quinta-feira, 22 de outubro de 2015
terça-feira, 20 de outubro de 2015
NEM ACREDITO: DEPOIS DA PRATA, VEM OURO
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Rumo ao Cinquentenário de Formatura, puxando a fila com Eberle, Araújo, Ferlauto, Michelena, Schmitt... |
No
próximo dia 27 de novembro, a Turma de Engenheiros da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul, graduados em 1965, estará promovendo encontro de
confraternização comemorativo a seu cinquentenário de formatura, que deverá se
realizar, a partir das 19 horas na Sociedade Germânia. De um total de 142
formandos, já confirmaram sua presença nesse evento 74 colegas, e mais oito, incluídos
alguns da turma de 1966 que ingressaram conosco na Escola de Engenharia em
1961. Como convidados especiais se farão presentes os professores Athos Stern,
Domingos Matias Urroz Lopes, Eurico Trindade Neves, Nicolau Jorge Waquil e
Paulo Mazeron.
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Recebendo diploma do paraninfo Prof. Antenor Wink Brum. |
Outra cerimônia ocorrerá a 20 de novembro
vindouro no Salão de Atos da Reitoria (Avenida Paula Gama, 110), quando a
Associação de Antigos Alunos da UFRGS vai recepcionar, às 17h30min, os
jubilados de 1965, 1990 e 2005. Junto com minha esposa Gislaine, também formada
em 1965 no curso de Pedagogia da Faculdade de Filosofia, e mais os colegas
engenheiros Roberto Júlio Beretta e Jorge Miguel Heinenberg, tivemos
oportunidade de participar em 1990 da celebração promovida pela Universidade,
alusiva aos 25 anos de formatura.
Na
ocasião, encontrei o professor de Cálculo Infinitesimal, engenheiro José
Olimpio de Abreu Lima (Oscarito), comemorando seus 50 anos de formatura. E procurei
o velho mestre para que tomasse conhecimento de que ele era grande responsável
por eu estar sendo jubilado naquele momento, relatando-lhe o exame oral em que
me deu aquele branco na presença do mais temível “ralador” da Escola e joguei a
toalha para desistir da Engenharia de uma vez por todas. E ele não permitiu que
assim procedesse, encaminhando-me ao quadro negro para me fazer algumas
perguntas, as quais respondi conseguindo vencer aquele bloqueio momentâneo e
assim discorrer sobre o ponto sorteado, permitindo minha aprovação naquela
cadeira.
Abreu
Lima surpreendeu-se com aquela minha manifestação, já que estava acostumado
justamente com o contrário, como de certa vez num voo aéreo, onde um dos
pilotos, ao ver seu nome na lista de passageiros, procurou-o para lhe
cumprimentar. Apresentando-se como seu ex-aluno, logo revelou que “graças ao
senhor, o Brasil perdeu um Engenheiro, mas em compensação ganhou um grande
Comandante de Aviação”. No entanto, apesar de aprovado em Cálculo
Infinitesimal, fiquei dependente em Geometria Analítica, no segundo ano, o que
me fez optar pela Engenharia Mecânica, completando cinco cadeiras, o mesmo
número dos demais cursos da Escola.
Em
18/12/1965, receberam diplomas de Mecânicos 41 colegas, dos quais 19 já
confirmaram presença no evento. Nosso curso lidera o “ranking” com nove
saudosos ausentes. Foram localizados mais nove ainda vivos, mas que provavelmente
não poderão comparecer. Sem notícias, constam como desaparecidos Gerhard Paulo
Böckler, Ivar Vildo Rojas Lopez (Bolívia), José Carlos Soares de Araujo e
Milton Edison Scherer, Em 1966, quando ingressei na Ford, em São Paulo,
encontrei lá os colegas José Alberto da Silva Barbosa (Metalúrgico), Alfredo
Floriano Tonetto e José Carlos Soares de Araujo, estes dois últimos que
gostaria bastante de rever.
Concluindo
em 1958 o curso científico no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, decidi
encarar o vestibular de Engenharia nos anos de 1958, 1959 e 1960, quando
finalmente consegui aprovação para ingresso na Escola. Lá encontrei Roberto
Luiz Mold, Nelson Fetter Júnior, Hiparcus Raupp e Flávio Antunes Graziuso,
egressos do Julinho que ali chegaram antes de mim. Aliás, devo ao colega Mold
ter me tirado de uma saia justa logo no primeiro dia de aula, na frente do
prédio novo da Engenharia. Ele e eu nos encontramos no momento em que não havia
ninguém por perto. Pois apareci todo afeitado, de terno e gravata, e ele me
aconselhou que trocasse a roupa para evitar maiores estragos com os “trotes”
iminentes. “Mas já está em cima da hora, não vai dar tempo”. E Mold insistiu: “Te
vira e encontra um lugar para troca de vestimenta”. Eurico, nosso bedel, me
quebrou o galho, guardando ao menos casaco e gravata em local seguro. Depois da
aula inaugural, os veteranos comandados por Sergio Chemale Selistre nos
colocaram em ordem unida para nos conduzir aos canais da Redenção, onde nos batizaram
com roupa e tudo a fim de assumir a condição de calouros.
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
S
E R R A D O S M E N D I G O S
Escalei a
árdua Serra dos Mendigos,
A trancos e
barrancos, cambaleando
Atrás daqueles
inesquecíveis amigos
Que por lá agora
estivessem morando.
Nas trilhas da
escura mata fechada,
Fiquei sabendo
que ali se descobre
Uma verdade
pela Natureza celebrada:
Ninguém é mais
rico nem mais pobre.
Principia que
dinheiro não vale nada
Quando se sente
vibrante solidariedade
Surpreendendo a festa de chegada
E a alegria nos
ares da liberdade.
Então surge vontade
danada de ficar
Sem querer
sair pelo resto da vida,
Descompromissado,
à toa pra matutar
Sobre qualquer
realidade conhecida.
Nesta aldeia,
todos são despojados
De antigas
vaidades tão costumeiras
Que os fizeram
superiores adorados
Até alcançarem
as horas derradeiras.
José Alberto de Souza.
sábado, 10 de outubro de 2015
Quando a gente tinha gás de sobra... * Para agitar!
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Foto para a "Revista dos Sports": José Alberto de Souza e Newton Silva.
De
início, gostaria de externar a V.S. grande honra de me dirigir à ilustre
Secretaria de Turismo de minha terra natal. Outrossim, desejaria apresentar
minhas escusas em face de imperdoável falha, apesar de involuntária, quando de
última estada em Jaguarão, havendo solicitado audiência através do meu primo
Anysio Resem, a qual não pude comparecer por desencontro na comunicação.
Assim
justificado, passo a expor uma ideia que venho refletindo há tempos. Acontece
que, a 01/06/1985 tive oportunidade de assistir o espetáculo “Noite de
Seresta”, quando então me foi dada a grata satisfação de ser apresentado a
Alcides Gonçalves, um dos grandes nomes da nossa música popular, conhecidíssimo
em suas parcerias com Lupicínio Rodrigues, através de sucessos como “Cadeira
Vazia”, “Quem Há de Dizer”, “Maria Rosa”, “Castigo” e outros mais.
Na
ocasião, lembrei-me dos antigos programas de calouro da nossa Rádio Cultura, do
saudoso Regional que se apresentava no palco do Cine Teatro Esperança. Os
grandes cantores da cidade na época eram Severo, já falecido, e Adalberto
Mendes. Este mesmo Adalberto, hoje aposentado e que, até pouco tempo atrás,
pipoqueiro, sobrevivia da renda de sua humilde labuta. E eu então me
questionava o quanto a nossa cidade não deve um preito de reconhecimento aos
velhos artistas pelos valores culturais que nos legaram no passado.
Do
convívio com o grande amigo Alcides Gonçalves, falecido a 09/01/1987, é que
acabei me entrosando com uma parcela respeitável de músicos e cantores que
fazem a noite porto-alegrense e, juntos, estamos empenhados em tornar realidade
um desejo que aquele irmão tinha em vida, qual seja produzirmos a “Grande
Seresta”, espetáculo beneficente, com renda total em favor do menor abandonado,
evento já contando com apoio da Epatur.
Pois
bem, a minha ideia seria programar no Teatro Esperança – a I Mostra
Internacional do Músico Brasileiro, que prosseguiria sendo realizado
anualmente. Confesso que o germe dessa sugestão resultou de conversa com o
conterrâneo Newton Silva, o qual me colocou a par do potencial de mercado que a
nossa música popular sempre alcançou no Uruguai e na Argentina.
Perdoe-me
a expressão e o entusiasmo – mas seria um festival “para castelhano ver”, uma
atração para difundir um dos polos turísticos inaproveitados de Jaguarão – o
nosso Teatro! É bem verdade que algo similar foi feito a 22 e 23/maio/1987, com
a recente realização do I Festival de Seresta de Jaguarão, iniciativa que
merece toda a nossa consideração e incentivo pelo que de ineditismo encerra.
Portanto,
contamos com a boa vontade e colaboração de alguns amigos:
–
Glênio Reis, que apresenta o programa “Gaúcha dá Samba”, aos sábados das 21 às
24 horas, na Rádio Gaúcha;
–
Aroldo Dias, empresário que vem produzindo o show “Noite Seresta”, nesta cidade
e em várias cidades do interior;
–
Jessé Silva, grande violonista de renome nacional e que já realizou em 1977 a
“Noite da Música Brasileira”, no Salão de Atos da Reitoria/UFRGS.
Faço
questão de salientar que dificilmente outra cidade da nossa fronteira teria condições
de sediar um evento igual em face de inexistência de uma casa de espetáculos do
porte do nosso Esperança. Além do que tal iniciativa representaria uma abertura
de mercado de trabalho para cantores e músicos que ai poderiam encontrar
interessados para eventuais apresentações.
Parece-me que se
poderia pensar no assunto e encontrar uma maneira de viabilizá-lo. Por tal
motivo, coloco à apreciação de V.S. essa ideia, esperando voltar a discutir e
entrar em mais detalhes noutra oportunidade, para o que me disponho a atender
qualquer solicitação. |
Carta que não chegou a seu destino por ser extraviada nos porões daquela Municipalidade.
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Engenharia UFRGS 1965 - a turma que fez história
Matéria da ZH veiculada em outubro de 2004 |
Entrei no elevador com duas garotas vestidas
para festa. Ambas com aproximadamente 20 anos de idade. Sorriram e eu disse:
estive numa festa comemorando 40 anos de formatura. Só tinha velhos. Elas riram
e ambas disseram: que bacana.
As 9 h da noite entrei no Salão da Sociedade
Germânia onde seria realizado o jantar de comemoração. Pareceu-me uma chegada
ao futuro.
Meus colegas estavam todos em avançada idade.
Pareceu-me ser o único jovem.
Não havia estranhos. Eu conhecia a todos. Uns
mais, outros menos.
“Os homens de mais de 60 anos pensam
conhecer-se a todos, entre si.”
Avancei ao fundo do salão e vislumbrei olhos e
braços em minha direção. Minutos de convivência inseriram-me no contexto.
Quarenta anos de separação não modificaram a
relação de profunda ligação. Não perdemos a intimidade.
Chegaram-se um a um, vários colegas da turma
civil de 1965. Sem perguntas desnecessárias, ou comentários críticos.
Alguém trouxe ao assunto a 1º Febic e a viagem
à Europa dela decorrente.
Lembrei a uns e relatei a outros detalhes
pouco conhecidos do evento, como a ida de uma equipe de vendedores da feira a
São Paulo e Rio, formado pelo Renaux Cunha, Mario Brasiliense, Tabajara Ricardo
Pinto, este não colega mas meu parceiro de outras lides, e eu. Fomos de ônibus
a São Paulo e sem aviso ou autorização, nos hospedamos na Casa do Estudante. Lembrei-me
do encontro e da tentativa de contratação de Caio de Alcântara Machado, criador
da Fenit, em seu escritório. Dos encontros e desencontros em São Paulo. Das
visitas às indústrias. No Rio de Janeiro, o hotel de ultima categoria na Praça
Mauá, onde ficamos hospedados; as noites em Copacabana na antiga Av. Atlântica.
O sucesso da missão
Uma sucessão de aventuras de lunáticos quase
imberbes.
A 1º Febic foi uma façanha de um grupo.
Surgiu-me a ideia. O Flavio teve brilhante
desempenho comercial. Mas jamais seria o que foi sem o trabalho coletivo.
E cada um dos participantes contribuiu com ideias, suor e dedicação,
representados pela logotipia e cartaz idealizados pelo Mario Brasiliense.
A 1º Febic ocorrida há mais de 40 anos foi uma
lição para a vida.
Recentemente li uma entrevista com o
jornalista Gay Talese que escreveu um livro sobre o New York Times.
Afirmou que “do que lê em jornais acredita apenas nos resultados
esportivos”. Lembrei-me da Febic. Inventamos o evento.
Fizemos crer que a Escola da Engenharia o
tenha organizado. Tivemos no papel o apoio de entidades governamentais voltados
à indústria. Fizemo-la ser inaugurada pelo Ministro da Indústria e Comercio e
pelo Governador Ildo Meneghetti. Na verdade - independentemente dos
diversos discursos usados para cada ocasião - captávamos recursos para ir à
Europa. Subsidiariamente a feira trouxe benefícios à engenharia, à Escola, aos
estudantes que nos sucederam e principalmente aos integrantes da AECI-65,
pelos ensinamentos, experiências e resultados do trabalho. Tanto ali como na
viagem que a sucederia.
Cabe especial lembrança do Diretor
Professor Leiseigneur de Faria que contribuiu de forma decisiva, cedendo
o espaço da Escola de Engenharia, e por sua tolerância no decorrer do preparo e
realização da feira. Convenhamos: bagunçamos a escola por dois ou três meses.
Também aos inesquecíveis Eládio Petrucci e Adamastor Urriath pelo apoio e
cessão do espaço do departamento para os escritórios da feira, e demais
professores do curso.
A 1º Febic foi a demonstração da capacidade de
uma geração em criar objetivo, métodos, planejamento e consegui-los. Sua
historia pode servir de inspiração a nossos filhos e netos, quando
a questão for busca dos objetivos.
Quando eleito presidente da AECI-65 com a
função de viabilizar a viagem do grupo à Europa, visitei o Mata-borrão prédio
público provisório construído na esquina da Borges de Medeiros com a Andrade
Neves, onde fica hoje o prédio da Caixa Estadual. Havia lá uma exposição não me
lembro do que. Pensei em fazer uma feira para arrecadar fundos para nossa
viagem. A ideia me veio à noite, na cama. Na manhã seguinte falei aos
companheiros da AECI. Com a discussão o embrião deu margem a planos e metas.
A ideia final foi utilizar os espaços da Escola
de Engenharia e fazer uma feira industrial. Fez-se uma comissão organizadora e
deu no que deu.
Voltando à festa de confraternização no
Germânia, cumpre registrar as notadas ausências dos que por motivos próprios
não compareceram. E os que se foram prematuramente, donde destaco o Francisco
Duarte Junior, o nenê. Que figura, que ausência.
As imagens que a maioria tem deles são as
gravadas há 40 anos, imortalizadas na foto da formatura.
O Carlos Alberto Rosito um dos mais
entusiastas organizadores do jantar não me conheceu de pronto quando da minha
chegada. Seus olhos ficaram velhos.
O Michelena e outros incansáveis aglutinadores
merecem mais do que aplausos. São heróis.
A minha sensação de intimidade e alegria foi
anterior a qualquer taça de vinho ingerida.
Não foi um encontro nostálgico. Foram momentos
alegres de descontração. Uma reunião de valentes remanescentes de uma geração
já fora do “prazo de garantia”.
Ficou a expectativa de novos encontros mais
restritos. Prometi manter contato e o faço. Sei das dificuldades, mas afinal, o
que temos a perder?
Ao final entrei no carro para retornar a casa e
pensei: as meninas do elevador tem razão. Foi bacana.
Hélio da Conceição Fernandes Costa.
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