terça-feira, 22 de novembro de 2011

A exata transvenção da Estante Pública

Não faz muito tempo – creio que por iniciativa de alguma empresa publicitária – foram instalados em Porto Alegre abrigos em paradas de ônibus com proteção lateral de material plástico e iluminação interna para veiculação de propagandas. O que se presumia como uma parceria do poder estatal com a intenção de proporcionar conforto aos usuários do transporte público acabou se tornando um transtorno face a ação de vândalos que infestam a nossa Capital, depredando todo e qualquer equipamento urbano necessário ao bem estar da comunidade e até desestimulando a sua pronta recuperação.
Essa proteção lateral consistia de um quadro metálico com a moldura inferior elevada a uns 40 centímetros do solo, revestido com painéis de plástico reforçado para propaganda, todos eles destruídos, restando hoje apenas a estrutura abandonada. Apesar da Prefeitura Municipal já ter providenciado na substituição de alguns desses abrigos por instalações mais simples, no entanto ainda se nota a existência dos mesmos em várias paradas de ônibus, constituindo sério risco para muitas pessoas que, distraídas, acabam levando “formidável rasteira” conforme presenciei dia desses um cidadão estatelar-se na calçada por descuido próprio.
Na semana seguinte, ao passar pelo local situado na Avenida Getúlio Vargas, entre as transversais Ganzo e Visconde de Herval, constatei o fechamento daquele quadro com madeira compensada, constituindo mais uma estante de livros de outras mais já instaladas por diversos bairros da cidade, em decorrência de um moderno conceito sobre “transvenção” (http://estantepublica.com.br/site/). Com essa proposta de intervenção cultural no meio ambiente pela comunidade, ameniza-se assim um problema de segurança para a integridade física do individuo gerado por incúria do poder público.
Ano passado, fui vítima de um desses acidentes no abrigo situado em frente ao Shopping Praia de Belas, que me ocasionou uma queda seguida de bater com a testa no solo, sendo socorrido por um dos seguranças daquele estabelecimento e levado ao ambulatório da Unimed ali situado e depois conduzido de ambulância ao Hospital Mãe de Deus, onde fui atendido e fiquei em observação, por mais de duas horas, até ficarem prontos os exames procedidos (tomografia, etc.). Na ocasião, foi feito levantamento fotográfico do local para ser encaminhado à Secretaria Municipal de Transportes, que até o momento nada providenciou.
Neste mundo conturbado em que vivemos atualmente, conforta-nos saber da existência de pessoas civilizadas e dispostas a dar o seu quinhão de solidariedade em prol do bem estar do seu semelhante, apoiando um nobre projeto de participação coletiva de Nomad Ind inscrito na Fundação Nacional de Artes, onde foi contemplado com a Bolsa de Estímulo à Criação Artística em Artes Visuais. Evidente que o êxito do empreendimento vai depender de uma atitude colaborativa, porém, se mantidas intactas as estruturas remodeladas, ao menos serão evitados graves acidentes pessoais nessas paradas de ônibus.

3 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom o teu comentário e análise da falta de consciência das pessoas e, inclusive, do poder público, que não dá atenção a coisas tão significativas no nosso dia-a-dia.
Parabens e um abraço, Hunder.

Estante disse...

Bom José Alberto!
Muito interessante o seu post.
Nos sentimos honrados em ser mencionados desta maneira e gostaríamos de citar seu texto em nosso site (estantepublica.com.br), você permite?
Um abraço

Jorge Passos disse...

Seu José,

A ação bárbara dos vândalos em Porto Alegre (tem o caso dos conteineres de lixo que também tem sido depredados) é lamentável. Ainda bem que há empreendimentos como a Estante Pública. Parabéns pela matéria.