quarta-feira, 7 de maio de 2008

Seresteiro em estado de graça divina!

Vejam só aquele cidadão sorridente, sentado à mesa ao fundo, ensaiando uma percussãozinha no pacote que tem à mão?
Pois é, cachorro que come ovelha, só mesmo matando...
Duvido até que ele não tenha comprado ficha para dar a sua palhinha...
Seresteiro é fogo, ouve qualquer musiquinha e vai parando as orelhinhas em pé.
Os bichinhos começam a se agitar nas veias e ele logo entra em transe.
Ainda mais no Rio de Janeiro, numa feira da Urca, assistindo a apresentação de um grupo de artistas de rua, tocando chorinho.
Já nos dizia o nosso cobrão Henry Lentino (Tira Poeira) que por aqui traçava qualquer instrumento de cordas, atualmente radicado na Cidade Maravilhosa, lá se encontram aos montes, em qualquer boteco, exímios instrumentistas batalhando para conseguir o seu lugar ao sol.
E, para unir o útil ao agradável, eles passam o chapéu atrás de uma gorjeta generosa.
O chorão é geralmente um músico excepcional com domínio total do instrumento, técnica impecável, dom do improviso, sincopado típico e devotado amor à música.
Constata-se que não é egoísta - sempre incentivando o neófito – nem busca a concorrência ou o vedetismo.
O próprio choro circulando em suas veias, tem facilidade para começar a tocar e dificuldade em parar.
Nenhuma distância o impede de exercitar o seu talento – sem escolher lugar para se fazer presente, qualquer botequim ou fundo de quintal torna-se a sua ribalta.
O flagrante que registramos acima, gentilmente enviado pelo caro amigo Guilherme Braga, retrata bem esse tipo de confraternização e nos entusiasma só de ver essa gente jovem empolgada na execução da nossa mais autêntica música de raiz.
“Quanto ao choro – assim escreve o Guilherme –, pode-se dizer que ele começou como um estilo brasileiro de executar a música européia do século XIX, mais especialmente o chótis e a polca”.
"Posteriormente – prossegue –, esse estilo de execução deu origem ao tango brasileiro, com Ernesto Nazareth, evoluindo logo após para o chorinho”.
“A partir daí, com as composições do próprio Nazareth e mais Chiquinha Gonzaga, o Choro passa a constituir um gênero musical tipicamente brasileiro, uma das mais ricas expressões da nossa cultura musical, cultivada até hoje por um número cada vez maior de diversos grupos de chorões e até mesmo por importantes Clubes do Choro em diversas capitais do país” – conclui.

2 comentários:

Cabeda disse...

Vivam os chorões!
Um dos rítmos brasileiros mais autênticos.
Cumprimentos.

Vilarino Wolff disse...

Mais uma!
Essa disposição e capacidade de obtenção de matéiras é invejável.
Cada nova página, uma agradável surpresa.
Parabéns e grato, Grande Mestre.
Abs. Vila.