quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Copa de Literatura Brasileira: participando da Mesa Redonda

Em Música Perdida, senti a maldição do talento em que o potencial do indivíduo deixa de ser exercido em sua plenitude, justamente pelo receio de encarar a inveja e a agressividade dos medíocres, um tema tão atual que parece retratar metaforicamente este Brasil tão vilipendiado e explorado pelos aproveitadores de ocasião.
Nesse sentido, a aproximação de Mendanha com o Padre José Maurício não deixou de ser um freio nas aspirações do jóvem e talentoso maestro, influenciando-o negativamente.
Assim, também encaro as críticas contundentes expostas acima, tanto para um obra como para a outra.
Parabenizo aos finalistas desta primeira edição da Copa de Literatura e faço votos que sigam trilhando os caminhos a que se propuseram, aprimorando sempre a sua arte de escrever.
José Alberto de Souza comentou em 03/12/2007, às 10:51 am.
José Alberto de Souza, você falou sobre o Música Perdida o que eu não estava encontrando palavras para falar. Obrigada. Foi isso o que mais me impressionou no livro: há um talento que por ser tão imenso é a todo momento freado, desviado.
E claro que essa final serve muito para pensar que, sim, até certo ponto literatura pode ser questão de gosto. Argumentos existem para tudo, basta escolher os que mais lhe parecem justos.
Olívia comentou em 03/12/2007, às 4:08 pm.
Olívia, é isso aí, o grande mérito dessa obra está na leitura das entrelinhas que você percebeu muito bem e sentiu da mesma forma que nós sentimos.
Grato pela deferência a meu comentário.
José Alberto de Souza comentou em 03/12/2007, às 4:55 pm.
Lendo as resenhas dos jurados acima, comecei a desconfiar de que alguns estariam torcendo para que as obras que arbitraram individualmente chegassem à final da Copa, o que constatei nas opiniões emitidas por oito dos julgadores, os quais pareceu-me que choraram pelo leite derramado.
Cito apenas Renata Miloni, Jefferson Maleski, André Gazola e Jonas Lopes como exceções, imbuídos pelo espírito olímpico de que o essencial é competir, pela elegância com que aceitaram a eliminação das obras que passaram pelo seu respectivo crivo.
Que me perdoem as sumidades que desfilaram nessa Mesa Redonda se cometo a audácia de externar esta minha opinião de leitor comum.
Fã de carteirinha do Mestre Assis Brasil, já tenho lido e apreciado grande parte da sua obra e, como disse a colega Sabrina Schneider, a última trilogia desse autor reflete uma guinada na sua trajetória de escritor, agora publicando livros com capítulos mais curtos e que prendem o leitor até o final da obra, não lhe permitindo a interrupção na leitura, quer dizer, parece que descobriu o caminho das pedras.
De outra parte, apesar das críticas contundentes à imensidão das páginas do livro do outro concorrente, tal motivo apenas despertou-me o interesse em conhecer essa obra.
José Alberto de Souza comentou em 09/12/2007, às 12:39 pm.
Que pena eu ter tomado conhecimento dessa interessante competição após sua final (li pequena matéria no Prosa & Verso, de O Globo, em 08/12/2007).
Eu estava pensando em comprar o livro da A.M.Gonçalves para ler nas férias, mas, pelo que li nos vereditos dos jurados na final, acho melhor mesmo é ficar com o Assis Brasil, pois tenho apenas vinte dias de férias, e seu livro parece mais adeequado ao tempo que dispensarei à leitura.
Espero acompanhar cada jogo da próxima Copa, que tenho certeza que acontecerá.
Geraldo Rodrigues Pereira comentou em 09/12/2007, às 10:09 pm.
Geraldo, Música Perdida é um livro que prende o leitor da primeira à última página - eu não consegui interromper a leitura, que flui muito bem, capítulos curtos, não é cansativa, e no fim fica-se com aquela sensação de quero mais e inquieto dando asas à imaginação como se a gente quisesse completar a escrita.
Embora seja um livro de poucas páginas, parece-me que equivale a um registro de mil folhas caso se considere a história oculta nas entrelinhas.
Você vai ter que ler e reler essa obra umas vinte vezes para preencher o tempo de suas férias!
José Alberto de Souza comentou em 10/12/2007. às 12:26 pm.
Perfeito o que você disse, José.
Renata Miloni comentou em 10/12/2007, às 12:32 pm.
Renata, a sua concordância muito me honra e gratifica.
Aliás, gostaria de levar ao conhecimento do Geraldo, a observação da colega Sabrina Schneider sobre a contenção do texto em Música Perdida, que vem sendo adotada pelo autor em suas três últimas obras, as quais compõem uma trilogia de histórias diferentes de uma mesma época.
Assim, gostaria de lhe recomendar para suas férias, também, as outras duas: O Pintor de Retratos e A Margem Imóvel do Rio.
Eu se tivesse que levar comigo alguns livros para uma ilha deserta, tranquilamente levaria esses três.
José Alberto de Souza comentou em 10/12/2007, às 12:55 pm.

Um comentário:

Fernando Rozano disse...

José Alberto, o nosso Assis Brasil desde O pintor de retratos vem com uma nova estética que simplesmente fantástica, essencial, textos/frases curtas e ao mesmo tempo repletas de significados. Não por acaso nosso grande escritor e mestre. Sinto orgulho em ter sido seu aluno e mais ainda agora, com o prêmio.
abrsços.