Em tempo: Tio Zezinho????? Deixa a turma saber disso!

Anônimo disse...

Oi Souza

Muito bonita a lembrança que tu carregas da tua família; as gerações mais novas, acho que nem sabem quem são os seus familiares e às vezes também nem chegaram a conhecê-los. Vai firme Souza, estás no caminho certo.
Diná